O modelo de democracia de Lula
INTRODUÇÃO
Permitam-me que comece por enumerar uma série de importantes conceitos
políticos defendidos pelo governo de Lula no Brasil. O primeiro
é que a missão do governo consiste em garantir os interesses dos
"mercados" financeiros (operadores financeiros, banqueiros,
especuladores, prestamistas, etc), antes de abordar qualquer tipo de
política ou de reforma social ou económica. O segundo é
que só o sacrifício dos trabalhadores de salários mais
baixos, dos camponeses sem terra e dos funcionários reformados, torna
possível ao governo pôr o orçamento em ordem e sustentar o
crescimento económico. O terceiro consiste em que o conceito de
"intervenção do Estado " é um termo
inter-classista, que pode ser discutido com independência dos interesses
de classe dos que detêm o poder e das classes sociais que beneficiam da
intervenção estatal. Por último, está o problema do
papel central desempenhado pelas instituições não eleitas
que decidem como o FMI, o Banco Central ou os Ministérios das
Finanças e Comércio, assim como os bancos internacionais o
estabelecimento dos parâmetros das políticas macro e
socio-económicas dos regimes eleitorais, solapando as suas
intenções de actuar democraticamente e convertendo os seus
programas pré-eleitorais em "falsidades pragmáticas"
pós-eleitorais.
Os ideólogos da ortodoxia neoliberal e os actuais regimes de
"centro-esquerda" latino-americanos seguem este método, que
é também o que utiliza o governo de Lula no Brasil. Centrarei a
minha reflexão nos aspectos relacionados com a reforma agrária
(ou a falta dela), o estabelecimento de políticas públicas
(autoritárias ou democráticas), a intervenção
estatal (quem faz o quê e em favor de quem?), a mudança estrutural
em vez do clientelismo estatal, e a política externa (independente ou
dependente).
REFORMA AGRÁRIA
Lula reuniu-se com o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), tal
como já o fizera o anterior presidente Cardoso, antes e depois da
sua eleição como presidente. Em ambas as ocasiões,
prometeu solenemente a entrega de terras a 430 mil famílias antes do
final do seu primeiro mandato. Segundo declarações de João
Pedro Stedile, secretário-geral do MST, (27/Dez/04) o presidente Lula
deixou repetidamente de cumprir a sua palavra. No primeiro ano, conseguiu-se o
assentamento de cerca de 20 mil famílias em explorações
agrícolas expropriadas. No segundo ano, o número ascendeu a umas
30 mil, enquanto outras 200 mil famílias permaneciam abandonadas nos
seus precários acampamentos feitos de plástico.
As principais ONG, as organizações de camponeses, a
Conferência Nacional de bispos e quase todas as
organizações populares da sociedade civil condenaram a
incapacidade do governo de Lula para promover a justiça social. Nenhuma
das recomendações em matéria de reforma agrária
realizadas pelo MST, pelos ecologistas ou pela Igreja Católica, tiveram
impacto algum nas políticas oficiais. Lendo as entrevistas realizadas
com líderes camponeses, bispos e gente da Igreja, ONG e
agrónomos, não encontrei nenhuma opinião que indicasse que
a política agrária de Lula possa algum modo ser diferente das dos
seus predecessores elitistas.
A DEMOCRATIZAÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS
Lula governa por decreto, ou por meio de alianças com os partidos
direitistas do Congresso. Até ao momento, ignorou totalmente as
opiniões maioritárias progressistas expressas pelas
organizações populares da sociedade civil. Negou-se a consultar
ou a ter em conta a ampla maioria dessas organizações
progressistas em questões como (a) a co-presidência, junto ao
Governo Bush, da Área de Livre Comércio das Américas
(ALCA) (b) o envio de tropas brasileiras para apoiar o regime títere
pró-americano do Haití; (c) o apoio à
utilização de organismos geneticamente modificados; (d) a ajuda
à expansão da agro-indústria da soja e da
produção de gado vacum na selva húmida amazónica,
que conduziu à recente destruição de mais de 3
milhões de hectares de selva; e (e) a imposição de um
aumento real do salário mínimo de apenas 1% em dois anos. Todas e
cada uma das principais políticas desenvolvidas por Lula, foram-no sem
participação alguma da sociedade civil ou sequer da minoria
crítica do seu próprio partido. O PT tem como modelo o FMI, com
o qual assinou um acordo renovável em 2003 e em 2004. Algumas
diferenças críticas com as políticas regressivas de Lula
em matéria de salários e pensões conduziram à
expulsão de um senador e três congressistas de seu próprio
partido e à suspensão e ameaças de sanções
de outros, dentro de um grupo parlamentar que coloca objecções
à linha neoliberal de Lula. Este, longe de democratizar as
políticas públicas, como prometeu na sua campanha eleitoral,
preside a um governo autoritário e elitista, que utiliza técnicas
de relações públicas (marketing político) para
melhorar a sua imagem.
