A história da
Monthly Review:
1949-1984
por Robert W. McChesney
[*]
Escrevi isto em 1984 para um seminário sobre história no meu
primeiro ano da faculdade na Universidade de Washington. Para mim foi uma obra
de amor porque me deu a oportunidade de ler todos os números da Monthly
Review, cuidadosamente preservados em volumes na magnífica biblioteca da
Universidade. Eu andava tão influenciado pela maturidade que a MR tinha
atingido nos princípios e meados dos anos 70 que queria perceber que
tipo de instituição e de cultura teria sido capaz de produzir
tanta sabedoria e brilho
e queria ler todos os números dos anos 50
e 60 que nunca tinha visto. Sempre achei que ninguém os lera a
não ser o meu professor, Robert Burke.
Pelo sim pelo não, enviei uma cópia ao meu melhor amigo, John
Bellamy "Duke" Foster que na altura já era um colaborador
regular da MR. Duke gostou e mostrou-a ao co-editor da MR, Paul Sweezy, que
parece ter gostado também. Pouco tempo depois, Duke disse a Paul que
tinha sido abordado pela Verso a fim de escrever uma biografia autorizada de
Paul em conjunto com a história da Monthly Review. Duke achava que seria
muito vantajoso engrandecer o legado da MR. Resposta de Paul: "Não
percas tempo. Deixa isso para outra pessoa. Tens trabalho mais importante para
fazer". Harry Magdoff, o outro co-editor da MR, concordou. Deve dizer-se
que nem Paul nem Harry andavam atrás da publicidade, e que isso explica
a relativa pobreza de material sobre eles e sobre a MR.
Nem me passava pela cabeça na altura que acabaria por me juntar a Duke,
a Paul e a Harry como co-editor da MR, cargo que mantenho desde 2000-2004. Para
ser franco, nunca mais me lembrei deste escrito até que ele apareceu na
minha caixa de e-mail em Abril de 2007, copiado e editado num ficheiro de texto
feito por Brett Clark. (Este artigo tinha sido manuscrito e depois
dactilografei a versão final numa máquina de escrever
eléctrica. Foi uma das últimas peças que escrevi antes de
usar o computador). Na era digital, há um lugar para esta peça no
ciberespaço. Assim, ei-la aqui, a história por contar da Monthly
Review nos seus primeiros 35 anos. Entre outras coisas, espero que tenha algum
valor para a pessoa que escrever a história dos 35 anos seguintes da MR,
e para a próxima geração que for educada por esta
extraordinária revista, tal como eu fui. Bob McChesney
A
Monthly Review
é uma revista socialista independente com sede em Nova Iorque e
é publicada mensalmente desde Maio de 1949. A revista foi fundada por
dois co-editores, Paul Sweezy e Leo Huberman. Quando Huberman morreu em 1968, o
seu lugar foi ocupado por Harry Magdoff que actualmente compartilha os deveres
editoriais com Sweezy. Embora a
Monthly Review
tenha uma tiragem actual de 8 500 exemplares e a sua tiragem nunca
tenha subido muito acima dos 12 000 é uma das
publicações marxistas mais importantes do mundo, e não
apenas dos Estados Unidos. Embora Magdoff afirme que "Parto do
princípio que os nossos leitores se inclinam para questões
teóricas"
[1]
, os editores manifestaram frequentemente o seu desejo de
evitar que a
Monthly Review
se tornasse numa revista feita "por académicos e para
académicos"
[2]
. O seu objectivo declarado é chegar às
"pessoas que estão motivadas politicamente e que precisam de saber
e entender o mais possível para serem mais eficazes politicamente"
[3]
.
Numa análise de abordagem crítica da
Monthly Review
em 1968, Peter Clecak elogiou a "aliança especial da
independência intelectual e do compromisso moral para o avanço do
socialismo"
[4]
dos seus editores. Mais observou que "a MR tem-se mantido
consistentemente fiel ao princípio fundamental da metodologia marxista:
ou seja, que para entender e participar na transformação social,
é preciso transpor os fenómenos observáveis para formular
e tentar responder às questões económicas
fundamentais"
[5]
. Magdoff e Sweezy em particular são ambos economistas
consumados enquanto Huberman tinha um dom especial para popularizar
conceitos teóricos complicados. A contribuição permanente
e exclusiva da
Monthly Review
durante os últimos 35 anos tem sido uma crítica
implacável e uma análise coerente do capitalismo moderno.
Num retrato dos editores de 1963, a revista
Business Week
classificava-os como "de um tipo de socialismo completo e rigoroso,
suficientemente drástico para proporcionar o corte radical com o passado
considerado essencial por muita gente de esquerda nos países
subdesenvolvidos. Simultaneamente mantêm uma total independência
tanto de Moscovo como de Pequim"
[6]
. Quanto à análise
económica dos editores, a
Business Week
observava que "a perícia em manipular os conceitos abstrusos da
economia moderna impressiona os aspirantes a intelectuais
a sua
análise dos problemas do capitalismo é suficientemente
plausível para ser perturbadora"
[7]
.
A
Business Week
também observava que a
Monthly Review
tem "uma influência no exterior desproporcionada à sua
difusão nos EUA"
[8]
. A revista deu sempre realce à compreensão
do capitalismo como um sistema mundial e à compreensão dos
movimentos de libertação do Terceiro Mundo como revoltas contra
esse sistema. A
Monthly Review
tem mantido um público apaixonado no seio dos intelectuais do Terceiro
Mundo e além-mar. Entre os colaboradores da
Monthly Review
que são ou foram chefes de estado encontram-se Andreas Papandreou,
Fidel Castro e Cheddi Jagan. Em 1960 um estudo revelou que Paul Sweezy era um
dos dez americanos que os líderes de negócios e políticos
japoneses "mais gostariam de conhecer"
[9]
. A lista inclui aqueles nomes
que seria esperado encontrar, como Eisenhower, Nixon e MacArthur. Em 1964,
quando Ned O'Gorman regressou duma viagem do Departamento de Estado à
América Latina, escreveu no
National Catholic Reporter:
"Os editores da
Monthly Review,
Huberman e Sweezy, Edgar Allen Poe, Walt Whitman e JFK são os
americanos de que mais oiço falar na América do Sul"
[10]
.
Um artigo da
Ramparts
em 1974 classificava a lista de colaboradores da
Monthly Review
como um "Quem é quem de
intelectuais de esquerda"
[11]
. Entre os
mencionados estavam Jean-Paul Sartre, Edgar Snow, I.F. Stone, R.H. Tawney,
Henry Wallace, William Appleman Williams, Anna Louise Strong e C. Wright Mills.
Outros colaboradores incluíam Albert Einstein, E.P. Thompson, Noam
Chomsky, Daniel Ellsberg e Joan Robinson. E esta lista é muito
superficial.
No entanto, apesar deste registo impressionante, a
Monthly Review
tem sido mais do que ignorada enquanto tema de análise, quer pela
comunidade intelectual quer pela imprensa popular. Os poucos artigos que foram
escritos acerca da
Monthly Review
já foram referidos neste escrito. E a análise que esses artigos
fazem sobre a revista não tem nada de especial: não há
nada que não seja conhecido de um leitor habitual da
Monthly Review.
Podiam considerar-se dois grupos de estudiosos com razões
lógicas para estarem interessados num estudo da
Monthly Review
os historiadores do jornalismo e os estudiosos radicais, o que inclui
estudiosos não radicais interessados em teoria e prática radical.
No entanto nenhum destes grupos se tem mostrado inclinado a dedicar-se a esse
estudo. Convém perguntar. Porquê?
Os historiadores do jornalismo têm demonstrado um desinteresse espantoso
pelo estudo da imprensa radical e não comercial, especialmente a do
século XX. Portanto, a
Monthly Review
não foi de forma alguma excluída ou marginalizada. Da meia
dúzia dos principais manuais disponíveis, apenas um deles refere
a imprensa não comercial ou radical no século vinte, pelo menos
de certa forma. Como a história do jornalismo, e a área da
"comunicação" em geral, tem sido alimentada por
privilégios corporativos e por laços estreitos com a
indústria dos media, precisa de cortar o cordão umbilical e
assumir seriamente uma certa noção de crítica social
significativa.
