A transformação da Caixa Económica Montepio Geral numa
S.A.
Violação dos estatutos pode dar origem a processos em
tribunal
Muitos associados do Montepio têm-me contatado para saber por que
razão a Caixa Económica ia ser transformada numa Sociedade
Anónima (SA), já que foi divulgado a convocatória da
assembleia geral da Caixa Económica de 22/11/2016 nos jornais e no site
(ver
www.montepio.pt/...
) precisamente com essa ordem de trabalhos. Para responder a estes pedidos de
esclarecimentos de muitos associados elaborei esta
informação e peço a todos que a façam chegar
aos associados que conheçam.
COMO É QUE SE CHEGOU A ESTA SITUAÇÃO? Tomás Correia
e a sua administração são os que deviam esclarecer os
associados.
Nos últimos anos, enfrentando grandes dificuldades e ameaças por
parte de Tomás Correia e dos seus apoiantes, procurei alertar os
associados e, em particular os trabalhadores do Montepio que são
também associados, para as consequências da gestão
desastrosa e megalómana de Tomas Correia na Caixa Económica, que
concedia credito nomeadamente a grandes empresas sem uma
avaliação correta do risco, o que determinou perdas elevadas
(crédito concedido que depois não se conseguia receber
), causando grandes imparidades, que se traduziram por elevados
prejuízos. Portanto, os associados não podem dizer que não
foram atempadamente alertados pois a situação atual era
previsível, para não dizer, inevitável com tal
gestão.
Mas recordando os factos que conduziram à presente
situação. Entre 2011
(ano em que Tomás Correia lançou uma OPA desastrosa sobre o
FINIBANCO que teve consequências graves para a Caixa Económica, e
à qual me opus na altura)
e Set/2015, período em que Tomás Correia era simultaneamente
presidente da Caixa Económica e da Associação Mutualista,
a Caixa Económica, como consequência daquela gestão
acumulou elevadas perdas por credito concedido que depois não conseguiu
reaver, o que causou elevadas imparidades e, consequentemente, também os
prejuízos, também elevados, que constam do quadro 1.
Os dados do quadro1 constam dos relatórios e contas da Caixa
Económica, portanto são públicos e qualquer associado
poderá consultar. Segundo eles, entre 2010 e Setembro de 2015, data de
afastamento de Tomás Correia da administração da Caixa
Económica Montepio, esta acumulou 1.451,8 milhões de
imparidades de credito concedido cuja esmagadora maioria não se
conseguiu depois receber, o que causou 446,3 milhões de
prejuízos acumulados
(uma parte do credito perdido foi compensado com receitas obtidas neste
período que não foram suficientes para o compensar totalmente, o
que impediu que a Caixa apresentasse resultados positivos).
Como consequência desta gestão desastrosa da
administração de Tomás Correia e também para fazer
face à OPA megalómana sobre o FINIBANCO a Caixa Económica
teve de ser recapitalizada pela Associação Mutualista, a maior
parte com poupanças dos associados, com 1.100 milhões . E
deste total, 200 milhões foram aplicados diretamente por
associados e clientes em unidades de participação cujo valor
atual corresponde a menos de metade o que causou perdas enormes a muitos
daqueles que compraram estas unidades de participação iludidos
que era um bom investimento para as suas poupanças, tendo perdido mais
de metade.
AS CONSEQUÊNCIAS DA PESADA HERANÇA DEIXADA PELA
ADMINISTRAÇÃO DE TOMÁS CORREIA QUE A NOVA
ADMINISTRAÇÃO ESTÁ A PROCURAR INVERTER
A administração de Tomás Correia foi afastada da
administração da Caixa Económica em Setembro de 2015, mas
deixou uma pesada herança de mau credito na Caixa Económica que
continuou a produzir elevadas imparidades, porque não se consegue
receber, contribuindo para os prejuízos que a Caixa Económica
continua a apresentar como revela também o quadro 1.
E isto apesar da nova administração ter alterado radicalmente a
estratégia seguida por Tomás Correia
a Caixa Económica com Tomás Correia pretendia ser um banco
nomeadamente de grandes empresas o que causou enormes prejuízos, e
regressou, com a atual administração, ao seu ADN original, ou
seja, a um banco de crédito à habitação, às
famílias, às PME, e às instituições da
economia social
e de ter introduzido também na Caixa Económica uma
politica rigorosa de gestão de risco, que não existia com
Tomás Correia, como muitas vezes alertamos os associados e uma politica
de redução de custos. E isto com objetivo de acautelar as
poupanças dos depositantes e, de associada a outras medidas, reduzir as
necessidades de mais capitalizações. Repetindo, mesmo assim
continuaram-se a verificar prejuízos fruto fundamentalmente de mau
credito dado pela administração anterior, situação
que se tem de inverter rapidamente tendo a atual administração
previsto que venha a acontecer a curto prazo. Como membro do conselho geral e
supervisão fiscalizarei o seu cumprimento.