Alguns dos defensores de Lula afirmam que este mudou o papel do Estado, no
sentido de adoptar uma atitude mais "activista" em questões
económicas e sociais, ao mesmo tempo que renuncia às
privatizações. Não obstante, as políticas
explícitas do seu ministro das Finanças, Palocci, consistem
precisamente na privatização de todos os sectores da economia.
Como primeira medida, permitiu a abertura ao investimento privado estrangeiro
de todos os sectores da infra-estrutura, suprimindo ou flexibilizando a sua
regulação e prometendo vender franjas inteiras dos lucrativos
sectores do petróleo, do gás, da electricidade e das
finanças. Qualquer estudioso que esteja disposto a consultar as
publicações financeiras brasileiras, ou até a imprensa
especializada em língua inglesa
(Financial Times, The Economist, The Wall Street Journal)
dar-se-á conta de que Lula ultrapassou em muito os seus predecessores
mais neoliberais, algo de que o próprio Lula faz alarde publicamente.
Num dado momento, Lula chamou ao ex-presidente Cardoso e a outros
covarde por não se atrever a cortar nas pensões de
reforma dos funcionários das classes médias.
O Estado brasileiro participa activamente na promoção da
agro-indústria e das exportações minerais, em
benefício das grandes companhias. Estas recebem à volta de 85% a
90% dos créditos e subvenções do Estado, em detrimento das
pequenas explorações familiares fortemente endividadas, que
produzem para o mercado interno. O Estado mostra uma total passividade no
combate aos grandes proprietários e seus esquadrões da morte:
mais de 90 activistas camponeses foram assassinados em 2003, e cerca de 80 em
2004, incluindo mais de duas dezenas de activistas do MST. A repressão
continua em 2005 e até à data, várias dezenas perderam a
vida, incluindo uma activista religiosa de nacionalidade
brasileira-estadunidense. A Comissão Pastoral da Terra, criada pela
Igreja Católica, tornou públicos relatórios detalhados, em
que mostra a participação da agro-indústria nestes crimes
e a ausência de condenações judiciais.
Os antecedentes de classe e os interesses pessoais dos principais
responsáveis pelas políticas económicas do governo de Lula
dizem-nos muito sobre as suas políticas pró-agroindústria
e anti-populares. O posto chave de governador do Banco Central é
ocupado por Henrique Meirelles, ex-presidente do Fleet Boston Global Bank, que
votou no candidato do presidente Cardoso (José Serra) nas
eleições presidenciais. Trata-se de um neoliberal militante,
responsável pela realização das medidas ditadas pelo FMI
de redução de pensões, de congelamento de salários
mínimos e pagamento da dívida e dos seus elevados juros. Luiz
Fernando Furlan, milionário presidente da corporação
agrária Sandia, preside ao Ministério do Comércio e
Desenvolvimento. Roger Rodrigues, ministro da Agricultura, preside à
Associação Brasileira da Agro-indústria e está
estreitamente associado à companhia transnacional Monsanto. Obteve,
entre outras benesses, a legalização da cultura de organismos
geneticamente modificados. Antonio Palocci, ministro das Finanças,
é um ex-trotskista reconvertido às teorias de Milton Friedman,
que deu o mais entusiástico apoio ao mercado livre e recebeu a mais
elevada percentagem (85%) de aprovação numa sondagem realizada
entre as elites empresariais. O Estado activista de Lula iguala, e
inclusive ultrapassa, qualquer outro governo latino-americano ou europeu no que
toca à representação dos interesses das elites
empresariais. A composição socio-económica do governo de
Lula explica porque é que este pagou já para cima de 40 mil
milhões de dólares aos credores estrangeiros, ao mesmo tempo que
cortava nas pensões da grande maioria dos empregados públicos em
2003 e 2004. As políticas regressivas em matéria de
salários mínimos não têm nada a ver com o plano
"salvação da segurança social", tal como Lula
proclama demagogicamente. Trata-se antes da acumulação de um
excedente orçamental exorbitante para pagar aos detentores de
títulos do Estado, que é uma das primeiras prioridades deste
gabinete representante dos grandes negócios.
As políticas sociais compensatórias (Programa Fome Zero)
proclamadas por Lula, mostraram-se um fracasso total e absoluto. Os cabazes de
compras apenas abrangeram 10% da população que sofre de
desnutrição. O Programa é administrado pelos principais
chefes políticos locais do partido de Lula e está repleto de
corrupção, favoritismo político e inépcia
burocrática. Frei Betto, amigo pessoal de Lula e principal defensor do
Programa Fome Zero, demitiu-se e, segundo alguns dos seus amigos e associados,
deplora profundamente a forma como se está conduzindo o Programa e o seu
escasso impacto.
