"Enganaram-se os profetas da nossa morte"
por Jerónimo de Sousa
[*]
O nosso Partido apresenta-se neste XVIII Congresso alicerçado numa linha
de ideais e objectivos, de respostas às situações e
problemas, com a ideia muito clara sobre o rumo que queremos, não
só de consolidação mas de avanço e crescimento
político, orgânico, social e eleitoral.
Um Congresso virado para fora, para a acção e luta, com os
trabalhadores e o povo, enquanto à nossa maneira, à maneira
comunista, realizávamos uma ampla discussão do projecto de
Resolução Política, com a participação
ímpar e democrática de milhares de militantes.
Não se enganaram apenas os profetas da nossa morte. Enganaram-se
também os que anunciaram que nos limitaríamos a sobreviver em
declínio. Não morremos, nem nos limitámos a
"sobreviver". Fustigados pela intempérie da ofensiva
política e ideológica, de rosto virado para o mau tempo, vivemos
de pé, crescemos, avançámos a olhar para a frente sem nos
deixarmos desanimar por derrotas conjunturais ou descansar sobre as
vitórias, alicerçados na nossa natureza, ideologia e projecto. A
desilusão e o silêncio desses desiludidos em relação
ao XVIII Congresso faz lembrar aquela fábula da raposa e das uvas.
Andaram aos pulos a ver se apanhavam o cacho. Agora perante a pujança do
Partido encolhem os ombros e dizem "estão verdes, não
prestam".
Quem, como nós, se bate pela democracia e pelo socialismo, tem a
consciência que a linha de horizonte que avistamos até à
próxima curva, dobrada que ela seja, mais caminho haverá a
trilhar no longo mas fascinante processo de transformação social
por que lutamos.
Apresentamo-nos neste XVIII Congresso sem a presença dos camaradas
Sérgio Vilarigues, José Vitoriano e Álvaro Cunhal. Das
suas vidas recolhemos o exemplo da sua luta revolucionária uma vida toda
dedicada ao seu Partido, aos trabalhadores e ao povo português. De
Álvaro Cunhal guardaremos no coração da nossa
memória o seu exemplo e usaremos a sua obra como ferramenta para a
acção e a luta política e ideológica.
Apresentamo-nos ao XVIII Congresso com objectivos que se podem sintetizar no
lema "Por Abril, pelo Socialismo um Partido mais forte".
Por Abril, com tudo o que ele comportou de liberdade,
transformação, realização e conquista
elementos constitutivos de uma democracia avançada nos planos
político, económico, social e cultural e de
afirmação de soberania nacional.
Pelo socialismo como objectivo programático do PCP, tendo no horizonte o
comunismo. Pelo socialismo como sistema alternativo ao capitalismo e
possibilidade real e a mais sólida perspectiva de evolução
da humanidade, onde a nossa luta no plano nacional é
condição primeira e indispensável para o desenvolvimento
da solidariedade, cooperação e da luta internacionalista.
Por um Partido mais forte questão central e transversal da nossa
acção e da nossa luta, das nossas prioridades, em si mesmo
indissociável e condição determinante para construir e
alcançar os objectivos a que nos propomos.
Realizamos o XVIII Congresso do nosso Partido no contexto de uma das mais
graves crises do capitalismo e cujo impacto mundial está ainda por se
manifestar em toda a sua extensão.
Estamos perante a maior crise desde a "grande depressão" de
1929 que é o resultado do desenvolvimento de uma aguda
contradição entre a sobreprodução e
sobre-acumulação de meios de produção, por um lado
e da contracção dos mercados e do consumo decorrentes da
diminuição da capacidade aquisitiva das massas, por outro,
nomeadamente em consequência da desvalorização dos
rendimentos do trabalho, mas também das brutais
desporporções na distribuição da riqueza que
têm vindo cada vez mais a acentuar-se.
Trata-se de uma crise que ao mesmo tempo que confirma a incapacidade do
capitalismo para se libertar das crises que periodicamente o abalam, é
reveladora de uma crise bem mais profunda, de natureza estrutural e
sistémica que evidencia os limites históricos do sistema
capitalista e coloca a sua superação revolucionária como
uma exigência do nosso tempo.
A classe dominante e os governos ao seu serviço procuram responder
à crise com gigantescas operações de transferência
das dívidas e dos prejuízos das instituições
financeiras para o erário público, numa tentativa de fazer pagar
aos trabalhadores e aos povos os seus custos, mantendo inalterado o poder e
domínio daqueles que são responsáveis pela crise.
A amplitude, profundidade e consequências desta crise confirmam
quão certeiras eram as análises do nosso XVII Congresso.
Traços e tendências fundamentais que se manifestavam no ritmo sem
precedentes no processo de centralização e
concentração do capital e da riqueza que se tem traduzido no
reforço do peso das grandes empresas multinacionais e na
destruição das economias menos desenvolvidas e mais dependentes.
Na acentuada financeirização da economia com a explosão do
crédito e do capital fictício, como outra característica,
em detrimento do investimento produtivo que acentuou ainda mais a
irracionalidade e a anarquia do sistema capitalista.
Traços e tendências que se revelam também no aprofundamento
da polarização social, tanto dentro de cada país,
incluindo nas grandes potências capitalistas, como, à escala
mundial.
No reforço do ataque a funções sociais do Estado, visando
a mercantilização de todas as esferas da vida social numa
lógica de privatizar tudo quanto possa gerar maiores
remunerações ao capital.
No evidente acentuar do carácter parasitário e decadente do
capitalismo, com a instalação no poder do crime organizado e o
florescimento de todo o género de tráficos criminosos, com a
cobertura e cumplicidade da banca internacional, em que avultam os off-shores.
Evolução que foi e é acompanhada de desenvolvimentos no
plano político, cultural, ideológico e militar, de sentido
profundamente reaccionário, e mesmo fascizante.
É sobre este pano de fundo da evolução do sistema
capitalista e que ao mesmo tempo aclara as causas da actual crise que, nestes
últimos quatro anos, se produziram outros significativos
desenvolvimentos!
Desde logo na evolução da situação nos EUA, com a
crise a pôr em evidência os gravíssimos problemas de uma
economia altamente deficitária, endividada e crescentemente dominada
pelo complexo militar-industrial, que apresenta problemas sociais
gravíssimos e uma colossal dívida externa.
Sendo incontestável a superioridade militar dos EUA, o seu potencial
científico e tecnológico, o seu poderio económico e a sua
posição privilegiada como principal centro financeiro mundial
estão agora enfraquecidos, com expressão na
desvalorização e descredibilização do dólar
e do seu papel de moeda de reserva internacional que agora está a ser
abertamente contestado.
