Estrangulamento financeiro da segurança social pelo CDS, PSD e PS e a
tentativa de criar um mercado para fundos de pensões privados
RESUMO DESTE ESTUDO
Os programas eleitorais do CDS e do PSD contêm medidas que, se forem
implementadas, criarão problemas graves à Segurança
Social, já que poderão pôr em causa a sua sustentabilidade
financeira e mesmo o pagamento das pensões no futuro. Infelizmente no
debate eleitoral, e mesmo por parte das organizações dos
trabalhadores, essas medidas não mereceram qualquer
posição ou intervenção, ou então passaram
despercebidas.
O CDS apresenta uma proposta que coincide com a que Bagão Félix
apresentou em 2004 quando era ministro. E essa proposta consiste em estabelecer
um limite ou "plafond" (6 salários mínimos nacionais)
acima do qual empresas e trabalhadores deixariam de descontar para a
Segurança Social e a parte dos trabalhadores seria aplicada em fundos de
pensões privados. Os trabalhadores seriam duplamente prejudicados. Em
primeiro lugar, as contribuições acima desse limite que as
empresas entregam agora à Segurança Social ficariam para as
empresas, o que determinaria que o valor que os trabalhadores receberiam dos
fundos de pensões quando se reformassem seria apenas o correspondente
aos seus descontos, portanto um valor reduzido. Em segundo lugar, uma parte das
poupanças dos trabalhadores seria investida em fundos pensões
cujos resultados dependem da especulação bolsista, o que poria em
perigo uma parte das pensões dos trabalhadores. E a Segurança
Social perderia uma receita de 16.000 milhões de euros num
período de 30 anos.
As propostas do PSD constantes do seu programa eleitoral são três:
(1) Reduzir em dois pontos percentuais a Taxa Social Única suportada
pelos empregadores até 2011; (2) Apoiar a contratação de
novos trabalhadores com uma redução da Taxa Social Única
em 35% e 70% , respectivamente para os trabalhadores a termo e sem termo".
E a introdução, à semelhança da proposta do CDS,
também de um limite ("plafond") nas
contribuições para a Segurança Social. A primeira medida
(redução de 2 pontos percentuais na taxa de
contribuição das empresas) determinaria uma redução
de receitas para a Segurança Social de cerca de 750 milhões de
euros por ano. Como é para vigorar em 2010 e 2011, esta medida
significaria uma redução de receitas que se estima em 1.500
milhões de euros. A segunda medida redução da taxa
contributiva das empresas em 35% e em 70%, conforme o contrato for a termo ou
sem termo determinaria uma redução de receitas para a
Segurança Social que não deveria ser inferior a 300
milhões de euros por ano. Finalmente a ultima medida
introdução do plafonamento nas contribuições
não é possível estimar as suas consequências porque
o PSD, diferentemente do CDS, não concretiza o limite contributivo. No
entanto, a introdução de qualquer limite determina uma quebra
imediata de receita, porque uma parte dos "descontos" das empresas e
dos trabalhadores deixariam imediatamente de ir para a Segurança Social.
Sócrates já introduziu na lei a possibilidade de implementar o
"plafonamento das contribuições". Assim de acordo com o
artº 58 da Lei 4/2007 aprovada pelo PS, "a lei pode ainda prever
. a aplicação de limites superiores aos valores
considerados como base de incidência contributiva ou a
redução das taxas contributivas dos regimes gerais".
Portanto, por simples decreto ou portaria o governo poderá introduzir o
chamado "plafonamento horizontal" (acima de determinado limite, por
ex. 6 SMN, deixar-se-ia de descontar para a Segurança Social, e o valor
dos descontos apenas dos trabalhadores seriam aplicados em fundos de
pensões) ou o "plafonamento vertical" (redução
da taxa contributiva paga por todos os trabalhadores, seja qual for o seu
salário, e o valor assim liberto (apenas os dos trabalhadores) seria
aplicado em fundos de pensões, o que determinaria uma quebra imediata
das receitas para a Segurança Social, criando dificuldades financeiras a
esta. Não resta duvida que o CDS e o PSD têm assim o caminho
consideravelmente facilitado para aplicar as suas propostas. O PS já
lhes deu uma importante ajuda. Para além disso, Sócrates
também aprovou um conjunto de medidas redução da
taxa contributiva das micro e pequenas empresas em 3 pontos percentuais; premio
de 2000 dado às empresas que contratem trabalhadores até 30
anos, etc. que determinarão, só em 2009, uma
redução de receitas para a Segurança Social em 240
milhões de euros.
