Plano de austeridade agrava desigualdades em Portugal
57% da redução das despesas afecta os TFP e os pobres
77% do aumento de impostos incide sobre trabalhadores e pensionistas
RESUMO DESTE ESTUDO
O governo e o PSD aprovaram um plano de austeridade, mais conhecido por PEC1 e
PEC2, que visa reduzir o défice orçamental de 9,3% para apenas 2%
em 2013. Sócrates e o seu ministro das Finanças, têm
procurado fazer passar a mensagem junto da opinião pública que
esse plano distribui, de uma forma equitativa e justa, os sacrifícios.
Mas isso não é verdade, como se prova utilizando os dados do
próprio governo constantes do Relatório de
Orientação de Politica Orçamental 2010 que apresentou na
Assembleia da República na 1ª semana de Julho deste ano.
Para obter aquela redução do défice de 7,3 pontos
percentuais, o governo tenciona, entre 2010-2013, reduzir as despesas publicas
em 15.474 milhões , e aumentar as receitas do Estado,
fundamentalmente através da subida de impostos, em cerca de 22.182
milhões de euros.
Da redução das despesas em 15.474 milhões , 5.057
milhões , ou seja, 32,7%, são cortes nas Despesas com
Pessoal da Administração Pública. Para conseguir isto, o
governo, com o apoio do PSD, tenciona congelar as remunerações e
as carreiras, antecipar entrada em vigor da idade de aposentação
de 65 anos, congelar todas as entradas de trabalhadores na
Administração Pública o que, para além de
contribuir para o aumento do desemprego nomeadamente de jovens (o Estado era o
principal empregador de jovens licenciados), também provocará a
degradação de serviços públicos essenciais, como
já está a suceder na saúde, na educação, na
segurança social, na cobrança de impostos, no combate à
evasão e fraude fiscal, no cumprimento das leis laborais, etc.. Para
além disso, o governo tenciona no período 2010-2013 reduzir as
transferências do Orçamento do Estado para a Segurança
Social destinadas ao combate à pobreza em cerca de 3.828 milhões
. Para conseguir isso, o governo tenciona, por um lado, congelar as
prestações sociais com valores entre os 100 e 300,
portanto abaixo do limiar da pobreza e, por outro lado, agravar a chamada
"condição de recursos" para excluir milhares de pobres
do acesso a estas prestações. O Decreto-Lei 70/2010, que o
governo acabou de publicar tem precisamente esse objectivo. Será isto
uma repartição justa ou equitativa dos sacrifícios como
afirma o governo? Ou tais declarações governamentais terão
como objectivo enganar deliberadamente a opinião pública?
São as perguntas que naturalmente surgem. E com maioria de razão,
porque os restantes cortes na despesa que o governo pretende fazer são
no investimento público (menos 2.140 milhões de euros; o grave
não seria o congelamento do TGV, mas sim que este investimento
não seja substituído por um outro de maior interesse
económico e social para o desenvolvimento equilibrado do País,
como é a modernização da ferrovia convencional em que
todos os investimentos estão praticamente parados); e nos consumos
intermédios da Administração Pública, podendo estes
afectar alguns serviços públicos como a saúde. As
declarações de Passos Coelho e do PSD de que é
necessário reduzir drasticamente a despesa pública sem olhar
às consequências determinará, se o PSD for governo, a
redução ainda maior das despesas com a saúde,
educação e segurança social, porque só estas
representam mais de 62% das despesas, e para haver redução
significativa tinha-se de cortar nestas. Depois os portugueses seriam obrigados
a pagar esses serviços essenciais a privados a preços elevados.
