Antes diziam que a cidade era um modelo para a ocupação...

Os Estados Unidos perderam o controle de Mosul?

por Patrick Cockburn

Em 17 de Dezembro um carro foi crivado por fogo de metralhadoras na cidade nortenha de Mosul, matando três estrangeiros e o seu condutor. Uma das vítimas foi decapitada.

Estas mortes demonstram que, enquanto os Estados Unidos reconquistavam Faluja num ataque muito publicitado, perderam em grande parte o controlo de Mosul, a capital do norte do Iraque. Apesar de as tropas dos EUA terem lançado um contra-ataque, o seu poder sobre a cidade continua débil. Os quatro mortos viajavam num carro branco, quando foi atacado com armas automáticas e incendiado num cruzamento de ruas de Mosul.

De acordo com uma testemunha, um dos estrangeiros foi por breves instantes capturados pelos insurrectos. Quando tentou fugir, cortaram-lhe a cabeça e abandonaram o seu corpo num charco de sangue.

Um fotógrafo da agência noticiosa Reuteurs viu quatro corpos por terra, ao lado do carro em chamas. Três dos mortos pareciam estrangeiros, um dos quais parecia turco e os outros dois europeus. O quarto cadáver, possivelmente do condutor estava parcialmente queimado, mas parecia ser de árabe.

Estes homens traziam armas automáticas pequenas, o que indica que podiam ter trabalhado numa companhia privada de segurança do Iraque.

Mosul, uma cidade nas margens do Tigre, com uma população de 1,2 milhão de pessoas, é povoada em grande parte por muçulmanos sunitas, mas tem uma grande minoria curda. Ao longo das últimas seis semanas caiu, de forma crescente, nas mãos dos insurrectos sunitas.

Os insurrectos efectuaram um levantamento a 10 de Novembro, dois dias depois de os marines dos EUA iniciarem o seu ataque a Faluja e atacaram dez esquadras de polícia. Da força policial de 8.000 membros, todos desertaram com excepção de 1.000 e apenas 400 destes são considerados de confiança.

Anteriormente, durante o ano 2004, a ocupação de Mosul pela 101ª aero-transportada foi apresentada como um modelo do que deveria ser a ocupação no resto do país. Vários milhares de oficiais do exército renunciaram ao baasismo. A policia local estava a ser reforçada. Os impopulares partidos políticos dos exilados retornados a Bagdad, foram mantidos na linha.

Até há poucos meses, os ataques guerrilheiros em Mosul eram menos frequentes e menos violentos do que mais a sul, perto de Bagdad. Isto pode dever-se ao facto de Mosul e a província de Nineveh de que a cidade é o centro, nunca foram consideradas como bastiões de apoio de Sadam Hussein. Mas a cidade foi sempre um centro nacionalista e um campo de recrutamento para o corpo de oficiais do exército iraquiano. Sob o antigo regime o ministro da Defesa normalmente provinha de Mosul.

Diferentemente de Faluja, as guerrilhas não lutaram contra a reconquista de Mosul, em Novembro passado, por forças dos EUA e iraquianas. Lançaram uns panfletos instruindo os combatentes a esconderem as armas e permaneceram na cidade. Desde então, já se encontraram 150 corpos, muitos deles de membros da Guarda Nacional e de outras forças de segurança.

As forças dos EUA no Iraque estão a ser aumentadas de 138 mil para 150 mil homens e já têm dificuldade em controlar cidades e povoados muçulmanos sunitas próximos de Bagdad. Nunca conseguiram cercar Faluja, inclusivamente quando a batalha alcançou o seu auge, em Novembro, e foram muitos os combatentes que escaparam.

Grande parte do exército dos EUA está ocupado com serviços de apoio, na defesa de posições fixas ou na protecção de comboios que são frequentemente atacados. Muitas vezes as patrulhas dos EUA parecem não ter qualquer propósito, para além de desorganizarem o tráfego, porque os condutores iraquianos não querem aproximar-se dos veículos norte-americanos devido ao perigo de estes ser atacados.

Em Faluja há mais de 250 mil refugiados, que fugiram à procurar abrigo em Bagdad, que fica a 56 km, ou na cidade próxima de Ramadi. Outros estão nos campos dos arredores da cidade ou em aldeias vizinhas. Faluja não dispõe de electricidade nem de água desde o ataque dos EUA e levará tempo até seja reestabelecido o seu fornecimento.

O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/patrick12182004.html .
Tradução de JPG.


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

03/Jan/05