Os estudiosos radicais e os estudiosos interessados nas ideias e movimentos
radicais, pelo contrário, estão bem conscientes da
existência da imprensa radical. Mas é um dado adquirido que os
radicais precisam de tornear a imprensa predominante para conseguir difundir as
suas ideias. Portanto a preocupação desses estudiosos é
com aquilo que vai ser publicado o conteúdo em
oposição ao enquadramento institucional que o permite. O
próprio Harry Magdoff, quando entrevistado sobre a história da
Monthly Review,
respondeu a muitas das perguntas dizendo "Que interessa?" ou
"Não interessa". Para Magdoff e para os radicais em geral, o
mensageiro não é a mensagem. Assim, embora haja um corpo
significativo de obras criticando as ideias de Sweezy, de Huberman e de
Magdoff, quase não se presta atenção à
Monthly Review.
A tarefa final deste autor será avaliar criticamente a
contribuição da
Monthly Review
em quatro áreas que os editores têm vindo a analisar
cuidadosamente ao longo dos anos; (1) a dinâmica do capitalismo moderno
e, em particular, a sua tendência secular para a
estagnação; (2) a natureza das actuais sociedades socialistas e
as discussões teóricas da sociedade
pós-revolucionária; (3) a natureza do imperialismo moderno e os
movimentos revolucionários do Terceiro Mundo; e (4) a estratégia
e as tácticas socialistas nos países desenvolvidos, em especial
nos Estados Unidos. Esta última área tem recebido menos
atenção do que as outras três áreas na
Monthly Review.
Apesar disso, é crítica para a plena compreensão do
marxismo da
Monthly Review.
Antes de atacar este projecto, porém, é imperioso ter um
conhecimento sólido da história da
Monthly Review.
As principais questões importantes são: Como é que a
Monthly Review
funciona? Qual é a sua história? Como se sustenta a si
própria? Quem toma as decisões fundamentais? Como é que a
Monthly Review
se vê a si mesma? Terá a
Monthly Review
mudado nos últimos 35 anos? Como ainda ninguém se resolveu a
responder a estas perguntas, esta tarefa sem brilho mas necessária caiu
nas mãos do autor.
Perante este cenário, este artigo deve ser considerado mais como uma
missão de recolha de factos do que como uma tentativa de análise
crítica. Não se tentará avaliar a qualidade das
decisões comerciais da
Monthly Review.
As fontes para o grosso do artigo serão as "Notas dos
Editores" que aparecem no interior das capas de cada número. As
informações relativas à revista nestas "notas"
certamente são rigorosas; como os editores escreveram recentemente,
"descobrimos ao longo dos anos que os leitores da MR gostam que lhes diga
a verdade"
[12]
. Apesar disso, as informações são
esparsas. Para as complementar, realizaram-se três breves conversas
telefónicas com membros da
Monthly Review,
incluindo Harry Magdoff. Infelizmente, há ainda muitas perguntas sem
resposta que terão que ser abordadas em data posterior.
O documento vai ser estruturado da seguinte forma: Primeiro, uma breve
descrição do formato e conteúdo da
Monthly Review.
Segundo, curtas biografias dos editores. Isto é importante tanto mais
que a
Monthly Review
é em grande parte o produto personalizado dos editores. Terceiro, uma
história resumida da
Monthly Review
enquanto empresa comercial. Quarto, uma breve história da
Monthly Review
Press, um importante auxiliar da revista. Há mesmo quem defenda que a
Press acabou por igualar a importância da revista. Quinto, uma breve
visão sobre a equipa da
Monthly Review,
as suas operações internas e os seus programas ao longo dos
anos. Sexto, um exame sobre quem lê a
Monthly Review
e quem é que os editores tentam atingir. Por fim, uns breves
comentários conclusivos sobre o significado de tudo isto para perceber
qual o futuro da revista.
I
A
Monthly Review
tem mantido o mesmo aspecto e formato editorial desde o início. A
publicação é na forma padrão de
"revista". Não há fotografias nem gráficos. A
única cor aparece na capa que também se tem mantido sem
alterações ao longo dos anos. Cada número apresenta
geralmente três ou quatro artigos com uma extensão de 10 a 15
páginas. O tamanho médio da
Monthly Review
tem aumentado com o tempo. Nos anos 50 o tamanho médio era de 32-48
páginas enquanto que nos anos 60 a norma passou a ser de 64
páginas, com edições esporádicas de 96
páginas. Em 1956 a
Monthly Review
fundiu as edições de Julho e Agosto e esta prática
manteve-se desde então. Estas edições duplas são
normalmente muito mais extensas e concentram-se sobre um tema central.
Para além dos artigos e das já mencionadas "Notas dos
Editores", há outras características regulares. No fim de
cada número aparecem a correspondência e apreciações
a livros. A correspondência não é do tipo de
"olá, como vão as coisas", mas é normalmente uma
crítica equilibrada de qualquer artigo publicado pouco tempo antes. As
apreciações a livros, em geral mas de forma nenhuma
exclusivamente, concentram-se na oferta intelectual de esquerda. Scott Nearing,
o famoso velho socialista, publicou a sua coluna "World Events"
(Acontecimentos Mundiais) no verso da
Monthly Review
durante uns 20 anos até ao início da década de 70. E, no
único desvio ao aspecto não gráfico da revista, o
conhecido cartunista Fred Wright teve uma colaboração regular
durante grande parte dos anos 50.
A característica mais importante da
Monthly Review
é a "Review of the Month" (Acontecimentos do Mês) que
é o artigo de abertura de cada número. Inicialmente esta
secção consistia numa série de comentários curtos
semelhantes aos editoriais do
The Nation.
Poucos anos depois, foi adoptada a sua forma actual um artigo de 10 a
15 páginas dedicadas a um assunto específico. Os artigos
geralmente são escritos por ambos os editores. Estes descreveram o seu
modus operandi em 1956: "Tentamos sempre tratar os assuntos de forma
escorreita e como um todo. Isso obriga a uma leitura dos seus antecedentes,
à análise de literatura recente, acumulando muito mais material
do que podemos comprimir em poucas páginas
Depois os rascunhos
têm que ser trocados por correio entre os editores, e muitas vezes
apresentamo-los a uma ou mais pessoas em cujo julgamento e conhecimento de um
determinado assunto temos uma confiança especial"
[13]
.
De vez em quando as análises apresentam intervenções ou
documentos preparados apenas por um dos editores e nessa altura são
devidamente assinalados. E durante a última década a
Monthly Review
passou a entregar cada vez mais frequentemente a "Review of the
Month" a um colaborador convidado. Geralmente as análises tendem a
tratar de questões que cabem nas quatro grandes categorias já
mencionadas. Especificamente, estas análises comentam muitas vezes de
forma atempada evoluções críticas da economia
política mundial e no seio do capitalismo americano.
Para além das quatro grandes categorias, os artigos da
Monthly Review
por vezes preocupam-se com as condições sociais nos Estados
Unidos, a natureza do marxismo, e com assuntos ainda mais ecléticos como
a ciência, a arte ou a religião. Também, durante estes 35
anos, alguns dos assuntos passaram a ser mais destacados durante um determinado
período. Nos primeiros anos da
Monthly Review
foram examinados em profundidade a natureza e o significado do McCartismo. Nos
finais dos anos 50 começaram a ser alvo de grande atenção
os movimentos dos direitos civis. A Revolução Cubana dominava as
páginas da
Monthly Review
no princípio dos anos 60. Em 1961 os editores descreveram-na como
"uma porta aberta decisiva para o socialismo no hemisfério
ocidental
acontece que estamos numa posição
excepcionalmente favorável para dar notícias sobre a
Revolução Cubana e achamos que a melhor forma de servir a causa
do socialismo mundial é tirar o melhor partido disso"
[14]
. Os editores
visitaram Cuba imensas vezes e publicaram vários livros e artigos sobre
o socialismo cubano.
Nos meados dos anos 60 a Guerra do Vietname estava no auge e a
Monthly Review
não só criticava especificamente o esforço de guerra dos
EUA como também publicava uma considerável série de
artigos sobre o imperialismo americano. Em 1968 os editores escreveram que
"o entendimento do imperialismo tanto a nível teórico
como empírico é de uma importância crucial para o
desenvolvimento do movimento de esquerda neste país"
[15]
. Em meados dos
anos 70 a
Monthly Review
dava um realce ainda maior à sua análise das tendências
para a estagnação no capitalismo americano. E no início
dos anos 80, com a eleição da administração Reagan,
esta análise crítica do capitalismo foi complementada com uma
preocupação crescente sobre a corrida ao armamento e a escalada
das despesas militares.