No fim de Agosto de 2009, o saldo global da Segurança Social era de
628,1 milhões de euros, quando em idêntico mês de 2008
atingia 1.534 milhões de euros, ou seja, 2,4 vezes mais. Isto mostra que
a crise está a ter um forte impacto na Segurança Social e que,
embora estando a aguentar as graves consequências dela, o certo é
que não poderá continuar a ser utilizada, como tem feito o PS e
como pretendem fazer o CDS e PSD, para resolver os problemas das empresas, e
mesmo para garantir os lucros de algumas empresas.
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A maioria dos portugueses não leu em pormenor os programas dos partidos
políticos para as eleições legislativas de 27/09/2009. No
entanto, alguns deles, contêm propostas, que se fossem implementadas,
criarão graves problemas financeiros à Segurança Social,
pondo mesmo em causa a sua sustentabilidade e o pagamento das pensões no
futuro. É isso o que se vai mostrar.
O CDS PRETENDE INTRODUZIR O "PLAFOND" DE BAGÃO FELIX, O QUE
DETERMINARIA UMA REDUÇÃO DE RECEITAS SUPERIOR A 16.000
MILHÕES DE EUROS PARA A SEGURANÇA SOCIAL
Na última página do capitulo "Segurança Social e
Trabalho" do programa eleitoral do CDS consta a seguinte proposta:
"Reforma da Segurança Social que permita aos novos trabalhadores
ter liberdade de escolha, voluntária, a partir de um valor do
salário equivalente a 6 SMN". Isto significa que a parte do
salário que ultrapassasse os 6 salários mínimos nacionais
(actualmente 2.700) deixaria de descontar para a Segurança Social
sendo aplicado em fundos de pensões privados. Portanto, a
Segurança Social perderia uma parte importante da sua receita actual.
Esta proposta do CDS é a mesma que Bagão Félix, um antigo
consultor do maior fundo de pensões privado Pensões Gere
do BCP apresentou em 2004 quando era ministro do Trabalho e da
Solidariedade Social.
Na altura analisamos a proposta de Bagão Félix nos termos que a
seguir se transcreve, que se mantêm actuais. "A proposta de
Bagão Félix para a Segurança Social pode-se resumir da
seguinte forma: perda imediata, continua e crescente de receitas pela
Segurança Social em beneficio de fundos de pensões privados,
criando assim para estes um mercado que há muito tempo os grupos
económicos que os controlam reivindicam, em troca de uma eventual
redução nas despesas da Segurança Social com
pensões só daqui a pelo menos 30 anos" . E isto porque os
novos trabalhadores deixariam imediatamente de descontar para a
Segurança Social sobre uma parte dos seus salários (a parcela
superior a 6 SMN), e as despesas com pensões só seriam mais
reduzidas quando esses trabalhadores se reformassem, que seria precisamente
daqui a 30 a 40 anos.. Para além disso, canalizando o que deixariam de
descontar para a Segurança Social para fundos de pensões privados
estes trabalhadores seriam prejudicados duplamente. Em primeiro lugar,
deixariam de contar com as contribuições das empresas como sucede
na Segurança Social, o que representaria um grande beneficio para as
entidades patronais que ficariam com esse valor e um grande prejuízo
para os trabalhadores já que as contribuições que as
empresas entregam à Segurança Social não iriam para os
fundos de pensões, o que determinaria que o valor que os trabalhadores
receberiam destes quando se reformassem ainda seria mais reduzido.. Em segundo
lugar, investiriam as suas poupanças em fundos pensões cujos
resultados dependem da especulação bolsista, o que envolveria
graves riscos com a crise actual.
