Esquerda europeia pronuncia-se sobre a Bolívia
Deputados da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde
(GUE/NGL) apresentaram dia 6 ao Parlamento
Europeu a Proposta de Resolução B6-0367/2005 sobre os conflitos na
Bolívia. A proposta será debatida nos próximos dias em
Estrasburgo e reflecte a posição da coligação de
esquerda europeia acerca das mobilizações populares naquele
país.
A - Considerando que vinte anos depois de ter aplicado as medidas
económicas preconizadas pelas instituições financeiras
internacionais, e apesar dos seus imensos recursos naturais, a Bolívia
figura nos primeiros lugares em termos de índices de pobreza entre os
países da América Latina;
B Considerando que a maioria indígena da Bolívia tem
estado tradicionalmente excluída do poder e que agora reivindica,
legitimamente, participar nas decisões que respeitam ao destino do
país, especialmente as relativas à utilização dos
seus recursos naturais;
C Considerando que vários contratos de concessão de
exploração dos recursos naturais foram aprovados por governos
anteriores, sem transparência e sem consulta ao Parlamento boliviano, e
que muitos deles agridem gravemente os interesses da Bolívia,
particularmente no que respeita aos preços de venda de hidrocarbonetos
ao estrangeiro, sobre os quais são calculadas as porcentagens a que o
estado boliviano tem direito;
D Considerando que em vários casos, a exploração de
hidrocarbonetos que se faz na Bolívia provoca graves danos ao meio
ambiente, inclusivamente nas zonas teoricamente protegidas (15,2% do
território), bem como às populações
indígenas, às suas culturas e à preservação
do seu modo de vida;
E Considerando a existência de um projecto racista, a
Nação Camba, promovido por sectores agro-industriais
de Santa Cruz, com o objectivo de açambarcar os lucros sobre os
hidrocarbonetos em seu exclusivo benefício, sem considerar os
benefícios desses recursos no plano nacional;
F Considerando o desvio da luta contra o tráfico de droga para a
repressão dos camponeses, a criminalização dos movimentos
sociais e a proibição do secular consumo de coca, planta que
possui virtudes medicinais, tradicionalmente consumida pelos indígenas;
1- Saúda o facto de a maioria pobre e indígena da Bolívia
reivindicar, de maneira crescente, mediante grandes mobilizações
de massas e pela via representativa, uma verdadeira participação
nas decisões políticas e económicas;
2- Rejeita toda a tentativa de recurso à força, toda a tentativa
de golpe de estado militar, opõe-se a toda a intervenção
estrangeira e a toda a ingerência nos assuntos internos da Bolívia;
3- Considera totalmente legítima a luta pacífica do povo
boliviano pela recuperação dos recursos naturais do país,
nomeadamente os hidrocarbonetos, a água, a terra, a fim de que eles
sejam postos ao serviço dos direitos sociais e do bem estar
económico de todos os bolivianos;
4- Recorda que os povos possuem total soberania sobre os seus recursos
naturais, pelo que não se pode dispor deles senão através
da vontade popular democraticamente expressa;
5- Exorta as autoridades bolivianas a criarem os meios necessários para
garantir que a exploração dos hidrocarbonetos se faça sem
a destruição do meio ambiente e sem ameaçar a
sobrevivência das culturas indígenas;
6- Exorta as autoridades bolivianas a protegerem os direitos das comunidades
indígenas sobre as terras que elas ocupam e a necessidade de uma reforma
agrária que garanta trabalho e proventos aos milhões de
camponeses sem terra;
7- Manifesta a sua preocupação face às propostas de
secessão, preconizadas pela minoria racista de Santa Cruz, exige que
seja preservada a integridade do território boliviano, a fim de que as
suas riquezas beneficiem todos, e exorta os bolivianos a alcançarem um
acordo satisfatório para a renovação das
instituições, de modo a que possam responder às novas
exigências de participação das maiorias do país;
8- Exorta todos os responsáveis a respeitar o direito de
expressão e os protestos pacíficos, opõe-se à
criminalização dos protestos sociais e exige que sejam garantidos
a integridade física dos líderes do movimento social, alguns dos
quais foram objecto de ameaças e, por sua vez, exige a
libertação do dirigente camponês Francisco Cortes. Pede
à OEA que decida medidas de protecção aos dirigentes do
movimento social que foram ameaçados, entre eles Evo Morales Aima, Abel
Mamani, Leónida Zurita e Roberto da Cruz;
9- Exige que seja reorientada a luta contra as drogas de forma a que ela deixe
de reprimir os cultivadores de coca, que deixe de servir de pretexto para
reprimir os movimentos sociais e que seja orientada para a repressão dos
verdadeiros traficantes e do branqueamento de dinheiro;
10- Exige à Comissão Europeia o aumento significativo da ajuda ao
desenvolvimento da Bolívia e o financiamento prioritário de
alternativas sustentáveis e a redução radical da pobreza;
exige que a UE promova a utilização e a
comercialização (exceptuando fórmulas alucinógenas)
da folha de coca, como medicamentos, chá, champô, cremes para a
pele, etc.;
11- Exige aos Estados membros da UE que influenciem as
instituições financeiras internacionais, a fim de resolver o
problema da dívida externa da Bolívia, que impede o seu
desenvolvimento;
12- Encarrega o seu presidente de transmitir a presente resolução
ao Conselho, à Comissão, à Secretaria Geral das
Nações Unidas e ao governo da Bolívia.