As "Notas dos Editores" que aparecem no interior da capa incluem
muito mais do que simples informações relativas ao bem-estar da
publicação. O espaço é utilizado para uma
série de outros fins: estimular as assinaturas e
contribuições financeiras, assinalar as acções
pessoais e as viagens dos editores, lamentar as mortes de amigos, anunciar os
últimos livros publicados pela
Monthly Review
Press, fazer propaganda de outras publicações e eventos de
esquerda e publicar comentários de cartas.
Durante os anos 50 estas "Notas dos Editores" proporcionaram a
Huberman e a Sweezy uma cobertura substancial nas confrontações
com a caça às bruxas. Huberman foi convocado perante a
Subcomissão de Segurança Interna de McCarthy para responder a
perguntas sobre alguns dos seus livros. Mas recusou-se a fazê-lo e a
Monthly Review
publicou o texto do interrogatório e as suas declarações
à subcomissão. Sweezy, que viveu durante muito tempo em New
Hampshire, foi interrogado por acusações de sedição
pelo esquadrão anti-subversivo daquele estado. Depois de se recusar a
entregar as suas notas pessoais e a cooperar com esta inquisição,
foi intimado por desobediência e esteve à beira de ser preso. No
final o Supremo Tribunal dos EUA decidiu a seu favor numa sentença que
foi considerada "de referência"
[16]
.
II
A
Monthly Review
é essencialmente produto dos seus editores Leo Huberman, Paul
Sweezy e Harry Magdoff. Além deles, Paul Baran desempenhou um papel
significativo na revista até à sua morte prematura em 1964. Como
observou Paul Sweezy em 1969, "pouco tempo depois de a MR ter
começado a sua publicação tivemos a sorte de ficar cada
vez mais estreitamente associados a Paul Baran. Por uma série de
razões, entre as quais a geografia, isso nunca foi formalizado sob a
forma de ele se juntar a nós como editor da MR, mas isso não
impediu que a associação fosse continuada, íntima e
mutuamente benéfica"
[17]
. Noutra altura Sweezy escreveu, referindo-se a
Baran, que "Não é exagero dizer que as ideias e
opiniões editoriais expressas na MR ao longo dos anos tanto eram dele
como nossas"
[18]
. Numa palavra, ele fazia parte integrante da MR: sem ele esta nunca
teria evoluído como evoluiu". Importa agora fornecer uma breve
informação biográfica sobre cada um destes quatro homens.
Leo Huberman nasceu em Newark, New Jersey em 1903. Fez os seus estudos na
Universidade de Nova Iorque e na London School of Economics. Huberman foi
professor em Newark e em Nova Iorque até 1938, altura em que foi nomeado
presidente do departamento de ciências sociais em New College, na
Universidade da Columbia. Em 1940 Huberman foi editor do jornal PM, de curta
duração, e desempenhou uma série de outros cargos
até à fundação da
Monthly Review.
Huberman escreveu ou foi co-autor de 11 livros e de centenas de artigos.
É mais conhecido pelo 'We the People' (Nós, o Povo) (1932) e
'Man's Worldly Goods' (Património do Homem) (1936)
[NT1]
, ambos versões populares da história económica. Huberman
morreu em 1968
[19]
.
Paul Sweezy nasceu numa família da classe alta em Nova Iorque em 1910.
Fez os seus estudos em Exeter, Harvard, e na London School of Economics. Sweezy
fez o doutoramento em filosofia em Harvard sob a orientação de
Joseph Schumpeter. Paul Samuelson assinala que Sweezy "se posicionou
rapidamente entre os economistas mais importantes da sua
geração"
[20]
.
A procura em situação de oligopólio (Demand Under
Conditions of Oligopoly)
de Sweezy é
leitura obrigatória para a maior parte dos candidatos ao doutoramento em
economia e foi ele o criador da
curva de procura "angular" ("kinked" demand curve)
[21]
. Sweezy
foi professor em Harvard durante doze anos e saiu nos finais dos anos 40 por
razões alternadamente alegadas de cansaço ou de pressões
políticas. É autor de vários livros e de
infindáveis artigos. As suas obras teóricas mais significativas
são
Teoria do desenvolvimento capitalista' (The Theory of Capitalist Development')
(1942) e
Capital monopolista (Monopoly Capital)
(1966) de que foi co-autor juntamente com Paul Baran.
Harry Magdoff, nascido em 1913, foi abordado pela primeira vez para ser editor
na
Monthly Review
em meados dos anos 60 ainda Leo Huberman era vivo. Na altura recusou para se
poder concentrar na sua investigação sobre o imperialismo. A
situação alterou-se com a morte de Huberman. A sua mulher recorda
que "Paul foi ter com Harry e disse-lhe, que se não se juntasse a
ele, teria que fechar a revista"
[22]
. Magdoff tornou-se co-editor oficialmente
em Maio de 1969.
O currículo de Magdoff é muito mais de ordem prática e
menos académico do que o de Sweezy ou mesmo o de Huberman. Foi
responsável pelos estudos de produtividade estatística num
Projecto de Investigação Nacional da WPA (Work Projects
Administration) nos anos 30 e foi nessa época que concebeu o
método de medir a produção e a produtividade que ainda
hoje se usa no Departamento do Trabalho dos EUA. Durante a Segunda Guerra
Mundial Magdoff foi chefe da Divisão de Requisitos Civis da
Comissão Consultiva da Defesa Nacional. Foi responsável
especificamente pelo planeamento e controlo da indústria de maquinaria
metalúrgica
[23]
. Magdoff escreveu o livro
A era
do imperialismo ('The Age of Imperialism')
(1968), e grande quantidade de artigos.
Paul Baran nasceu na Ucrânia em 1910. Fez os seus estudos no Institute
for Social Research em Frankfurt, Cambridge, e em Harvard, onde fez o exame
geral para o doutoramento em 1941. Baran trabalhou para o governo dos EUA
durante a Segunda Guerra Mundial e depois da guerra trabalhou para o
Departamento do Comércio e para o Banco de Reserva Federal de Nova
Iorque. Em 1949 Baran aceitou o cargo de professor associado em Stanford e em
1951 foi promovido a catedrático
[24]
. Até
à sua morte em 1964 Baran foi o único economista marxista aceite
nos Estados Unidos. O desagrado pela sua presença expresso por alguns
dos bacharéis de Stanford foi objecto de diversas notícias
recheadas de pormenores sujos
[25]
. Baran escreveu diversos artigos e foi co-autor
com Sweezy em
Capital monopolista.
O
Economia
política do crescimento
(1957) foi o seu único livro que
é considerado uma das mais importantes obras de economia teórica
marxista do período pós-guerra.
III
A
Monthly Review
foi financiada durante os primeiros anos por uma doação do
conhecido literato académico F.O. Matthiessen. Matthiessen, que foi
colega e
amigo de Sweezy em Harvard, recebeu uma herança substancial em 1948.
Não se sabe bem qual o montante exacto da doação mas
Magdoff afirma que a notícia da revista
Ramparts
mencionando 5 000 dólares por ano durante três anos
[26]
está
basicamente correcta
[27]
. Para além de Huberman e Sweezy, Otto Nathan foi
fundador inicial embora Magdoff recorde que "ele pediu para não ser
identificado"
[28]
. Segundo Beatrice Magdoff, mulher de Harry e
voluntária de longa data, Huberman e Sweezy "tiveram problemas com
Otto Nathan. Eram problemas de personalidade"
[29]
. A relação de
Nathan com a
Monthly Review
acabou pouco tempo depois da sua inauguração.
A
Monthly Review
foi fundada inicialmente como uma empresa privada sendo os accionistas Sweezy,
Huberman e Sybil May, uma voluntária de longa data. Harry Magdoff
comenta que as vantagens da constituição como sociedade comercial
deviam-se a
"questões de responsabilidades financeiras"
[30]
. A
Monthly Review
nunca pretendeu obter lucros para os seus accionistas e nunca os obteve.
Conforme Beatrice Magdoff assinala, "A estrutura da propriedade não
tinha grande importância. Era meramente um aspecto técnico.
Não significava nada"
[31]
. Quando Huberman morreu as suas
acções passaram para Magdoff e quando May morreu em 1978 as
acções dela reverteram para a empresa. Na
Monthly Review
o poder esteve sempre nas mãos dos editores. Magdoff afirma que,
independentemente da estrutura empresarial, "era Paul e eu, e antes disso
Paul e Leo, quem tomava as decisões as decisões
finais"
[32]
.