De acordo com cálculos que fizemos com base em dados divulgados na
altura pelo próprio Bagão Félix, a Segurança
Social, num referido período de mais de 30 anos, perderia uma receita
que estimamos na altura em 16.000 milhões de euros. É evidente
que esta quebra nas receitas criaria dificuldades financeiras à
Segurança Social.
O PSD PRETENDE BAIXAR A TAXA DE CONTRIBUIÇÃO DAS EMPRESAS PARA A
SEGURANÇA SOCIAL EM 2 PONTOS PERCENTUAIS (menos 750 milhões
/ano) E INTRODUZIR O "PLAFONAMENTO" DAS
CONTRIBUIÇÕES
As propostas do PSD, que constam do seu programa eleitoral, não
são menos graves para a sustentabilidade financeira da Segurança
Social.
No capitulo "1. ECONOMIA", na página 10 do programa eleitoral
do PSD constam duas propostas que reduziriam de uma forma significativa as
receitas da Segurança Social. E essas propostas são as seguintes:
"Para reduzir os custos do factor trabalho propomos: (1) Reduzir em dois
pontos percentuais a Taxa Social Única suportada pelos empregadores
até 2011, salvaguardando uma adequada compensação à
segurança social"; (2) Apoiar a contratação de novos
trabalhadores com uma redução da Taxa Social Única em 35%
e 70%, respectivamente para os trabalhadores a termo e sem termo".
Analisemos qual seria o impacto a nível de receitas da
implementação destas propostas do PSD.
Para isso interessa saber qual a previsão de receita da Segurança
Social em 2009 que tem como origem as contribuições das empresas
e as quotizações (descontos) dos trabalhadores. Em 2008, as
receitas de contribuições e quotizações da
Segurança Social atingiram 13.075,8 milhões de euros, de acordo
com o Boletim de Dezembro de 2008 da DGO do Ministério das
Finanças. Em 2009, o crescimento deste tipo de receitas até a
Agosto foi apenas de +0,5% segundo também a DGO. Admitindo
idêntico aumento até ao fim deste ano, as receitas de
contribuições e quotizações deverão atingir,
em 2009, 13.141 milhões de euros. Tomando como base uma taxa
média de 34,75% (11% das quotizações dos trabalhadores
mais 23,75% das contribuições das empresas), conclui-se que a
redução de 2 pontos percentuais, como defende o PSD,
deverá determinar uma redução de receitas da
Segurança Social que deverá rondar os 750 milhões de euros
por ano. Como esta medida seria para vigorar durante dois anos (2010 e 2011)
ela custaria à Segurança Social, em receita perdida, 1.500
milhões de euros. É certo que na proposta consta que esta
redução de receita seria compensada por "uma adequada
compensação à Segurança Social". No entanto,
essa compensação, a concretizar-se, só poderia vir do
Orçamento do Estado. E para este dispor de meios financeiros para
compensar a Segurança Social ter-se-ia ou de aumentar a Divida Publica,
ou de subir os impostos, ou de reduzir a despesa pública. E a
redução desta última é normalmente feita reduzindo
despesas públicas essenciais para população (ex. despesas
com a saúde). Portanto, mais sacrifícios para os trabalhadores.
Para além desta redução importante de receita, ainda
existe no programa eleitoral do PSD uma outra proposta que, se for
concretizada, também determinará uma redução
importante de receita para a Segurança Social. E essa proposta é
a redução da Taxa Social Única em 35% em
relação aos novos trabalhadores contratados a prazo e de 70% em
relação aos trabalhadores contratados sem termo. Tomando como
base os valores dos salários médios divulgados pelo INE que
actualizamos para 2009 745 para os trabalhadores a termo, e 904
para os trabalhadores sem termo conclui-se que por cada 100.000
trabalhadores a perda de receita anual para a Segurança Social seria, no
caso dos trabalhadores contratados a prazo, de 126,9 milhões de euros e,
no caso de trabalhadores contratados sem termo, de 326,3 milhões de
euros, o que, somados, daria uma redução das receitas para a
Segurança de 453,2 milhões de euros por ano. Para se poder ficar
com uma ideia do impacto desta medida basta dizer que de acordo com dados
constantes do relatório final da Comissão do Livro das
Relações Laborais no ano de 2006 (são os últimos
dados disponíveis) foram criados 539,66 mil postos de trabalhão e
destruídos 552,4 mil postos de trabalho (pág. 26 do Livro Branco
das Relações Laborais).
