Carta Aberta aos Governos e Povos do Mundo, especialmente da Europa,
Ásia, África e América Latina
Encaminhamo-vos esta mensagem exprimindo-lhes em primeiro lugar a nossa
saudação revolucionária, bolivariana e patriótica.
Tendo em conta que no mundo todo ganha força a luta pela Justiça
Social, pela convivência pacífica, pelo entendimento, pela
tolerância e pela busca de uma vida melhor para os nossos povos, queremos
nesta oportunidade manifestar-lhes o seguinte:
Nossa Organização guerrilheira está imersa dentro da
torrente que constitui o imenso esforço feito pelos povos no sentido de
lutar por um objectivo baptizado como OUTRO MUNDO É POSSÍVEL.
Por isso, nestes tempos a busca da integração e da unidade, no
nosso caso, da América Latina, tem como elemento básico o
estabelecimento de relações políticas e
diplomáticas entre governos, partidos, organizações
sindicais, estudantis, camponesas, indígenas, movimentos populares,
eclesiásticas, forças revolucionárias, de toda a Nossa
Grande Pátria América.
Eventos de carácter mundial, continental ou no âmbito de cada
país têm esse espírito, essa preocupação,
esse interesse. A hora em que OUTRO MUNDO É POSSÍVEL está
a tomar forma, aproxima-se. Isto se sente no meio ambiente da América
Latina, onde surgem novos líderes e os povos lhe entregam o leme do
barco para que os conduza com firmeza e decisão na travessia rumo
à Segunda, Total e Definitiva Independência. Citemos José
Marti: "Não é que os homens façam os povos,
são o povos que no seu momento de génese se tornam vibrantes e
triunfantes num homem".
Cada dia torna-se mais claro que para alcançar esse OUTRO MUNDO
POSSÍVEL é preciso derrotar a política imperial de
dominação, para abrir caminho à construção
de uma América Latina tal como foi sonhada pelo Libertador Simón
Bolívar, José Martí, Morelos, Sandino, Farabundo
Martí, San Martin, o Che, Allende, o Padre Roma, Frei Caneca, Artigas e
tantos outros, os quais estão à espera de que todos nós,
unidos, retomemos o caminho por eles iniciado.
Por isso, na caminhada diária da nossa luta, dedicamos todos os nossos
esforços à criação das condições para
avançar rumo ao que denominamos A NOVA COLÕMBIA, em Paz e com
Justiça Social. É óbvio que não podemos deixar de
beber a água da torrente libertária que corre pela América
Latina, conhecendo, estudando os processos que se dão em cada povo, uma
vez que nos encontramos todos em Bolívar. Daí que a
presença na arena internacional seja para aprender e ao mesmo tempo dar
a conhecer nossas propostas no campo político, económico e
social, fazendo contacto com todos os que demonstrem interesse em conhecer
nossa luta, que tantas interrogações desperta e que tentamos
responder nas nossas conversas, conferências, reuniões, eventos,
nos quais entregamos materiais como Documentos, Cartas Abertas, vídeos,
livros, revistas, música, etc. Damos continuidade a esse trabalho
estabelecendo os mais diversos contactos, que vão desde o pessoal
até o electrónico, de grande utilidade nestes tempos em que as
comunicações tornaram pequeno o mundo e até o
espaço.
Portanto é perfeitamente compreensível que encontrar documentos e
demais materiais de carácter intelectual ou de propaganda, bem como
mecanismos e formas de comunicação, em mãos de
intelectuais, políticos, partidos parlamentares,
organizações e/ou pessoas revolucionárias, em nada
compromete a nossa organização com actividades que supostamente
possam desenvolver outros povos em busca dos seus objectivos políticos,
uma vez que o nosso trabalho centra-se exclusivamente em dar a conhecer o que
queremos para a Colômbia e pelo que lutamos há mais de 40 anos.
Quem ignora que na Colômbia existe um regime político cada vez
mais violento, um governo que faz do Terrorismo de Estado e do Sequestro a sua
maior bandeira, governo montado e mantido pela força por uma oligarquia
vende-pátria e traidora dos ideais e da obra do Libertador Simón
Bolívar. Uma oligarquia ajoelhada perante o Império e que
não dá trégua na sua violência contra o povo e
contra os revolucionários. Nunca deixaremos de denunciar isto perante o
mundo nem deixaremos de explicar uma realidade pavorosa convertida em
genocídio pelos sucessivos governos. Quem não sabe que o actual
inquilino da Casa de Nariño é um indivíduo carente de
moral, de sentido de Pátria, sem princípios, doentiamente
obcecado com a guerra contra o povo, um fascista que não sabe nem quer
saber de diálogo, de convivência pacífica, um mentiroso de
cinco costados que não merece o reconhecimento nem goza do apreço
e do beneplácito da Comunidade Internacional.
Por isso, hoje mais do que nunca, continuaremos a dar ao nosso trabalho
político-diplomático a importância que tem porque, como
já dissemos: Em Bolívar nos encontramos todos e seguindo seu
ideário certamente outra América Latina é possível.
Atenciosamente,
COMISSÃO INTERNACIONAL das FARC-EP
Montanhas da Colômbia, 20 de Fevereiro de 2005
Esta carta aberta encontra-se em
http://resistir.info/
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