Apesar da doação de Matthiessen, a
Monthly Review
rapidamente se viu na necessidade premente de apoio financeiro. No
princípio de 1950 os editores afirmaram que a revista precisava de uma
tiragem de 8 000 exemplares para ser auto-suficiente
[33]
. Decorreria outra
década antes de se alcançar esse número. Em Novembro de
1950 os editores fizeram abertamente o seu primeiro pedido de
contribuições para "manter a MR em funcionamento"
[34]
. A
Monthly Review
estava na clássica situação difícil das
publicações radicais não comerciais nos Estados Unidos.
Como se aguentar? A solução foi também a tradicional: ser
subsidiado pelo leitor por intermédio de assinaturas e utilizar
voluntários e sobretudo colaboração mal paga, de que a
deles próprios não era a menor parte.
A maioria das publicações de esquerda é subsidiada pelos
grupos ou instituições que representam. Como a
Monthly Review
estava empenhada numa carreira independente, teve que apelar directamente para
os seus leitores para apoio financeiro. Para facilitar esta
relação, foi fundada em 1951 o
Monthly Review
Associates. Os Associates eram assinantes que contribuíam com uma
quantia muito acima do preço da assinatura. Posteriormente, quando a
Monthly Review
Press entrou em funcionamento, os Associates tiveram direito a descontos
substanciais nos livros da
Monthly Review
Press. Todos os anos em Setembro era enviado um apelo aos assinantes
pedindo-lhes para aderir e aos Associates já existentes pedindo-lhes
para renovar a assinatura. Sybil May foi a directora do
Monthly Review
Associates até morrer. Beatrice Magdoff recorda que May era
"maravilhosa, ela fez todo o trabalho pelos Associates"
[35]
.
Não é possível dar o devido valor à
importância destas contribuições para a sobrevivência
da
Monthly Review.
Conforme os editores afirmaram honestamente em 1958, "sem essa ajuda
financeira a MR seria obrigada a encerrar"
[36]
. Em 1957 informaram que mais de
20 por cento dos assinantes da
Monthly Review
eram também Associates
[37]
. E nos finais dos anos 50 os editores informaram
que quase 25 por cento das receitas da
Monthly Review
provinham dos Associates
[38]
. Quando perguntaram a Harry Magdoff se esse
número se tinha mantido relativamente constante ao longo dos anos, ele
respondeu "Na verdade não sei qual é a percentagem que
provém dos Associates. O que interessa é que é
significativo"
[39]
.
Os legados também desempenharam um papel importante na
manutenção da
Monthly Review
de acordo com Magdoff. As "Notas dos Editores" publicam
frequentemente apelos aos leitores para se lembrarem da
Monthly Review
nos seus testamentos. Embora tenham existido muitos destes legados, Magdoff
afirma que "o realmente vultuoso apareceu há uns vinte anos. Isso
ajudou-nos a respirar mais à vontade"
[40]
.
Desde os inícios dos anos 60, a
Monthly Review
foi forçada a publicar os totais da sua tiragem paga para ter direito a
uma autorização de envio por correio de segunda classe. Antes
disso, as informações relativas à tiragem da revista
são esporádicas. Ao fim de um ano a
Monthly Review
tinha uma tiragem paga de 2500 exemplares
[41]
. Nos meados dos anos 50 a tiragem
subiu para cerca de 6000 o que se manteve até ao início dos anos
60. Em 1962 a
Monthly Review
atingiu pela primeira vez uma média de 8000 exemplares vendidos por
número
[42]
. A tiragem não ultrapassaria a marca dos 9000 exemplares
por ano senão em 1970
[43]
. Os editores observavam em 1968 que a tiragem
estava a subir "aflitivamente devagar"
[44]
.
Os anos 70 provaram ser uma década muito boa. Em 1972 a tiragem da
Monthly Review
ultrapassou pela primeira vez a marca dos 10 mil exemplares
[45]
e manteve-se acima
deste número em média até 1981. Os anos 80 foram um
período de redução da tiragem da
Monthly Review.
Os números de tiragens mais recentes, a partir de Novembro de 1983,
mostram uma tiragem média de 8 309 superior à do ano anterior
[46]
.
Devemos realçar três pontos no que se refere à tiragem da
Monthly Review.
Primeiro, uma percentagem muito alta aparece sob a forma de assinaturas.
Segundo, a leitura real da
Monthly Review
é significativamente mais alta do que a tiragem paga. Os editores
avaliam que há quatro ou cinco leitores por cada exemplar e isto
está em linha com as estimativas gerais que as pessoas da
indústria das publicações fazem para as revistas mensais
[47]
.
Finalmente, é difícil dizer se o recente declínio da
tiragem da
Monthly Review
se deve a uma redução da popularidade. Conforme os editores
assinalam na edição de Abril de 1984, "É uma 'lei'
bem conhecida no negócio da publicação de revistas que
é preciso continuar a correr para se ficar onde se está
[48]
. Ou, por
outras palavras, a lista de assinaturas está sujeita a um factor de
erosão intrínseco". E a
Monthly Review
tem tido dificuldades em "continuar a correr" no sentido comercial
do termo. Harry Magdoff afirma que "o que é espantoso na nossa
tiragem é que apareceu praticamente sem qualquer publicidade. Nós
nunca fizemos uma verdadeira publicidade à revista a não ser uma
vez"
[49]
. E Beatrice Magdoff observa que o facto de ser uma
publicação orientada para a universidade torna ainda mais
difícil manter os níveis da tiragem: "O problema é
que as pessoas acabam os cursos e vão-se embora"
[50]
.
Embora a
Monthly Review
tenha obviamente conseguido manter a cabeça fora de água durante
35 anos, houve várias ocasiões em que esteve em causa a sua
sobrevivência. Em 1954 os editores afirmaram que para a sua
sobrevivência seria necessária uma generosa resposta dos
Associates ao apelo anual
[51]
. Em 1957 houve um pedido de capital, e fizeram-se
mesmo empréstimos
[52]
. Os anos 60 foram um período relativamente
desafogado para a publicação. Em 1965 os editores escreveram que
"a maior necessidade da MR não é a
contribuição financeira, por mais generosa ou adequada que seja,
mas um aumento de tiragem e a venda de livros"
[53]
. No entanto, as
recessões do início e dos meados dos anos 70 minaram gravemente a
base financeira da
Monthly Review
e apanharam-na numa situação clássica de
sobre-expansão
[54]
.
A mais grave crise financeira da história da
Monthly Review
ocorreu no ano passado. A combinação da recessão, da
inflação, do grande aumento dos custos de impressão, e a
redução da tiragem levaram os editores a descrever esta
situação como a "pior situação de sempre"
da
Monthly Review
.
[55]
Um apelo de emergência para arranjar 100 mil dólares foi bem
sucedido e a crise foi debelada de momento. Apesar disso, mantêm-se os
problemas subjacentes e a
Monthly Review
está a tentar enfrentá-los. Por um lado, os custos e as despesas
gerais foram reduzidos até ao osso. Mas Susan Lowes, a actual directora
da Press e na verdade a directora comercial da revista reconhece que, na melhor
das hipóteses, estas medidas só servem para preencher lacunas:
"Tradicionalmente resolvemos os problemas reduzindo as despesas. Mas
é uma solução impossível a longo prazo porque isso
torna ainda muito mais difícil gerar receitas"
[56]
. A
solução a longo prazo, segundo Lowes, será um
"esforço concertado muito maior para arranjar capital de giro.
Precisamos de arranjar fundos de maneio"
[57]
.
Em 1980 foi dado um passo importante para remover os obstáculos
às doações quando a
Monthly Review
e a Monthly Review
Press passaram a fazer parte de uma recém-criada Fundação
Monthly Review sem fins lucrativos
[58]
. Todas as acções da
Monthly Review, Inc. foram doadas à recém-formada
Fundação. O IRS
aceitou que todas as doações dos Associados da
Monthly Review
acima de 50 dólares passassem a ser dedutíveis nos impostos.
Além disso, os legados à
Monthly Review
passaram a ser dedutíveis nos impostos e a
Monthly Review
passou a poder beneficiar de todo o tipo de privilégios que
anteriormente estavam fora do seu alcance.
