Mais um abandona o Partido da Esquerda Europeia
por PCB
Após o Partido Comunista Operário Húngaro em 2009 e o
Partido Comunista Alemão em 2016, agora é o Partido Comunista da
Bélgica que por sua vez decidiu abandonar o Partido da Esquerda
Europeia. Esta decisão foi adoptada por uma votação no
X Congresso do PCB efectuado a 30 de Junho último em Bruxelas. Abaixo o
comunicado que explica os motivos desta decisão.
O Congresso [do Partido Comunista da Bélgica] decidiu por uma maioria de
83%, com voto secreto, retirar-se do Partido da Esquerda Europeia (PEE).
No plano político, vários motivos levaram a esta decisão
de saída do PEE, dentre os quais:
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A hostilidade estatutária do PEE em relação ao
socialismo real, quando o derrube deste último constitui a base da
mundialização capitalista e da destruição de uma
correlação de forças favorável aos trabalhadores do
mundo inteiro;
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O carácter unânime das decisões do PEE que congela e
esteriliza o debate transformando-o num clube de discussão elitista e
tecnocrático;
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A não tomada em consideração da nossa
intervenção em Julho de 2014 sobre a crise ucraniana, a qual
denunciava um verdadeiro golpe de estado com conotação fascista;
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O facto de que em 2011, por ocasião do 90º aniversário do
nosso partido, "a intervenção do PEE" limitou-se a
efectuar um colóquio em Bruxelas em que a direcção do
nosso partido não foi oficialmente convidada e em que a sua
história não foi sequer evocada;
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A atitude inadmissível dos dirigentes do PEE face à NATO que
nos coloca em desacordo com nossa exigência de saída da NATO
previamente à sua dissolução. Passa-se o mesmo com a
atitude do Syriza e do seu dirigente Tsipras na crise grega, atitude que
contribuiu para desacreditar a esquerda radical com excepção dos
partidos comunistas não membros do PEE;
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Um montante de 30 mil euros de despesas de afiliação que
não deu nenhum retorno desse investimento;
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A ausência de ligações privilegiadas entre partidos
membros sobre questões comuns, portanto o próprio fundamento do
PEE. Dentre outras, o encerramento da Caterpillar, em que nosso partido foi
ignorado e outros partidos privilegiados quando fomos os primeiros a defender a
requisição dos equipamentos!
Consideramos que o PEE está para a política assim como a CES
[Confederação Europeia dos Sindicatos] está para o
sindicalismo, ou seja, organizações criadas e submetidas à
União Europeia, a qual desde a sua fundação é uma
organização capitalista que é impossível reformar a
partir de entro. "A Europa social" que seria o resultado de reformas
progressistas é uma ilusão para os trabalhadores.
Recordamos que a adesão do nosso partido ao PEE foi imposta em 2005 por
uma minoria dos seus membros que se exerceu em detrimento de um debate
democrático [que seria] no mínimo constituída por uma
decisão de Congresso.
A maioria dos membros do partido constatou que esta minoria favorável ao
PEE não cessou de arrastar nosso movimento no reformismo em detrimento
da sua essência revolucionária.
A recente visita do representante do Die Linke (de que Gregor Gysi, presidente
do PEE, é membro), Dietmar Bartsh, a uma das colónias israelenses
próximas da faixa de Gaza, onde ele plantou árvores no quadro da
cooperação com a organização sionista "Keren
Kayemet" (fundo nacional judeu), conhecida pela sua grande
responsabilidade na política de limpeza étnica contra os
palestinos, reforça a nossa decisão.
23/Julho/2018
O original encontra-se em
particommuniste.be/...
Este comunicado encontra-se em
http://resistir.info/
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