Em relação ao aumento de 22.182 milhões nas
receitas no período 2010-2013, 12.735 milhões , ou seja,
57,4% resultam de aumentos de impostos. Se dividirmos os impostos em dois
grandes grupos impostos que incidem fundamentalmente sobre trabalhadores
e pensionistas, e impostos que incidem sobre empresas e especuladores
financeiros a conclusão é a seguinte: Os trabalhadores e
pensionistas suportarão cerca de 77,4% do aumento de impostos (9.857
milhões ); apenas 22,6% do aumento (2.878 milhões )
será suportado pelas empresas e especuladores financeiros. Só o
adicional no IRS de 1% e 1,5% determinará, segundo dados fornecidos pelo
governo à Assembleia da República, que a retenção
de IRS aumente, por ano, em 656 milhões , sendo 320 milhões
nos rendimentos tributáveis até 17500/ano, ou seja,
mais do que a receita da tributação de mais valias bolsistas, que
é de 250 milhões /ano. Dizer que isto representa uma
distribuição justa dos sacrifícios, como faz o governo,
é querer enganar a opinião pública.
A receita em falta (42,6% do total) teria como origem a
privatização das empresas públicas ou partes de capital
ainda detidas pelo Estado (REN, CTT, EDP, GALP, etc.), e resultante dos limites
que pretende impor ao endividamento das empresas públicas, as quais
enfrentam graves dificuldades financeiras pelo facto do Estado não
assumir as suas responsabilidades, o que poderá obrigá-las a
aumentar muito os preços de serviços prestados à
população (Metro, CP, etc).
É evidente que a redução da despesa pública e do
poder de compra da população, determinada pelo aumento dos
impostos, só pode gerar mais recessão e mais desemprego.
|
Uma das mensagens mais repetidas por Sócrates e pelo seu ministro das
Finanças é que o plano de austeridade (PEC1 e PEC2) para o
período 2010-2013, aprovado conjuntamente pelo governo e pelo PSD, que
visa reduzir o défice orçamental de 9,3% para apenas 2% do PIB,
distribui, de forma equitativa e justa, os sacrifícios. Ora isso
não é verdade. Para o provar vamos utilizar os próprios
dados do governo, transformando as percentagens do PIB do documento do governo
em euros, e analisando depois que classes sociais terão de os pagar.
Para fazer isso, utilizou-se a informação constante da
pág. 19 do Relatório de Orientação da Politica
Orçamental 2010 entregue pelo governo, no inicio de Julho, na
Assembleia da República onde foi debatido em 9.7. Como o governo
quantifica os efeitos das medidas em percentagens do PIB, o que torna
difícil a leitura por quem não esteja habituado a utilizar
variáveis macroeconómicas, para descodificar e tornar os valores
claros para qualquer leitor a primeira coisa que tivemos de fazer foi estimar,
para o período 2010-2013, os valores do PIB português a
preços correntes. Para isso, usou-se as taxas de crescimento do PIB
real, de inflação, e do deflator do PIB utilizados pelo
próprio governo. E os valores que se obtiveram para o PIB nominal, a
partir desses dados governamentais, foram os seguintes: PIB de 2010: 170.663
milhões ; de 2011: 174.947 milhões ; de 2012: 180.409
milhões ; e de 2013: 187.145 milhões . E é com
base nestes valores do PIB assim obtidos, e utilizando "as percentagens do
PIB referentes aos efeitos directos por comparação com
cenário de ausência de medidas", constantes da pág. 19
do Relatório apresentado pelo governo que se calcularam os valores dos
quadros I e II.
57% DO CORTE NAS DESPESAS INCIDE SOBRE OS TRABALHADORES DA FUNÇÃO
PUBLICA E POBRES, 13,8% É DE REDUÇÃO NO INVESTIMENTO, E
11,2% NOS CONSUMOS PÚBLICOS
Os dados do quadro seguinte, calculados a partir dos do Relatório de
Orientação de Politica Orçamental 2010, mostram de uma
forma clara a dimensão dos cortes em euros, e que classes sociais
vão ser mais afectadas com os cortes que o governo e do PSD acordaram
fazer.