Apesar destas medidas da nova administração, como
consequência fundamentalmente ainda dos maus créditos concedidos
pela administração de Tomás Correia, a Caixa Economia
ainda teve, em 2015, 258,7 milhões de imparidades e, no 1º
sem.2016, mais 93,1 milhões de imparidades a que se juntaram
prejuízos causados por perdas em maus investimentos feitos pela
administração de Tomás Correia, o que determinou que, em
2015, a Caixa Económica tivesse 243,4 milhões e, no
1º sem.2016, 93,1 milhões de prejuízos. Isto
determinou que, para cumprir os rácios de capital exigidos pelo Banco de
Portugal, a Associação Mutualista tivesse de recapitalizar a
Caixa Económica com mais 270 milhões no 1º Trim.2016
A IMPOSSIBILIDADE DE A ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA CONTINUAR A
RECAPITALIZAR A CAIXA ECONÓMICA LEVOU O BANCO DE PORTUGAL A IMPOR A
TRANSFORMAÇÃO DA CEMG EM S.A.
Entre 2010 e 2016, a Associação Mutualista e os associados, em
consequência da gestão da administração de
Tomás de Correia, tiveram de recapitalizar a Caixa Económica com
1.300 milhões como mostram os dados dos relatórios e
contas da Caixa constantes do quadro 1. A maior parte deste valor são
poupanças que os associados têm na Associação
Mutualista, e que a administração de Tomás Correia
investiu na Caixa Económica para cumprir os rácios de capital
exigidos pelo Banco de Portugal que se tinham degradado devido aos elevados
prejuízos resultantes da sua gestão.
Embora a nova administração da Caixa Económica esteja a
procurar inverter rapidamente a situação deixada por Tomás
Correia, o certo é que as necessidades de reforço de capital
podem eventaualmente continuar. Em primeiro lugar, porque os rácios de
capital da Caixa Económica, embora confortavelmente acima dos
mínimos regulamentares, estão abaixo da média do setor. E,
em segundo lugar, porque o supervisor está a exigir a todos os bancos
aumentos dos rácios de capital, o que determina, para todos os bancos,
mais aumentos de capital. E a Associação Mutualista não
pode continuar a aumentar o capital da Caixa Económica e das outras
empresas do grupo Montepio com o dinheiro (poupanças) que os associados
têm na Associação Mutualista
(Montepio Poupança Complementar, Montepio Proteção 5 em 5,
Capital certo, Montepio Poupança e Pensão de reforma, etc).
O Banco de Portugal tem consciência dessa impossibilidade, daí ter
exigido a transformação da Caixa Económica em sociedade
anónima (SA).
Tudo isto são
consequências da gestão desastrosa e megalómana da
administração de Tomás Correia, a quem é
necessário pedir responsabilidades.
A VIOLAÇÃO DOS ESTATUTOS DA CAIXA ECONÓMICA POR
TOMÁS CORREIA, O QUE PODE DAR ORIGEM A PROCESSOS EM TRIBUNAL
A alteração dos Estatutos da Caixa Económica
Montepio Geral (CEMG) com as características que se pretende fazer
está sujeita a procedimentos que constam do seu artº 36 que
são os seguintes
(transcreve-se):
(1). O processo é iniciado mediante a apresentação à
Assembleia Geral do Montepio Geral (
assembleia em que têm o direito de participar todos os associados
), de proposta fundamentada das modificações pretendidas; (2) Se
a Assembleia Geral do Montepio Geral aprovar a proposta por uma maioria de,
pelo menos, dois terços dos membros presentes, elege uma Comissão
de 5 membros para elaborar o respetivo projeto ou dar parecer sobre a
especialidade da proposta; (3) O projeto ou parecer da Comissão
será entregue ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Caixa
Económica no prazo máximo de 3 meses, que convocará a
respetiva Assembleia Geral extraordinária, no prazo máximo de 1
mês; (4) O aviso convocatório para a Assembleia Geral de
alteração ou reforma dos Estatutos deve mencionar os artigos a
modificar, a suprimir ou aditar e o texto integral dos artigos propostos ou a
indicação de que tal texto fica à disposição
dos membros na sede, a partir da data da publicação, sem
prejuízo de na Assembleia Geral serem propostas pelos membros
redações diferentes para os mesmos artigos ou serem deliberadas
alterações de outros artigos que forem necessárias em
consequência de alterações relativas aos artigos
mencionados no aviso; (5) Só uma vez concluído o processo
referido nos números anteriores, a Assembleia Geral da Caixa
Económica deliberará sobre a alteração proposta.
