Acerca da assembleia-geral de 31/Março do Montepio
JUSTIFICAÇÃO DESTA INFORMAÇÃO
Esta informação tem como base
duas intervenções que fiz na assembleia geral de associados do
Montepio
.
Divulgo-a
, por um lado, para que os associados que não estiveram presentes possam
acompanhar a situação do Montepio, e, por outro lado,
para que não se possa dizer mais tarde que estávamos no Montepio
e nada fizemos
para exigir uma gestão mais rigorosa e profissional na
Associação Mutualista e que não alertamos os associados
para a situação.
Na assembleia de 31/3/2016, participaram cerca de 250 associados
, a esmagadora maioria chefes e quadros do Montepio fiéis a Tomás
Correia assim como os seus amigos
(é assim que ele domina as assembleias)
,
o que corresponde apenas a 0,039% dos 632.931 associados que o Montepio tinha
em 31/12/2015
.
Esta baixíssima participação dos associados resulta, a meu
ver, da conjugação de dois fatores. Primeiro, da falta de
informação aos associados da realização da
assembleia. A convocatória só foi divulgada em dois jornais
diários, que a maioria dos associados não leem, e na Internet,
por isso não tiveram conhecimento da sua realização, o que
é intencional para que os associados não saibam o que se passa
Montepio. Em segundo lugar, porque muitos associados desinteressaram-se da
atividade do Montepio, já que muitos a quem informei da
realização da assembleia não compareceram. E isto é
mau até porque as assembleias são poucas duas ou
três por ano portanto o "sacrifício" não
é grande, e não podem estar à espera que sejam só
os outros a defender os interesses que são de todos.
Muitas centenas têm-me enviado emails a pedir informação
sobre a segurança das suas poupanças e sobre a
Associação Mutualista e o mutualismo, pois estão
preocupados. Uma forma de defender todas estas coisas é, pelo menos,
participar nas assembleias-gerais. Não é ausentando-nos ou mesmo
abandonando o Montepio que defendemos uma instituição
única no país e as nossas poupanças.
O afastamento dos associados só facilita a tarefa daqueles que querem
utilizar o Montepio em seu proveito ou destrui-lo
. Espero que na futura assembleia sobre as contas consolidadas-2015 participem
muitos mais associados para bem do Montepio.
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O ESSENCIAL DAS DUAS INTERVENÇÕES QUE FIZ NA ASSEMBLEIA
O Montepio vive um momento extremamente difícil. É fundamental
que todos os associados tenham uma consciência clara da
situação, pois só assim é que se poderá
reverter a situação. Os tempos da mentira e das ilusões
acabaram. Os dados do Relatório Contas de 2015 da
Associação Mutualista já não permitem esconder por
mais tempo a verdade para a qual temos alertado os associados. O Montepio vive
um momento muito difícil como consequência de uma gestão
desastrosa e incompetente que não teve em conta a grave crise
económica e social prolongada que o país vive.
Os prejuízos de 393 milhões em 2015, e isto a nível
das contas individuais, os maiores na história da
Associação Mutualista, são a prova concreta dessa
gestão que urge inverter. E isto são os prejuízos a
nível das contas individuais, porque a nível das contas
consolidadas da Associação Mutualista, que inclui todas as
empresas em que a Associação participa no capital, os
prejuízos serão certamente maiores. Em 2013, a
Associação Mutualista apresentou a nível das Contas
individuais um excedente positivo de 70 milhões , mas a
nível de Contas Consolidadas teve um prejuízo de 335
milhões . Em 2014, a Associação Mutualista
apresentou também um excedente positivo de 41 milhões a
nível das contas individuais, mas a nível de Contas Consolidadas
teve um prejuízo de 145 milhões . É
necessário que sejam publicadas as contas consolidadas de 2015, para que
os associados conheçam a verdadeira situação da
Associação Mutualista- Montepio Geral. Espero que o
Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social,
que é o supervisor, não aceite que as contas sejam publicadas
quando o presidente quiser ou quando lhe convier como tem acontecido em anos
anteriores.
TOMÁS CORREIA, POR IGNORÂNCIA OU INTENCIONALMENTE, NÃO
ENTENDE O QUE SÃO "IMPARIDADES", O QUE É PERIGOSO PARA
O MONTEPIO
A Associação Mutualista-Montepio Geral teve em 2015
prejuízos no montante de 393 milhões . E estes
prejuízos tiveram como causa "imparidades" registadas nas
empresas em que tem participação no seu capital, sendo 350
milhões da Caixa Económica, e 63,2 milhões
do Montepio Seguros (Lusitânia não vida) conforme consta da
pág. 109 do relatório e contas que foi disponibilizado no
"site" do Montepio.