QUADRO I Cortes nas despesas públicas no período 2010-2013
e que classes sociais as suportam
|
RUBRICAS
|
2010
|
2011
|
2012
|
2013
|
SOMA
Corte despesas
Milhões
|
|
Redução Despesas Pessoal da Função Pública
-Milhões
|
188
|
630
|
1.046
|
1.572
|
3.436
|
|
Redução despesas sociais -Imposição de tectos para
transferências do OE - M
|
137
|
507
|
812
|
1.011
|
2.466
|
|
Aceleração na Função Pública da
convergência do sistema de aposentação e
antecipação dos 65 anos para 2012 e 2013 - Milhões
|
0
|
350
|
541
|
730
|
1.621
|
|
Redução despesas consumo intermédio na
Administração Pública - Em Milhões
|
119
|
525
|
343
|
374
|
1.361
|
|
Redução das transferências para o Sector Empresarial do
Estado - Em Milhões
|
85
|
140
|
144
|
150
|
519
|
|
Redução juros Divida Pública Milhões
|
0
|
52
|
126
|
187
|
366
|
|
Adiamento Alta Velocidade - Milhões
|
0
|
0
|
235
|
356
|
590
|
|
Outras reduções Despesas de Capital (investimento público)
- Milhões
|
375
|
1.242
|
1.588
|
1.909
|
5.114
|
|
SOMA
|
905
|
3.446
|
4.835
|
6.288
|
15.474
|
|
Medidas gravosas que incidem directamente sobre trabalhadores da
Função Pública - Milhões
|
188
|
980
|
1.588
|
2.302
|
5.057
|
|
Medidas que reduzem meios para combater a pobreza - Milhões
|
137
|
507
|
812
|
1.011
|
3.828
|
|
Medidas que reduzem o investimento público - Milhões
|
375
|
1.242
|
1.822
|
2.264
|
2.140
|
|
Medidas que reduzem os meios financeiros ao dispor de serviços
públicos - Milhões
|
205
|
665
|
487
|
524
|
1.727
|
Fonte: Relatório de Orientação da Politica
Orçamental - Julho 2010 - Ministério das Finanças
Para reduzir o défice orçamental de 9,3% para apenas 2% do PIB,
no período 2010 a 2013, o governo e o PSD acordaram cortes nas despesas
públicas que totalizam 15.475 milhões . Deste total, 5.057
milhões , ou seja, 32,7%, são nas Despesas com Pessoal da
Administração Pública. É evidente que, para
além do congelamento das remunerações e das carreiras, e
da redução das despesas com pensões, o governo tenciona
alcançar tal objectivo congelando todas as entradas de trabalhadores na
Administração Pública o que, para além de
contribuir para o aumento do desemprego nomeadamente de jovens (o Estado era o
principal empregador de jovens licenciados), também provocará a
degradação de serviços públicos essenciais, como
já está a suceder na saúde, na educação, na
segurança social, na cobrança de impostos e combate à
evasão e fraude fiscal, no cumprimento das leis laborais, etc..
Em 2009, segundo o Boletim Informativo da DGO do Ministério das
Finanças, as transferências do Orçamento do Estado para a
Segurança Social, via Ministério do Trabalho e da Solidariedade,
para o combate à pobreza em Portugal totalizaram 7027,8 milhões
. Apesar da pobreza estar a aumentar em Portugal com o desemprego e com a
crise, o governo tenciona cortar mesmo nesta área para reduzir o
défice orçamental. No período 2010-2013, segundo o
Relatório de Orientação de Politica Orçamental
2010, o corte na despesa será de 3.828 milhões . As
transferências do OE para a Segurança Social em 2013 serão
inferiores às de 2009 mesmo em valores nominais. Para conseguir isso,
o governo, com o acordo do PSD, tenciona, por um lado, congelar
prestações sociais com valores entre os 100 e 300,
portanto abaixo do limiar da pobreza e, por outro lado, agravar a chamada
"condição de recursos" para excluir milhares de pobres
do acesso a estas prestações. O Decreto-Lei 70/2010, que o
governo publicou recentemente, que analisaremos num outro estudo, tem
precisamente esse objectivo. Os restantes cortes são no investimento
público (menos 2.140 milhões ; o grave não seria o
congelamento do TGV, mas sim que este investimento não seja
substituído por outro de maior interesse económico e social para
o desenvolvimento do País, como é a modernização da
ferrovia convencional, onde quase todos os investimentos estão parados
perante a passividade geral); e nos consumos intermédios da
Administração Pública, podendo estes afectar alguns
serviços públicos como a saúde.