Alteração significativa também em resultado do
reforço da União Europeia como bloco imperialista.
Mas significativos desenvolvimentos que pesam na arrumação de
forças no plano internacional têm sido o crescente peso
internacional da China em resultado do seu desenvolvimento económico, a
emergência de outros grandes países como a Índia, o Brasil,
a Rússia e os processos de cooperação e
integração regional que tendem a contrariar as pretensões
hegemónicas dos EUA e das outras grandes potências e que mostram
que a sua influência não é absoluta.
Os últimos quatro anos foram marcados pela intensificação
da ofensiva imperialista, dando corpo a um revanchista e violento processo de
ajuste de contas com a luta dos trabalhadores e dos povos e com a
História do século XX.
A militarização das relações internacionais tem
sido a vertente da ofensiva imperialista que mais se desenvolveu nos
últimos anos. A generalização da teoria da «guerra
preventiva» e a banalização da violência que
são sustentadas no discurso do combate ao «terrorismo global».
O rasgar de tratados internacionais essenciais para o equilíbrio
estratégico; a instalação do chamado «sistema de
defesa anti-míssil» norte-americano na Europa; a expansão da
NATO e das bases militares do EUA para as fronteiras da Rússia; a
militarização da Alemanha; as provocações contra a
China; o «regresso a África» de várias potências
militares, são exemplos elucidativos do carácter global da
ofensiva militar e geo-estratégica do imperialismo e dos intentos
recolonizadores que lhe estão associados.
A realidade evidencia que é dos centros políticos e militares do
imperialismo que emanam a insegurança e os perigos que caracterizam a
situação internacional.
Isso é bem visível no facto de os orçamentos militares dos
EUA e dos principais aliados da NATO atingirem valores recorde, na
importância que a questão nuclear readquiriu nos seus
multimilionários programas militares e no fortalecimento das estruturas
de coordenação estratégico-militares do imperialismo,
particularmente no quadro da NATO que neste período acentuou a sua
natureza de organização global de carácter ofensivo e que
comprova o seu carácter de «polícia de choque» do
imperialismo. Uma evolução que reforça de acordo com a
própria Constituição da República Portuguesa, a
exigência da sua dissolução.
A realidade demonstra que o mundo está na verdade confrontado com
grandes perigos que não devem ser subestimados. Mas também
é evidente que tais perigos coexistem com uma forte resistência
dos trabalhadores e dos povos e com reais potencialidades de desenvolvimento
progressista e mesmo revolucionário.
Na verdade prosseguiu a luta da classe operária e de milhões de
trabalhadores em todos os continentes. Prosseguiu a luta dos camponeses e do
proletariado agrícola em numerosos países Luta que se estendeu
de forma expressiva outras camadas da população.
A resistência à política de ingerência,
agressão e guerra, em particular dos EUA, foi um traço marcante
da luta dos povos em defesa da sua soberania e do direito inalienável a
decidir dos seus destinos, particularmente no Iraque, no Afeganistão, na
Palestina, no Líbano, em Cuba e na Venezuela, assim como na
Síria, no Irão, na R.D.P. da Coreia, nos Balcãs, na
Colômbia ou em Chipre, onde prosseguem batalhas decisivas para o futuro
desses povos e para a estabilidade nas respectivas regiões que merecem a
activa solidariedade dos comunistas portugueses.
Solidariedade que se alarga à luta dos povos pela sua
autodeterminação e independência, como na Palestina, Saara
Ocidental, Chipre, ou pela consolidação de processos
democráticos de independência nacional, como em Timor-Leste.
A evolução da situação na América Latina num
sentido progressista e anti-imperialista, apesar de traços
contraditórios e da própria diversidade dos processos, constitui
um dos mais encorajadores exemplos de avanço libertador desde o XVII
Congresso.
O exemplo revolucionário de Cuba socialista tem constituído
importante estímulo para as transformações progressistas
na Venezuela bolivariana, no Equador, na Bolívia e outros países.
A convergência da luta dos povos pela sua libertação
nacional e social com a luta da classe operária e dos trabalhadores e de
outras camadas antimonopolistas, é hoje uma tarefa central de todas as
forças que se opõem à hegemonia do imperialismo.
Num tempo que é ainda de resistência e de acumulação
de forças, mas também de fortes potencialidades progressistas e
revolucionárias, enormes responsabilidades recaem sobre os Partidos
Comunistas e o movimento comunista e revolucionário internacional.
Perante a crise do capitalismo, e os perigos que esta encerra, cabe ao
movimento comunista e revolucionário desenvolver a mais ampla
cooperação das forças progressistas e
revolucionárias anti-imperialistas, combatendo o reformismo e o
espontaneísmo, e dando vigoroso combate à ideologia dominante.
O socialismo, objectivo programático do PCP, tendo no horizonte o
comunismo, não só traduz a superioridade dos valores de liberdade
e justiça social que animam os comunistas na sua luta contra o capital,
como constitui, na actualidade, uma possibilidade real cada vez mais
necessária e urgente.
Esta profunda convicção do PCP assenta em três pilares
fundamentais.
Em primeiro lugar, numa concepção materialista e
dialéctica da História, para cuja elaboração
cientifica Marx e Engels trouxeram contribuições decisivas e que
Lénine aprofundou na época do imperialismo.
Em segundo lugar no significado histórico universal da
Revolução de Outubro, no empreendimento pioneiro de uma nova
sociedade na URSS e demais experiências históricas do socialismo.
Experiências que se traduziram em realizações e conquistas
de grande valor, que demonstraram e demonstram a superioridade do socialismo,
apesar dos profundos reveses no findar do século com a
destruição da URSS e as derrotas do socialismo no Leste da
Europa, cujas causas se impõe continuar a aprofundar.
Em terceiro lugar, a convicção do PCP de que o socialismo
é na actualidade cada vez mais necessário e urgente, assenta na
análise do sistema capitalista e das suas tendências de
desenvolvimento actual ferido que está de insanáveis
contradições.
O capitalismo não só se revela incapaz de dar
satisfação aos interesses e aspirações dos
trabalhadores e dos povos como põe em perigo a própria
Humanidade.
A contradição entre as imensas potencialidades das conquistas da
ciência e da técnica e as terríveis regressões que
percorrem o mundo contemporâneo desemprego, fome, doença,
analfabetismo, catástrofes ambientais constitui, em si mesmo, uma
violenta acusação ao sistema capitalista e a
confirmação de que só o socialismo pode responder
às mais profundas aspirações dos trabalhadores e dos povos
e salvar a Humanidade da catástrofe anunciada pela insaciável
gula do capital. É com esta profunda convicção que o PCP
aponta para Portugal e para o mundo, o socialismo como possibilidade real e a
mais sólida perspectiva de evolução da Humanidade.
