Acerca das previsões de mercado no actual ambiente caótico
Ninguém pode prever quão profundo será o declínio
agora em curso nas economias ocidentais pois há muito pouca
informação transparente. Dentro dos EUA, o governo está a
esconder a severidade da crise a fim de impedir um colapso na confiança
do consumidor.
Perceba que o problema não se encontra no lado da
produção. A indústria global tem capacidade de produzir
uma enorme quantidade de bens e serviços. Há mesmo um excesso de
oferta em alguns sectores, tais como automóveis, têxteis, TI e
outros produtos de consumo.
Mais exactamente, tal como na Grande Depressão, o problema é que
o poder de compra está a faltar ao nível do consumidor. Nos EUA,
o poder compra, medido pelo M1, já está num declínio ao
nível da recessão. As causas são o alto nível de
endividamento do consumidor, os altos níveis cumulativos de fisco sobre
a definhante classe média, e a trágica erosão das
remunerações e salários do trabalho externalizado.
Na ausência de poder de compra, o Federal Reserve escolheu a
estratégia de tentar ultrapassar o colapso através da
criação de inflação. Isto é o que
significam as operações de salvação (bail-outs) que
estão em andamento. É uma tentativa de desvalorizar a
dívida ao nível macro. É um imposto disfarçado,
excepto para o super-ricos. Todos estão mais pobres hoje do que estavam
ontem.
Quanto tempo isto pode durar é imprevisível. É uma outra
bolha a seguir às bolhas da habitação e dos activos que
já estão a explodir diariamente diante dos nossos olhos.
Não vejo qualquer analista responsável que preveja qualquer
desenlace melhor do que uma recessão que lançaria o DJIA ao
nível dos 8000-8500 dentro de uns poucos meses. Mais uma vez, talvez as
máquinas de impressão do Fed possam manter este nível de
declínio à distância durante mais um bocado, mas duvido.
Há grandes jogadores nos mercados que vêem um declínio
ainda mais agudo a aproximar-se dentro em breve. Alguns falam em algo como um
mês.
Também há uma possibilidade real de uma eventual
contracção ao nível da depressão. Qual a
probabilidade, não sei. Isto concebivelmente poderia conduzir a um
colapso total dos mercados de consumo, à paralisia económica e
à falta de abrigo e fome generalizados. Sim, mesmo no
agro-negócio dos EUA, na conversão de biocombustíveis, na
mega agricultura sem sementes, o desaparecimento da agricultura familiar e as
recentes condições meteorológicas desastrosas colocam
todos em risco.
Em algum ponto, o governo federal tem, no mínimo, de avançar com
medidas de socorro tipo New Deal. Se a administração Bush tem
tal capacidade é duvidoso. Observe-se Nova Orleans. Eles podem
até mesmo tentar encobrir tudo com o lançamento de uma guerra
contra o Irão. Serão eles tão loucos? Quem pode dizer?
Também há rumores a correr de que existem planos a fim de
permitir que os mercados sejam esmagados por um evento terrorista de modo a
desviar as culpas. Não tenho qualquer confirmação
confiável destes rumores, embora no mercado haja pessoas que as
denominem apostas "tipo bin Laden", mas maiores do que os
"puts" colocados antes do 11 de Setembro original.
Estes tipos de apostas foram colocados nos mercados americano, europeus e
japoneses que assume um crash de cinquenta por cento no mercado de
acções dentro das próximas cinco semanas. Acaba de ser
apresentado um relatório, contaram-me, na CNBC.
Alguns disseram que o acusado pode ser a China, mas não faz sentido os
chineses esmagarem os mercados enquanto possuírem dólares
americanos. Outros dizem que são o funcionamento dos hedge funds ao
tentarem deitar abaixo os mercados numa profecia auto-cumprida.
Mas um declínio do mercado de cinquenta por cento? Isto é
simplesmente não concebível. Mesmo os hedge funds não
têm tamanho poder. A equipe federal de protecção de
mergulho conhecida no pregão da bolsas como os
"homens de negro" nunca lhes permitiriam fazer algo tão
desastroso. Isto levou alguns a especular que os "homens de negro"
tomam parte nas apostas.
Estas observações provavelmente dão alguma
indicação do caos agora em curso nos EUA e nas economias
mundiais. A única solução real é um novo sistema
financeiro mundial baseado no conceito do crédito como um serviço
público
(public utility).
Isto é o que deveria ser implementado a fim de substituir o actual
sistema de usura institucionalizada.
28/Agosto/2007
Do mesmo autor:
Até onde irá o crash e o que faremos nós?
, 20/Agosto/07.
[*]
Analista federal aposentado. Trabalhou na U.S. Civil Service Commission, na
Food and Drug Administration, na Casa Branca sob Carter e na NASA, bem como 21
anos no Departamento do Tesouro dos EUA. Seus artigos sobre reforma
monetária, teoria económica e política espacial tem
aparecido em Global Research, Economy in Crisis, Dissident Voice, Atlantic Free
Press e outras publicações. É autor de
Challenger Revealed: An Insider's Account of How the Reagan Administration Caused the Greatest Tragedy of the Space Age
Seu sítio web é
www.richardccook.com
.
O original encontra-se em
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=6639
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.
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