QUADRO II Aumento de receitas do Estado previstas para o período
2010-2013 e que classes sociais as terão de suportar
|
RUBRICAS
|
2010
|
2011
|
2012
|
2013
|
SOMA
Aumento de receitas
Milhões
|
|
Imposto sobre mais valias mobiliárias - Milhões
|
0
|
245
|
253
|
262
|
760
|
|
Aumento de IRC devido tributação adicional de 2,5pp-
Milhões
|
154
|
402
|
397
|
393
|
1.346
|
|
Alargamento da base contributiva da Seg. Social e taxa de 45% sobre rend.
>150.000 - Milhões
|
68
|
297
|
487
|
692
|
1.545
|
|
Aumento do IRS devido tributação adicional de 1% e 1,5% no IRS -
Milhões
|
393
|
770
|
776
|
767
|
2.705
|
|
Aumento de IRS devido redução das deduções no IRS
de despesas de educação e de saúde - Milhões
|
393
|
455
|
469
|
487
|
1.803
|
|
Aumento do IRS devido congelamento até 2014 da dedução
especifica por rendimentos de trabalho
(72% x 12 x SMN) não considerada pelo governo no "Relatório
de Orientação da Politica Orçamental mas constante da
pág. 32 do pEC:2010-2013"
|
0
|
83
|
165
|
248
|
496
|
|
Aumento de IRS sobre pensionistas devido redução
dedução especifica pensões superiores a
22.500/ano-Milhões
|
0
|
105
|
108
|
112
|
326
|
|
Aumento 1 pp na taxa do IVA Milhões
|
461
|
1.155
|
1.155
|
1.160
|
3.930
|
|
SCUTS - Portagens - Milhões
|
0
|
192
|
198
|
206
|
597
|
|
PRIVATIZAÇÔES - Milhões
|
0
|
1.714
|
1.407
|
1.216
|
4.338
|
|
SEE - Limites endividamento -Milhões
|
0
|
1.207
|
1.407
|
1.722
|
4.336
|
|
SOMA
|
1.468
|
6.626
|
6.822
|
7.266
|
22.182
|
|
Aumento de impostos que incidem sobre empresas, patrões e especuladores
financeiros - Milhões
|
188
|
796
|
893
|
1.001
|
2.878
|
|
Aumento de impostos que incidem fundamentalmente sobre trabalhadores e
pensionistas - Milhões
|
1.246
|
2.759
|
2.871
|
2.980
|
9.857
|
|
Medidas que reduzem capacidade do Estado para intervir na economia -
Milhões
|
0
|
1.714
|
1.407
|
1.216
|
4.338
|
|
Medidas que limitam capacidade de financiamento das empresas públicas -
Milhões
|
0
|
1.207
|
1.407
|
1.722
|
4.336
|
Fonte: Relatório de Orientação da Politica
Orçamental - Julho 2010 - Ministério das Finanças
No Relatório que apresentou na Assembleia da República o governo
não quantifica uma medida que consta da pág. 32 do PEC:2010-2013,
e que é a seguinte: ": " congelamento do valor das
deduções do IRS indexadas à retribuição
Mínima Mensal Garantida" directamente até 2013,
indirectamente até 2015 (ver nosso estudo 16-2010). De acordo com
estimativas que contam desse estudo tal medida deverá determinar um
aumento de IRS para os trabalhadores que calculamos em 1.239,98 milhões
no período 2011-2015. Devido a este "esquecimento" do
governo vimos obrigados a considerar essa medida como consta do quadro
anterior.