É evidente que a associação desta medida com a anterior
determinaria uma perda de receita anual de tal dimensão (mais de 1000
milhões de euros por ano) que teria consequências graves para
sustentabilidade financeira da Segurança Social. O objectivo parece ser
claramente o de reduzir a capacidade da Segurança Social para pagar
pensões dignas, para assim obrigar os trabalhadores a recorrerem a
fundos de pensões privados, criando assim o mercado que os grupos
económicos tanto têm reivindicado, mas com graves
consequências para os trabalhadores cujos rendimentos, quando se
reformassem, ficariam dependentes da especulação bolsista. Mas o
ataque à Segurança Social não fica ainda por aqui.
No capitulo "2.SOLIDARIEDADE" do programa eleitoral do PSD, no ponto
14 (pág. 18) consta uma outra medida também com impacto negativo
nas receitas da Segurança Social, que é a seguinte: "
Manteremos durante a próxima legislatura o regime da Segurança
Social nos seus traços essenciais. Estudaremos, porém,
a introdução de medidas
destinadas a que a pensão de reforma dos portugueses passe a ser
crescentemente encarada também como uma responsabilidade individual como
a informação periódica sobre a situação de
cada titular ou
o progressivo plafonamento do valor das contribuições e das
pensões mais elevadas
, sempre com integral respeito pelo principio da confiança" .
Embora não se concretize com valores, como faz o CDS, o PSD
também tenciona introduzir o "plafonamento das
contribuições" com o objectivo de desviar da
Segurança Social para fundos de pensões privados uma parte
importante das receitas actuais da Segurança Social, o que geraria
graves problemas financeiros a esta.
O PS JÁ INTRODUZIU NA LEI O "PLAFONAMENTO" E JÁ REDUZIU
AS CONTRIBUIÇÕES DAS EMPRESAS PARA A SEGURANÇA SOCIAL
O governo de Sócrates já introduziu na lei a possibilidade de
implementar o "plafonamento das contribuições", a que
chama "limites contributivos", por isso não tem necessidade de
o fazer constar do seu programa eleitoral. Assim de acordo com o artº 58
da Lei 4/2007 ( a Lei de Bases da Segurança Social) aprovada pelo PS,
"a lei pode ainda prever
. a aplicação de limites
superiores aos valores considerados como base de incidência contributiva
ou a redução das taxas contributivas dos regimes gerais".
Portanto, por simples decreto ou portaria, o governo poderá introduzir o
chamado "plafonamento horizontal" (acima de determinado limite, por
ex. 6 SMN, deixar-se-ia de descontar para a Segurança Social, e o valor
dos desconto apenas dos trabalhadores que não é canalizado para a
Segurança Social seria aplicado em fundos de pensões) ou o
"plafonamento vertical" (redução da taxa contributiva
paga por todos os trabalhadores, seja qual for o seu salário, e o valor
assim liberto seria aplicado em fundos de pensões). É evidente
que a implementação de qualquer um destes tipos de
"plafonamento", já constante de lei aprovada pelo PS que
poderá ser introduzido em qualquer altura por simples decisão do
governo, determinaria uma quebra importante e imediata de para a
Segurança Social, criando dificuldades a esta. Não resta
dúvida que o CDS e o PSD têm assim o caminho consideravelmente
facilitado para aplicar as suas propostas, pois o PS já lhes deu uma
importante ajuda.
Mas as medidas já tomadas pelo PS que estão a ter um impacto
negativos a nível de receitas da Segurança Social, e a gerar
dificuldades financeiras, não se limitam apenas à
aprovação de uma lei que permite a introdução do
"plafonamento".
