A estagnação do emprego
Este editorial da Monthly Review de Abril/2004 faz sequência a outros
três publicados anteriormente:
Abril/2001 -
The New Economy: Myth and Reality
Abril/2002 -
A nova face do capitalismo: Crescimento lento, excesso de capital e uma montanha de dívida
Abril/2003 -
Que recuperação?
Eles, em conjunto, proporcionam uma análise coerente e consistente da evolução
da economia capitalista e do desenvolvimento das suas contradições históricas.
Para melhor compreensão será preferível lê-los na ordem cronológica.
Excepto em tempos de guerra, as economias capitalistas quase nunca atingem o
pleno emprego. No entanto, a mera falta de empregos para aqueles que desejam
trabalho remunerado não é necessariamente um problema para os
interesses económicos dominantes. O desemprego e a
subutilização da força de trabalho a
existência daquilo a que Marx chamou o exército industrial de
reserva são, em geral, uma componente necessária da
economia capitalista, na medida em que permitem manter os salários em
níveis baixos, pelo facto de os trabalhadores serem forçados a
competir entre si pelos postos de trabalho. Isto acaba por se tornar um
problema grave para o sistema ou para a estrutura política quando a
carência em postos de trabalho coincide com uma crise estrutural mais
profunda; quando a procura agregada e, por conseguinte, as oportunidades de
investimento são obstruídas pela baixa taxa de emprego e por
baixos salários, e quando a falta de emprego cria um problema
político, desencadeando mesmo por vezes movimentos de
contestação das massas nas sociedades. Estas três
contradições são visíveis em 2004, criando as
condições para um debate nacional sobre as questões do
emprego, que, mais de três anos após o início da
recessão de 2001, se tornaram subitamente um tema prioritário.
Para tentar saber qual a atitude da administração Bush sobre a
actual crise do emprego, seria lógico consultar o recentemente publicado
relatório do Presidente sobre questões económicas
(Economic Report of the President).
Elaborado pelo presidente do Conselho de Consultores Económicos e
publicado em Fevereiro de cada ano, o relatório do Presidente sobre
questões económicas é a avaliação anual mais
importante das tendências económicas feita pela
administração vigente. É também, sob muitas formas,
um relatório ideológico interessante por esse motivo
visto que representa uma tentativa concertada de uma
administração, num determinado ano, de expor os desafios
económicos mais prementes que enfrenta, explicando ao mesmo tempo muitos
desses problemas na medida em que possam reflectir-se negativamente no seu
desempenho. Todavia, o relatório de 2004, publicado num ano de
eleições, é extraordinário, na medida em que tenta
não apenas explicar problemas, mas também escondê-los
debaixo do tapete.
O ponto mais significativo tratado desta forma é a
estagnação do emprego. É habitual que o relatório
do Presidente sobre questões económicas inclua um capítulo
relativo ao mercado de trabalho, pelo menos uma vez em cada ano. A
administração de George H. W. Bush publicou por duas vezes
capítulos sobre o mercado de trabalho, e os quatro relatórios que
elaborou continham uma média de 16 páginas dedicadas às
questões do emprego. Nos oito anos da administração
Clinton, foram publicados quatro vezes capítulos dedicados ao mercado de
trabalho, e os relatórios compreendiam 26 páginas sobre este
tema. Em contrapartida, os três relatórios publicados até
à data pela administração de George W. Bush contêm
zero capítulos sobre o emprego e o número médio de
páginas de texto em cada um dedicado ao debate destas questões
desceu para sete.
A negligência relativamente à vertente emprego não se deve
ao facto de este tema se ter tornado uma não-questão. Na
realidade, a omissão nesta matéria reflecte o facto de se tratar
de um calcanhar de Aquiles económico da actual
administração. Desde a tomada de posse da
administração Bush, a economia dos EUA perdeu 2,3 milhões
de postos de trabalho
[1]
. Embora oficialmente a economia tenha entrado na fase de
recuperação do ciclo económico, com o fim da
recessão de 2001 em Novembro do mesmo ano, o emprego ainda não
recuperou completamente. Na realidade, é a primeira vez em 11
recessões sucessivas, desde 1939, que não se registou uma
recuperação plena no emprego nos 31 meses a contar do
início da recessão. Em Janeiro de 2004, 34 meses após o
início da recessão, o emprego agregado situava-se ainda em 1,8%
abaixo do nível anterior à recessão. Na medida em que a
idade da população activa aumentou em 2,4% desde 2001, é
ainda mais difícil arranjar emprego. Entre Novembro de 2003 e Fevereiro
de 2004, 40% dos desempregados tinham ultrapassado em 15 semanas o
período médio de desemprego, a pior taxa registada desde 1983.
Não foi outro senão o presidente da Reserva Federal, Alan
Greenspan que não é conhecido pela sua simpatia pelas
classes trabalhadoras , que declarou, num discurso em Fevereiro
último: "Os receios acerca da segurança do emprego
são compreensivelmente substanciais, num momento em que perto de 2
milhões de trabalhadores estão desempregados há mais de um
ano"
[2]
.
