Desfrute os preços baixos do petróleo enquanto puder

por Barry Critchley [*]

Previsões do preço do barril para contratos de futuros. Henry Groppe, fundador da Groppe, Long & Litell, com sede em Houston, tem 83 anos, é vegetariano e tem sido, desde 1955, um prognosticador no negócio do petróleo e do gás. Ele não receia ir contra a sabedoria convencional. Um ano atrás previu que o preço do petróleo entraria em colapso no segundo semestre – e não atingiria o muito apregoado preço de US$200 por barril.

Agora Groppe, conselheiro especial do grupo Middlefield com sede em Toronto, fez uma análise e concluiu que entre este momento e o fim do ano o preço do petróleo duplicará. Se esta previsão se confirmar, o petróleo atingirá os US$80 por barril, ou seja, mais do dobro do que outros estão a prever. O seu conselho aos consumidores: Desfrutem os preços baixos da gasolina, porque eles não perdurarão durante muito mais tempo.

"Dado tempo suficiente, são basicamente os equilíbrios da oferta e procura que controlam o preço", diz Groppe. "É como no jornalismo: 'Obtenha os factos directamente' ", disse, mencionando movimentos da ordem dos 80 milhões de barris/dia no negócio global do petróleo.

A sua previsão de consumo para 2009, em relação a 2008, baseia-se em três factores: o corte de dois milhões de barris/dia na produção da OPEP, o grosso do qual virá de três países (Arábia Saudita, Kuwait e Abu Dhabi); o aumento de quatro milhões de barris/dia decorrente do declínio médio de 50% no preço do petróleo bruto; e na queda no consumo de 1,2 milhão de barris/dia que decorrerá da recessão global. Pondo tudo isto junto, o que emerge é uma escassez líquida de 4,8 milhões de barris/dia.

"Tem de haver uma grande correcção ascendente nos preços para trazer as coisas de volta ao equilíbrio", afirmou Groppe.

Groppe destacou que dois dos factores são dinâmicos, o que significa que as chamadas elasticidades da procura lhe estão associadas: uma elasticidade de 0,1 entre preço e procura e uma elasticidade de 0,3 entre preço e crescimento mundial.

No total, o efeito do consumo reduzido da recessão global, apesar de grande, será mais do que compensado pelo efeito do preço mais baixo.

"[A significativa] mudança de preço, uma vez que há demasiada volatilidade, tem muito mais impacto sobre o preço do petróleo do que a actividade económica", afirmou.

Groppe disse que os cortes da OPEP na produção, o clima excepcionalmente frio e o aumento do preço dos destilados na China (devido a um plano para substituir por carvão) explica tudo menos os US$25-US$30 por barril do pico de preços de 2008. Ele atribuiu o resto da redução de preço às acções de "negociantes momentâneos. Eles exageraram", disse, notando que o preço actual está cerca de US$20 por barril abaixo do que as condições fundamentais ditariam.

O veterano prognosticador disse que "o racionamento e a exploração racional" constituem os dois mais importantes "instrumentos de controle fundamentais" na indústria do petróleo. E argumenta que o esgotamento principia quando se inicia a produção de um novo furo enquanto os exploradores estão concentrados em maiores descobertas. Groppe não se impressiona com grande parte das análises feitas por governos, agências ou companhias.

"O grande problema é a terrível qualidade dos dados. Ao fazer isto bastante tempo ao longo dos anos, obtém-se algum sentimento do que são os equilíbrios reais [da oferta e procura]". Mas é preciso julgar e reconhecer com perfeição o que está realmente a acontecer em contraposição aos erros de percepção do que acontece", disse ele.

07/Fevereiro/2009

[*] Do Financial Post, bcritchley@nationalpost.com

O original encontra-se em www.financialpost.com/


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09/Fev/09