Toda solidariedade aos médicos cubanos!
Por um programa de saúde universal e 100% público!
O Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB) vem a
público externar seu mais veemente repúdio às
declarações depreciativas e ameaçadoras do presidente
eleito Jair Bolsonaro à presença dos médicos cubanos no
Brasil, provocando a reação do Ministério da Saúde
cubano, que anunciou, no último dia 14, a interrupção de
sua participação no programa brasileiro, inaugurado em 2013.
Desde o início do programa criado pelo governo da ex-presidente Dilma
Roussef e mesmo ainda se tratando de uma iniciativa insuficiente para atender
plenamente as necessidades da população brasileira, cerca de 20
mil colaboradores cubanos ofereceram atenção médica a 113
milhões 359 mil pacientes, em quase quatro mil cidades no Brasil. Em
mais de 700 municípios foi a primeira vez que a população
local teve acesso a um tratamento médico.
Objetivamente, os médicos cubanos atuaram nos lugares de pobreza mais
extrema no interior do Brasil, em favelas das grandes cidades, nos 34 Distritos
Especiais Indígenas, na Amazônia. Onde atuaram, os médicos
cubanos tiveram seu trabalho profissional reconhecido pela
população assistida, especialmente as pessoas mais pobres, que
passaram a ter uma atenção mais cuidadosa e marcada pela
preocupação com um atendimento humanizado e promotor de qualidade
de vida.
Muitos destes médicos atuavam, sozinhos, em mais de 1.500
municípios, cuidando de 24 milhões de pessoas. Tendo em vista que
nem o governo Temer, que aprovou emenda constitucional congelando as verbas de
programas sociais e da saúde por 20 anos, nem Bolsonaro têm
interesse em promover uma política pública de saúde,
já que defendem abertamente medidas privatizantes, de uma hora para
outra, muito mais gente vai ficar sem atendimento médico no Brasil.
Além de ter desenvolvido uma saúde pública de ponta,
totalmente financiada pelo Estado e atendendo, de forma universal e gratuita, o
conjunto das necessidades da população de Cuba, o governo
socialista cubano, ao longo dos quase 60 anos de história, desde a
Revolução de janeiro de 1959, presta solidariedade
internacionalista concreta em todo o mundo, por meio de iniciativas que
expressam uma verdadeira ajuda humanitária e também
através de convênios com diversos países, formas de
obtenção de divisas para o país que até hoje sofre
com o bloqueio econômico criminoso imposto pelos Estados Unidos.
Até o final de 2016, médicos cubanos trabalhavam em 62
países, dos quais em apenas 35 o governo cobrou por seus
serviços. Esta atividade atualmente representa a principal fonte de
captação de recursos do governo socialista, logo acima do turismo.
Os profissionais cubanos estão atuando em 24 países da
América Latina e do Caribe, em 27 nações da África
subsaariana, em dois do Oriente Médio e da África setentrional,
em sete da Ásia Oriental e do Pacífico, além de
Rússia e Portugal. Cuba também oferece serviços gratuitos
por intermédio do Programa Integral de Saúde, destinado a 27
países mais pobres, tais como Haiti, Bolívia, El Salvador,
Guatemala, Nicarágua, Honduras, Etiópia, Congo, Tanzânia,
Zimbábue, entre outros.
Portanto, a saída dos médicos cubanos do Brasil, sem quaisquer
perspectivas de adoção de uma alternativa capaz de promover a
saúde pública da população mais necessitada,
representa mais um enorme retrocesso social, resultante das ações
desenvolvidas pela burguesia brasileira, desejosa de ampliar os processos de
privatização dos serviços públicos e de destruir
por completo a noção de saúde assim como a
educação e demais necessidades da população
como direito social fundamental, transformando tudo em mercadoria.
Temos o entendimento de que o Programa Mais Médicos se constituiu como
uma medida emergencial, limitando sua atuação à
atenção básica e concentrando a política de
saúde no atendimento médico, tendo em vista que, nos governos
anteriores, não houve o devido investimento na saúde preventiva e
em infraestrutura, pois o projeto burguês é o de sucateamento e
privatização do SUS e dos hospitais universitários,
além da autorização da entrada do capital internacional
para investir em serviços assistenciais à
população. Mas é inegável que este programa vinha
cumprindo um papel importante no atendimento à população,
razão pela qual consideramos inadmissível a postura do presidente
eleito Bolsonaro, que, com suas falas e atitudes anticomunistas,
xenófobas, totalmente desrespeitosas e falsas em relação
à formação profissional dos médicos cubanos,
demonstrou claramente seu desprezo para com as necessidades mais prementes do
povo brasileiro e seu apreço por projetos privatistas e de favorecimento
aos interesses do capital.
A militância do PCB saúda o governo cubano e presta assim sua mais
irrestrita solidariedade aos profissionais que dedicam parte
considerável de suas vidas a um trabalho de caráter humanista
junto ao proletariado em várias partes do planeta.
Viva Cuba! Viva a Revolução Socialista!
Reforçamos nossa disposição de seguir lutando junto com a
classe trabalhadora e o povo brasileiro em defesa do direito universal à
saúde.
Por um sistema de saúde para todos, 100% público e sob controle
popular!
Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB)
16/Novembro/2018
Ver também:
Declaração do Ministério da Saúde Pública de Cuba
Médicos cubanos no Brasil: pôr condições à vida?
Médico cubano escreve a Bolsonaro: "Aprenda o que é amor ao próximo e dignidade"
O original encontra-se em
pcb.org.br/portal2/21402/toda-solidariedade-aos-medicos-cubanos/
Este documento encontra-se em
http://resistir.info/
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