Na realidade, a taxa oficial de desemprego desceu para 5,6% no último
trimestre número que parece sugerir que a situação
do emprego está a melhorar, depois dos 5,8% em 2002 e dos 6% em 2003.
Mas, dado que a descida da taxa de desemprego coincide com uma
redução do número de postos de trabalho numa altura em que
a idade da população activa está a aumentar, a
única explicação possível é que uma
percentagem cada vez maior de pessoas deixou de procurar emprego, tendo
portanto deixado de fazer parte da força de trabalho. Por conseguinte, a
taxa de participação da força de trabalho diminuiu
fortemente em três anos de forma constante.
Esta situação remete para o que foi vulgarmente designado por
recuperação sem criação de emprego na
recessão de 1990-1991. De um modo geral, quando a economia recupera de
uma recessão, o número de postos de trabalho disponíveis
aumenta também. Mas, quando a economia recuperou da recessão de
1990-1991, o crescimento do emprego foi quase nulo durante mais de um ano.
Todavia, na actual recuperação sem criação de
emprego, que teve início em Novembro de 2001, a situação
é ainda pior, pois o número de empregos decresceu na realidade
durante a recuperação. Em mais de dois anos de
recuperação económica, a economia dos EUA contabiliza
menos postos de trabalho do que no início do período de
recuperação apesar de um forte aumento da idade da
população activa.
A administração Bush tentou minimizar o problema no último
Economic Report of the President
com a argumentação de que, apesar do desempenho do emprego neste
ciclo ter sido ainda mais fraco do que no da chamada
recuperação sem criação de empregos da
recessão de 1990-1991, a economia dos EUA está agora a registar
resultados elevados ao nível da produtividade e a criação
de emprego seguir-se-á necessariamente. Dizem-nos que a única
diferença na actual recuperação é que há um
desfasamento mais longo do que o habitual entre o início da
recuperação e a criação de emprego. Ainda segundo o
relatório (página 48), por definição, a
produtividade multiplicada pelo tempo de trabalho é igual à
produção. Por conseguinte, em termos aritméticos, um
crescimento mais rápido da produtividade nos últimos dois anos
implica em geral que a produção tem de aumentar mais rapidamente
para gerar emprego. O mesmo princípio explica por que motivo o ritmo
rápido de crescimento da produtividade nos últimos dois anos
significou que a produção aumentou, até ao momento, sem
criação de emprego. Segundo a administração
Bush, não devemos culpar esse crescimento da produtividade pelo fraco
aumento do emprego, embora ele signifique que a economia tem de crescer mais
rapidamente para criar postos de trabalho, porque o crescimento da
produtividade permite que a economia cresça mais depressa.
Porém, o argumento de que o emprego recuperará como sempre com
desfasamento perde força devido à invulgar extensão do
desfasamento actual. De acordo com o relatório do
Economic Policy Institute
para o mês de Fevereiro de 2004 (
Understanding the Severity of the Current Labor Slump)
, em todas as recessões anteriores desde os anos 30, o
desfasamento entre o final de uma recessão e o ponto mais baixo do ciclo
em matéria de emprego nunca tinha excedido três meses;
todavia, na actual quebra do emprego, só 21 meses depois do final da
recessão (29 meses desde o seu início) é que esse ponto
foi finalmente atingido. A perda de postos de trabalho continuou a ser
excepcionalmente forte e a recuperação excepcionalmente fraca
desde então. Em Janeiro de 2004, os despedimentos em massa,
caracterizados pelo despedimento de 50 ou mais trabalhadores numa única
empresa, afectaram um total de 239 454 trabalhadores. Tratou-se da taxa mais
elevada de despedimentos em massa desde Dezembro de 2002 (
Bureau of Labor Statistics,
Mass Layoffs in January 2004,
25 de Fevereiro de 2004.
Em busca de boas notícias no sector do emprego, a
administração conclui a sua única página dedicada
ao mercado de trabalho no relatório sobre questões
económicas referindo-se ao aumento da média de postos de trabalho
temporários no sector dos serviços sociais como um indício
de um iminente arranque do emprego com a teoria de que esta subida
está relacionada com o aumento de postos de trabalho em geral. Sem
qualquer ironia, declara-se no relatório (p. 94) que o emprego
temporário nos serviços de saúde registou um aumento de
194 000 lugares desde Abril passado, o que sugere um forte aumento do emprego
global este ano. O relatório assinala ainda que o grave declínio
do emprego no sector industrial pode, de certo modo, empolar o
número real de postos de trabalho perdidos neste sector, na medida
em que alguns destes lugares ainda existem, mas foram efectivamente ocupados
por trabalhadores temporários ou externalizados em favor de
trabalhadores com salários mais baixos e vantagens inferiores (p.71).
