Carta aberta ao Sr. Álvaro Uribe Velez,
Presidente da Colômbia

Quadro de Botero. Os subscritores desta carta, pessoas que desenvolvem actividades no âmbito artístico, académico, parlamentar, das comunicações e da direcção política e social, querem manifestar-lhe preocupação perante as reiteradas faltas e violações ao direito internacional humanitário de que actualmente é vítima o povo colombiano.

Durante longos anos, e inclusive em mandatos muito anteriores ao seu, foi uma prática habitual dos governos e da oligarquia colombiana recorrer às matanças e ao deslocamento sistemático de camponeses com o objectivo de usurpar suas terras, assim como também foi resolvida a eliminação, por meio de sicários e do paramilitarismo, daquelas pessoas que sustentam a oposição política.

Estes factos contam com apoio e há provas consistentes, além de exemplos extremos, como é o caso do partido União Patriótica, ao qual foram desaparecidos mais de 4000 militantes em menos de cinco anos. Perante a gravidade que desta situação inédita foi aberta uma investigação da qual tomaram conhecimento organismos internacionais. Este crimes, em si próprio desprezíveis, tornam-se mais ignominiosos por se tratarem de factos cometidos no contexto de um regime democrático. No dizer de George W. Bush, da democracia mais antiga da América.

As denúncias que permanentemente implicam os agentes do governo em casos de corrupção, massacres, sequestros, extorsões e todo tipo de atropelos, além da legalização indirecta do narcotráfico que o seu governo implementa através das negociações com os paramilitares, constituem um apelo a não permanecer calados e indiferentes frente a práticas que submetem um povo a uma guerra que vem ensanguentando a Colômbia desde princípios do século passado.

Acreditamos que este novo mandato presidencial proporciona-lhe uma segunda oportunidade para resolver as causas que geraram o conflito, e para deter uma luta fratricida que ensanguenta os colombianos e comove toda a América Latina. Continuar a tergiversar a realidade e a manter a tese absurda de que não existe conflito interno não levará aos caminhos do reencontro da paz que a Colômbia necessita.

Senhor presidente, respeitosamente lhe pedimos que detenha sua actual política de aniquilação das forças opositoras, pois a única coisa que consegue é matar mais colombianos; que com brevidade abra um diálogo com a guerrilha, procurando fórmulas para trocar os prisioneiros retidos em ambos os lados e, finalmente, que detenha o manto de impunidade com que se pretende encobrir as acções delituosas em cuja comissão os membros do seu governo têm responsabilidade.

Fazemos este apelo animados pelo profundo respeito e carinho fraternal que sentem pelo seu país todos os subscritores desta carta.

• Antonio Peredo, Senador pelo MAS, Bolívia.
• Patricia Tellería, coordenadora nacional do Estado Maior do Povo, Bolívia
• Jaime Cedano, Partido Comunista Colombiano, UP
• Alfio Nicotra, Deputado, PRC, Itália
• Jacques Fath, Relações internacionais do Partido Comunista Francês
• Juan Carlos Niño, representante Partido Comunista Venezuelano
• Jaime Gajardo, Secretário Geral Central Unitária de Trabalhadores, CUT
• Lautaro Carmona, Secretário Geral Partido Comunista de Chile.
• Guillermo Teillier , Presidente do Partido Comunista de Chile.
• Juan Andrés Lagos, Relaciones Internacionais do Partido Comunista de Chile.
• Hugo Gutierrez, Advogado de Direitos Humanos.
• Volodia Teitelboim, Premio Nacional de Literatura.
• José Balmes, Pintor, Presidente da Associação dos Artista do Chile, Premio Nacional de Artes.

Esta carta encontra-se em http://resistir.info/ .

15/Jan/07