O PC da China e os seus diálogos estratégicos com o PASOK e a Internacional Socialista

por KKE [*]

Papandreu e Liu. É bem sabido que o KKE chegou à conclusão de que estão a desenvolver-se relações capitalistas na China de hoje, com a peculiaridade de que isto está a acontecer sob a liderança política do partido governante o qual usa o título "comunista".

As consequências deste desenvolvimento são bem conhecidas: a elevação da China ao topo dos países com as taxas mais aceleradas de desenvolvimento capitalista e o maior número de multimilionários, a abolição de importantes conquistas dos trabalhadores, tais como cuidados de saúde e educação gratuitas, os quais os trabalhadores têm agora de pagar, e a existência de milhões de desempregados e trabalhadores com baixa remuneração.

Não foi por acidente, portanto, que Liu Jieyi, vice-director do Departamento Internacional do Comité Central do PCC, na sua reunião (16/Novembro) com G. Papandreu, primeiro-ministro grego e presidente do PASOK e da Internacional Socialista, declarou que "O relacionamento entre o PASOK e o Partido Comunista da China é excepcional e temos toda a intenção de trabalhar juntos mais estreitamente a fim de promover nossas relações inter-partidárias e através do diálogo inter-partidos reforçar a excepcional cooperação estratégia entre nossos dois países, especialmente agora quando enfrentamos muitos desafios". Liu Jieyi não esqueceu de cumprimentar G. Papandreu pelos "excelentes resultados eleitorais". Não podia ser de outra forma, pois os representantes políticos dos monopólios (tal como a COSCO), sem se importarem com a embalagem ("socialista" na Grécia ou "comunista" na China), entendem os seus interesses de classe comuns.

As opções anti-povo do governo PASOK são saudadas e apoiadas por responsáveis chineses, na medida em que são combinadas com a abertura da estrada para os monopólios chineses.

Mas como aprendemos com Liu Jieyi, o "amor" do PCC não é reservado apenas para o "socialista" PASOK mas também para toda a Internacional Socialista. Como disse ele próprio: "Somos da opinião de que a continuação da coordenação e do intercâmbio de pontos de vista são importantes, como é o diálogo estratégico entre a Internacional Socialista e o Partido Comunista da China. Temos toda a intenção de continuar a promover este diálogo, porque como descobrimos nas reuniões ao longo dos últimos dois dias, há muitos pontos de acordo entre a Internacional Socialista e a orientação política do Partido Comunista da China".

Deveríamos recordar que esta "Internacional" apoia as guerras dos EUA e da NATO e é um pilar político de apoio do sistema capitalista explorador na Europa e em todo o mundo.

Depois de tudo isto, alguém poderia perguntar-se se o PC da China está a ficar pronto para abandonar a sua última "folha de parreira" – o seu título.

[*] Comentário do jornal "Rizospastis", órgão do CC do KKE (19/11/2010)

O original encontra-se em http://inter.kke.gr/News/2010news/2010-11-22-kina


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24/Nov/10