Iraque e
Katrina
detonam o descontentamento contra Bush
por
La Jornada
Sábado, 24, centenas de milhares de manifestantes marcharam em
Washington para exigir o fim da intervenção militar no Iraque e
um aumento dos recursos destinados aos prejudicados pelo furacão
Katrina. O presidente George W. Bush encontrava-se fora da capital
estadunidense, coordenando as acções antes da chegada do
furacão Rita, mas alguns analistas consideraram que o presidente quis
evitar o maior protesto contra si desde o início da guerra no Iraque.
Acontece que após a negligência do governo para acudir às
vítimas em Nova Orleans e outros lugares, as críticas contra a
sua administração intensificaram-se, no que parece ser a
demonstração mais contundente da crescente oposição
às políticas de Bush, acusado de torpeza, corrupção
e incompetência, tanto na condução do conflito iraquiano
como no manejo da crise provocada pelo fenómeno meteorológico.
A marcha reuniu pacifistas, veteranos de guerra, activistas de diversas
tendências, líderes religiosos e comunitários,
representantes de minorias, artistas e desportistas, dentre outros. Junto com
as reclamações por maior ajuda às vítimas do
Katrina podiam-se ler em camisetas e cartazes mensagens como "Bush mente e
as pessoas morrem", "Guerra de homens ricos, sangue de homens
pobres", "Tragam-nos para casa agora" (os soldados no Iraque).
Os manifestantes têm razão ao ligar estes dois temas, uma vez que
ambos evidenciam as mesmas falhas e corrupções da
presidência Bush.
A guerra no Iraque custou mais de 200 mil milhões de dólares,
pouco mais de 2 mil soldados mortos e pelo menos 27 mil vítimas civis,
ainda que peritos afirmem ser este número maior. O pretexto para
empreender esta campanha militar, a posse de armas de destruição
maciça pelo regime de Sadam Hussein, verificou-se ser uma patranha, para
dizer o mínimo, e este conflito beneficiou principalmente empresas
relacionadas com a corte de Bush, como a Halliburton, da qual o vice-presidente
Dick Cheney foi um alto executivo, que ganhou contratos milionários para
a reconstrução do Iraque.
Por sua vez, os danos causados pelo Katrina elevam-se a uma quantia entre 200 e
300 mil milhões de dólares e mais de mil mortos, mas este
número deverá aumentar nos próximos dias. O escandaloso
desta situação é que o governo tinha conhecimento das
graves consequências que Nova Orleans sofreria perante um furacão
da força do Katrina. Um relatório da Agência Federal para
o Manejo de Emergências, elaborado antes de 2001, assinalava que "as
inadequadas rotas de evacuação deixariam ao desamparo 250 mil
pessoas ou mais. Das pessoas abandonadas à sua sorte, provavelmente
morreriam uma em cada 10, enquanto a cidade afogar-se-ia sob a
água". Há um ano, a agência solicitou à Casa
Branca uns 14 mil milhões de dólares para reforçar e
ampliar os diques que protegiam Nova Orleanas. Contudo, Bush concedeu apenas a
metade, a outra metade serviu para financiar a aventura iraquiana. Resultado:
os diques não aguentaram e a cidade foi inundada em 80 por cento. E,
mais uma vez, foi a Halliburton a grande ganhadora com esta desgraça,
pois uma das suas subsidiárias acaba de ganhar um contrato de 500
milhões de dólares para realizar reparações em
instalações navais. Isto é só a ponta do iceberg:
a empresa já firmou outros contratos para participar na
reconstrução da infraestrutura petrolífera, a qual
necessitará em princípio de mil milhões de dólares.
Este esquema de negligência e corrupção deixa entrever que
a sociedade estadunidense começa a cansar-se das mentiras e manobra
escuras do governo Bush, pelo que os protestos irão em crescendo.
Oxalá que esta pressão sirva para deter a
intervenção estadunidense no Iraque e proteger os seus
cidadãos com eficácia diante de desastres preveníveis.
25/Setembro/2005
O original encontra-se em
http://www.jornada.unam.mx/2005/09/25/edito.php
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.
|