Brasil
O pedido de demissão da ministra do Ambiente
por MST
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, entregou na manhã desta
terça-feira (13/05) uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da
Silva na qual pede o seu desligamento do cargo, em caráter
irrevogável. Na nossa avaliação, o governo Lula
está em dívida com o povo brasileiro, com os movimentos sociais e
ambientalistas em relação à sua política ambiental,
especialmente com o apoio ao modelo do agronegócio. Abaixo, elencamos
nove pontos sobre o tema nos último período:
1- Foram aprovadas variedades de milho transgênico, que vão trazer
enormes prejuízos para toda a agricultura familiar e camponesa. O milho
tem uma fertilização aberta, com o pólen viajando a
distâncias grandes, o que representa um risco de
contaminação de um enorme estoque de sementes crioulas, com base
genética ancestral dos povos indígenas.
2- Foram liberadas uma série de obras dentro do chamado PAC (Programa de
Aceleração do Crescimento), especialmente de centrais
hidrelétricas, sem levar em consideração os impactos
ambientais e sociais, como planos para o re-assentamento das famílias
atingidas por barragens.
3- A aprovação da MP-422 legaliza a grilagem
[1]
de terras na
Amazônia em propriedades controladas de forma irregular até 1.500
hectares, quando a Constituição Federal determinada apenas
até 100 hectares.
4- O projeto de transposição do Rio São Francisco
desconsidera as precauções com a preservação e
ignora os impactos ambientais no leito do rio e nos canais.
5- As empresas de papel e celulose implementam projetos para a expansão
da monocultura do eucalipto em imensas áreas, desde o Espírito
Santo até o Rio Grande do Sul, desrespeitando a legislação
brasileira com a instalação de desertos verdes.
6- A expansão da monocultura da cana-de-açúcar, para a
produção e exportação do etanol, trará
enormes prejuízos para o meio ambiente, em especial no estado de
São Paulo e na região do Cerrado no centro-oeste do país.
7- Não há uma posição clara do governo contra o
projeto do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que reduz a área de floresta
mínima por imóvel para 50% na região da Amazônia,
sendo chamado pelos movimentos sociais de "Floresta Zero".
8- O governo não se empenhou na fiscalização para garantir
a aplicação da lei que determina que todos os alimentos
transgênicos sejam rotulados com um símbolo para
identificação e uma advertência. Com isso, poucas empresas
cumprem a determinação legal.
9- As linhas da política para as florestas brasileiras não
são claras e, com isso, diversos setores têm duvidas sobre sua
eficácia, avaliando que algumas iniciativas podem contribuir para a
desnacionalização e privatização de um
patrimônio do povo brasileiro e da Nação.
O MST avalia que a ministra do Meio Ambiente Marina Silva tinha
posições pessoais contrárias a determinadas
posições do governo. Não cabe ao Movimento julgar pessoas,
mas analisar com profundidade as medidas tomadas nos últimos seis anos.
Nesse sentido, o governo Lula está em dívida com o povo
brasileiro em relação à sua política ambiental.
Direção Nacional do MST
[1]
Grilagem: roubo de terras.
O original encontra-se em
http://www.mst.org.br
Este comunicado encontra-se em
http://resistir.info/
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