A necessidade do planeamento a fim de amenizar as consequências da produção máxima mundial de petróleo

por Robert L. Hirsch [*]

É necessária uma estrutura a fim de planear a amenização (mitigation) da escassez de petróleo depois de a produção mundial atingir um máximo e entrar em declínio. Alguns argumentam que a evolução normal do mercado será adequada para evitar a escassez. Nós assumimos que não será assim.

Ao tratar de tais assuntos, o pior que pode acontecer é colocar entre parênteses as exigências da amenização por se entender que a miríade de variáveis e factores desconhecidos não permitiria precisão. Consequentemente, a nossa análise envolve considerações acerca de ordens de grandeza económicas, experiências passadas do mundo real, previsões da futura produção mundial de petróleo e possíveis comportamentos dos exportadores de petróleo.

Considerar a escassez de petróleo é muito diferente de simplesmente considerar os aumentos de preços do óleo. Estas considerações debruçam-se sobre uma área na qual não há experiência recente, uma vez que o mundo de hoje é diferente do de 1973 e 1979, quando ocorreram breves momentos de escassez. Abordamos este desafio com a crença manifestada em Oil Shockwave: "Basta apenas que uma quantidade de petróleo relativamente pequena seja retirada do sistema para que surjam enormes implicações económicas e de segurança". [1]

No contexto do petróleo mundial, mudanças percentuais relativamente pequenas são enormemente significativas. Exemplo: a diminuição em 3% do PIB dos EUA resultante do embargo árabe de 1973 resultou numa danosa recessão económica. Uma mudança de 1% na actual produção mundial de petróleo equivale a mais de 800 mil barris por dia (bpd), o que representa um enorme volume. Preservar este nível de consumo através de aumentos na eficiência da frota mundial de veículos ligeiros (automóveis e camiões ligeiros) exigiria mais de uma década, supondo um programa relâmpago de implementação. [2] Do lado da oferta, a produção por exemplo de 800 mil bpd de combustíveis líquidos substitutivos exigiria unidades carvão-para-líquidos (coal-to-liquids, CTL) que custariam US$ 50 a 100 mil milhões e precisariam de um prazo de pelo menos uma década na melhor das hipóteses. Assim, pequenas percentagens da produção mundial de petróleo e da procura representam grandes impactos económicos e níveis muito elevados de hardware e de investimento para a amenização.

RELAÇÃO 1:1

A fim de estimar os impactos económicos potenciais examinou-se o relacionamento entre a percentagem de declínio da produção mundial de petróleo e a percentagem de declínio do PIB mundial. Determinou-se que um ratio razoável é da ordem de 1:1, ou seja, um declínio de 2% na oferta mundial de petróleo resultaria num declínio de aproximadamente 2% do PiB mundial — um impacto extremamente forte.

Como caso limite para as taxas de declínio, foram examinados alguns campos petrolíferos gigantes. E eram evidentes ali taxas de declínio de 8-16% após planaltos (plateaus), em casos bem administrados. A produção real de petróleo da Europa e da América do Norte demonstrou períodos significativos de produção relativamente horizontal (plateaus). Contudo, antes de entrar no seu período de planalto, a produção norte-americana de petróleo passou por um pico agudo e declínio acentuado. O exame de um certo número de previsões da futura produção mundial de petróleo mostrou períodos de mudanças ascendentes e descendentes multi-anuais, os quais representam pseudo-planaltos. Mas a esmagar potencialmente tudo o mais, as considerações quanto ao nacionalismo nos recursos apresentam um Cenário de Retenção dos Exportadores de Petróleo (Oil Exporter Withholding Scenario), o que precipitaria o início do declínio e exageraria as taxas de declínio da oferta mundial.

Desta análise resultaram três cenários para o planeamento da amenização:

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1- Um Melhor Caso, onde a produção mundial máxima de petróleo é seguida por um planalto multi-anual antes de ter início uma taxa de declínio monótona de 2-5% ao ano ;

2- Um Caso Médio, onde a produção mundial de petróleo alcança um máximo abruptamente, após o que cai a longo prazo, com declínio anual monótono de 2-5% ; e finalmente

3- Um Pior Caso, onde o pico agudo do Caso Médio é agravado pelas retenções dos exportadores de petróleo, levando a um crescimento da escassez mundial ainda mais rápido do que os 2-5% ao ano , criando os mais devastadores impactos económicos mundiais.

10/Setembro/2007
Fontes:
1. Oil Shockwave - Oil Crisis Executive Simulation. National Commission on Energy Policy and Securing America's Future Energy. 2005.
2. Hirsch, R.L., Bezdek, R., Wendling, R. Peaking of World Oil Production: Impacts, Mitigation, & Risk Management. DOE NETL. February 2005.


[*] Conselheiro senior do programa de energia SAIC e autor principal de Peaking of World Oil Production: Impacts, Mitigation, And Risk Management (2005), escrito para o National Energy Technology Laboratory.
Este artigo é um breve resumo de documento apresentado para publicação.

O original encontra-se em
http://www.aspo-usa.com/index.php?option=com_content&task=view&id=209&Itemid=91


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16/Set/07