A evolução da situação económica, social e
política do país, desde o nosso XVII Congresso está
marcada pela abertura de uma nova fase, mais intensa e mais global da ofensiva
da direita, agora protagonizada pelo Governo do PS.
A formação do governo, poucos meses após a
realização do nosso último Congresso e a
eleição de Cavaco Silva para a Presidência da
República, assinalando pela primeira vez a vitória do candidato
da direita nas eleições deste órgão de soberania,
traduzem no plano político-institucional, a afirmação e
consolidação de um bloco de poder ao serviço dos grandes
grupos económicos e financeiros.
A acção do Governo do PS, nestes mais de três anos e meio
de governação, veio confirmar não apenas a
previsível intenção do PS de dar continuidade aos eixos
essenciais da política de direita promovida pelo PSD e CDS-PP, mas
também o deliberado propósito de os aprofundar com a
obtenção da sua maioria absoluta.
A assunção pelo Governo do PS da agenda do grande capital e dos
seus objectivos que a eleição de Cavaco Silva e a sua
"Cooperação Estratégica" animou e impulsionou,
traduziram-se assim num brutal agravamento das condições de vida
dos trabalhadores e do povo, na crescente dependência e
subordinação externa do país e num inquietante
empobrecimento do regime democrático.
O agravamento da situação do país não pode ser
desligado da evolução da União Europeia e da nefasta
influência das suas políticas neoliberais, bem como do conjunto de
processos que intervêm na configuração da chamada
"integração europeia".
Evolução que nos últimos quatro anos foi marcada, a par do
prosseguimento e aprofundamento das políticas, ao serviço das
grandes multinacionais e dos grandes interesses financeiros, pela
rejeição em 2005 do Tratado de "Constituição
Europeia" pelos povos da Holanda e da França e mais recentemente
pelo povo Irlandês, na revestida versão denominada "Tratado
de Lisboa".
O PCP que firmemente se bateu contra tal projecto, reafirma a sua firme
determinação de continuar a lutar pela sua rejeição
assumindo coerentemente os seus compromissos com o povo português.
Nestes anos que nos separam do nosso XVII Congresso prosseguiu também de
forma intensa a concretização da "Estratégia de
Lisboa" e da sua Agenda dirigida ao aprofundamento da
liberalização e privatização dos serviços
públicos e dos serviços em geral, o desmantelamento da
administração pública e a desregulação do
mercado de trabalho.
No plano da agricultura e das pescas prosseguiram e aprofundaram-se as
orientações que têm contribuído para
destruição destes sectores no nosso país.
O quadro financeiro comunitário para 2007-2013 continuou, como os
anteriores a penalizar os países economicamente menos desenvolvidos e a
condicionar os apoios à aceitação da
"Estratégia de Lisboa".
Novos passos foram dados no ataque às funções de soberania
com o desenvolvimento de uma política comum de justiça, ao mesmo
tempo que tem vindo a ser implementada uma política de
imigração de cariz securitário, selectivo e repressivo.
Avançou-se neste período no aprofundamento da
militarização da União Europeia com o reforço e
criação de novas capacidades militares e com a
continuação de missões militares.
É perante esta evolução que o PCP reafirma a sua recusa de
qualquer solução que reforce a matriz federal das
instituições da União Europeia e a ofensiva neoliberal
contra os direitos sociais e civilizacionais dos trabalhadores e dos povos.
Os resultados dos referendos nos países onde os povos tiveram
oportunidade de se pronunciar de rejeição desta
"integração europeia" e as significativas lutas que
ocorreram por toda Europa realçam a necessidade do reforço da
cooperação, designadamente por parte das forças de
esquerda, e a convergência de todos quantos lutam por uma
solução para a Europa de transformação social
anticapitalista.
O PCP continuará a assumir como sua prioridade o prosseguimento e
reforço da cooperação dos comunistas e outras
forças de esquerda e progressistas e continua profundamente empenhado na
salvaguarda, consolidação, forte intervenção e
afirmação do carácter unitário, confederal e
progressista do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda
Verde Nórdica do Parlamento Europeu.
A União Europeia com as suas actuais orientações e
objectivos continua a revelar-se como um dos principais alicerces da
política de classe realizada em Portugal e um dos principais
sustentáculos e pretextos que põe em causa o projecto de
desenvolvimento patriótico consagrado na Constituição da
República.
Três vectores no actual quadro comunitário conflituam de forma
cada vez mais determinante com a economia nacional e o próprio futuro do
País:
o acentuar da configuração federal sob o comando político
e económico das grandes potências;
a consolidação da zona euro e da sua gestão pelo BCE com a
perda das políticas monetárias e cambiais e com as
limitações impostas à política orçamental;
o domínio das teses e orientações neoliberais
estruturantes da Estratégia de Lisboa que na qual se incluem
também a agenda da OMC e de vários tratados comerciais
bilaterais.
Eles são no seu conjunto, juntamente com a acentuada dependência
estrutural externa, fortes condicionamentos, limitações e
constrangimentos ao desenvolvimento económico do país.
Camaradas:
A sociedade portuguesa tem hoje uma estrutura económico-social
determinada pela ditadura dos grupos económicos monopolistas associados
ao capital transnacional.
Com um poder fortemente monopolista sobre um conjunto de sectores e
áreas estratégicas para o País e para o restante tecido
económico, estes grupos têm vindo a ver reforçada esta
natureza monopolista.
O crescimento económico em Portugal tem vindo a desacelerar de
década para década, atingindo o valor mais baixo no
período de 2000/2007. Contrariamente ao que o Governo procura inculcar,
o actual agravamento da situação económica do país
é anterior ao agravamento da crise financeira internacional.
Os resultados de anos de política de direita traduziram-se numa economia
caracterizada pela consolidação de uma estrutura produtiva com um
perfil de baixo valor acrescentado, assente na exploração de
mão-de-obra barata e precária e na manutenção de
graves défices estruturais resultado da insuficiente
produção de bens materiais (alimentares e industriais),
energética, de transportes e logística, e de
investigação e desenvolvimento.
A política orçamental, formatada pelo Pacto de Estabilidade e
Crescimento, tem sido assumida como um instrumento basilar dos sucessivos
governos no prosseguimento de objectivos centrais da política de
direita, entre os quais a reconfiguração neoliberal do Estado.
A política de privatizações vem expulsando o Estado da
esfera empresarial tanto da produção de bens materiais como de
serviços essenciais ao desenvolvimento económico do País e
o governo do PS deu-lhe um novo golpe com o seu programa de
privatizações (PORTUCEL, EDP, GALP, Siderurgia, EDA, ANA,
Estradas de Portugal, E.P., Águas de Portugal, Matas Nacionais).
