por por Iván Márquez
entrevistado pela ABP
A Agência Bolivariana de Prensa (ABP), perante a notícia
procedente de Bogotá sobre a interceptação e captura das
provas de sobrevivência dos prisioneiros de guerra que seguiam com
destino ao Presidente Hugo Chávez, entrevistou Iván
Márquez, integrante do Secretariado das FARC, acerca do caso.
ABP Iván, quais são as consequências imediatas da
interceptação das provas de sobrevivência, e a captura dos
emissários humanitários que as levavam, por parte das autoridades
colombianas ontem [29/Novembro] em Bogotá?
IM Esta é outra punhalada miserável de Uribe à
esperança que todos havíamos tido na gestão
humanitária pela troca. As provas tinham como destino o Presidente
Chávez e o governo colombiano já sabia disso. Esse foi um dos
compromissos surgidos em Miraflores como passo prévio à
necessária entrevista Chávez-Marulanda no Yarí, com
certeza ia encontrar fórmulas de solução definitiva para o
drama humanitário dos prisioneiros em poder das partes contendoras.
Uribe é um sabotador desalmado, capaz das piores perversidades, e
certamente calculava que com essa acção revertia a zero as
gestões do Presidente Chávez e da senador Córdoba.
É esperto e cruel como o seu mentor Santander, por isso não tem
objecção a deter e processar juridicamente as pessoas que estavam
a cumprir tão importante e valiosa missão humanitária.
ABP Como esta acção do Presidente Uribe afecta a entrega
das provas de sobrevivência aos restantes prisioneiros?
IM A insensatez de Bogotá obrigará a tomar medidas
drásticas porque as FARC não podem correr e assumir gratuitamente
o risco de que sejam detidos outros emissários. Lamentamos
profundamente que a totalidade dos familiares não possa receber, como
era nosso desejo, as provas de vida dos seus seres queridos neste natal. Isto
nos confirma a certeza de que Uribe é um sabotador. Com um Uribe a
actuar dessa maneira nunca haverá troca. Será necessário
um novo governo que tenha humanidade para poder concretizar o ansiado
intercâmbio, e não só, que permita encaminhar em
direcção à paz com justiça social. Uribe aqui
está a repetir o que fez com Simón Trinidad.
ABP O Presidente Uribe estabeleceu como condição para
falar de troca humanitária que as FARC não tenham nenhum
protagonismo político na mesma. Que opinião merece essa estranha
determinação?
IM Como as FARC não iriam ser protagonistas de primeira ordem se
são uma das partes contendoras? Não seremos interlocutores mundo
perante ninguém, nem convidados de pedra num assunto cuja
resolução é connosco. As FARC em consequência
jamais aparecerão no processo de troca humanitária com uma
mordaça como pretende o Presidente Uribe. Isso é entendido por
todo o mundo. O que se passa é que Uribe não cessa de obstruir
qualquer esforço nessa direcção interpondo paus na roda
deste processo. Já o havia feito com as suas descabeladas
exigências inamovíveis, como essa de pretender de forma delirante
que uma das partes entregue os prisioneiros em seu poder enquanto a outra
não recebe os seus. Isso não troca em parte alguma.
ABP O governo de Bogotá sugeriu a possibilidade de substituir a
mediação do Presidente Chávez por outra assumida pelo
Presidente Sarkozy da França. O que opina a respeito?
IM Se não é Chávez, então quem será?
O que Uribe fez é um dano irreparável. O Presidente
Chávez estava a consultar todos os passos com o governo da
Colômbia e a informar oportunamente o Presidente Sarkozy, o qual, segundo
transcendeu, estava disposto a acompanhar Chávez na sua entrevista com o
comandante Marulanda no Yarí. Essa era a fórmula da
esperança. Chávez estava em sintonia perfeita com as duas
partes, mas o Palácio de Nariño pagou-o com uma patada quando
estava a ponto de conseguir em poucos dias o que Uribe não pôde em
mais de 5 anos com os seus arrebatamentos belicosos. O Presidente Sarkozy pode
desempenhar um papel transcendental para que o processo da troca retome o curso
inicial que, com Chávez, prometia os melhores resultados. Quem
sabe ser poderá fazê-lo.
30/Novembro/2007
O original encontra-se em
www.abpnoticias.com
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.