[*]
assinaturas:
1. M. WURTZ, Francis, Presidente, França
2. Fru SVENSSON, Eva-Britt , Vice-presidente, Suécia
3. pan RANSDORF, Miloslav , Vice-presidente, República Checa
4. Sra. FIGUEIREDO, Ilda , Vice-presidente, Portugal
5. Mevr. LIOTARD, Kartika Tamara , Vice-presidente, Países Baixos
6. Hr. KRARUP, Ole , Membro da mesa, Dinamarca
7. Ka MANOLAKOU, Diamanto , Membro da mesa, Grécia
8. Mrs McDONALD, Mary Lou , Membro da mesa, Irlanda
9. Sr. MEYER PLEITE, Willy , Membro da mesa, Espanha
10. On. MUSACCHIO, Roberto , Membro da mesa, Itália
11. k. PAPADIMOULIS, Dimitrios , Membro da mesa, Grécia
12. On. RIZZO, Marco , Membro da mesa, Itália
13. SEPPÄNEN, Esko , Membro da mesa, Finlandia
14. k. TRIANTAPHYLLIDES, Kyriacos , Membro da mesa, Chipre
15. Herr MARKOV, Helmuth , Tesoureiro, Alemanha
16. pan MASTÁLKA, Jirí , Tesoureiro adjunto, República
Checa
17. k. ADAMOU, Adamos , Membro, Chipre
18. On. AGNOLETTO, Vittorio , Membro, Itália
19. On. BERTINOTTI, Fausto , Membro, Itália
20. Herr BRIE, André , Membro, Alemanha
21. On. CATANIA, Giusto , Membro, Itália
22. Mrs de BRÚN, Bairbre , Membro, Reino Unido e Irlanda do Norte
23. FLASAROVÁ, Vera , Membro, República Checa
24. Sr. GUERREIRO, Pedro , Membro, Portugal
25. On. GUIDONI, Umberto , Membro, Itália
26. M. HENIN, Jacky , Membro, França
27. Frau KAUFMANN, Sylvia-Yvonne, Membro, Alemanha
28. pan KOHLÍCEK, Jaromír , Membro, República Checa
29. De Heer MEIJER, Erik , Membro, Países Baixos
30. Sig.ra MORGANTINI, Luisa , Membro, Itália
31. k. PAFILIS, Athanasios , Membro, Grécia
32. Herr PFLÜGER, Tobias , Membro, Alemanha
33. Sr. PORTAS, Miguel , Membro, Portugal
34. pan REMEK, Vladimír , Membro, República Checa
35. Hr. SJÖSTEDT, Jonas , Membro, Suécia
36. pan STROZ, Daniel , Membro, República Checa
37. k. TOUSSAS, Georgios , Membro, Grécia
38. Frau UCA, Feleknas , Membro, Alemanha
39. M. VERGES, Paul , Membro, França
40. Frau WAGENKNECHT, Sahra , Membro, Alemanha
41. Frau ZIMMER, Gabriele , Membro, Alemanha
O original encontra-se em
http://www2.europarl.eu.int/
. Tradução de JPG.
Esta Proposta de Resolução encontra-se em
http://resistir.info/
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