Porém, o que mais atraiu a atenção no
Economic Report of the President
de 2004 foi uma sub-reptícia previsão sobre o emprego inserida
sem comentários num quadro. Sob o título previsões
da administração, esse quadro (p. 98) mostra várias
projecções relativas ao PIB, à inflação,
às taxas de juros e à taxa de desemprego, incluindo igualmente as
transformações previstas pela administração no que
se refere ao emprego em actividades não agrícolas que
contribui para um aumento da média do número de postos de
trabalho em cerca de 2,6 milhões em 2004. Dado que esta média se
baseava em dados mensais e que o nível de novos postos de trabalho era
já muito inferior nos primeiros meses do ano ao necessário para
produzir este resultado final, era evidente que, para alcançar a
média de 2,6 milhões de empregos em todo o ano de 2004, deveriam
ser efectivamente criados muito mais de 3 milhões de postos de trabalho.
Todavia, não há indícios de que irá haver
criação de emprego ou de que aconteça algo com esta
amplitude. Confrontado com ataques contundentes assim que o relatório
foi publicado, a administração recuou nas suas
projecções sobre o emprego no espaço de uma semana. O
porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, declarou que o Presidente
não é estatístico. Segundo o
The New York Times
de 19 de Fevereiro de 2004, o secretário do Tesouro, John Snow, e o
secretário do Comércio, Donald Evans, receberam ordens para
distanciar a administração das
projecções. Todavia, ao abandonar as estimativas que
divulgara apenas uma semana antes, a administração estava na
realidade a admitir que, quando chegar o dia das eleições, em
Novembro de 2004, a economia dos EUA terá uma taxa de emprego mais baixa
do que quando o Presidente Bush entrou em funções quatro anos
antes algo que nunca tinha acontecido desde a Grande Depressão,
quando era presidente Herbert Hoover.
O Gráfico 1 mostra o número de empregos em falta na economia
dos EUA se
o emprego representasse a mesma percentagem da população civil
não institucional em idade activa que em 2000, quando o emprego dividido
pela população em idade economicamente activa se elevava a 64,4%.
O rápido agravamento da carência de postos de trabalho nos
últimos três anos mostra a verdadeira amplitude da actual quebra
do emprego.
RESTRUTURAÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO
Como explicar esta estagnação do emprego? O que é
óbvio neste contexto é que isto não é apenas o
resultado das flutuações normais do ciclo económico, mas
antes o resultado de mudanças estruturais mais profundas na economia
capitalista. Um indício desta realidade é a
transformação dos despedimentos temporários em
despedimentos permanentes como forma predominante de perda de emprego. Antes da
década de 90, era corrente as empresas despedirem trabalhadores afectos
a determinados sectores comerciais ou industriais com o objectivo de voltarem a
contratá-los mais tarde, quando a economia recuperasse. A partir da
recessão de 1990-1991, contudo, a tónica deslocou-se para os
despedimentos permanentes, o que agravou as relações entre
empregadores e empregados e entre trabalhadores e o sector produtivo no seu
conjunto. Durante os três primeiros trimestres das quatro
recessões anteriores à depressão do início dos anos
90, os despedimentos permanentes representavam em média cerca de metade
do total dos despedimentos, cerca de 70% na recessão do início
dos anos 90 e perto dos 90% na recessão de 2001 (
Que recuperação?
-
Monthly Review
, Abril de 2003). Os despedimentos permanentes exigem frequentemente que os
trabalhadores mudem de sector de actividade e adquiram novas
habilitações a fim de encontrarem emprego, criando
períodos mais longos de desemprego.
Esta transição dos despedimentos temporários para
despedimentos permanentes significa que as empresas estão a sofrer
mudanças estruturais que implicam grandes transformações
no número de postos de trabalho de que dispõem. Nas
recessões e recuperações de meados dos anos 70 e
início dos anos 80, cerca de metade do sector industrial sofreu
mudanças estruturais deste tipo. Em contrapartida, na depressão e
recuperação sem criação de emprego de 1990-1991,
essas mudanças estruturais predominaram em 57% das empresas e, na
recessão e recuperação sem empregos mais recente, as
mudanças estruturais foram evidentes em quase 80% das empresas
[3]
.
O impacto mais significativo da perda de postos de trabalho fez-se sentir no
sector industrial. O emprego nesta área decresceu 16% entre Junho de
2000 e Dezembro de 2003 a maior quebra cíclica em mais de 40 anos
, tendo continuado a decrescer em 2003, apesar da
recuperação verificada na produção e nos lucros. A
indústria metalúrgica reduziu o seu número de postos de
trabalho de quase um quarto desde 2000. Embora a produtividade no sector
industrial esteja a aumentar rapidamente, isto é em grande parte
consequência dos próprios despedimentos na medida em que
cada trabalhador produz agora mais com um sistema de produção
mais adaptado e adequado e não o resultado do tipo de dinamismo
tecnológico que acompanha em geral novos investimentos. Assim, tal como
o reconhece o relatório do Presidente de 2004 (pp. 55-56), o
período prolongado de debilidade na produção industrial
apresenta uma notória similitude com a letárgica
recuperação do investimento em equipamentos e programas
informáticos. O declínio no sector industrial nos EUA deve-se em
parte às transformações mundiais nesta área,
reflectindo o declínio da hegemonia económica dos Estados Unidos
ao longo do tempo. Mais de um quarto dos produtos manufacturados consumidos nos
EUA é agora produzido no exterior, o que representa cerca de 5 pontos
percentuais desde o início de 1999 e mais do dobro do nível do
início da década de 80
[4]
.