Lowes não sabe bem se este estatuto de instituição sem
fins lucrativos tem sido um benefício real para a
angariação de fundos, neste momento: "Honestamente
não sei se o estatuto de instituição sem fins lucrativos
ajudou a arranjar dinheiro mas é de esperar que sim, especialmente no
que se refere aos grandes doadores"
[59]
. A vantagem mais imediata do estatuto
de instituição sem fins lucrativos, segundo Lowes, é ter
taxas de correio mais baratas: "É uma vantagem enorme e foi a
principal razão para o fazer"
[60]
.
A constituição da Fundação Monthly Review
também exigiu uma redefinição da direcção e
da tomada de decisões na revista. A Fundação tem um
conselho de seis membros que, segundo Harry Magdoff, "está a dar
apoio na direcção da política geral, mas não nas
decisões editoriais"
[61]
. A importância desta
evolução tornar-se-á bastante evidente no futuro quando
Sweezy e Magdoff, ambos com setenta anos, tiverem que se afastar. Como Magdoff
afirma em relação ao que ele e Sweezy projectam para a
Monthly Review
depois de se irem embora: "Não temos planos. Isso será da
responsabilidade do conselho"
[62]
. Neste momento o autor desconhece qual a
composição do conselho e a forma como são seleccionados os
seus membros.
Para além de arranjar mais contribuições, a
Monthly Review
procurou sempre aumentar a sua tiragem como forma de arranjar dinheiro. (Claro
que, ao contrário do editor privado típico, a razão
principal de os editores quererem aumentar a tiragem é fazer chegar o
conteúdo da revista, ou mais precisamente, o conteúdo do
editorial, a um maior número de pessoas). Sem dinheiro para dispendiosas
campanhas de promoção, a revista tem confiado geralmente na
publicidade boca a boca
[63]
. Os editores exortaram muitas vezes os leitores a levar
os seus amigos e as bibliotecas locais a fazerem assinaturas
[64]
. Mas a
única promoção significativa para um aumento da tiragem
ocorreu em meados dos anos 70 quando a revista começou a comprar e a
trocar listas de endereços com outros grupos com tendências de
esquerda. Os resultados imediatos desta campanha foram impressionantes
as assinaturas aumentaram 20 por cento nos meados dos anos 70
[65]
. No entanto, a
promoção foi demasiado cara para poder ser repetida. A
experiência ainda está fresca no espírito de Harry Magdoff:
"Acho que se fizéssemos um trabalho de vendas agressivo
podíamos aumentar o número de leitores"
[66]
.
IV
A
Monthly Review
envolveu-se na publicação de livros pela primeira vez em 1952
quando I.F. Stone mencionou aos editores numa conversa acidental que estava a
ter dificuldades em encontrar um editor para o seu livro
Uma história encoberta da guerra da Coreia (A Hidden History of
the Korean War).
[67]
Huberman e
Sweezy acharam que o livro "não podia desaparecer só por
falta de editor"
[68]
e assim nasceu a
Monthly Review Press. Nos 15 anos seguintes a Press foi dirigida por Leo
Huberman mas
manteve-se integrada na revista. Os editores disseram exultantes em 1959:
"A MR Press pode vir a ser uma editora experiente, uma espécie de
editora universitária da esquerda americana: estamos agora perfeitamente
convencidos disso"
[69]
. Apesar disso, a produção publicada
durante este período foi bastante esparsa; nos primeiros sete anos a
Press publicou apenas nove livros
[70]
. Em 1976 Harry Magdoff escreveu sobre os
primeiros dias da Press: "A Press manteve-se nos seus primeiros anos
fundamentalmente como um auxiliar da revista. Estava emperrada por muitos
constrangimentos práticos e parecia destinada a manter-se uma
criança fraca e subdesenvolvida"
[71]
.
Tudo isto mudou quando a
Monthly Review
foi buscar Harry Braverman em 1967 para presidente e director da Press
[72]
.
Braverman tinha uma grande experiência como editor. Nos anos 50 fora
co-editor do
The American Socialist
durante seis anos e durante os anos 60 trabalhou como editor sénior e
vice-presidente da Grove Press. Braverman era também um perfeito
literato; o seu
Trabalho e capital monopolista (Labor and Monopoly Capital)
foi uma das obras socialistas mais fortemente aplaudidas dos anos 70. Susan
Lowes comenta que "Harry foi quem de facto pôs a Press a
funcionar"
[73]
. Inaugurou uma série de publicações em
brochura e aumentou fortemente o ritmo de publicações. Ao fim de
dois anos a
Monthly Review
Press estava a publicar 15 a 20 títulos por ano. Lowes afirma que
"mantivemo-nos quase sempre com esse ritmo a não ser durante a
recessão de meados da década de 70 e de 81-82'"
[74]
.
Harry Braverman morreu em 1976 após doença prolongada. Foi
substituído por Jules Geller que funcionou como director até se
reformar em 1983. Desde então tem sido Susan Lowes a estar à sua
frente. Lowes trabalhara com Braverman na Grove Press e trabalhava na
Monthly Review
desde 1969. A
Monthly Review
Press cresceu numa actividade considerável com dez empregados a tempo
inteiro ou parcial. Até há pouco tempo havia mais dois empregados
quando a Press administrava o seu próprio armazém. Razões
de ordem financeira forçaram a Press a entregar essas tarefas a
terceiros.
Enquanto empresa, a Monthly Review
Press tem que se subordinar às práticas comerciais tradicionais
como qualquer outra editora. Para além disso, a publicação
de livros de esquerda de vendas baixas não permite que a Press retire
vantagens dos baixos custos marginais que acompanham as enormes vendas das
casas comerciais. Este facto teve que ser explicado aos leitores da
Monthly Review
pelo menos uma vez, pois parece que havia quem pensasse que uma editora
"socialista" podia resistir não sei como aos malefícios
da inflação e renunciar à subida dos preços
[75]
. Assim,
Lowes afirma que "a escolha dos livros tem que ter em conta a sua
possibilidade de ser comercializado. Tem que existir"
[76]
. No entanto, a Press
está disposta a apostar num livro, "se for importante e tiver uma
contribuição teórica ou qualquer coisa desse tipo,
avançamos com ele de qualquer modo"
[77]
. Mas Lowes acrescenta logo que
"se se publicarem muitos livros desse tipo ficamos em dificuldades"
[78]
.
Os livros da Monthly Review
Press vendem em qualquer lugar 500 a 10 mil exemplares por ano. Lowes calcula
que mais de metade das vendas são feitas a universidades
[79]
. No entanto,
independentemente de qual tenha sido o êxito crítico da Monthly
Review
Press, nunca houve filas de compradores. Lowes declara que "a Press
precisa de subsídios tal como a revista. Funciona em
défice"
[80]
. A recente retracção financeira que afectou a
revista também atingiu a Press. E as coisas não melhoraram quando
as encomendas das faculdades para 1983-84 foram substancialmente menores do que
se esperava
[81]
.
Apesar de tudo, Lowes mostra-se optimista quanto ao futuro: "Os nossos
objectivos? Publicar mais livros. Provavelmente vamos publicar mais livros
sobre os Estados Unidos e mais livros dirigidos aos activistas. Mas vamos
manter sempre a nossa ênfase sobre o Terceiro Mundo"
[82]
. Também
a nível de planos, segundo Lowes, encontra-se uma série de obras
de ficção, uma direcção relativamente nova para a
Press: "Estamos a planear uma série de romances, romances
destinados à classe trabalhadora em todo o mundo. Está na forja.
Conseguimos o acordo do conselho consultivo
[83]
.
V
A parte relativa à revista
Monthly Review
tem funcionado praticamente com o mínimo de pessoal que se possa
imaginar. No primeiro ano os editores gozaram com um cartão de
felicitações do Ano Novo que cumprimentava os editores e
"toda a equipa": "'Toda a equipa' da MR, para além dos
editores, consiste em mais uma pessoa que funciona como guarda-livros,
estenógrafo, arquivista, expedidor e tudo o resto"
[84]
. A
situação não se alterou grande coisa com o passar dos
anos. Em 1972 os editores reconheceram que "não temos ajuda na
pesquisa"
[85]
. E em 1976 os editores comentavam extensamente sobre a
situação da equipa: "Por vezes achamos graça
ao
saber que parece ser uma premissa bastante comum que a MR é como uma das
grandes revistas que têm uma equipa de secretárias e de
investigadores (por vezes mesmo carros e motoristas) que mantêm tudo
actualizado, tudo a correr sobre rodas, etc. Para bem ou para mal
esta
imagem não tem qualquer semelhança com a realidade. Somos
só três pessoas na equipa da revista"
[86]
.
