Já é tempo de tratar do Pico Petrolífero
O conceito de "Pico Petrolífero" que a taxa de
produção do petróleo do mundo em breve atingirá o
seu máximo e começará um declínio
inevitável, com consequências económicas negativas
tem estado a circular numa forma cientificamente articulada pelo menos desde
1998, tempo suficientemente longo para vê-la confirmado de modos
significativos.
A taxa de descoberta de novos campos de petróleo tem estado a cair desde
1964. O maior achado em anos recentes é o Tupi, nas águas
brasileiras, no qual se afirma conter cinco a oito mil milhões de barris
de petróleo; mas isso é suficiente apenas para saciar a sede do
mundo durante 60 a 90 dias. A maior parte dos países produtores
já ultrapassaram os seus picos internos e estão a experimentar
produção declinante, apesar de todos os esforços para
manter as taxas do seu fluxo.
Os cépticos destacam que o total das reservas mundiais de
petróleo continua a crescer. Mas isto pode não ser um indicador
confiável quanto à nossa posição. Muitas vezes, em
países que viram um pico e o declínio subsequente da
produção, as reservas internas continuaram a ascender, ou mesmo
ultrapassaram, a data do pico da produção. Por que? As companhias
de petróleo substituem reservas de alta qualidade, de petróleo de
produção barata, por reservas de baixa qualidade, lenta, ou carta
para produzir, ou areias betuminosas.
As taxas de declínio da produção nos campos
petrolíferos gigantes, mais antigos, demonstram ser indicadores mais
confiáveis das tendências a longo prazo. (Exemplo: permitiram
previsões com êxito do pico para os Estados Unidos, o Mar do Norte
e outras regiões). Para o mundo, a taxa de declínio médio
dos campos existentes foi calculada pela Agência Internacional de Energia
em 4,5% ao ano. O mundo precisa desenvolver o equivalente da
produção de petróleo de uma Arábia Saudita a cada
quatro anos para compensar tais declínios. Isto é um fardo
absoluto para a indústria, a qual deve agora deve agora procurar
petróleo em águas ultra-profundas, em regiões polares ou
países politicamente fracturados, uma vez que todo o petróleo
fácil de descobrir e fácil de extrair já foi localizado e
grande parte dele já foi bombeado.
Até agora, o recorde anual da produção mundial de
petróleo bruto deu-se em 2005 e o recorde mensal foi em Julho de 2008.
De forma reveladora, a queda das taxas de extracção entre 2005 e
2008 verificou-se no contexto da ascensão dos preços do
petróleo. Na verdade, em Julho de 2008, o preço disparou em 50%
mais alto do que o recorde anterior ajustado à inflação,
estabelecido na década de 1970. Ainda assim, com a ascensão da
procura e dos preços, a produção em resposta mal se moveu.
Enquanto muitos comentadores acreditam que o julgamento sobre o Pico
Petrolífero ainda está em suspenso, a lista de analistas de
petróleo que dizem ter a produção mundial já
atingido o pico, o que assim o fará nos próximos cinco anos,
estende-se quase diariamente e inclui presidentes de empresas e outros
líderes bem colocados dentro da indústria do petróleo.
O argumento de que a produção de petróleo teoricamente
poderia continuar a crescer após 2015 é avançado
principalmente por organizações tais como a Cambridge Energy
Research Associates e a Saudi Aramco, os quais tornam claro a evidência
de definhamento das descobertas, dos campos petrolíferos em esgotamento
e a estagnação da produção total afirmando que
é a procura por petróleo que atingiu o pico, não a oferta
uma afirmação que repousa sobre a observação
de que os preços do petróleo estão bastante altos para
desencorajar compradores potenciais. Mas altos preços para uma commodity
habitualmente significam escassez, de modo que o argumento do "pico da
procura" não se sustenta.
O Pico Petrolífero tem implicações significativas para a
nossa economia. Em resposta ao disparar do preço de 2008, a
indústria global da aviação afundou drasticamente e as
companhias automobilísticas sofreram. A navegação mundial
reduziu-se drasticamente e não se recuperou. A procura por
petróleo mergulhou no fim de 2008 e assim aconteceu com o preço
temporariamente. Mas o preço de hoje está outra vez
elevado, quase ao ponto de estragar a recuperação
económica.
O que deveríamos fazer acerca do Pico Petrolífero? Comecemos com
o que fez a U.K. Industry Task Force on Peak Oil (a qual inclui Sir Richard
Branson da Virgin Airlines): Reconhecer a realidade dos limites da oferta. A
seguir estudar as vulnerabilidades dos sistemas de transporte e alimentares aos
altos e voláteis preços do petróleo, e então
começar a tornar aqueles sistemas mais resilientes e menos dependentes
do petróleo.
Mas fazer isso rapidamente. A adaptação levará
décadas e estamos a começar muito tarde.
O original encontra-se em
http://www.countercurrents.org/heinberg200310.htm
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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