Embora estejam a ocorrer mudanças estruturais invulgarmente
significativas no mercado de trabalho, fica ainda por explicar o que se esconde
por detrás desta realidade. A resposta mais evidente é que as
empresas estão a utilizar a recessão como desculpa para
restruturarem a mão-de-obra, de forma a reduzirem os custos
unitários do trabalho e as despesas salariais sem tencionarem
alterar esta orientação quando a economia recomeçar a
recuperar.
Uma mão-de-obra mais reduzida está a ser obrigada a trabalhar
mais intensamente através de uma aceleração do ritmo e de
maiores restrições, enquanto que milhões de desempregados
aceitam piores empregos ou não conseguem encontrar trabalho.
A
Business Week
de 17 de Novembro considera que os chefes de empresa são
cautelosos quando têm de contratar. Até agora, as empresas
foram capazes de corresponder às encomendas dos seus produtos fazendo os
empregados trabalharem mais. O resultado têm sido margens de lucro
cada vez maiores, apesar da estagnação do emprego e da
redução dos salários. As empresas estão a
nadar em dinheiro, declarou recentemente Mark Zandi de
Economy.com
, mas têm ainda de progredir e aumentar o número de pessoal
(citado pela
Newsweek
de 1 de Março de 2004,
Help Not Wanted
).
As empresas não só reduziram o pessoal como passaram cada vez
mais a recorrer a trabalhadores temporários e à
externalização (
outsourcing
). Em Janeiro de 1972, as agências de fornecimento de pessoal dispunham
de pouco mais de 200 000 lugares; este número aumentou para cerca de 4
milhões em Setembro de 2000 e, como já se referiu, esta
área foi uma das poucas que registou um crescimento dinâmico
durante a recuperação.
A amplitude da externalização da produção e da
prestação de serviços em geral por parte das empresas
é extremamente difícil de avaliar. No entanto, não
há dúvidas de que se tem vindo a tornar cada vez mais persistente
à medida que a restruturação, com o objectivo de reduzir
drasticamente os custos unitários do trabalho e as despesas globais, se
tornou omnipresente em toda a economia. Isto tem vindo a acontecer não
só na produção de bens, mas também cada vez mais
nos serviços, incluindo nas profissões de colarinho branco, tais
como a contabilidade, os serviços bancários e a
programação de computadores. Talvez pelo facto de a amplitude
deste fenómeno ser tão difícil de avaliar, a
atenção concentrou-se recentemente no seu exemplo mais extremo,
isto é, a deslocalização (
offshore outsourcing
) por vezes simplesmente designada por
offshoring
de profissões relacionadas com as altas tecnologias dos
Estados Unidos para a Índia e outros países da Ásia,
América Latina e Europa Oriental. Os motivos desta
deslocalização são evidentes. Tal como declarou Marc
Andreessen, co-fundador da Netscape Communications
e actualmente força dominante da Opsware Inc
. (uma firma que instala centros informatizados de dados que permitem às
empresas gerir operações a nível mundial, incluindo as
empresas estabelecidas no estrangeiro), a vantagem da
deslocalização de profissões relacionadas com as
tecnologias para locais como a Índia é que se pode ter
três ou quatro programadores pelo preço de um
Uma empresa de
programas informáticos pode reduzir para metade o número de
programadores, baixar os preços e aumentar as margens de lucro, tudo
isto ao mesmo tempo. É um grande negócio. Segundo
Andreessen, este fenómeno é induzido, muito simplesmente, pelo
capitalismo empresarial (
Business Week Online
de 1 de Março de 2004,
Outsourcing Isn't a Zero-Sum Game
). O desemprego entre os programadores informáticos nos Estados
Unidos é actualmente de 7%; ao mesmo tempo, calcula-se que, nos
últimos três anos, o número de empregos
offshore
em programação provenientes de firmas norte-americanas triplicou (
Business Week
de 1 de Março de 2004,
Software: Will Outsourcing Hurt America's Supremacy?
).
No entanto, nem todos os empregos
offshore
no sector dos serviços estão dirigidos para programadores
informáticos altamente qualificados. A grande percentagem é ainda
constituída por empresas fabris de fraco valor acrescentado e centros de
atendimento internacional
(call centers)
. Segundo as estimativas, em cada ano instalam-se
offshore
entre 300 000 e 600 000 postos de trabalho norte-americanos nestes dois
sectores (Business Week
de 1 de Março de 2004,
Offshore This
;
Newsweek
de 1 de Março de 2004,
Help Not Wanted
). Se forem correctos, estes números, associados ao
fenómeno de deslocalização no seu conjunto
(produção e serviços), são suficientemente elevados
para terem impacto na significativa quebra do emprego na economia
norte-americana durante a actual crise. A
India's National Association of Software and Services Companies
calculou que, só em 2001, a deslocalização para este
país representou para empresas norte-americanas tais como a
General Electric
, a
Honeywell
e o
Citigroup
uma poupança de 10 a 11 mil milhões de dólares. Mesmo que
este montante seja exagerado, não há dúvidas acerca da
tendência geral no mercado do trabalho (
Far Eastern Economic Review
, 13 de Novembro de 2003).
