A destruição da capacidade produtiva do país pela "troika" e pelo governo PSD/CDS reduziu o PIB potencial e hipotecou o desenvolvimento futuro do país tendo contribuído para aumentar o défice estrutural (em %)
por Eugénio Rosa
[*]
A gigantesca operação de chantagem e de manipulação
da opinião pública que temos assistido em Portugal promovida pela
direita e pela Comissão Europeia a propósito do chamado
défice estrutural que tem tido, infelizmente, a
colaboração de muitos jornalistas comentadores que, na maioria
das vezes, se limitam a ampliar aquilo que lhes é dito
(transformando numa "questão de vida ou de morte" que tem de
ser respeitada, procurando assustar os portugueses e opondo-se, de facto,
à melhoria da vida dos portugueses),
revelando falta de objetividade e rigor, o que tem criado a falsa ideia de
que a Comissão Europeia tem poderes para se sobrepor à vontade
dos portugueses expressa pela Assembleia da República e para impor
sanções violentas
(o que não é verdade).
Esta chantagem e manipulação torna-se clara se se souber como
são calculados os valores utilizados para determinar o défice
estrutural em percentagem. Este é obtido dividindo o "
saldo estrutural
" pelo
"PIB potencial",
valores que são pouco rigorosos e que, parafraseando o proverbio
popular, variam ao sabor das vontades politicas como iremos ver.
A preços de 2010, entre 2010 e 2015, portanto durante o período
da "troika" e do governo PSD/CDS, o PIB potencial diminuiu, em
Portugal, de 181.287 milhões para 176.162 milhões
(-5.125 milhões ). Esta quebra, por um lado, contribui para o
aumento do défice estrutural
(um mesmo valor a dividir por uma base menor, a percentagem que se obtém
é maior)
e, por outro lado, hipotecou o desenvolvimento futuro do país pois
resultou da destruição de uma parcela da capacidade produtiva
nacional
(a recuperação e crescimento da economia depende da capacidade
instalada)
que os dados do INE do quadro 1 tornam evidente.
Como revelam os dados do INE, com a entrada da "troika" e do governo
PSD/CDS verificou-se uma quebra muito grande do investimento em Portugal. De
uma situação em que o investimento era superior ao valor do
desgaste provocado pela sua utilização
(em 2010, o investimento total foi superior ao valor do desgaste em 5.972,4
milhões e, em 2011, foi ainda em 1.022,9 milhões ),
passou-se para uma situação contrária em que o valor anual
do investimento feito em cada ano foi inferior ao valor do desgaste anual (em
2012: - 3.879,5 M; em 2013: -5.370,8 M; e 2014: -4.707M).
Segundo o INE, em três anos
(2012/2014, os anos da "troika e do governo PSD/CDS)
o valor do investimento total feito no país (76.561,2 milhões
) foi inferior ao desgaste dos equipamentos no país causados pela
sua utilização (90.618,5 milhões ) em 13.957,3
milhões . Por outras palavras, o investimento durante o
período da "troika" e do governo PSD/CDS nem foi suficiente
para renovar/substituir o equipamento que se desgastava e envelhecia. E o
PSD/CDS ainda têm a ousadia de afirmar que a sua política estava a
atrair os investidores
(recorde-se a tão badalada "diplomacia económica" de
Paulo Portas).
Nos anos da "troika" e do governo PSD/CDS registou uma grande
destruição da capacidade produtiva do país, com reflexos
profundamente negativos quer no chamado PIB potencial quer na
recuperação e crescimento económico futuro.
04/Fevereiro/2016
[*]
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,
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