Na política fiscal, enquanto aumenta o peso da tributação
dos trabalhadores, o Governo permite a manutenção de taxas
efectivas de tributação do sector financeiro dez e mais pontos
percentuais abaixo da taxa nominal, e concede 2 mil milhões de euros de
benefícios fiscais ao Off-shore da Madeira, apoiando e financiando a
banca e o sector financeiro e especulativo.
A política de investimento está há muitos anos
aquém das necessidades quantitativas e qualitativas da nossa economia.
Desde 1997 o investimento público vem perdendo peso no investimento
total, deixando de assumir um papel dinamizador da economia.
As políticas de sucessivos governos transformaram o capital estrangeiro
no elemento central do desenvolvimento do País, pelo que tem vindo a
ocupar de forma crescente importantes e estratégicos espaços na
economia portuguesa, à custa também da absorção de
uma parte significativa dos fundos comunitários e dos apoios
públicos.
A evolução da situação no plano social fica marcada
nos últimos anos, por um extraordinário agravamento.
A acção do Governo PS e da sua maioria parlamentar, deu novos e
graves passos no sentido da destruição de direitos conquistados
pelos trabalhadores e o povo português.
O Sistema Público de Ensino, a Segurança Social e o
Serviço Nacional de Saúde sofreram nestes últimos anos uma
das maiores ofensivas de sempre.
A revisão do Código do Trabalho agora consumada, ao arrepio dos
compromissos anteriormente assumidos pelo PS quando da aprovação
pelo governo PSD/CDS-PP, constitui um passo inaceitável na
fragilização das relações de trabalho e na
criação de condições para o aumento da
exploração, nomeadamente com a legalização da
precariedade laboral, a facilitação dos despedimentos, a
eliminação do princípio do tratamento mais
favorável para o trabalhador e o aumento dos horários de trabalho
e da liquidação da contratação colectiva.
De forma articulada e simultânea, o Governo desenvolve uma
fortíssima ofensiva legislativa contra os trabalhadores da
Administração Pública, destinada a retirar direitos e a
fragilizar as relações de trabalho.
Com o aprofundamento da política que acentuou as desigualdades, cerca de
18% da população portuguesa vive abaixo do limiar da pobreza e
quase três milhões de portugueses vivem com menos de 10 euros por
dia e mais de 230 mil com menos de 5 euros.
Enquanto aumenta o custo de vida e os custos com a habitação
atingem os valores mais altos dos últimos anos, os salários
degradam-se e afastam-se cada vez mais da média da União
Europeia, o endividamento familiar atinge níveis incomportáveis,
o nível de vida da maioria da população portuguesa baixa
aceleradamente.
A evolução dos salários, em perda contínua, do
emprego e do desemprego nos últimos anos explica a razão porque
Portugal é um dos países com maiores desequilíbrios na
distribuição dos rendimentos.
Os níveis de desemprego atingiram os valores mais elevados das duas
últimas décadas e a precariedade transformou-se em
política de Estado afectando cerca de um milhão e duzentos mil
trabalhadores. A protecção no desemprego foi, com o governo do
PS, também significativamente reduzida.
A situação da juventude viu-se particularmente agravada com a
acção do actual Governo. O agravamento da precariedade e do
desemprego e os baixos salários, as alterações na
educação, designadamente com o aumento das propinas e a
elitização do ensino, a política de
habitação são algumas expressões que comprometem o
seu futuro e o direito a uma vida digna.
Na Segurança Social, o Governo PS com a sua contra-reforma procedeu a
profundas alterações, subvertendo o seu carácter
público, universal e solidário, com repercussões
especialmente gravosas no ataque ao direito à reforma e a uma
pensão digna com a redução imediata e a prazo dos valores
das reformas e pensões.
Neste período continuaram a intensificar-se os níveis de
exploração e violação sistemáticas dos
direitos das mulheres trabalhadoras, designadamente em função da
gravidez, da maternidade e do apoio à família, ao mesmo tempo que
se acentuou a degradação do seu estatuto remuneratório,
afectado por profundas desigualdades salariais.
A situação das pessoas com deficiência, especialmente
vulneráveis às situações de
marginalização social, viu-se agravada com a
redução de direitos dos trabalhadores deficientes e com os
retrocessos em matéria de reparação por acidentes de
trabalho.
Os últimos anos ficam marcados por uma ofensiva sem precedentes contra o
Serviço Nacional de Saúde que o actual governo agravou de forma
violenta. Ofensiva assente numa estratégia de degradação
da oferta pública de cuidados de saúde e encerramento de
serviços, numa promíscua sintonia entre os governos do PSD/CDS-PP
e do PS com os grandes grupos financeiros, que vêem na saúde uma
importante área de negócio.
A política de desresponsabilização do Estado tem como
objectivo delegar em entidades não públicas a
prestação de cuidados mediante mecanismos de
contratualização ou pela via da privatização de
serviços, mas também a transferência para as
famílias de uma parte crescente dos custos com a saúde.
Na educação, nos últimos quatro anos foram, na
continuidade da política de direita, dados novos e qualitativos passos
no ataque à Escola Pública, gratuita e de qualidade para todos e
na promoção do ensino privado que vão à revelia da
Lei de Bases e da própria Constituição da
República.
Num contexto em que a educação assumiu também um
novíssimo valor como oportunidade de negócio para o capital, o
Governo PS encerrou mais de 3000 escolas do 1.º ciclo do ensino
básico, desenvolveu um processo de privatização indirecta
da educação, como acontece com as chamadas Actividades de
Enriquecimento Curricular.
É no quadro de desvalorização da Escola Pública que
se integram a imposição de um novo modelo de gestão das
escolas do ensino pré-escolar, básico e secundário, a
delegação de novas competências para as autarquias locais
na área de todo o ensino básico e as medidas que estão a
ser implementadas no ensino especial, bem como o ataque às escolas
especializadas no ensino das artes.
Também no Ensino Superior, o Governo PS não hesita em desmantelar
este importante património do povo português, impondo reformas
consubstanciadas no modelo de organização do ensino segundo o
Processo de Bolonha, com a estratificação em ciclos curtos e um
modelo de financiamento, assente na desresponsabilização
estrutural do Estado e numa inaceitável aplicação de
propinas.
No que respeita à Ciência, Tecnologia e Inovação, a
situação continua marcada pelo sub-financiamento.
A política cultural prosseguida pelo actual Governo PS, está
também marcada pelo abandono de responsabilidade pública nas
políticas culturais que se vê na persistente asfixia
orçamental; na privatização e entrega ao mercado de
actividades, equipamentos e património; na elitização e na
instrumentalização de iniciativas de
«prestígio».
