Primeira resposta: Manifestação do KKE e Greve Geral do PAME

por Aleka Papariga [*]

Em Atenas, sob chuva. Apelamos aos trabalhadores para aderirem em massa ao comício do KKE na Praça Omonoia, hoje (dia 6). Amanhã (7) todo o país deve ser paralisado no quadro da greve anunciada. Não há outra solução, temos apenas uma opção: afugentá-los, travá-los. Devemos fazer tudo o que pudermos através da escalada das nossas mobilizações, de modo a que o acordo do empréstimo e o novo memorando não sejam aprovados, de modo a derrubar o governo através da vontade, da actividade e da intervenção organizada do povo. Isto será um primeiro passo.

Não nos restringimos a isto nem subordinamos tudo à urna eleitoral. O que é importante é que o povo perceba através da sua luta que o derrube do governo não é suficiente. O sistema político burguês tem reservas – as forças que hoje aparecem como anti-memorando. Elas realmente são tão hostis ao memorando quanto era a ND. O que é importante é derrubar a classe que está no poder, porque nesse caso não se pode falar meramente acerca de governo do povo e sim acerca de poder do povo. Todas as propostas referentes a negociações heróicas e militantes, que hoje são apregoadas, não levam a parte alguma excepto a um círculo vicioso. O que é importante é que o povo tome nas suas mãos a economia do país nomeadamente os meios de produção, os monopólios e os negócios. Qualquer outra solução proporcionaria repouso ao sistema político burguês.

Será uma ruptura – realmente um período amargo, sem ganhos para o povo mas o importante é que o povo tenha a última palavra. A partir de hoje, a proposta alternativa contra a linha política actual não pode ser aleatória (occasional) e desarticulada das propostas a favor do povo mas sim o poder dos trabalhadores e do povo. Sem o poder do povo não é possível lidar com o círculo vicioso da crise, junto naturalmente com o desligamento da UE e o cancelamento unilateral da dívida.

Não mais negociação. Mesmo se eles cancelarem 100% da dívida, esta será paga a partir dos bolsos do povo, o povo a retornará com o seu suor e labuta e problemas. Não há outra solução. Gostaríamos muito que existisse uma solução intermediária, mas como não existe a solução deve ser radical.

Eles escolheram um par de questões, tais como o 13º e 14º salário, a fim de zombar do povo. As propostas alternativas que eles têm são o seguinte. Cortar 5 ou 6 salários do povo durante o ano pela abolição dos acordos de negociação colectiva e do salário mínimo, aplicar impostos incomportáveis sobre eles e dizer então que não tocaram no 13º e 14º salário. E neste caso os salários serão reduzidos. Estão à espera deles para fazerem hoje estas declarações. O povo deve mostrar-lhes que não é ingénuo, que não podem dele zombar. E isto em si mesmo é de grande importância como um passo em frente.

Pergunta: O primeiro-ministro está a preparar-se para publicitar a breve prazo uma lista do que acontecerá exactamente ao país se retornarmos ao dracma. Haverá um tal perigo? Há um perigo?

"A UE é uma aliança predatória. Apesar do facto de eles serem aliados a pedirem seu apoio para o sistema capitalista, eles ao mesmo tempo são rivais ferozes entre si próprios sobre quem se beneficiará mais com a crise e quem se beneficiará mais com a recuperação. Estas são medidas que eles podem tomar entre si próprios, mas o povo não deve ser aprisionado nas rivalidades dos estados membros da UE. E isto não será decidido apenas pela Alemanha, outros também participarão das decisões. O povo não deve ser aprisionado nestas rivalidades, eles devem ultrapassá-las, promover a sua própria solução alternativa no que se refere à questão do poder. Do contrário isto não pode ser tratado. E haverá sempre algum temor e haverá sempre o objectivo de re-entrar na Eurozona. Nada poderia ser pior para o povo do que ter medo e optar por um dos dois dilemas que os seus exploradores colocam diante de si".

06/Fevereiro/2012

[*] Secretária-geral do KKE.

Ver também:
  • Loud strike message for the escalation of the working class struggle against the new round of barbaric measures (balanço da greve nacional do dia 7)
  • Grécia aceita baixar em 20% o salário mínimo e reduzir 15 mil funcionários públicos (notícia do dia 8)
  • Os "dez mandamentos" que Atenas tem de cumprir para receber novo empréstimo (o espartilho que eles querem impor)

    O original encontra-se em http://inter.kke.gr/News/news2012/2012-02-06-kke-kinitopoiisi/


    Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/ .
  • 09/Fev/12