O PS já reduziu em 3 pontos percentuais as contribuições
das micro e pequenas empresas relativamente aos trabalhadores com mais de 45
anos. Só esta medida determinará uma redução da
receita da Segurança Social que se estima em 160,6 milhões de
euros apenas em 2009. Para além disso, Sócrates decidiu dar
ás empresas que contratassem jovens trabalhadores até aos 30 anos
á procura de emprego um premio de 2.000 euros (custará à
Segurança Social, só em 2009 cerca de 40 milhões de
euros); o mesmo em relação aos desempregados de longa
duração (16 milhões de euros apenas em 2009);
redução de 50% da taxa de contribuição das empresas
em relação aos trabalhadores contratados com mais de 55 anos
(custará à Segurança Social, em perda de receita ,
só em 2009, 6 milhões de euros), Todas estas medidas que
determinam uma redução importante de receita para a
Segurança Social constam da chamada "Iniciativa para o investimento
e emprego" aprovada pelo governo no inicio de 2009.
No entanto, no chamado Código Contributivo (Lei 110/2009) constam novas
reduções de contribuições das empresas que
irão determinar uma outra quebra de receitas para a Segurança
Social. Assim, de acordo com o artº 55 da Lei 110/2009, "a parcela da
taxa contributiva a cargo da entidade empregadora é reduzida em um ponto
percentual nos contratos de trabalho por tempo indeterminado (nº1); e
"a parcela da taxa contributiva a cargo da entidade empregadora é
acrescida em três pontos percentuais nos contratos a termo
resolutivo" (nº2). Fazendo os cálculos necessários
estima-se que a Segurança Social perca mais de 18 milhões de
euros receita por ano.
Em resumo, só estas medidas (do lado das receitas) aprovadas pelo PS
determinarão que a Segurança Social perca, só em 2009,
mais de 240 milhões de euros de receita.
A SITUAÇÃO FINANCEIRA ACTUAL DA SEGURANÇA SOCIAL
De acordo com o Boletim Informativo da DGO do Ministério das
Finanças, no fim de Agosto de 2009, o saldo global da Segurança
Social era de 628,1 milhões de euros, quando em idêntico mês
de 2008 atingia 1.534 milhões de euros, ou seja, 2,4 vezes mais. O
crescimento da receita que tem como origem as contribuições e
quotizações este ano, até a Agosto, foi apenas +0,5%,
quando, em 2008, +5,7%, uma taxa superior em 11,4 vezes à de 2009. As
despesas com o subsidio de desemprego aumentaram, até a Agosto de 2009,
27% quando comparadas com as de idêntico período de 2008, quando
este tipo de despesas em 2008, relativamente a 2007, tinha diminuído em
-7,4%. Interessa recordar que o governo orçamentou para 2009 apenas
1.578,29 milhões de euros para "Subsidio de emprego, apoio ao
emprego, lay-off", ou seja, apenas mais 3,6% do que em 2008, e que
até a Agosto de 2009 tinham sido gastos 1.306,3 milhões de euros,
ou seja, 82,8% do orçamentado para todo este ano. Esta
situação prova que o valor orçamentado para 2009 é
claramente insuficiente, e que será necessário um
orçamento complementar.
Os dados oficiais anteriores mostram que a crise está a ter um forte
impacto na Segurança Social e que embora esta esteja a aguentar as
suas consequências sociais graves, o certo é que tem limites,
exige uma politica diferente da que está a ser seguida, já que a
Segurança Social não poderá ser utilizada, como tem feito
o PS e como pretendem fazer o CDS e PSD, para resolver os problemas das
empresas, e mesmo para garantir lucros elevados à custa da
Segurança Social. Seguir tal caminho como se propõem fazer
nomeadamente o CDS e o PSD, de acordo com os seus programas eleitorais,
é por em causa a sustentabilidade financeira da Segurança Social,
é por em perigo mesmo o pagamento das pensões no futuro. É
preciso dizer BASTA à utilização da Segurança
Social para fins que não se coadunam com os seus objectivos. É a
altura das organizações de trabalhadores e de reformados tomarem
posições.
23/Setembro/2009
[*]
Economista,
ed2@netcabo.pt
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