A destruição dos estabilizadores sociais automáticos pelo
governo PSD/CDS
|
|
|
Milhões euros |
Milhões euros |
Milhões euros |
Milhões |
em valores nominais |
em termos reais |
| Subsídio de desemprego, apoio desemprego, lay-off | 2.221 | 2.067 | 2.046 | 1.886 | -7,9% | -15,1% |
| Subsidio de doença | 447 | 456 | 427 | 394 | -4,6% | -12,0% |
| Abono de família | 968 | 659 | 656 | 605 | -32,3% | -37,5% |
| Rendimento Social de Inserção | 520 | 422 | 370 | 341 | -28,8% | -34,4% |
| Outras prestações | 808 | 840 | 777 | 716 | -3,9% | -11,4% |
| Complemento Solidário Idoso | 265 | 272 | 275 | 253 | 3,6% | -4,4% |
| SOMA | 5.229 | 4.716 | 4.551 | 4.194 | -6,5% | -19,8% |
Entre 2010 e 2012, as despesas da Segurança Social com os
estabilizadores automáticos constantes do quadro 1 subsidio de
desemprego, de doença, abono de família, RSI, outras
prestações e complemento solidário para idoso
diminuem -6,5% em valores nominais, o que corresponde a uma
redução de 678 milhões ; mas se a análise for
feita em termos reais, ou seja, deduzindo o efeito do aumento de preços,
o corte nestas despesas sociais é muito maior, atingindo -19,8%, o que
corresponde a menos 1.035 milhões do que em 2010. Mas existem
prestações onde o corte é ainda maior: Por ex., no abono
de família, o corte na despesa atinge -32,3% em valores nominais e
-37,5% em valores reais, o que revela bem que a defesa das famílias com
filhos, por parte deste governo e, nomeadamente, pelo CDS, serve apenas para
enganar os eleitores; igualmente a nível do RSI, o corte na despesa
atinge -28,8% em valores nominais, e -34,4% em valores reais.
Dados de natureza física confirmam os efeitos dramáticos da
politica de destruição dos estabilizadores sociais e,
consequentemente, também de direitos de cidadania. Assim, entre Abril de
2010 e Dezembro de 2011, o número de crianças a receber abono de
família diminuiu de 1.739.557 para 1.372.811, e só durante o ano
de 2011 a taxa de cobertura do subsídio de desemprego (percentagem que
os desempregados a receber subsidio de desemprego representam em
relação ao total dos desempregados), em relação ao
desemprego oficial, caiu, entre o 1º Trimestre e o 4º Trimestre de
2011, de 42,7% para 41,1% e, relativamente ao desemprego efectivo, passou,
durante o mesmo período, de 29,2% para apenas 27,3%, o que significa que
apenas 27 desempregados em cada 100 estão a receber o subsidio de
desemprego. E o governo PSD/CDS ainda quer diminuir mais este número,
pois aprovou uma lei que altera a lei do subsídio de desemprego,
reduzindo o período de tempo em que o desempregado tem direito a
recebê-lo. A juntar a isto, interessa mencionar a decisão desumana
tomada pelo ministro da Solidariedade do CDS visando obrigar 117 mil
pensionistas, que recebem pensões mínimas, a devolver uma parcela
dos valores recebidos e com retroactividade a 2007 o que, a concretizar-se,
determinará que tenham de devolver valores superiores às
pensões que recebem (pensões entre os 500 e 400
serão reduzidas para valores entre os 400 e 300, portanto
inferiores mesmo ao limiar da pobreza).