A terceira posição referida na passagem anterior era a de Editor
Associado. A princípio foi preenchida por Frances Kelly, nos
inícios dos anos 60
[87]
. Kelly regressou posteriormente à sua
Inglaterra natal para abrir o escritório da
Monthly Review
em Londres. Em 1969 entrou Bobbye Ortiz como Editora Associada
[88]
. A sua
principal função parece ter sido a de editar e corrigir textos,
embora não seja claro se tinha outras responsabilidades. Aposentou-se no
ano passado e foi substituída por Karen Judd que tem sido editora na
Monthly Review
já há algum tempo. Embora esta posição possa ser
de enorme valor para os editores, não se pode dizer que seja lucrativa.
Beatrice Magdoff descreve Ortiz como sendo "na prática" uma
voluntária
[89]
.
Os voluntários foram sempre essenciais para o funcionamento quotidiano
da
Monthly Review.
A já mencionada Sybil May é talvez a mais relevante mas grande
quantidade de outros preencheram lugares de recepcionistas, contabilistas,
gestores de assinaturas e outros. Segundo parece, as mulheres de Leo Huberman e
de Harry Magdoff, Gert Huberman e Beatrice Magdoff, desempenharam papéis
especialmente importantes. Paul Sweezy escreveu que "sem elas duas, a MR
decerto não seria o que é hoje"
[90]
. Os editores tentaram ser
justos com esta bolsa de trabalho nitidamente necessário mas obviamente
explorado. Beatrice Magdoff recorda que "Leo tinha uma coisa em
relação aos voluntários. Fazia questão de lhes
pagar 25 dólares"
[91]
.
A gestão comercial da
Monthly Review
mudou significativamente ao longo dos anos. Até ao fim dos anos 60 Leo
Huberman funcionou como director comercial. Quando Harry Braverman assumiu a
Press passou a encarregar-se também das responsabilidades comerciais da
revista. Isso continuou com Jules Geller e agora com Susan Lowes. Lowes declara
que "pode dizer-se que a revista enquanto negócio passou cada vez
mais para o controlo da Press"
[92]
. Ou, como disse Harry Magdoff, "a Press é realmente a parte perigosa da
operação"
[93]
. É assim que a Press presentemente é responsável pela
distribuição e assinaturas da
revista.
Durante alguns anos nos finais dos anos 70 e princípios dos anos 80, a
Monthly Review
teve um gestor comercial a tempo inteiro, bem pago. Infelizmente a pessoa que
preencheu este cargo não é recordada como tendo sido uma mais
valia para a empresa e a sua saída não foi lamentada. Pouco se
escreveu sobre esse episódio e ainda se falou menos nisso. Conforme
recorda Beatrice Magdoff, "Foi um desastre. Prefiro não falar
nisso"
[94]
.
Embora a
Monthly Review
seja uma empresa em apuros dependente das doações e dos
voluntários para sobreviver, tornou-se apesar disso uma célula
sindical nos últimos 20 anos. Harry Magdoff recorda que "isso
partiu das pessoas que aqui trabalham. Podem entrar todos os que não
contratam nem despedem. É preciso sindicalizar-se para trabalhar na
Monthly Review
"
[95]
. Os trabalhadores abrangidos estão todos na área editorial
do negócio. São membros do Distrito 65 que veio a filiar-se na
United Automobile Workers na década passada
[96]
. Segundo Susan Lowes, os
membros sindicalizados recebem salários equiparados aos dos outros
trabalhadores na indústria editorial
[97]
.
Embora evidentemente os editores se orgulhem de a
Monthly Review
ser uma empresa sindicalizada
(union shop)
, esse facto exagerou uma tendência que
é habitual nas publicações em apuros, de tendências
de esquerda: Os trabalhadores manuais e os empregados de nível mais
baixo são relativamente bem pagos enquanto que os
"patrões" recebem trocos
[98]
. Conforme afirma Beatrice Magdoff,
"Paul, Harry, os editores, recebem todos salários 'movement'.
(Salários 'movement' é a expressão política
elegante para pagamento de subsistência). Prossegue reconhecendo que
"foi um disparate fazer" a sindicalização na
Monthly Review
[99]
.
A
Monthly Review
teve sempre a sua sede em Nova Iorque e normalmente em Greenwich Village. Nos
primeiros anos a revista funcionava no apartamento de Leo Huberman
[100]
embora
durante um período no final dos anos 50 e princípio dos anos 60 a
Monthly Review
tenha sublocado um espaço em
The Nation.
Além disso, a
Monthly Review
manteve um escritório em Londres de 1966 a 1983. O escritório de
Londres encarregava-se das assinaturas e pedidos de livros da
Grã-Bretanha. No entanto, comenta Susan Lowes, o escritório de
Londres na verdade nunca gerou grande quantidade de receitas: "Chegou uma
altura em que estávamos numa expansão tal, não me refiro a
nós mas à economia como um todo, que era possível
transformar qualquer coisa num negócio. Mas com a recessão,
aquilo [o escritório de Londres] tornou-se um empecilho"
[101]
.
Além disso, Lowes comenta que o escritório de Londres não
conseguiu integrar-se completamente no funcionamento global da
Monthly Review:
"Nunca fez o que supostamente devia fazer. Devia actuar como um batedor
para a Press, descobrir material novo"
[102]
.
O escritório de Londres não foi a única tentativa da
Monthly Review
para assegurar uma presença internacional. Por diversas vezes nos
últimos 20 anos a
Monthly Review
foi traduzida em quatro línguas estrangeiras espanhol, italiano,
grego e alemão e distribuído além-mar. As
edições italianas e gregas ainda continuam a ser publicadas e
estão em curso planos para uma versão indiana
[103]
. Estas
edições da
Monthly Review
em línguas estrangeiras são na verdade propriedade dos
tradutores além-mar; a
Monthly Review
não tem qualquer interesse ou risco financeiro no seu funcionamento
enquanto empresas comerciais.
A
Monthly Review
em espanhol foi fundada em 1963 em Buenos Aires. Um ano depois a tiragem
atingia os 8 000 exemplares tanto quanto a da
Monthly Review
em inglês
[104]
. No entanto, as pressões políticas
forçaram-na a mudar-se
para Santiago do Chile em 1967 onde passou a ser publicada até 1970.
Nessa altura a
Monthly Review
em espanhol foi suprimida por razões financeiras embora em 1973 tenha
havido uma curta tentativa para a ressuscitar em Bogotá
[105]
. Mas após
sete números esta versão afundou-se também em tinta
vermelha
[106]
. A
Monthly Review
de língua espanhola mais recente foi lançada em Barcelona em
1977 depois da morte de Franco. Esta versão sobreviveu até 1982
quando a falta de dinheiro e "o declínio da esquerda
espanhola" olearam os mecanismos para a sua morte
[107]
.
O primeiro pontapé para a edição italiana da
Monthly Review
foi dado em 1967. Tal como com as edições em espanhol, os
editores americanos anunciaram que "apenas pode ser incluído nas
edições em língua estrangeira o material que apareceu na
edição inglesa ou o que for expressamente aprovado por
nós"
[108]
. No entanto, em 1971 a edição italiana
começou a apresentar o seu próprio material sobre a economia
italiana e comentários a livros italianos. Os editores não
estavam em posição de autorizar este material; de facto, a certa
altura fizeram um pedido para ver se alguns dos seus leitores americanos lho
podia traduzir
[109]
. Esta falta de controlo editorial foi resolvida com a
divisão da
Monthly Review
italiana em duas partes editoriais distintas uma parte de origem local
e a outra parte tradução da
Monthly Review
inglesa. Embora Harry Magdoff actualmente não consiga apresentar
números da tiragem da edição italiana, no início
dos anos 70 houve a informação de que era "metade da
edição em inglês"
[110]
.
As edições alemã e grega apareceram pela primeira vez em
1975 e embora a
Monthly Review
alemã tenha desaparecido silenciosamente em 1978, a
edição grega ainda se mantém. Tal como a
Monthly Review
italiana, a edição grega tem adicionado ao material traduzido
muitos artigos sobre a Grécia. E mantém-se a mesma
separação rígida das duas partes visto que, afirma Harry
Magdoff "não temos controlo editorial"
[111]
.