No período 2010-2013, o governo prevê um aumento de receitas,
determinado pelas medidas constantes do PEC1 e PEC2, de 22.182 milhões
de euros. Deste total, 12.735 milhões de euros, ou seja, 57,4% resultam
de aumentos de impostos. Se dividirmos os impostos em dois grandes grupos
impostos que incidem fundamentalmente sobre trabalhadores e
pensionistas, e impostos que incidem sobre empresas e especuladores financeiros
a conclusão a que se chega é a seguinte: Serão
fundamentalmente os trabalhadores e os pensionistas que suportarão
cerca de 77,4% deste aumento de impostos (9.857 milhões ); apenas
22,6% do aumento (2.878 milhões ) será suportado pelas
empresas e pelos especuladores financeiros. A pergunta que naturalmente surge
é esta: Será isto uma repartição equitativa e justa
de sacrifícios, como não se cansa de repetir Sócrates e o
ministro das Finanças? Ou tal afirmação não
deverá ser interpretada como a intenção deliberada de
enganar a opinião pública? O leitor que responda a estas
perguntas.
O restante aumento de receitas, ou seja, 42,6% do total (8.674 milhões
) terão como origem a privatização das
últimas empresas públicas ou partes de capital que o Estado ainda
detém em outras empresas (REN, CTT, EDP, GALP, etc), reduzindo assim a
capacidade de intervir na economia na defesa de um crescimento que respeite os
interesses dos portugueses (o governo privatiza e depois queixa-se de que os
interesses estratégicos nacionais não são considerados
pelas accionistas das empresas que ele próprio privatizou, como
aconteceu recentemente na PT, o que revela a duplicidade da politica de
privatizações), sendo o restante consequência da
imposição de limites ao endividamento das empresas
públicas, que enfrentam já graves dificuldades financeiras
consequência precisamente do facto do Estado não assumir as suas
responsabilidades, o que poderá obrigar essas empresas a aumentar os
preços de serviços prestados à população
(casos do Metro, CP, etc.).
O QUE PRETENDE O PSD COM A CAMPANHA DE REDUÇÃO DRÁSTICA
DAS DESPESAS PÚBLICAS
Segundo o Boletim Informativo da execução orçamental de
Dezembro de 2009 da DGO do Ministério das Finanças, em 2009 o
Estado gastou com as funções sociais, ou seja, com a
educação, saúde, segurança social,
habitação social etc. dos portugueses 30.305,9 milhões
, o que corresponde a mais de 62% das suas despesas totais. Neste valor
não estão incluídos nem as despesas com a segurança
e ordem pública (3030 milhões ), nem com a defesa nacional
(1923,5 milhões ), nem com a divida pública (5005,5
milhões ), etc..
Passos Coelho não se cansa de repetir que, quando for governo, vai
reduzir drasticamente as despesas públicas, mas não diz nem
dirá onde vai fazer isso, enquanto não conseguir chegar ao
governo. E isso porque naturalmente pensa fazê-lo realizando grandes
cortes nas despesas sociais educação, saúde,
segurança social , pois só cortando nestas é que se
poderá reduzir drasticamente a despesa pública de que tanto fala,
ou seja, nas despesas com serviços essenciais à
população, obrigando depois os portugueses, se quiserem ter esses
serviços, a pagar elevados preços a empresas privadas. E quem
não tiver dinheiro não terá acesso a eles. É
preciso não esquecer isto quando se ouve o "canto de sereia"
de Passos Coelho e do PSD que vai diminuir impostos reduzindo drasticamente a
despesa pública. Se se esquecer a surpresa será naturalmente
depois muito grande.
09/Julho/2010
[*]
Economista,
edr2@netcabo.pt
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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