Fora Temer: intensificar a luta contra o Estado Burguês
A aprovação do impedimento de Dilma Rousseff por 61 votos contra
20 no Senado da República encerra um tortuoso período no qual se
operou uma manobra institucional espúria e oportunista que combinou
aspectos parlamentares, judiciais e midiáticos para depor a presidente
eleita.
Os interesses que movem esta manobra ficam evidentes nos atos e no programa do
presidente usurpador e da coligação que o sustenta: a reforma da
previdência, o ataque aos direitos dos trabalhadores na reforma
trabalhista, a desvinculação dos aumentos do salário
mínimo dos benefícios previdenciários, o congelamento dos
gastos públicos por vinte anos, a violência do ajuste fiscal para
garantir as condições favoráveis ao pagamento da
dívida pública, a entrega do Pré-sal, o ataque à
saúde e à educação pública e a prioridade
aos interesses privados dos grandes monopólios e do capital estrangeiro.
Mais uma vez serão os trabalhadores que pagarão a conta dos
acertos dos poderosos. Muitos iludidos e manipulados pela grande mídia,
logo perceberão o caráter reacionário do governo do
usurpador Temer e de seus aliados. Manipulados pelo sentimento contrário
à corrupção, criaram-se as condições para um
governo que, além de intrinsecamente corrupto, se mostrará como
um verdadeiro serviçal dos interesses poderosos do grande capital
monopolista e do imperialismo.
É flagrante a conivência de todas as esferas do poder do Estado
nesta manobra parlamentar institucional, com destaque para o Supremo Tribunal
Federal que zelou para referendar um processo baseado em flagrante ilegalidade,
diante da ausência do crime de responsabilidade. O parlamento, o
judiciário e o executivo, quando já dirigido pelo presidente
interino, combinaram suas ações de maneira eficiente para levar
ao desfecho esperado.
O usurpador Temer fala agora em pacificação, em unidade nacional
que estaria acima de interesses partidários e da necessidade do
sacrifício de todos em nome do crescimento econômico. Mas,
não haverá paz para o governo ilegítimo. Os trabalhadores
devem resistir aos ataques a seus direitos e à ilegitimidade desse
governo dificultará bastante seus anseios pela estabilidade de que
necessita para atrair os investimentos através dos quais pretende vender
o país para os interesses imperialistas, já na sua viagem para
participar do encontro do G20 na China.
Depois de anos de pacto social e de ilusão de classes, viveremos um
período de radicalização das lutas sociais e das
resistências populares, ao mesmo tempo que o conservadorismo e a
reação que cresceram no último período
produzirão um ambiente de confronto e repressão. Neste
cenário, cresce a necessidade de unidade entre as forças de
esquerda, buscando a constituição de uma real alternativa de
poder que possa enfrentar os verdadeiros problemas de nosso pais na perspectiva
dos trabalhadores e da maioria da população. O PCB reitera sua
posição de que esta alternativa deverá ser anticapitalista
e socialista, evitando cair, novamente, na ilusão de classes em
alianças com setores da burguesia, que levou a este episódio
lamentável.
O governo de Temer nasce ilegítimo e indigno, sendo impossível
maquiá-lo de legalidade por mais que assim se esforcem os aparatos
judiciários, a grande mídia e o ritual das
instituições estabelecidas. Nasce medroso, intimidado,
escondendo-se do povo. Nasce pequeno e enlameado pelo oportunismo. Terá
o apoio dos poderosos. Mas terá a firme e decidida
oposição dos trabalhadores e dos setores populares. Sabemos, no
entanto, que a única força capaz de desmascará-lo vem das
lutas sociais e da resistência que formos capazes de empreender.
As classes dominantes e seus serviçais, que levaram a cabo esta triste
página de nossa história, cedo ou tarde responderão diante
do juízo da história por seus atos. Mais uma vez ficou comprovado
o caráter burguês do Estado brasileiro e o caráter
reacionário das classes dominantes.
O PCB, que aprendeu com sua experiência a não confiar no Estado
burguês e em qualquer aliança como as classes dominantes, reafirma
sua confiança de que os trabalhadores também apreenderam a
confiar em si mesmos e construir sua própria alternativa socialista e
revolucionária.
Fora Temer!
Pelo Poder Popular!
Pelo Socialismo!
Partido Comunista Brasileiro
Comitê Central, 3 de setembro de 2016
O original encontra-se em
pcb.org.br/portal2/11993
Esta nota encontra-se em
http://resistir.info/
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