VI
Beatrice Magdoff comenta que o público leitor da
Monthly Review
"se centra-se fortemente na comunidade universitária"
[112]
. Em
relação aos leitores da
Monthly Review,
Harry Magdoff afirma que "diria que são na sua maioria estudantes,
professores, especialistas. Alguns socialistas dos velhos tempos da classe
trabalhadora"
[113]
. Uma análise à lista de endereços da
Monthly Review
provavelmente confirmaria esta tendência mas seria muito mais
fiável um estudo do público leitor. A
Monthly Review
só efectuou um inquérito aos leitores em 1957 e os
resultados confirmam a intuição de Magdoff. Segundo os resultados
publicados, "os leitores da MR safavam-se bem" em termos de
rendimentos em comparação com o conjunto da
população
[114]
. Além disso, 72 por cento dos leitores da
Monthly Review
tinham o curso médio e 42 por cento tinham frequentado a universidade
[115]
.
A
Monthly Review
nunca teve um público leitor da classe trabalhadora. Inicialmente
isto parecia ser uma área de preocupação para os editores
porque escreveram que "estamos hoje mais conscientes do que ninguém
de que ainda não conseguimos chegar a um público substancial da
classe
trabalhadora"
[116]
. No entanto, cedo se tornou evidente que a
Monthly Review
não interessava aos trabalhadores comuns e os editores reconheceram e
assimilaram esse facto. "Temos que reconhecer que a MR não aspira a
alcançar uma audiência de massas directamente"
[117]
. E, no que diz
respeito à Monthly Review
Press, os editores escreveram em 1979 que "é muito difícil
que os livros radicais do tipo publicado pela MR Press cheguem a ser lidos pela
classe trabalhadora"
[118]
.
Os editores da
Monthly Review
exprimiram o desejo de atingir os activistas, as pessoas interessadas na
política radical e os "indecisos"
[119]
. Os dois grupos
privilegiados do esquema de distribuição da
Monthly Review
tem sido os estudantes e os presos. Os estudantes beneficiaram de descontos nas
assinaturas durante bastante tempo. No início dos anos 70 a
Monthly Review
iniciou um programa para presos o qual oferecia assinaturas grátis e
livros a preços reduzidos aos presos americanos
[120]
. Embora este programa
fosse considerado de grande êxito, dependia das
contribuições para sobreviver e teve que ser suspenso em 1976 por
falta de fundos
[121]
.
Embora a
Monthly Review
esforce-se por evitar ser uma revista académica, os editores dão
uma
enorme ênfase à clareza e à terminologia não
técnica nos artigos que decidem publicar
[122]
. Além disso,
dá-se preferência a artigos com uma extensão de menos de 15
páginas duplas. A
Monthly Review
é um tanto limitada na sua capacidade de aplicar estas políticas
dada a sua política quanto a ofertas de colaboração.
Beatrice Magdoff afirma: "Nunca solicitámos artigos porque se o
fizéssemos tínhamos que os publicar"
[123]
. E segundo os editores
não é possível uma interpretação estrita dos
padrões da
Monthly Review:
"Não podíamos, mas mesmo assim enchíamos a
revista"
[124]
.
Uma das questões da
Monthly Review
desde os seus primeiros dias foi se a publicação deveria tentar
expandir os seus horizontes para além da área geral da economia
política até áreas de questões estéticas e
culturais. A par desta havia a preocupação de que a revista fosse
demasiado monótona e indigesta para atrair novos leitores mesmo
os da esquerda. Estas preocupações foram explanadas numa carta
aos editores pelo colaborador de longa data Michael Tanzer em 1978. Primeiro,
sugeriu que a
Monthly Review
devia dar cobertura à cultura popular: "Se a MR pretende atingir
uma audiência mais lata da esquerda agora e no futuro (e uma
audiência americana), acho que seria importante aventurar-se nesta
área, quanto mais não seja porque o cinema e a TV, mais ainda do
que os livros, são os meios de comunicação da maior parte
das pessoas"
[125]
. Segundo, Tanzer escreveu que "preocupa-me
que
alguns dos meus amigos íntimos que são socialistas independentes
e estão geralmente de acordo com a abordagem da MR, raramente lêem
a revista; além disso deram indicações de que se houvesse
um maior equilíbrio na revista e mais artigos de economia que não
fossem tão 'maçudos, sentir-se-iam mais dispostos a
lê-la"
[126]
.
Depois de publicar a carta de Tanzer, os editores pediram comentários
aos leitores interessados. Receberam uma enorme quantidade de
correspondência tanto de apoio como crítica aos pontos que Tanzer
levantara. Na sua resposta aos comentários alguns meses depois os
editores preveniram os seus leitores de que o seu território era
acompanhado por uma certa quantidade de "monotonia" e de
"terminologia difícil": "Até certo ponto
compreendemos este tipo de críticas
Mas ao mesmo tempo é
preciso lembrar aos leitores que não pretendemos atingir uma
audiência de massas: evidentemente nunca o conseguiríamos mesmo
que quiséssemos. Pretendemos fazer análises e debates marxistas
sérios apresentados duma forma facilmente
inteligível
Atingir este objectivo exige a adesão a
padrões aceites (teóricos e empíricos) de trabalho
científico e limita a extensão até onde pode ser levada a
simplificação e a popularização"
[127]
.
Quanto à necessidade de expandir a cobertura a questões
culturais, os editores optaram por um compromisso: "Seria uma forma de
tentar melhorar a nossa análise do capitalismo mundial (e as suas
contradições) através de um maior uso de materiais
culturais"
[128]
. Na prática, contudo, a
Monthly Review
manteve a mesma linha editorial que seguira desde a sua
fundação. Quando perguntaram há pouco tempo a Magdoff
sobre a hipótese de expandirem a cobertura da
Monthly Review
a áreas culturais, ele respondeu: "A sugestão é
óptima. Se encontrarmos alguma coisa boa, publicamo-la. Pouco sabemos
sobre estética"
[129]
.
A relutância da
Monthly Review
em aventurar-se num território novo explica-se melhor pela sua
reconhecida ignorância nestas áreas. Além disso, podia
afirmar-se com razão que há outras publicações da
esquerda que apresentam frequentemente este tipo de material. Apesar disso, em
1965 a
Monthly Review
publicou um suplemento cultural sob a direcção de Francês
Kelly
[130]
. Como apareceu apenas uma vez e com o título de REVIEW I, parece
que não aguçou o apetite dos editores para mais
explorações estéticas. Harry Magdoff recorda a REVIEW I
como "muito dispendiosa. Olhando para trás, foi uma loucura
fazê-la. Foi uma experiência"
[131]
.
VII
Se a
Monthly Review
tem sido limitada pelo interesse dos editores em questões sérias
políticas e económicas, essa é também a
razão do êxito da publicação. Porque acima de tudo o
que distingue a
Monthly Review
do pacote de jornais intelectuais de esquerda foi sempre a perspectiva
especial e penetrante dos editores. Uma
Monthly Review
que desse realce a temas como a ética sexual, o rock punk, e o cinema
de vanguarda poderia provavelmente atrair novos leitores. Mas se, ao
fazê-lo, pusesse de lado as questões críticas que fizeram a
imagem de marca da
Monthly Review
por ex. as tendências de estagnação do capitalismo
dos EUA, a natureza da sociedade socialista, do imperialismo e do Terceiro
Mundo certamente iria perder os leitores que têm sido o pilar do
seu apoio.
Enquanto empresa comercial, a
Monthly Review
aprendeu a aceitar o seu lugar à margem da viabilidade económica
e tira partido disso o mais que pode. Através de doações,
trabalho voluntário e salários de subsistência para os
editores, a revista tem sido capaz de sobreviver. Talvez o facto de a
Monthly Review
nunca ter adoptado as teorias de gestão cooperativa da Nova Esquerda
com um controlo de trabalhadores igualitário tenha ajudado à sua
sobrevivência. (Como exemplo de uma publicação que foi
totalmente despedaçada pela gestão dos trabalhadores vejam o
National Guardian
). Como a importância da
Monthly Review
está tão intimamente ligada às
contribuições específicas dos editores, qualquer sistema
de gestão que não tivesse este facto em
consideração seria geradora de problemas.
São muitas as façanhas da
Monthly Review.
Fundou uma importante casa editora e é considerada por uma fonte como
"a mais famosa revista ignorada da América"
[132]
. No entanto o seu
futuro é duvidoso. Há os eternos problemas financeiros que
parecem ser incontornáveis seja a que distância for. Muito mais
importante, porém, é a questão do futuro da
Monthly Review
depois de Sweezy e Magdoff. Embora haja quem partilhe dos seus interesses e
preocupações, poucos têm revelado a capacidade deles para
uma análise marxista original e disciplinada. Ainda está para se
ver se a moldura institucional que criaram é suficientemente forte para
a levar até à nova geração. No entanto, se é
que aprendemos alguma coisa com o passado da
Monthly Review,
o melhor é não apostar contra ela.