Tecnicamente, "Imparidades" significa perdas de valor das
participações da Associação Mutualista no capital
das empresas que se prevê, como fundamento, que não serão
recuperadas e que não tinham sido registadas nas contas da
Associação Mutualista. E estas perdas de valor resultaram de
prejuízos elevados que já se verificaram nas empresas do grupo
Montepio.
Em 2013, 2014 e 2015 os prejuízos da Caixa Económica, resultantes
da administração desastrosa de Tomás Correia, somaram
728,9 milhões conforme consta das contas que foram divulgadas; e
na Lusitânia não vida os prejuízos acumulados devem rondar
já 100 milhões
(54 milhões no período 2012/2014 conforme consta das
contas publicadas e o restante em 2015, para que contribuiu a compra da Real
pela administração de Tomás Correia
). Os prejuízos registados na Caixa Económica (298,6M em
2013; 186,9M em 2014; e 243,4M em 2015), obrigaram
a Associação Mutualista e os associados a recapitalizar a Caixa
Económica seis vezes com 1.400 milhões desde 2010
. Primeiro para pagar a OPA sobre o FINIBANCO, a que nos opusemos, cujos
resultados foram desastrosos para o grupo Montepio, embora Tomás Correia
continue a negar o que revela cegueira; e depois foi necessário
recapitalizar devido aos prejuízos que reduziram os rácios de
capital que seguidamente tiveram de ser reforçados por exigência
do Banco de Portugal. Em 2010, os Capitais Próprios (ATIVO
PASSIVO) da Caixa Económica totalizavam 995 milhões , se
somarmos os 1.400 milhões , dá 2.395 milhões .
Mas no inicio de 2016, após nova recapitalização de 300
milhões , os Capitais Próprios da Caixa Económica
eram apenas 1.631 milhões , o que significa que foram delapidados
pela anterior administração 764 milhões . São
estas perdas enormes que determinaram as "imparidades" de 350
milhões que tiveram de ser registadas em 2015 nas contas da
Associação Mutualista.
Isto significa que participação da Associação
Mutualista na Caixa Económica vale agora menos 350 milhões
. Em relação à Montepio Seguros, ou seja, à
Lusitânia não vida, e conforme consta do próprio
relatório e contas da AM (pág. 109), devido aos elevados
prejuízos a Associação Mutualista teve de a recapitalizar,
em 2014, com 18 milhões e, em 2015, com mais 55 milhões
de prestações complementares (suprimentos) por
exigência do supervisor (a ASF). Foram também estas perdas enormes
que obrigaram a Associação Mutualista a registar nas suas contas
mais 68,2 milhões de imparidades (mais perdas).
Qualquer pessoa normal entende facilmente que se constituir uma empresa e se
participar nela com um capital de 5000 , e se num ano tiver
prejuízos de 2.000, o que significa que as suas receitas foram
inferiores às despesas em 2000, é ao capital de 5.000
que terá de tirar 2.000 para pagar as despesas que não
foram cobertas com as receitas, e fica apenas com 3.000. Mas Tomás
Correia não compreende que se a Caixa Económica e a
Lusitânia tiveram elevados prejuízos, isso reduz o valor das
participações que a Associação Mutualista tem no
capital dessas empresas
(valem menos)
, e essa perda terá de ser registada na Associação
Mutualista como "imparidades". Para Tomas Correia
"imparidades" resultam da taxa de desconto da Alemanha. Anteriormente
afirmava que "imparidades" eram reservas ocultas, agora o culpado das
"imparidades" é a Alemanha. Mudam-se os tempos e muda o que
Tomás Correia diz sobre a mesma coisa com a esperança que a
memória das pessoas seja curta. Por aqui se vê a sua
incompetência a nível de gestão. Mas esta
conceção é perigosa para a Associação
Mutualista. E isto porque se as "imparidades" não são
perdas, mas sim causadas pela taxa de desconto da Alemanha ou se são
reservas ocultas como dizia anteriormente, então pode-se continuar a
acumular imparidades pois daí não vem nenhum mal para a
Associação Mutualista. Mas este é um caminho que só
poderá levar ao abismo, e que é urgente inverter.