Stephen Roach, economista-chefe e director do departamento de economia mundial
na
Morgan Stanley
, referiu-se às mudanças estruturais ocorridas a nível
mundial e que afectam agora a economia norte-americana como nova
arbitragem mundial do trabalho.
[5]
De acordo com esta análise, novas forças que estão a
promover a deslocalização actuam agora como um poderoso
retardador nas fontes tradicionais de criação de emprego das
economias com níveis salariais elevados. A recuperação sem
criação de emprego registada nos EUA poderá muito bem ter
vindo para ficar. Se analisarmos as novas plataformas industriais no
estrangeiro, diz Roach, a China está na linha da frente. Um total
de 65% das exportações chinesas na última década
que triplicaram, registando um aumento de 121 mil milhões de
dólares em 1994 para 365 mil milhões em meados de 2003
deve-se à deslocalização através de filiais
chinesas de multinacionais e
joint ventures
. As actuais plataformas de produção
offshore
combinam baixos custos com alta tecnologia. Quando a
Intel
constrói uma fábrica na China, fá-lo com os mesmos
equipamentos de ponta, empregando a mesma maquinaria utilizada nas suas
fábricas dos Estados Unidos.
Todavia, ainda mais surpreendente do que o crescimento das plataformas de
produção
offshore
é o rápido crescimento da deslocalização dos
serviços através das tecnologias da informação.
É neste campo que a Índia domina, com a sua
população altamente qualificada mas empobrecida. Calcula-se que a
exportação de serviços através das tecnologias da
informação na Índia decuplique nos próximos quatro
anos. Segundo Roach, o que alimenta este processo é o facto de os
níveis salariais na China e na Índia se situarem entre 10% e 15%
dos níveis aplicados nos Estados Unidos e no resto do mundo desenvolvido
relativamente a trabalhadores com as mesmas qualificações.
A desregulação, a restruturação, a
externalização e a deslocalização de
profissões de colarinho branco que constituem os dois terços dos
custos salariais dos Estados Unidos significam que a economia norte-americana
está a sofrer uma mudança estrutural de dimensões
nacionais e mundiais que poderá implicar uma redução do
emprego prolongada (marcando um aumento de longo prazo do exército
industrial de reserva). A fracção do número total de
empregos no sector industrial tem vindo a decrescer há meio
século (embora nunca tenha registado tão grande
estagnação numa recuperação económica). Como
observou Roach num relatório especial de economia, de 12 de Junho de
1998, para a
Morgan Stanley
sobre a restruturação mundial, o sector dos
serviços é o 'amortecedor' que facilita a redução
necessária do sector industrial. Só o sector dos serviços
pode fornecer a resposta ao grande enigma da restruturação, ou
seja, para onde irão todos os trabalhadores deslocados?
[6]
Mas, dado que o emprego no próprio sector dos serviços
está a sofrer reduções devido à
restruturação baseada nas tecnologias da
informação, incluindo a deslocalização, a
capacidade do sector para continuar a gerar novos empregos que possam absorver
a mão-de-obra disponibilizada por outras áreas económicas
pode estar igualmente em perigo. Simultaneamente, os trabalhadores mal pagos
das empresas
offshore
em países pobres estão a ser explorados relativamente às
taxas mais elevadas de mais-valia que podem gerar para o capital. O capital
multinacional é, pois, capaz de tirar partido das assimetrias mundiais
para criar mais formas viciosas de concorrência entre grupos de
trabalhadores que são geograficamente imóveis e consequentemente
incapazes de se unirem.
ESTAGNAÇÃO ECONÓMICA
Em geral, as explicações dos conservadores e dos liberais sobre o
facto de a recuperação ocorrer sem criação de
emprego limita-se aos factores expostos supra: 1) deslocações de
mão-de-obra (em geral supostamente temporárias) decorrentes do
crescimento da produtividade, e 2) restruturação
económica, nomeadamente deslocalização para a China ou
outros países, suscitando a questão da
protecção dos empregos norte-americanos. Todavia, uma
explicação mais profunda não deveria limitar-se a estes
factores; deveria sim reconhecer que a quebra do emprego é uma
manifestação de tendências inerentes ao próprio
capitalismo. Baixos níveis de emprego relativamente à
população em idade activa disponível são
endémicos ao sistema, tal como a orientação de substituir
trabalhadores mais bem pagos por trabalhadores mais mal pagos. Em
Trabalho Assalariado e Capital
um discurso proferido em 1847 diante de um auditório
constituído por trabalhadores, Karl Marx observou que
esta guerra [entre capitalistas] tem a particularidade de as batalhas serem
ganhas não tanto através do recrutamento como através do
despedimento do exército de trabalhadores. Os generais (os capitalistas)
disputam uns aos outros a possibilidade de despedir o maior número de
soldados industriais".