Um facto novo e inquietante da evolução política é
a crescente limitação das liberdades e o progressivo
empobrecimento da democracia portuguesa.
Consequência da ofensiva económica e social, a
degradação da democracia política expressa-se de forma
agravada no cerco às liberdades e às garantias dos
cidadãos, no reforço do aparelho repressivo, no ataque ao poder
local democrático, na ostensiva partidarização das
instituições e na sua colocação ao serviço
dos projectos do partido do poder, na legislação sobre os
Partidos Políticos e o seu respectivo financiamento.
No mesmo sentido da degradação e empobrecimento do regime
democrático, permanecem as propostas do PS e PSD com o recorrente
pretexto da necessidade da chamada reforma do sistema político e que tem
nos projectos de revisão das leis eleitorais no sentido do
favorecimento da bipolarização e da diminuição da
pluralidade um elemento central da sua concretização.
Em relação às limitações a direitos e
garantias fundamentais elas revelam-se particularmente de forma crescente no
impedimento da liberdade sindical e de associação, nas
limitações ao direito à greve e crescente
coacção sobre o direito de expressão e de
manifestação e no cerceamento do direito à propaganda.
O ataque dirigido contra o poder local e a sua autonomia conheceu com o Governo
PS novos e mais graves desenvolvimentos com destaque nomeadamente para a
aprovação de um novo regime financeiro e extinção
das regiões de turismo.
As Leis dos Partidos Políticos e do seu Financiamento confirmam-se
igualmente como peças centrais na progressiva limitação de
liberdades e de empobrecimento democrático, onde se inscrevem graves
limitações à soberania de decisão sobre as formas
de funcionamento e organização dos partidos, nalguns casos com
normas dirigidas contra o PCP.
Em resultado de um longo processo de descaracterização, a vida
política e democrática apresenta-se hoje crescentemente reduzida
à dimensão formal das democracias burguesas actuais, comuns
à generalidade dos países capitalistas, e bem distante do regime
democrático que a Revolução originou e a
Constituição de 1976 consagrou.
O processo de desfiguramento da concepção do Estado, tal qual a
Constituição o consagra, conheceu com o actual Governo um novo
impulso.
No plano da Segurança Interna o Governo PS desencadeou um vasto e
perigoso plano de reestruturação e reorganização
deste importante sector do Estado que visa a concentração e
militarização desde sector e sua
governamentalização.
A política de justiça do Governo PS fica igualmente marcada por
uma ofensiva sem precedentes visando alterar substancialmente a natureza, a
organização e o funcionamento do sistema judicial. A
reconfiguração de todo o actual modelo de justiça visa a
sua governamentalização e controlo, a limitação da
autonomia do Ministério Público e a independência do poder
judicial.
Na política de Defesa Nacional e Forças Armadas aprofundaram-se,
nestes últimos quatro anos, os traços essenciais da
política de direita seguida por anteriores governos, nomeadamente nos
planos da doutrina, da reestruturação, do reequipamento e das
infra-estruturas militares, da legislação e do pessoal.
A proposta do Governo para a reorganização das Forças
Armadas, não passa de um reforço das competências do
Ministério da Defesa em detrimento do papel dos três Ramos,
padronizando as nossas Forças Armadas numa estrita
concepção do seu emprego em forças multinacionais,
obedecendo às prioridades constantes no Conceito Estratégico da
NATO e da política de militarização da União
Europeia.
A política de pessoal nas Forças Armadas mantém especiais
deveres e suprime direitos e introduziu novos elementos de
perturbação na Instituição, geradores de
indignação e protesto.
A situação no sector da comunicação social
continuou com o reforço do controlo do grande capital sobre os
órgãos de comunicação social e em termos globais, a
aprofundar uma orientação que agrava a qualidade e pluralismo
informativos e os direitos, condições de trabalho e autonomia dos
jornalistas e de outros profissionais do sector, contribuindo para um crescente
empobrecimento da cultura portuguesa e da democracia.
As dificuldades que o País atravessa, o continuado agravamento da
situação económica e social, as desigualdades e
injustiças sociais não são uma fatalidade, mas sim
expressão das opções e políticas de direita.
Portugal não está condenado à estagnação
económica e ao definhamento do seu aparelho produtivo, à
persistência dos crónicos défices energético e
alimentar, a um modelo de desenvolvimento assente em baixos salários e
ao atraso.
Há um outro rumo e uma nova política ao serviço do povo e
do País. A política alternativa que o PCP defende integra-se e
enquadra-se no Programa do PCP «Uma Democracia Avançada no limiar
do século XXI».
A democracia avançada com as suas quatro vertentes inseparáveis
a política, económica, social e cultural, integra
cinco objectivos onde, a par de um regime de liberdade, com um Estado
democrático, representativo, participativo e moderno, de uma
política de democratização cultural e uma pátria
independente e soberana, se preconiza um desenvolvimento económico
assente numa economia mista, moderna e dinâmica e uma política
social que garanta a melhoria das condições de vida do povo.
A política alternativa que o PCP apresenta e propõe exige uma
mudança real nos objectivos e conteúdos da política
nacional, uma política de efectiva confiança em Portugal e no
povo português, uma política assente na dinamização
da economia e num sustentado crescimento económico.
A nossa proposta de Teses identifica um conjunto de elementos centrais da nova
política económica e social que preconizamos e que dão
resposta aos problemas que enfrentam os portugueses e o país.
A ruptura com a actual política e a construção de uma
política alternativa é inseparável do decidido combate
à política do actual Governo PS e da firme resistência
à ofensiva que este desenvolve contra direitos e conquistas sociais.
São elementos centrais de ruptura com a política de direita os
cortes com: o domínio do capital monopolista; a
reconfiguração do Estado ao serviço da
acumulação acelerada do capital privado; a
«obsessão» pelo défice orçamental; a
desvalorização do trabalho e dos trabalhadores; a
mutilação e subversão das políticas sociais
ensino, saúde e segurança social; a atribuição ao
capital estrangeiro de um lugar estratégico na economia do País;
o crescimento económico centrado fundamentalmente na dinâmica das
exportações e da desvalorização e
desprotecção do mercado interno; o processo de
integração capitalista europeia; a subordinação do
território e do mar sob soberania nacional a lógicas alheias ao
interesse do País; a subversão da Constituição da
República Portuguesa.
A política alternativa que o PCP defende corresponde a uma ampla
aspiração de afirmação de soberania nacional,
dá resposta às sentidas dificuldades que a generalidade da
população enfrenta e abre horizontes e perspectivas de
esperança e confiança num Portugal mais justo e desenvolvido.