A agravar a situação está também a
destruição dos estabilizadores automáticos em
espécie, em que os mais importantes são os serviços de
saúde e os de educação. Depois dos contínuos cortes
nas transferências do Orçamento do Estado para o SNS (segundo
informação dada pelo Ministério da Saúde à
Assembleia da República, entre 2010 e 2011, as transferências do
OE para o SNS diminuíram de 8.698 milhões para 8.100
milhões e, ou seja, em 598 milhões ). E em 2012, conforme
consta do "Memorando " revisto em Dezembro de 2011, a "troika
estrangeira" e o governo PSD/CDS pretendem reduzir a despesa com a
saúde em mais 1.000 milhões (na versão inicial do
"Memorando" estava previsto um corte, em 2012, de 500 milhões
). Uma situação muito semelhante verifica-se a nível
da educação pública. Segundo o Relatório do
OE-2012, entre 2010 e 2011, a despesa pública com a
educação diminuiu de 8.559,2 milhões para 8.129,5
milhões (- 429,7 milhões ) e, em 2012, pretende
reduzir para 6.579 milhões , ou seja, cortar mais 1.550,5
milhões . É evidente que estes cortes brutais na despesa
pública de saúde e de educação, associados a
aumentos muito elevado dos preços (as taxas moderadoras aumentaram, em
média, 100% em 2012), vão agravar ainda mais dificuldades em que
já vivem centenas de milhares de famílias portuguesas.
O GOVERNO E TROIKA CORTAM NAS DESPESAS SOCIAIS MAS QUEREM PERDOAR 5.437
MILHÕES DE DIVIDAS À SEGURANÇA SOCIAL E AS DIVIDAS
AO FISCO ATINGEM 18.000 MILHÕES
A justificação apresentada pelo governo PSD/CDS para esta
politica de cortes elevados nas prestações sociais, com a
consequente destruição de direitos de cidadania, é que as
despesas sociais são incomportáveis para a Segurança
Social. No entanto, enquanto faz cortes significativos nas
prestações sociais, na educação e na saúde,
o governo PSD/CDS prepara-se para perdoar ou anular milhares de milhões
de euros de dividas à Segurança Social.
De acordo com Relatório do Tribunal de Contas sobre a Conta Geral do
Estado de 2010 (pág.177, vol. I), no fim de 2010, o valor bruto das
dividas de terceiros Curto e Médio/Longo Prazo à
Segurança Social já atingia 7.270,1 milhões , e o
governo já tinha constituído uma provisão de 5.437,7
milhões , com o objectivo de anular/perdoar 74,8% do valor dessa
divida, o que representará, a concretizar-se, uma gravíssima
descapitalização da Segurança Social, para não
dizer mesmo roubo aos trabalhadores, porque uma parcela importante daquela
divida é constituída por descontos que foram feitos nos seus
salários e que depois não foram entregues na Segurança
Social. E a situação actual neste campo ainda deverá ser
mais grave, pois desde 2010 as dividas à Segurança Social
não pararam de crescer, e o governo PSD/CDS, durante o debate do
Orçamento de Estado para 2012 não deu qualquer
informação à Assembleia da República sobre esta
situação, e os órgãos da Segurança Social,
em que participam os parceiros socais, estão paralisados não se
reunindo há vários anos.
Uma situação muito semelhante verifica-se a nível de
dívidas fiscais. Segundo o Relatório do Tribunal de Contas, as
dividas ao fisco, no fim de 2010, já atingiam 17.398 milhões
, estando a aumentar cerca de 500 milhões por ano, o que
significa que actualmente as dividas devem rondar os 18.000 milhões
. No período 2005-2010, segundo também o Tribunal de
Contas, as prescrições de dívidas fiscais somaram 3.777
milhões , ou seja, em média 629,5 milhões
/ano.
Está-se perante uma politica de dois pesos e duas medidas: Fazem cortes
brutais nas despesas sociais agravando as condições de vida de
centenas de milhares de famílias portuguesas que vivem já com
muitas dificuldades, mas simultaneamente pretendem perdoar 5.437 milhões
de dividas à Segurança Social, não se cobram cerca
de 18.000 milhões de dividas fiscais, e deixam-se prescrever
3.777 milhões de dividas fiscais só no período
2005-2010.