Segundo Marx, para muitos trabalhadores desempregados isto assumia a forma de
desemprego não apenas temporário mas permanente enquanto
que, para alguns dos mais afortunados entre as novas aquisições
do exército industrial de reserva, levava mais tarde ou mais cedo a
piores empregos e salários mais baixos.
Os economistas dizem-nos que, na realidade, os trabalhadores tornados
supérfluos pela mecanização encontram novas vias de
emprego. Não se atrevem a afirmar directamente que esses mesmos
trabalhadores que forem despedidos encontrarão emprego em novos ramos do
trabalho. Os factos advogam veementemente contra esta mentira. Estritamente
falando, apenas afirmam que serão encontradas novas formas de emprego
para outros sectores das classes trabalhadoras
, por exemplo para o contingente de jovens trabalhadores que estavam prestes a
entrar nesse ramo da indústria que acabava precisamente de ser
suprimido. É claro que isto é um grande consolo para os
trabalhadores desempregados
Mas, mesmo partindo do princípio de
que todos os que são directamente expulsos dos empregos pelas
máquinas, assim como todos os da nova geração que estavam
à espera de uma oportunidade de emprego no mesmo ramo industrial, acabam
por encontrar novo emprego, devemos acreditar que esse novo emprego lhes
permitirá auferir salários tão elevados como aquele que
perderam? Se assim fosse,
seria contraditório com todas as leis da economia política.
O verdadeiro repto para o capital gerado pela elevada taxa de desemprego e
subutilização da mão-de-obra não reside
directamente na carência de postos de trabalho ou no facto de muitos
trabalhadores terem sido objecto de despedimentos permanentes. O problema
reside algures: no facto de o sistema, por mais dinâmico que seja na
oferta (em termos de produtividade, da sua capacidade de expansão e de
geração de excedentes económicos) não se poder
expandir durante muito tempo sem que a procura agregada aumente. E apesar do
velho equívoco da Lei Say ou da noção de que a
oferta cria a sua própria procura o investimento raramente cresce
durante muito tempo sem que haja pelo menos expectativas de um crescimento
rápido do consumo. Este, no entanto, continua dependente de um aumento
dos rendimentos da população em geral.
Isto indica a persistência de problemas para a economia. Durante a
recuperação, o emprego não só estagnou como
decresceu, assim como os salários agregados e os salários reais
dos trabalhadores ocupados diminuíram. Em Dezembro de 2003, 33 meses
após o início da recessão, os salários agregados e
os salários reais situavam-se 0,7% abaixo do nível anterior
à recessão. Em contrapartida, nas seis recessões (desde
1960) imediatamente anteriores a esta, os salários agregados e os
salários reais tinham recuperado no 33° mês da
recessão (Institut of Economic Politics
,
Understanding the Severity of the Current Labor Slump
). Por conseguinte, não se prevê para breve uma
recuperação ao nível do consumo. O que sustenta o consumo
actualmente não é o emprego ou o crescimento dos salários,
mas sim a expansão do endividamento do consumidor, principalmente
através da contracção de empréstimos contra
hipotecas, que foi incentivada por taxas de juros mais baixas do que nunca.
Nestas circunstâncias, é improvável que haja um crescimento
rápido e sustentado do investimento. Em 2003, o investimento interno
privado bruto ainda não tinha recuperado de forma a atingir o
nível de 2000. Com a utilização da capacidade industrial
para 2003 em 73,4%, segundo as últimas estimativas preliminares
no seu nível mais baixo desde 1982 , as empresas não se
sentem muito incentivadas para investir em novas instalações e
equipamentos.
Tudo isto suscita a questão mais lata da natureza e lógica da
acumulação no capitalismo monopolista globalizado. A
estagnação do emprego analisada até às suas
raízes conduz ao problema da profunda estagnação da
economia capitalista em geral. Segue-se que a contínua debilidade do
emprego não é uma anomalia ou simplesmente o resultado de
mudanças estruturais entre indústrias, mas sim um produto de
problemas mais fundamentais de acumulação que afectam o
capitalismo no seu conjunto. Isto pode ver-se na taxa de crescimento da
produção mundial per capita, que tem vindo a decair desde a
década de 60, tal como o mostra o Gráfico 2. Aqui podemos ver em
pormenor uma redução clara da taxa de
crescimento da produção mundial entre 1961 e 2003. As economias
ricas no centro do sistema, das quais emanam as tendências de
estagnação, desfrutavam de êxito considerável na
exportação dos seus produtos deficientes para as economias mais
pobres da periferia, que tiveram então de assumir uma parte
desproporcionada dos custos da irregular acumulação do sistema,
para além dos seus problemas já graves de subdesenvolvimento e
dependência. O resultado foi uma estagnação global
generalizada com muito poucas excepções.
Estes factos pareceriam desafiar os conhecimentos económicos adquiridos.