Notas
1 Entrevista telefónica com Harry Magdoff, May 8, 1984.
2 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
27, no. 7 (December 1975).
3 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
24, no. 7 (December 1972).
4 Peter Clecak, "MR: An Assessment,"
Monthly Review
20, no. 6 (November 1968), 3.
5 Ibid., 3.
6 "Viewing U.S. Economy with a Marxist Glass,"
Business Week
(April
13, 1963), 68.
7 Ibid., 68.
8 Ibid., 68.
9 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
11, no. 10 (March 1960).
10 "Could Karl Marx Teach Economics in America?"
Ramparts
(April
1974), 54.
11 Ibid., 54.
12 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
34, no. 6 (November 1982).
13 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
8, no. 1 (May 1956).
14 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
12, no. 9 (February 1961).
15 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
20, no. 2 (June 1968).
16
Ramparts,
55.
17 Paul Sweezy, "Announcement,"
Monthly Review
21, no. 1 (May 1969), 2.
18 "Foreward,"
Monthly Review
16, no. 11 (April 1965), vi
19 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
20, no. 7 (December 1968).
20 Paul Samuelson, "Memories,"
Newsweek
(June 2, 1969), 83.
21
Newsweek,
68.
22 Entrevista telefónica com Beatrice Magdoff, May 4, 1984.
23 1983 Catalogue,
Monthly Review
Press, 26.
24 Paul Sweezy, "A Personal Memoir,"
Monthly Review
16, no. 11 (April 1965), 40.
25
Ramparts,
55.
26 Ibid., 55.
27 Entrevista telefónica com Harry Magdoff, May 8, 1984.
28 Ibid.
29 Entrevista telefónica com Beatrice Magdoff, May 4, 1984.
30 Entrevista telefónica com Harry Magdoff, May 8, 1984.
31 Entrevista telefónica com Beatrice Magdoff, May 4, 1984.
32 Entrevista telefónica com Harry Magdoff, May 8, 1984.
33 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
1, no. 10 (February 1950).
34 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
2, no. 7 (November 1950).
35 Entrevista telefónica com Beatrice Magdoff, May 4, 1984.
36 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
10, no. 5 (September 1958).
37 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
9, no. 6 (October 1957).
38 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
10, no. 5 (September 1958).
39 Entrevista telefónica com Harry Magdoff, May 8, 1984.
40 Ibid.
41 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
2, no. 2 (June 1950).
42 "Circulation Statement,"
Monthly Review
19, no. 7 (December 1962), 64.
43 "Circulation Statement,"
Monthly Review
22, no. 6 (November 1970), 64.
44 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
20, no. 6 (November 1968).
45 "Circulation Statement,"
Monthly Review
24, no. 6 (November 1972), 64.
46 "Circulation Statement,"
Monthly Review
35, no. 7 (December 1985), 64.
47 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
35, no. 9 (February 1984).
48 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
35, no. 11 (April 1984).
49 Entrevista telefónica com Harry Magdoff, May 8, 1984.
50 Entrevista telefónica com Beatrice Magdoff, May 4, 1984.
51 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
6, no. 7 (November 1954).
52 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
9, no. 4 (August 1957).
53 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
17, no. 5 (October 1965).
54 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
24, no. 9 (February 1973).
55 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
35, no. 2 (June 1983).
56 Entrevista telefónica com Susan Lowes, May 7, 1984.
57 Ibid.
58 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
32, no. 4 (September 1980).
59 Entrevista telefónica com Susan Lowes, May 7, 1984.
60 Ibid.
61 Entrevista telefónica com Harry Magdoff, May 8, 1984.
62 Ibid.
63 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
9, no. 11 (March 1958).
64 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
14, no. 1 (May 1962).
65 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
28, no. 2 (June 1976).
66 Entrevista telefónica com Harry Magdoff, May 8, 1984.
67 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
3, no. 9 (January 1952).
68 Ibid.
69 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
10, no.9 (January 1959).
70 "An Open Letter to Our Readers,"
Monthly Review
9, no. 12 (April 1958), 432.
71 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
28, no. 4 (September 1976).
72 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
19, no. 5 (October 1967).
73 Entrevista telefónica com Susan Lowes, May 7, 1984.
74 Ibid.
75 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
21, no. 1 (May 1969).
76 Entrevista telefónica com Susan Lowes, May 7, 1984.
77 Ibid.
78 Ibid.
79 Ibid.
80 Ibid.
81 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
35, no.4 (September 1983).
82 Entrevista telefónica com Susan Lowes, May 7, 1984.
83 Ibid.
84 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
10, no. 10 (February 1950).
85 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
24, no. 7 (December 1972).
86 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
27, no. 10 (March 1976).
87 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
14, no. 9 (February 1963).
88 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
21, no. 8 (January 1970).
89 Entrevista telefónica com Beatrice Magdoff, May 4, 1984.
90 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
34, no. 9 (February 1983).
91 Entrevista telefónica com Beatrice Magdoff, May 4, 1984.
92 Entrevista telefónica com Susan Lowes, May 7, 1984.
93 Entrevista telefónica com Harry Magdoff, May 8, 1984.
94 Entrevista telefónica com Beatrice Magdoff, May 4, 1984.
95 Entrevista telefónica com Harry Magdoff, May 8, 1984.
96 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
33, no. 7 (December 1981).
97 Entrevista telefónica com Susan Lowes, May 7, 1984.
98 Entrevista telefónica com Beatrice Magdoff, May 4, 1984.
99 Ibid.
100 Ibid.
101 Entrevista telefónica com Susan Lowes, May 7, 1984.
102 Ibid.
103 Entrevista telefónica com Beatrice Magdoff, May 4, 1984.
104 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
15, no. 9 (February 1964).
105 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
22, no. 4 (September 1970).
106 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
29, no. 2 (June 1977).
107 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
33, no. 11 (April 1982).
108 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
19, no. 7 (December 1967).
109 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
20, no. 10 (March 1969).
110 Ibid.
111 Entrevista telefónica com Harry Magdoff, May 8, 1984.
112 Entrevista telefónica com Beatrice Magdoff, May 4, 1984.
113 Entrevista telefónica com Harry Magdoff, May 8, 1984.
114 "Who You Are,"
Monthly Review
9, no. 12 (April 1958), 427.
115 Ibid., 427.
116 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
2, no. 5 (September 1950).
117 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
24, no. 7 (December 1972).
118 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
30, no. 10 (March 1979).
119 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
2, no. 11 (March 1951).
120 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
24, no. 3 (July-August 1972).
121 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
27, no. 6 (November 1973).
122 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
23, no. 5 (October 1971).
123 Entrevista telefónica com Beatrice Magdoff, May 4, 1984.
124 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
26, no. 10 (March 1975).
123 Michael Tanzer, "Should MR Broaden Its Scope?"
Monthly Review
30, no. 1 (May 1978), 62.
126 Ibid., 62.
127 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
30, no. 3 (July-August 1978).
128 Ibid.
129 Entrevista telefónica com Harry Magdoff, May 8, 1984.
130 "Notes from the Editors,"
Monthly Review
16, no. 10 (March 1965).
131 Entrevista telefónica com Harry Magdoff, May 8, 1984.
132 Ramparts, 54.
[*]
Fundador e presidente da
Free Press
, professor da Universidade do Illinois em Urbana-Champaign e
autor ou editor de 12 livros premiados, incluindo
Telecommunications, Mass
Media, and Democracy: The Battle for the Control of U.S. Broadcasting,
1928-1935; Corporate Media and the Threat to Democracy; The Global Media: The
New Missionaries of Corporate Capitalism
(com Edward S. Herman);
Our Media,
Not Theirs
(com John Nichols);
Rich Media, Poor Democracy: Communication
Politics in Dubious Times; The Problem of the Media: U.S. Communication
Politics in the Twenty-First Century; e, mais recentemente, Tragedy & Farce:
How the American Media Sell Wars, Spin Elections and Destroy Democracy
(com John Nichols). Apresenta um programa semanal,
Media Matters
, na rádio WILL-AM, filial da NPR em Urbana, Illinois.
O original encontra-se em
http://mrzine.monthlyreview.org/mcchesney060507.html
.
Tradução de Margarida Ferreira.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.
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