A brecha entre as deterioradas condições sociais e educativas e
as opções orçamentais do governo de Lula manifesta-se nas
frequentes greves de professores, trabalhadores médicos e sociais, e
estudantes e pacientes, exigindo melhores condições laborais,
melhores salários e a limitação das
subvenções ao sector privado. Os economistas asseguram que os
elevados custos administrativos, a incompetência burocrática dos
responsáveis nomeados por Lula que faz que grande parte dos
fundos atribuídos não sejam distribuídos e os
sistemas de subcontratação, que estão nas mãos de
apaniguados políticos corruptos, consomem a maior parte das verbas
destinadas a despesas sociais.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) estava
encarregado de promover uma "nova política industrial", em
oposição ao "neoliberalismo". Carlos Lessa,
ex-director e um dos mais respeitados economistas keynesianos do Brasil,
demitiu-se recentemente do seu cargo, precisamente porque considerava
impossível levar a cabo uma estratégia industrial nacional no
contexto das políticas neoliberais ditadas pelos Ministérios das
Finanças e Comércio e pelo Banco Central. O novo director, Guido
Mantega, é um analista político, capaz de utilizar uma
retórica estatizante, enquanto financia os cada vez maiores
conglomerados, nacionais e estrangeiros, que dominam a economia brasileira. As
taxas de quebra entre os pequenos e médios agricultores e industriais
alcançaram níveis cada vez mais elevados e espera-se que se
acelerem graças às políticas de livre mercado de Palocci,
Furlan e companhia.
A POLÍTICA EXTERNA DE LULA
Em matéria de política exterior, o governo de Lula afirmou
reiteradamente que está totalmente a favor da
generalização do livre mercado. A principal crítica do
governo contra o ALCA consiste em acusar os Estados Unidos de não
suprimirem as suas subvenções às exportações
agrícolas e de restringirem as quotas às
exportações agrícolas e siderúrgicas brasileiras.
No que respeita ao Brasil, esta foi a principal disputa dirimida em
Cancún. Em posteriores reuniões celebradas entre o ministro dos
Estrangeiros, Amorin, e o representante do Ministério do Comércio
estadunidense, Zoelnick, acordaram continuar as conversações com
o objectivo de reduzir as discordâncias no quadro de um acordo geral
dentro do ALCA, que Amorin qualificou de "ALCA pobre em calorias".
Tudo isto está publicamente documentado, ainda que os apologistas de
Lula passem por alto sobre estas questões quando asseguram que o Brasil
mina o ALCA, afirmação que surpreende quase todos os
funcionários brasileiros especialistas em comércio. Lula deu o
seu apoio à actual implementação do ALCA, que o governo
dos Estados Unidos está realizando país por país, mediante
acordos bilaterais com o Peru, o Chile, o Equador e a Colômbia.
A decisão do governo de Lula de enviar 1500 soldados ao Haiti em 2004,
com o fim de defender um governo títere e ilegal, imposto pelas armas
dos Estados Unidos, é uma clara indicação da oportunista
política do Brasil, consistente em dar satisfação aos
interesses hegemónicos estadunidenses, com o objectivo de obter o apoio
deste país para conseguir um assento permanente no Conselho de
Segurança das Nações Unidas. Um general brasileiro
comanda as forças de ocupação no Haiti, seguindo as
directrizes políticas do Departamento de Estado dos Estados Unidos e dos
"assessores" do Pentágono. Sob o comando deste brasileiro,
dezenas de parlamentares e detentores de cargos públicos eleitos, que
apoiaram o ex-presidente Aristide, foram assassinados ou feitos prisioneiros
pelas novas forças policiais, militares e para-militares
"reformadas". Centenas de seguidores de Aristide habitantes dos
bairros de lata, foram assassinados, e nesses bairros reina o terror. Os
principais grupos independentes de direitos humanos e a maior parte dos
activistas sociais condenaram as violações dos direitos humanos
que têm lugar sob o regime títere e a força de paz
comandada pelos brasileiros, enviada pelas Nações Unidas. Lula
não só defendeu o seu papel nesta ocupação
colonial, como prometeu repetir essa acção se os Estados Unidos
lha voltassem a pedir.
Quanto às relações com a Venezuela, pouco de bom há
para dizer. O ministro dos Estrangeiros de Lula, Amorin, organizou o grupo
"Amigos da Venezuela" com o fim de mediar o conflito interno entre o
governo eleito e a oposição autoritária. Tal grupo era
composto por países hostis ao presidente eleito Chávez, e entre
eles estavam os Estados Unidos, que participaram, por intermédio da
agência oficial National Endowment for Democracy, e do seu aliado
sindical AFL-CIO, do embaixador estadunidense e da CIA, na
planificação do golpe contra Chávez. Tanto o presidente
Lagos, do Chile, como Fox, do México, são neoliberais confessos,
que não têm nenhuma afinidade com Chávez. Mas, e o Brasil?