Nestes quatro anos de violenta ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e
das populações, os ataques ao regime democrático e
à soberania nacional, a luta de massas com particular destaque para a
luta dos trabalhadores, foi um factor determinante para combater e enfrentar
tal ofensiva e contribuiu para a elevação da consciência
social e política.
Com uma maioria absoluta PS, num quadro em que o capitalismo surgiu triunfante
e como fase terminal das sociedades humanas, em que as classes dominantes
impunham os seus valores e ideologia dominantes, do culto do indivíduo,
do fim da luta de classes e da desnecessidade das suas
organizações políticas e sociais de classe, num quadro em
que a social democracia se rendia ao capital e as forças de verbo
radical e esquerdista se institucionalizam criando ilusões de
substituição da luta de classes e das organizações
dos trabalhadores pela concertação e movimentismo orgânico
sob o chapéu da cidadania, a luta da classe operária e dos
trabalhadores, mas também de outras camadas e classes não
monopolistas, a sua força e dimensão, a diversidade e grau de
convergência, as causas e objectivos que levaram à sua
realização, confirmam a actualidade e validade da luta de massas,
enquanto factor fundamental para travar a política de direita para
afirmar e defender direitos e transformar a sociedade.
A luta valeu e vale a pena. E não é excessivo dizer que nestes
quatro anos o papel dos comunistas e do seu Partido, o PCP, confirmou o seu
carácter insubstituível, animando, mobilizando, dando
confiança e perspectiva na concretização da luta de
massas, num quadro de uma acção dialéctica com a sua
intervenção política geral e institucional.
Foi a vida que testou e confirmou a nossa tese de que quando se luta nem sempre
se ganha, mas quando não se luta perde-se sempre.
O desenvolvimento da luta, o fortalecimento dos movimentos de massas e a
intervenção política exigem uma continuada análise
da realidade e da sua evolução, designadamente da
arrumação das forças de classe e dos vários
aspectos que lhe estão associados. Mas a arrumação das
forças de classe é essencial para verificar as
contradições de classe, da real correlação de
forças, das alianças sociais, das perspectivas, da luta mediata e
imediata de análise à solução da
situação e das possibilidades de uma ruptura com esta
política de direita. Uma linha de força que há que afirmar
é que a política do Governo é uma política ao
serviço do grande capital; que tal opção política
tem como consequência não só atingir interesses e direitos
dos trabalhadores mas de outras camadas e classes.
Que a principal linha de divisão e fractura de interesses,
contradições e confrontos está entre o grande capital
económico e financeiro, sectores da média burguesia e clientelas
políticas e, por outro lado, a maioria esmagadora da
população portuguesa, trabalhadores, reformados, pensionistas,
jovens, mulheres, intelectuais e quadros técnicos, agricultores,
pescadores, micro, pequenos e médios empresários.
Não se apagam ou acabam as contradições e a
conflitualidade entre estas classes e camadas. Mas a ruptura com esta
política de desastre será tanto mais possível quanto maior
for a convergência na luta. Podem marchar separados mas é
possível lutar juntos. Numa luta em que a força motriz
será a da classe operária e dos trabalhadores como foi nestes
quatro anos decorridos desde o XVII Congresso.
O nosso projecto de Resolução Política dá conta da
grandiosidade extraordinária de muitas dessas lutas, desde a luta na
empresa à greve geral. Desde a luta na empresa ou à porta do
Ministério, até à manifestação de 200 mil
trabalhadores nas ruas de Lisboa, à greve geral, da
Administração Pública, do sector privado, às
impressionantes manifestações dos professores lutas que se
desenvolvem em torno de motivações e reivindicações
que, incorporando objectivos gerais e problemas transversais despertaram a
consciência e a necessidade de lutar por parte das
populações e onde se confirmou o importante papel das
organizações e movimentos unitários.
Pela dinâmica criada pela CGTP-IN, pelo movimento sindical e das
comissões de trabalhadores, por outros sectores,
organizações e movimentos unitários como as
associações dos pequenos e médios agricultores e da sua
confederação, a CNA, pelas associações de micro,
pequenos e médios empresários, as organizações de
quadros técnicos e intelectuais, as associações de
estudantes, do movimento juvenil, das mulheres e da paz, dos reformados,
pensionistas e pessoas com deficiência, das associações dos
militares e dos profissionais e sindicais das forças de
segurança, das colectividades de cultura e recreio, das
associações de pais e dos movimentos dos utentes, designadamente
do Movimento dos Utentes dos Serviços públicos
contribuíram para fazer frente à política de direita,
ampliaram o protesto e criaram uma ampla frente social de luta.
Não foi suficiente para derrotar a ofensiva. Mas travou, desarticulou e
fez recuar o Governo PS em muitos aspectos em que julgava ser possível
aplicar as suas políticas e medidas gravosas "como cão por
vinha vindimada".
A classe operária, os trabalhadores demonstraram e reafirmaram que
são a força determinante no processo social de resistência,
de luta e transformação.
A justa valorização que fazemos é tanto mais de sublinhar
quando consideramos o quadro nacional e internacional em que foi travada, tendo
em conta o agravamento e exploração, ataques aos direitos dos
trabalhadores e às suas organizações de classe. Mas foi
neste quadro que a luta, pela sua dimensão, intensidade e profundidade
esteve ao nível dos momentos mais significativos desde a
Revolução de Abril até hoje.
A CGTP Intersindical Nacional confirmou-se e afirmou-se como a grande
central sindical dos trabalhadores portugueses, alicerçada na sua
natureza, princípios e objectivos, enraizada nos trabalhadores, nos seus
interesses e direitos.
Desta tribuna do nosso XVIII Congresso, queremos saudar esta força
organizada de centenas de milhar de trabalhadores, milhares de dirigentes
sindicais e dezenas de milhar de delegados sindicais, a maior riqueza e
garantia da capacidade de intervenção e da independência de
classe da CGTP-IN.
A ofensiva concertada do capital e do Governo que estimulam linhas de
divisão e diversão no seio do movimento sindical, as
pressões internacionais, a aprovação das gravosas
alterações ao Código do Trabalho, a
agudização da luta de classes, colocam novas e redobradas
exigências. Aos militantes comunistas eleitos pelos seus companheiros de
trabalho cabem responsabilidades particulares na defesa da natureza e
princípios programáticos da CGTP-IN, efectivada pela
intervenção na defesa dos interesses e direitos dos
trabalhadores, na consideração estratégica da
intervenção sindical nas empresas e locais de trabalho.
Saudação que envolve as centenas de membros de coordenadoras,
comissões e subcomissões de trabalhadores, em defesa destas
estruturas como instrumento democrático dos trabalhadores e no seu papel
de complementaridade cooperante e convergente com o movimento sindical
unitário.