A ADMINISTRAÇÃO DE TOMAS CORREIA RECUSA-SE A APRESENTAR UM
PROGRAMA DE AÇÃO PARA REVERTER PREJUÍZOS E RECUPERAR O
MONTEPIO, DANDO CONFIANÇA E TRANQUILIDADE AOS ASSOCIADOS
Na intervenção que fiz propus à
administração da Associação Mutualista que
elaborasse e apresentasse rapidamente um Plano de Recuperação
tendo em conta a nova situação criada pelos enormes
prejuízos (393 milhões ). E isto para inverter a
situação difícil em que o Montepio enfrentava, e para dar
segurança e tranquilidade aos associados. Depois vários
associados que intervieram fizeram a mesma proposta. No entanto, o presidente
como se acha "Dono de Todo o Montepio"
(só ele é que sabe, só ele é que pensa, só
ele é que manda),
recusou imediatamente tal proposta. E um novo Programa de Ação
e Orçamento para 2016 é necessário, porque o Programa de
Ação e o Orçamento para 2016" que foi aprovado em
Dezembro de 2015 não tem nada a ver com a realidade atual.
Na Caixa Económica após o afastamento da
administração de Tomás Correia foi apresentado pelo novo
conselho de administração uma nova estratégia e um novo
plano de atividades para reverter a situação de prejuízos
e dar estabilidade e segurança. Estamos a acompanhar e a fiscalizar a
atividade do novo conselho de administração como membro do
Conselho Geral de Supervisão, e atentos aos resultados obtidos.
Na Associação Mutualista, pelo contrário, o conselho de
administração recusou-se a atualizar o Programa de
Ação e Orçamento apesar de ser absolutamente
necessário. E isto porque o Programa de Ação e o
Orçamento aprovado para 2016 tem como base as seguintes
previsões: Um Ativo Liquido previsto para 2015 de 4.214,7 milhões
quando o verificado é apenas de 3.864 milhões ;
previa um Passivo de 3.561,2 milhões em 2015 quando o verificado
é de 3.656,4 milhões ; previa uma Situação
Liquida, ou seja, Capitais Próprios (Ativo Passivo) no montante
de 653,5 milhões no fim de 2015 quando o verificado são
apenas 207,7 milhões ; e previam-se Resultados em 2015, positivos,
no montante de 41,1 milhões , quando foram negativos no montante
de 393,1 milhões . Esta diferença enorme entre o previsto e
o verificado em 2015 distorce, tornando irrealistas as previsões para
2016, o que mostra que é necessário revê-las.
No entanto, Tomas Correia que é presidente da Associação
Mutualista repudiou liminarmente tal proposta. No irrealismo, delírio e
auto-suficiência que o caracteriza afirmou que na
Associação Mutualista nada há a mudar, tudo está
bem, e é para continuar. É importante que os associados estejam
atentos e fiscalizem a atividade do grupo Montepio, e participem nas assembleia
gerais e sejam exigentes. É o apelo que fazemos.
APROVADO MAIS UM SUBSIDIO PARA O CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
Em 2013, a remuneração mensal do presidente da
Associação Mutualista-Montepio era 31.980, e os restantes
membros auferiram uma remuneração de 28.250 por mês.
Estes valores certamente não foram reduzidos, mas
como deixaram de publicar os valores individualizados
(é segredo)
, os associados não sabem qual é a remuneração
atual de cada administrador.
Embora o presidente tenha afirmado na assembleia que não tem havido
aumentos, o certo é que se recusou a dizer quais eram as
remunerações atuais dos cinco administradores, nem para que eram
necessários tantos administradores
. Mas incluíram na pág. 156 do relatório e contas de 2015,
disponível no "site" do Montepio uma "
DECLARAÇÃO SOBRE A POLÍTICA DE REMUNERAÇÃO
DOS MEMBROS DOS ÓRGÃOS DE ADMINISTRAÇÃO E DE
FISCALIZAÇÃO PARA 2016",
que contém no ponto 3, que trata do "
Estatuto remuneratório dos membros do conselho de
administração",
uma alínea b) que dispõe que os membros do conselho de
administração receberão
"Eventualmente, um subsídio anual de montante fixo, pago no
mês de
abril, de montante que não excede 11% da remuneração fixa
anual, conforme vier a ser deliberado pela Comissão de Vencimentos",
o que corresponde, para o presidente, a 49.250 e, para cada um dos
restantes membros da administração, a 43.510.
E isto para além das 14 remunerações anuais
.
Votamos contra
, mas esta declaração sobre a politica de
remunerações foi aprovada pela assembleia dominada pelos
fiéis do presidente, o que não deixa de ser chocante ainda mais
numa altura em que o Montepio tem enormes prejuízos e a maioria dos
associados enfrenta graves dificuldades para sobreviver.
02/Abril/2016
[*]
Economista e associado do Montepio
Esta informação encontra-se em
http://resistir.info/
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