Constitui artigo de fé entre os economistas ortodoxos que o crescimento
económico rápido é uma característica normal e
natural das economias capitalistas. Em contrapartida, há muito anos que
temos vindo a desenvolver neste espaço argumentos em contrário
[7]
. Longe de ser uma característica inerente ao sistema, o crescimento
económico rápido compreende-se melhor como ocorrendo em
circunstâncias históricas específicas. Nas fases iniciais
da industrialização, considerava-se que as economias capitalistas
cresciam a um ritmo acelerado, uma vez que toda a infra-estrutura industrial
estava a ser construída do zero. Mas, assim que as economias amadurecem,
no sentido em que as principais indústrias têm suficiente
capacidade para responder a toda a actual e potencial procura das
populações em bens por elas produzidos, o investimento tende a
ser mais limitado, constrangido pelo peso da capacidade produtiva gerada pela
acumulação passada. A concentração e
centralização do capital e a emergência do capital
monopolista (capitalismo das megaempresas) acaba por conduzir a um sistema no
qual a concorrência ao nível dos preços é
efectivamente banida nas indústrias maduras, enquanto que, por sua vez,
a concorrência ao nível da redução dos custos de
produção continua. Isto leva ao aumento dos excedentes
económicos gerados, que caiem cada vez mais nas mãos das
megaempresas. O resultado é um problema crescente de
absorção do excedente. As empresas procuram constantemente canais
de investimento rentáveis para os seus excedentes de procura de
investimento perante oportunidades de investimento que se desvanecem.
Numa economia madura monopolista, a estagnação, caracterizada por
um crescimento relativamente lento e um desemprego e excesso de capacidade
crescentes, torna-se no estado para o qual a economia flecte falta de
factores específicos de desenvolvimento que contribuam para tirar a
economia da depressão. A questão a explicar, neste caso,
não é tanto a estagnação em si (como muitos
economistas ainda pensam), mas antes a existência de um crescimento mais
ou menos rápido durante determinados períodos breves, tais como a
década de 60 e a última metade da década de 90.
A fim de explicar os motivos por que se registaram nessas épocas taxas
de crescimento relativamente elevadas, é mais útil analisar a
conjuntura histórica da economia do que a lógica interna da
acumulação de capital (ver Gráfico 2). Embora tendendo
para a estagnação, a economia norte-americana
foi estimulada por vários meios artificiais, muito semelhantes às
máscaras de oxigénio utilizadas pelos alpinistas para escalar os
picos mais altos. A maior fonte de estímulo nas últimas
décadas tem sido um vasto fluxo de dívida privada e
pública associada a uma época de especulação
financeira. Outra tem sido o impulso providenciado por quantidades
maciças de despesas militares, sem as quais o investimento e o emprego
teriam decrescido bastante. Um terceiro estímulo foi constituído
por um enorme desenvolvimento do esforço de venda sob a
forma moderna de
marketing
(que inclui não só a publicidade, mas também o
desenvolvimento de produtos e a promoção de marcas e de vendas),
que contabiliza actualmente mais de um milhão de milhões de
dólares por ano
[8]
.
No entanto, tais estímulos têm os seus próprios limites. A
explosão da efervescência financeira em 2000, associada à
quebra da Bolsa, preparou o caminho para a recessão que iria seguir-se.
As despesas militares diminuíram em percentagem do PIB, embora tenham
continuado a ser maciças, na sequência do final da Guerra Fria
e só começaram a aumentar agora até aos
níveis atingidos durante a Guerra Fria como resultado da chamada guerra
contra o terrorismo. O
marketing
, embora tenha continuado a aumentar, parece erigir-se periodicamente contra os
limites do comercialismo o facto de ser cada vez mais difícil
encontrar novos aspectos da existência para mercantilizar. Além
disso, por mais agressivas que sejam, as vendas não podem gerar o
consumo quando os consumidores não têm poder de compra.
Grandes inovações tecnológicas e a emergência de
indústrias totalmente inéditas podem ajudar a injectar uma nova
dinâmica na economia tal como no caso da segunda vaga de
automobilização da economia norte-americana na década de
60 ou o desenvolvimento das tecnologias da informação nos anos
90. Mas mesmos estas importantes inovações podem revelar-se
insuficientes para manter a economia num nível elevado durante muito
tempo.