E saudar todos os movimentos, associações e
organizações, os seus milhares de dirigentes que em torno de
coisas e causas concretas lutaram e participaram de forma diversificada nesta
ampla frente social efectivando o direito da democracia participativa.
A ofensiva do Governo do PS, não sendo nova tem como
característica a sua profundidade e dimensão global. Nas
áreas política, económica, social, cultural e de soberania
nacional.
Com uma direita complacente e com uma ponta de inveja por verificar que o poder
económico continua a considerar o PS como a sela mais apropriada para
cavalgar nos seus interesses e privilégios, o PCP demonstrou ser de
facto a força que de forma mais coerente, mais consequente e mais capaz
dá combate a esta política.
Fê-lo com os pés na terra, interpretando os problemas e
aspirações dos trabalhadores e das populações,
apoiando e dinamizando a luta de massas, desenvolvendo uma excepcional
intervenção política de massas e institucional.
Na Assembleia da República, no Parlamento Europeu, no Parlamento
Regional da Madeira e nas Autarquias Locais os eleitos do PCP, de uma
forma geral e no quadro da orientação do Partido, distinguem-se
por uma intervenção de exigência ética, em
articulação com o Partido e as organizações de
massas, cumprindo compromissos assumidos com o eleitorado e desempenharam de
forma qualificada o mandato que lhes foi atribuído pelo povo, integrando
as listas do PCP e da CDU, honrando compromissos éticos com o seu
Partido, na defesa dos interesses dos trabalhadores, das
populações, da juventude e do país.
O próximo ano vai comportar três actos eleitorais (para o
Parlamento Europeu, para a Assembleia da República e para as Autarquias).
Na perspectiva do nosso Programa, as eleições, quer do ponto de
vista de intervenção, quer dos resultados, assumem uma
importância que não devendo ser negada ou negligenciada exigem
simultaneamente a ideia que não é factor de
avaliação, nem de longe nem de perto, da influência do
Partido.
Para os partidos da burguesia as eleições são um fim em si
mesmo. Para nós são assumidas como uma frente de luta e de
intervenção convergente com os objectivos e a acção
geral do Partido dela beneficiando e para ela contribuindo, fazendo da
intervenção eleitoral um valioso espaço de
acção política e de contacto com as massas, na
afirmação das nossas propostas e do projecto do PCP.
Nem sempre o reforço orgânico do Partido tem
tradução no reforço da influência eleitoral. Mas tal
reforço cria melhores condições para ampliar a base de
apoio e influência eleitoral.
O ciclo eleitoral de 2009 constituirá um exigente processo de
intervenção política e organizativa que vai reclamar uma
empenhada mobilização de todo o colectivo partidário,
pressupõe uma abordagem integrada que dando resposta às
especificidades de cada uma das eleições assegure uma
acção convergente do conjunto do Partido. Definimos como
objectivos não só manter como reforçar
posições em votos e mandatos. E tal como fizemos nas recentes
eleições para a Assembleia Legislativa da Região
Autónoma dos Açores, iremos concorrer no quadro da CDU nas
eleições para o Parlamento Europeu. E os camaradas estarão
de acordo, com base no valioso exemplo e experiência democrática,
que contactemos os nossos amigos do Partido Ecologista Os Verdes e da
Intervenção Democrática para a consideração
de uma acordo para as Eleições Legislativas e Autárquicas,
visando uma Coligação a CDU Coligação
Democrática Unitária.
Mais adiante realizar-se-ão as eleições presidenciais.
Muita coisa acontecerá entretanto.
Mas é importante sinalizar que o PCP irá intervir nessas
eleições de 2011 com o objectivo de afirmar as suas
posições e ideias próprias quanto ao papel e
funções do Presidente da República e contribuir para que
seja assegurada na Presidência da República uma
intervenção comprometida com a defesa, o cumprimento efectivo e o
respeito pela Lei Fundamental, liberta dos interesses e posicionamento do poder
do grande capital.
A maioria absoluta alcançada pelo PS resultou sobretudo da
capitalização do vasto descontentamento com os Governos do
PS-CDS-PP.
Enfeitado por um conjunto de promessas, com o apoio do poder económico e
ulteriormente com a concertação estratégica do Presidente
da República, o PS assume-se crescente e inequivocamente como um Partido
da política de direita. Olhando para a realidade, o PS apresenta-se cada
vez mais comprometido com os interesses da grande burguesia e do grande
capital, cada vez mais afastado de ser parte activa numa solução
democrática que o país precisa.
As orientações dominantes do PS, em particular a sua
política governativa têm conduzido ao afastamento de milhares de
eleitores e apoiantes da sua base de apoio, muitos deles susceptíveis de
convergirem na luta por uma alternativa política.
Observam-se algumas movimentações de alguns sectores que procuram
apresentar-se à "esquerda" dentro do PS, e que sem
dúvida resultam desse crescente isolamento e descontentamento que tem
gerado e provocado contradições, mas que alimentando
ilusões revelam o objectivo de suster e combater as possibilidades de
deslocação para o PCP.
Essas movimentações, recusando assumir a ruptura com a
política de direita nos seus conteúdos estruturantes, e
independentemente dos objectivos que as animam, seja o propósito de
travar a provável erosão do PS, seja o desenvolvimento de outros
projectos políticos, tenderão para assegurar as
condições que permitam a sobrevivência da política
de direita.
O PSD, no seguimento da derrota eleitoral de 2005 tem vindo a conhecer uma
forte instabilidade interna. O problema maior do PSD reside no facto que o PS
está a realizar a política que o PSD gostaria de fazer.
Em tudo o que é politicamente estratégico e estruturante
são como irmãos siameses. Mas seria um erro subestimar a sua
expressão ao nível do poder local e na estrutura do Estado e
força de reserva da burguesia monopolista em caso de necessidade para a
alternância.
O CDS apesar do esforço de recuperação e branqueamento, de
desresponsabilização do que de pior fizeram os Governos de
Barroso e Santana Lopes, mantendo o seu reaccionarismo e anticomunismo, vai
esperando integrar uma alternância quando assim considerar o poder
económico.
Umas breves considerações sobre o Bloco de Esquerda. A primeira
dificuldade de definição de que é e o que quer, passa pela
sua indefinição ideológica, de classe e de projecto. Com
carácter socialdemocratizante disfarçado por um radicalismo
verbal esquerdizante, herdado pela diáspora das forças que lhe
deram origem. Navegando à vista, beneficiando de uma
promoção mediática permanente, evoluiu para a
acção institucional, registando um aumento da sua
representatividade , optando pelo acessório e pelo agir depois das
coisas acontecerem. A sua fixação é o PCP e a sua
concorrência é sempre contra o PCP, caindo muitas vezes no
anticomunismo.