O Brasil legitimou a oposição golpista através da sua
oferta de intermediação entre um presidente eleito e uma
oposição cujo único objectivo era o derrube do governo.
Quando Chávez manifestou as suas queixas pela natureza ambígua do
dito grupo de "amigos" e pediu a inclusão de outros
países menos hostis, Lula e Amorin recusaram. "Amigos da
Venezuela é um epitáfio a uma jogada política
brasileira decididamente pouco amistosa.
ALTERNATIVAS REAIS
Quais são as reais alternativas às políticas neoliberais
de Lula e do seu governo? Em primeiro lugar, devemos recusar qualquer leitura
determinista que retire os parâmetros das políticas das
mãos do Brasil e os coloque nas mãos dos mercados financeiros.
As alternativas começam, em primeiro lugar, por mudar a
composição do governo, os interesses de classe que serve, a sua
ideologia e a composição do Conselho Económico e Social
(no qual dois terços dos seus membros representam empresas), assim como
a coligação com partidos direitistas. Dado um governo
democrático de esquerda dotado de uma agenda reformista, existe um
grande número de alternativas, apresentadas pela maior parte dos
principais economistas e porta-vozes das organizações da
sociedade civil popular do Brasil.
Em primeiro lugar, dever-se-ia colocar um limite ou realizar uma
moratória do pagamento da dívida externa. Em segundo lugar,
deveríam aproveitar-se os benefícios do câmbio de moeda
estrangeira e estabelecer uma taxa para as exportações e vendas
de minerais e seus rendimentos. Em terceiro lugar, deveria impor-se uma taxa
às transacções financeiras, em particular aos
"investimentos" especulativos, introduzir uma política de
arrecadação de impostos efectiva, que afecte os benefícios
de capital dos rendimentos da elite brasileira. Ainda assim, torna-se
necessária a nacionalização das minas, dos serviços
públicos, das comunicações, dos bancos e de outros
sectores lucrativos.
Com tudo isto, poderia o governo dispor de um fundo de reserva de 100 a 200 mil
milhões de dólares por ano, que lhe permitiria financiar uma
reforma agrária que diminuísse o desemprego, tanto o declarado
como o encoberto, de 40% para menos de 10% em quatro anos, que incrementasse a
produção alimentar para consumo local e que reduzisse a pobreza
(na sua maior parte, mas não exclusivamente, concentrada no campo), que
proporcionasse as ferramentas (terra, créditos e assistência
técnica) para uma melhoria colectiva, em vez de proporcionar cabazes
governamentais de alimentos para uns poucos. Estes rendimentos acrescidos
poderiam ser utilizados para financiar empresas públicas produtivas que
vinculassem a agricultura e a extracção mineira à
indústria, acrescentando valor, criando empregos e melhorando o seu
nível. A renacionalização poderia ter como resultado a
obtenção de 15 mil milhões de dólares de lucros,
que permitiriam uma redução dos custos dos serviços
públicos e poderia pôr a electricidade, a água
potável e a energia ao alcance de milhões de famílias
pobres e de pequenas e médias empresas privadas.
Uma política industrial baseada na propriedade pública de
sectores económicos estratégicos, daria prioridade à
produção de bens de consumo popular e ao financiamento de
habitação, segurança social, escolas públicas e
outras medidas destinadas a reduzir as grotescas desigualdades que continuam a
crescer sob o regime de Lula (o número de milionários passou de
76 mil para 85 mil entre 2003 e 2005).
Não há evidência empírica que justifique os
pressupostos que os 'lulistas' manejam para justificar as suas políticas
pró-empresariais e as suas nomeações de representantes dos
meios empresariais para altos cargos do Estado. A situação
económica do Brasil não estava à beira do colapso, estava
estagnada; e a sua situação financeira era vulnerável aos
especuladores e continuou dependendo da entrada de 'dinheiro quente'. O
crescimento de 4,5% em 2004 baseou-se em grande parte na volatilidade dos
preços das matérias-primas.
Acima de tudo, há muitas alternativas ao sistema de tomada de
decisões de cima para baixo praticado por Lula, ao FMI e aos seus
ministros-empresários. As organizações da sociedade
civil, como o MST, muitas das organizações de base e os
sindicatos dissidentes de esquerda praticam uma democracia participativa que
constitui um 'micro modelo' de democracia efectiva.
28/Abr/05
[*]
Resposta a Stanley Gacek, da AFL-CIO.
A versão em castelhano encontra-se em
http://www.rebelion.org/noticia.php?id=14535
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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