Não ao retrocesso social!
por CGTP-IN
O "acordo" celebrado pelas confederações patronais com
a UGT constitui o maior atentado aos direitos dos trabalhadores e um retrocesso
social sem precedentes nas relações de trabalho em Portugal.
É óptimo para o grande patronato e inaceitável para os
trabalhadores e as suas famílias porque acentua a
exploração, as desigualdades e o empobrecimento.
É um compromisso que coloca o Estado e o dinheiro dos nossos impostos
ao serviço dos grandes grupos económicos e financeiros e
fragiliza a segurança social, ao forçá-la a financiar as
empresas para baixar salários, generalizar a precariedade e, de seguida,
enviar os trabalhadores para o desemprego.
Este é o "acordo" da capitulação que subverte o
princípio constitucional de proibição de despedimento sem
justa causa, abrindo a porta de par em par aos despedimentos por
inadaptação, decorrentes da "quebra de produtividade ou de
qualidade", sempre associada a objectivos definidos e impostos pelo
patronato aos trabalhadores.
Mas é, também, o "acordo" que pretende:
- - Reduzir indemnizações e o valor do subsídio de
desemprego, penalizando ainda os desempregados em 10% da sua
prestação, caso não encontrem emprego no prazo de 6 meses;
- - Atacar a contratação colectiva, procurando substitui-la pelas
relações individuais de trabalho;
- - Cortar 4 feriados e 3 dias de férias, retomando ao tempo da idade
média quando os servos eram obrigados a prestar vários dias de
trabalho gratuito, por ano, aos senhores e ao Estado;
- - Eliminar o descanso complementar relativo à prestação
de trabalho extraordinário e reduzir o valor do seu pagamento a um
limite de 50%, com consequências imediatas na diminuição da
retribuição;
- - Acentuar o unilateralismo patronal, através dos bancos de horas
individuais e grupais, para pôr os trabalhadores a trabalhar mais e a
receber menos, em simultâneo com a possibilidade de gerir os dias de
férias destes, nas pontes, de acordo com os interesses e objectivos das
empresas.
- - Subverter o papel da ACT, pondo-a a servir os objectivos das empresas em vez
de intervir nos locais de trabalho para assegurar a efectivação
dos direitos dos trabalhadores, consagrados na contratação
colectiva e na lei.
Com a luta, derrotámos a meia hora. Com a luta, obteremos outras
vitórias! Este é o "acordo" que não só
não resolve as questões relacionadas com a competitividade, como
agrava os problemas estruturais do país. Mas resolve grande parte da
obsessão exploradora do grande patronato ao oferecer-lhe a chave do
euromilhões à custa da assinatura da UGT, que ainda há
poucos meses, no pré-aviso subscrito com a CGTP-IN para a Greve Geral de
24 de Novembro de 2011, assumia como objectivo fundamental da luta dos
trabalhadores portugueses:
"Combater a desregulamentação laboral que vem sendo
apontada, particularmente a nível dos despedimentos, das
indemnizações, das reduções no subsídio de
desemprego e nas horas extraordinárias e da fragilização
da contratação colectiva, enquanto instrumento de progresso
social". Como é evidente, estamos perante uma tentativa macabra de
substituir o "direito de trabalho" como um elemento de
protecção da parte mais desprotegida nas relações
de trabalho pelo "direito de trabalho do patronato".
Para a CGTP-IN, este não é um processo encerrado. Esclarecer,
organizar e mobilizar os trabalhadores contra esta monstruosidade aos direitos
laborais e sociais, constitui um imperativo de todo o movimento sindical.
Foi a luta dos trabalhadores que derrotou o aumento do horário de
trabalho. Será a luta dos trabalhadores que pode fazer frente
àquela que é a maior declaração de guerra feita aos
trabalhadores, depois da Revolução de Abril.
Participar no desfile previsto para o dia 18 de Janeiro (Rua do Carmo /
Assembleia da República), contra o aumento do horário de trabalho
e preparar, ainda com mais determinação, a Grande
Manifestação do dia 11 de Fevereiro, é um imperativo de
todos os que lutam por "um Portugal desenvolvido e soberano; trabalho com
direitos", como consagra o lema do XII Congresso da nossa Central.
Juntos vamos conseguir!
18/Janeiro/2012
Ver também: O crime
O original encontra-se em
http://cgtp.pt//index.php?option=com_content&task=view&id=2418&Itemid=1
Este comunicado encontra-se em
http://resistir.info/
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