Administração pública, das palavras à realidade 320.428 trabalhadores com salários mais baixos não são beneficiados com a reposição dos cortes salariais
por Eugénio Rosa
[*]
Muito se tem falado sobre a reversão das medidas mais graves do governo
PSD/CDS que tem sido feita pelo governo do PS de António Costa,
criando-se a ideia que com isso foram alteradas as condições de
vida da maioria dos portugueses com baixos rendimentos, nomeadamente
pensionistas e trabalhadores, o que não é verdade. No estudo
anterior mostramos isso em relação aos 3 milhões de
pensionistas cujas pensões, apesar de terem sido descongelados, tiveram
aumentos em 2016 que variam entre 80 cêntimos e 2,5 por mês
(as até 628), e as restantes continuam congeladas desde 2010.
Neste estudo vamos analisar a situação dos trabalhadores da
Função Pública. E isto porque é importante ser
rigoroso, explicar e falar verdade, pois se não houver esse cuidado e
esse rigor os atingidos sentir-se-ão enganados e confiança
desaparecerá. Centenas de milhares de portugueses ainda não
sentiram os efeitos da substituição de um governo de direita por
um governo do PS apoiado pelos partidos de esquerda. E isso é uma
realidade que não se muda com palavras.
Contrariamente ao que muitas vezes se pensa ou afirma
(a ignorância neste campo fomentada pelos anteriores governos é
muito grande)
existem na Administração Pública centenas de milhares de
trabalhadores com baixos salários. Os dados do quadro anterior, que
são do Ministério das Finanças referentes ao 4º
Trim.2015, revelam isso. E tenha-se presente que são salários e
ganhos médios, portanto existem muitos trabalhadores a receber menos que
os valores médios. E como se conclui, mesmo no 4º Trim.2015,
existiam 152.561 trabalhadores a receberem uma remuneração base
média ilíquida de apenas 607,2 por mês, e 85.012 com
uma remuneração ilíquida base média de 908
por mês. A adicionar a estes valores há o subsidio de
refeição que tem, há já vários anos, um
valor de 4,27 por dia. E tenha-se presente que são
remunerações mensais ilíquidas, e sobre elas incide o
desconto de 11% para a CGA, de 3,5% para a ADSE e os trabalhadores da
Função Pública, à semelhança do que
aconteceu com os restantes trabalhadores, tiveram de suportar um enorme aumento
do IRS feito pelo governo PSD/CDS e também os restantes impostos.
Em 2015, o Estado gastou com aquisição de serviços a
privados 1.468 milhões e, em 2016, aprovou gastar com o mesmo
tipo de aquisições 1.449 milhões , ou seja, apenas
menos 18,7 milhões , o que mostra que pouco mudou. Uma
análise mais atenta revela situações que atingem o
escândalo. Por ex., a nível da administração direta
do Estado, entre 2015 e 2016, a despesa com "
Estudos, pareceres, projetos e consultoria
", ou seja, com escritórios de advogados e de outros consultores
aumenta 81,2%, e com serviços de "
vigilância e segurança
" paga a privados sobe 20,7%; etc. É um escândalo que merecia
uma atenção maior dos partidos que apoiam este governo.
Bastava cortar aqui para se poder fazer um aumento mais digno das
pensões e atualizar os salários mais baixos dos trabalhadores da
Função Pública
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12/;Março/2016
[*]
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