No entanto, o presidente da mesa da assembleia geral eleito na lista de
Tomás Coreia passou por cima de todos estes procedimentos
estatutários e convocou uma assembleia geral da Caixa Económica,
em que os associados não podem participar, que é dominada por
Tomás Correia
(atualmente a assembleia geral da Caixa Económica é o conselho
geral da Associação Mutualista que é constituídos
pelos membros da administração, da mesa da assembleia e do
conselho fiscal da Associação Mutualista e por mais 11 membros
eleitos diretamente pelos associados dos 23 membros que constituem o
Conselho Geral da Associação Mutualista 18 membros foram eleitos
na lista de Tomás Correia).
Repetindo: a administração de Tomás Correia e a mesa da
assembleia eleita na sua lista violando o Estatutos decidiu não convocar
a assembleia geral de todos os associados do Montepio como dispõe o
artº 36 dos Estatutos da CEMG, mas sim a assembleia geral da Caixa
Económica que é constituída por 23 membros, sendo 18
eleitos na lista de Tomás Correia. O objetivo é claro:
afastar os associados da participação numa decisão
extremamente importante que é a transformação da Caixa
Económica em Sociedade Anónima, que pode significar a abertura
futura ao capital privado sem o seu consentimento.
Isto numa instituição onde os associados tem aplicado 1.900
milhões das suas poupanças. E não serve de
justificação que é uma exigência do Banco de
Portugal pois este não impõe a violação dos
Estatutos.
A transformação pode ser feita respeitando os Estatutos,
mas o que Tomás Correia pretende é ocultar a
situação e fugir às responsabilidades. Esta
violação dos Estatutos pode dar origem a processos em tribunal e
à destabilização da CEMG, o que devia ser evitado pois
está-se a fazer um esforço sério de
recuperação. Será que o Banco de Portugal, que tem como
obrigação defender a estabilidade das instituições
financeiras, o permitirá? Tomás Correia é também
responsável por tudo que aconteça.
A FALTA DE TRANSPARÊNCIA NA ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA, A
CONTINUAÇÃO DA NÃO APRESENTAÇÃO DAS CONTAS
CONSOLIDADAS DE 2015 E A AUSÊNCIA DO SUPERVISOR
O que está a acontecer com a alteração dos Estatutos da
CEMG é mais um exemplo da falta de transparência que existe na
Associação Mutualista, da arrogância de Tomás
Correia que se considera
"Dono de Todo o Montepio"
(DTM),
não tendo de prestar contas aos associados, e da ausência de
qualquer supervisão por parte do Ministério de Trabalho,
Solidariedade e Segurança Social que, por lei, é
responsável por fazer a supervisão. Para além disso,
é preciso
que a alteração dos Estatutos só permita a
entrada de capital na Caixa Económica de entidades da economia social, e
não grupos económicos privados. A proposta de
alteração de Tomás Correia permite que no futuro seja
aberto ao capital
(artº 6º Projeto dos Estatutos)
privado o que alteraria profundamente as caraterísticas da Caixa
Económica
que é necessário impedir.
Ela tem também tem como objetivo afastar os associados de qualquer
controlo direto da CEMG mesmo em caso de venda, fusão e
extinção
(ver artº 10º do projeto).
Em 2015, a Associação Mutualista, nas contas individuais, teve o
enorme prejuízo de 393,1 milhões como resultado da
gestão de Tomás Correia, o que causou uma redução
significativa dos Capitais Próprios ou Situação Liquida
(Ativo Passivo) que, entre 2014 e 2015, passou de 682,2 milhões
para 207,7 milhões (perdeu 474,5 milhões ),
deixando-a fragilizada. Mas, as contas individuais não dão uma
informação verdadeira, real e total da situação da
Associação Mutualista. Esta é só dada pelas contas
consolidadas. E até a esta data a administração de
Tomás Correia tem-se recusado a publicar as contas consolidadas da
Associação Mutualista de 2015, e o supervisor, que é o
Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social
ainda não fez nada para obrigar a administração de
Tomás Correia a prestar contas aos associados do ano de 2015.
É URGENTE QUE OS ASSOCIADOS EXIJAM AO MINISTRO DO TRABALHO,
SOLIDARIEDADE E SEGURANÇA SOCIAL, QUE OBRIGUE A
ADMINISTRAÇÃO DE TOMÁS CORREIA A PRESTAR CONTAS AOS
ASSOCIADOS E A CUMPRIR OS ESTATUTOS DA CAIXA ECONÓMICA.
Podem pedir isso enviando cartas endereçadas ao ministro do Trabalho
Solidariedade e Segurança Social ou aceder ao "site" do
Ministério
a.
"CONTACTOS"
(
www.portugal.gov.pt/pt/ministerios/mtsss/contactos.aspx?rc=83625
), escrevendo diretamente a mensagem a enviar.
É IMPORTANTE QUE TODOS ASSOCIADOS DEFENDAM AS POUPANÇAS E O
MUTUALISMO
até para mais tarde não se arrependerem.
[*]
Eugénio Rosa, economista e candidato a presidente da
Associação Mutualista pela Lista C nas ultimas
eleições do Montepio.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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