Exército europeu unificado
A tentativa de "assustar" a Rússia
por Coronel Cassad
O fundamento destes movimentos consiste primariamente no desejo dos europeus de
escapar à forte submissão americana. Os EUA asseguram seu
controle militar através das estruturas da NATO. Os EUA, além das
suas participações abertas nas estruturas da aliança, as
quais eram encaradas nos livros de Brzezinski como instrumento para
alcançar os interesses nacionais americanos, têm um certo
número de alavancas para influenciar as "decisões
colectivas" em todos os seus satélites europeus, especialmente
entre os satélites da Europa do Leste, os quais eles conscientemente
contrapõem aos da "velha Europa", que tenta moldar a
união amorfa em alguma espécie de império europeu unido ou
seja lá o que for. Apesar de projectos variados, no aspecto
político a UE permanece uma formação bastante fragmentada
em que durante os momentos de crise tem início a discórdia e a
vacilação.
Sem ter o estatuto de uma entidade completa do ponto de vista militar e
político dentro dos limites da dependência existente aos EUA,
variados projectos de centralização das estruturas militares e
políticas deambulam no interior do establishment europeu. Contudo, os
anos passam mas ao invés de um exército unificado na Europa ainda
há todo um conjunto de exércitos com vários graus de
prontidão para o combate e uma superestrutura da NATO que formalmente
combina tudo num sistema único. Mas mesmo na questão de criar uma
força conjunta de reacção rápida as coisas
arrastam-se vagarosamente.
É perfeitamente óbvio que os mestres da Europa gostariam de ter o
seu próprio exército, o qual seria controlado exclusivamente por
Bruxelas e estaria livre da focinheira da NATO. Contudo, há todo um
conjunto de questões que se levantam, as quais nesta etapa são
dificilmente solúveis para a UE. Além disso, para a UE isto
é algo muito caro sob as [actuais] condições da crise
económica que se agiganta (podemos recordar como as tropas da UE que
participaram na agressão contra a Líbia tiveram de mendigar junto
aos americanos quando esgotaram seus stocks acumulados de mísseis e
munições de precisão), mas primariamente também
devido à dependência das estruturas europeias à
aliança controlada pelos EUA, a qual no essencial cumpre o objectivo
militar que foi estabelecido para a UE, pelo que alguns dos membros da
aliança acabarão atrelados a futuras agressões americanas.
Esta situação representou uma piada cruel para a UE no caso da
Ucrânia, porque uma clara dependência da UE às
decisões tomadas em Washington ficou patente quando a UE foi empurrada
ao conflito com a Rússia. O papel real da UE neste processo acabou por
ser subordinado, quando os existentes instrumentos económicos,
políticos e militares da UE fracassaram em assegurar o próprio
interesse da Europa no conflito ucraniano. Tristes tentativas de apostar em
Klitschko
[NR]
(as quais foram sarcasticamente comentadas pelos cínicos diplomatas
americanos) e as ameaças de sanções seguindo atrás
dos EUA mostraram-se bastante fracas diante do pano de fundo da linha americana
firme, dentro da qual os europeus foram forçados a integrar-se.
Agora, como parte da tentativa de exibir o seu próprio estatuto
político, os líderes a UE acenam com a ideia de um
exército unificado. Contudo, esta ideia deveria incomodar mais os EUA do
que a Federação Russa (FR), porque a Rússia realmente
não depende muito do facto de os exércitos europeus estarem
combinados na NATO ou estarem unidos em algum exército europeu
controlado por Bruxelas. Isso não importa, pois qualquer guerra entre a
UE e a FR culminará num intercâmbio nuclear. Mesmo o impasse
directo não-nuclear (se os EUA não forem considerados) não
promete qualquer êxito rápido para qualquer lado. E os EUA
deveriam ser os mais preocupados a este respeito, porque a perda de
instrumentos militares de controle sobre os exércitos europeus
levarão à perda de influência sobre a Europa e o fim da era
de "coligações democráticas conduzidas pelos
EUA".
É bastante natural que a Rússia venha a condenar quaisquer
movimentos militares na Europa e que os EUA insistirão na supremacia das
estruturas da NATO a fim de não deixar os europeus soltarem-se do
gancho. Assim, é improvável que nos próximos anos a Europa
venha a ser capaz de arrastar-se para fora dos ditames das estruturas
atlânticas. No entanto, deve ser notado que os preparativos de batalha
(saber-rattling)
e flexão de músculos militares tornaram-se uma marca evidente
dos últimos tempos.
08/Março/2015
[NR]
Ex-boxeur que foi o afilhado preferido da sra. Merkel na política
ucraniana.
Ver também:
The European Union’s military: yet another sign of impotence
Original encontra-se em
colonelcassad.livejournal.com/2081497.html
(em russo) e a versão em inglês em
cassad-eng.livejournal.com/135948.html
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.
|