Efectivamente, a estagnação está de tal modo arreigada na
estrutura da acumulação que a moderna economia capitalista
não consegue encontrar uma solução fácil. As
tentativas para ultrapassar o problema da estagnação
intensificando a exploração a nível mundial só
conseguiram agravar, ao longo do tempo, a sua debilidade subjacente. Ao mesmo
tempo, o sistema está a perder legitimidade aos olhos de grande parte da
população. A longo prazo, isto terá repercussões
políticas e económicas. Os grupos de investidores começam
a ter uma certa consciência deste fenómenos, o que se pode
constatar num relatório económico especial, de 12 de Junho de
1998, sobre restruturação global da autoria de Stephen Roach para
a
Morgan Stanley
, no qual o autor declara:
Há indícios de que o mercado de
trabalho norte-americano tem suportado um fardo desproporcionado dos
êxitos da restruturação das empresas. Mais de 15 anos de
níveis salariais relativamente estagnados, combinados com um forte
acréscimo das desigualdades na distribuição dos
rendimentos, acentuam o lado negativo da experiência norte-americana em
matéria de restruturação. Reconheço que sou culpado
de simplificar demasiado esta tensão extremamente básica do
modelo de restruturação anglo-saxónico, descrevendo-o como
um jogo clássico de poder entre o capital e o trabalho. Atendendo a que
as remunerações dos trabalhadores (compensação)
não acompanham as contribuições dos trabalhadores
(produtividade) desde o início da década de 80, defendi que era
apenas uma questão de tempo até surgir um contra-ataque,
inspirado politicamente, que faria bascular o pêndulo do poder
económico do capital (accionistas) para os trabalhadores. Embora isto
ainda não tenha acontecido, não há motivos para crer que
essa acção reflexa não venha a desencadear-se, num
determinado ponto, num futuro não muito distante.
Uma coisa é certa: os interesses que detêm o poder (o que inclui
os dois partidos políticos instituídos) não têm
interesse em levantar questões que possam despertar a classe
trabalhadora do profundo sono em que mergulhou, provocando assim a luta de
classes vinda de baixo que Roach prevê e teme. Consequentemente, os
poderes desenvolverão todos os esforços para assegurar que a
verdadeira natureza do problema do emprego sob o regime capitalista continue
escondido debaixo do tapete. O debate sobre o emprego em
gestação no contexto da recuperação sem
criação de postos de trabalho e a actual luta eleitoral
serão muito provavelmente mantidos dentro de limites muito estreitos
pelos representantes de ambos os partidos. Os Democratas culparão a
administração Bush e esta projectará grandes aumentos do
emprego no futuro através da redução de impostos
que terá lugar com um enorme desfasamento. A responsabilidade da
esquerda nestas circunstâncias é clara: rejeitar todo este tipo de
respostas oportunistas e relacionar estes problemas com as suas causas
profundas no seio do próprio capitalismo e com a evolução
da sua crise estrutural.
_________
NOTAS
1- O governo estadunidense tem dois inquéritos ao emprego; um é
um inquérito ao empregador ou às folhas de pagamento, o outro um
inquérito às famílias. Os dois inquéritos
não produzem precisamente os mesmos resultados. A maior parte dos
economistas e estatísticos do governo considera ser mais
confiável o inquérito ao empregador-folhas de pagamento. Os
dados sobre emprego mencionados neste artigo são todos baseados neste
inquérito.
2- Lee Prie e Yulia Fungard, "Understanding the Severity of the Current
Labor Slump", Economi Policy Institute Briefing Paper, 19/Fev/2004; Paul
Krugman, "Jobs, Jobs, Jobs",
New York Times
, 10/Fev/2004; Alan Greenspan, citado na
Newsweek
, "Help Not Wanted", 01/Mar/2004.
3- Erica L. Groshen e Simon Potter, "Has Structural Change Contributed to
a Jobless Recovery?", Federal Reserve Bank of New York,
Current Issues in Economics and Finance
, vol. 9, nº 8 (Agosto 2003), pg. 4.
4- Federal Reserve Board Governor Ben S. Bernanke, "The Jobless
Recovery", Global Economic and Investment Outlook Conference, Carnegie
Mellon University, Pittsburgh Pennsylvania (06/Nov/2003),
http://www.federalreserve.gov/boarddocs/speeches
.
5- Stephen Roach, "How Global Labour Arbitrage Will Shape the World
Economy",
Global Agenda Magazine
, 2004, www.globalagendamagazine.com.
6- Stephen Roach, "Global Restructuring: Lessons, Myths and
Challenges", Morgan Stanley, International Investment Research,
12/Jun/1998.
7- Este argumento, tal como foi desenvolvido nestas páginas desde meados
da década de 1960 até fins da de 1980, pode ser visto em cinco
ensaios dos editores da MR Harry Magdoff e Paul Sweezy:
The Dynamics of U.S. Capitalism
(1972),
The End of Prosperity
(1977),
The Deepening Crisis of U.S. Capitalism
(1981),
Stagnation and the Financial Explosion
(1987), e
The Irreversible Crisis
(1988). Um resumo mais recente da perspectiva
teórica geral subjacente a esta análise pode ser encontrado em
John Bellamy Foster, "Monopoly Capital and the New Globalization",
Monthly Review
, Janeiro 2002.
8- A melhor análise do papel do marketing no capitalismo monopolista de
hoje pode ser encontrada em Michael Dawson,
The Consumer Trap: Big Business Marketing in American Life
(Urbana: University of Illinois Press, 2003).
O original encontra-se em
http://www.monthlyreview.org/0404editors.htm
e no Volume 55, Número 11, Abril de 2004 da
Monthly Review.
Traduzido por HMS para resistir.info.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info
.
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