No plano da promoção da comunicação social bem se
pode dizer que basta o BE soltar um espirro para constipar um série de
jornalistas.
O Partido Ecologista Os Verdes, apesar de realizar uma acção
ecologista cada vez mais activa, a sua contribuição no plano
político e institucional, que se alarga muito para além da CDU,
capaz de atrair e envolver sectores progressistas e democráticos da
sociedade é sistematicamente silenciado nos meios de
comunicação social.
Neste quadro de arrumação das forças políticas, a
bipolarização do sistema partidário que dura há
mais de 30 anos, e a instrumentalização dos grandes meios da
comunicação social ao serviço da ideologia e da
estratégia das classes dominantes, têm permitido o domínio
das instituições do Estado por forças políticas
diferentes mas com uma política única. A sua
competição passa tão só por ver quem assegura o
comando e a efectivação dessa política única.
Esta alternância e partilha de poder entre PS e PSD, com ou sem o CDS,
é o mais sólido seguro de vida para os grupos económicos e
financeiros recuperarem privilégios, acentuar a
exploração, as injustiças e desigualdades que existem e se
agravam no país.
A realidade confirma que é pela acção política do
PCP e pela intervenção, organização e luta das
massas que os trabalhadores e a generalidade dos portugueses ganham mais
consciência da necessidade de transformações estruturais e
estratégicas da sociedade, a necessidade de ruptura com este gasto
rotativismo e esta política que está a conduzir o país
para o atraso, as injustiças, para o endividamento e a dependência.
O conjunto, a dimensão e diversidade das acções de massas
destes dois últimos anos confirmam que continua em
formação e em movimento uma vasta e poderosa frente social que
abrangendo classes e camadas antimonopolistas também leva à
restrição da base social de apoio à política de
direita do Governo PS e à abertura de amplas possibilidades de
reforço do prestígio e apoio ao PCP.
Por isso, em toda a complexa arrumação actual das forças
sociais e políticas, persistimos no objectivo de transformar a
oposição social à política de direita numa
oposição política, e a oposição
política na opção da democracia, reforçando o PCP
com ampliação decisiva da sua influência social,
política e eleitoral, dando mais força à exigência
da ruptura com a política actual e de uma política de esquerda ao
serviço do povo e do país.
Será com o reforço do PCP e o desenvolvimento da
acção e da luta de massas que se rasgam os caminhos de uma
política alternativa e uma alternativa política. Com quem?
perguntam-nos. Com todos aqueles que com base nos seus legítimos
interesses e direitos, com os trabalhadores e o povo, com os patriotas e
democratas que anseiam por um Portugal democrático onde prevaleça
a justiça social, o progresso e a paz, que sentem que é preciso
romper com este estado de coisas. Nunca será um acto, nem surgirá
por geração espontânea ou de entendimentos artificiais
pensando mais no poder do que na política. Será um processo tanto
mais realizável e mais próximo quanto mais força tiver o
PCP.
Neste período que medeia entre o XVII e o XVIII Congressos, o PCP
cresceu, reforçou-se, aumentou a sua influência política e
eleitoral e afirmou-se como o Partido da classe operária e de todos os
trabalhadores.
Num quadro de agravamento social e de agudização da luta de
classes perante crescentes condicionamentos à liberdade e à
democracia, o PCP provou a sua importância e o seu papel na vida
política nacional. Na luta contra as alterações à
legislação laboral e pelo aumento dos salários; na defesa
dos direitos e liberdades, do direito à saúde, à
educação, à justiça, à água
pública, aos transportes, à segurança; no combate ao
encerramento de serviços públicos; na defesa do aparelho
produtivo e da produção nacional; na defesa da soberania
nacional; na denúncia e oposição ao envolvimento de
Portugal nas guerras de agressão e ocupação imperialistas.
O PCP interveio em importantes batalhas eleitorais, como as legislativas,
autárquicas e presidenciais com resultados positivos e grandes campanhas
de massas, a exemplo do comício no Pavilhão Atlântico
durante as presidenciais, onde mais de 25 mil pessoas fizeram transbordar e
tornar pequeno o pavilhão.
Articulando e ligando dialecticamente a acção de massas, a
acção institucional e a intervenção política
geral, o Partido desenvolveu importantes campanhas políticas apoiadas em
propaganda e em vendas especiais do "Avante!", realizou uma intensa
actividade com iniciativas políticas, audições, debates,
comícios, reuniões, plenários, assembleias de
organização, deu expressão à
celebração dos aniversários do Partido e do
"Avante!", promoveu importantes Encontros Nacionais, acolheu no nosso
país o Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Operários
, assinalou os 160 anos do Manifesto do Partido Comunista, os 90 anos da
Revolução de Outubro, comemorou os 30 anos de Abril.
Num processo de extraordinária importância realizámos a
Conferência Nacional do PCP sobre Questões Económicas e
Sociais, cujas conclusões são de grande actualidade na
situação política nacional.
A grandiosa homenagem ao camarada Álvaro Cunhal que constituiu o seu
funeral, foi uma genuína tradução do reconhecimento pelo
seu papel de intervenção política, ideológica,
cultural e partidária, de identificação com os valores e
ideais de Abril.
Num quadro de uma intensa luta de massas e perante a ofensiva contra o regime
democrático e as liberdades, ao carácter antidemocrático
da Lei dos Partidos e do seu financiamento, a Marcha Liberdade e Democracia,
com a participação de mais de 50 mil militantes e amigos do
Partido foi um momento de grande afirmação partidária e de
resposta combativa à situação.
A situação internacional e nacional, a luta e os anseios dos
trabalhadores e dos povos confirmam a actualidade e validade do nosso projecto
e da necessidade de Partidos Comunistas.
O PCP, orgulhoso da sua história na luta contra o fascismo, pela
democracia e pela liberdade, reafirma a sua determinação em
concretizar o seu projecto libertador e humanista ele mesmo
indissociável da sua natureza e identidade.
A força e o reforço do PCP são do interesse não
apenas dos comunistas, mas de todos os trabalhadores, e todo o povo, de todos
os verdadeiros democratas e patriotas.
O período que decorreu entre o XVII e o XVIII Congressos demonstrou que
dificuldade não significa impossibilidade, que não só
é necessário como possível um PCP mais forte. O movimento
geral de reforço da organização partidária
lançada no XVII Congresso sob o lema Sim, é possível um
PCP mais forte!, constitui um profundo avanço na
agregação, funcionamento colectivo, estruturação e
capacidade de intervenção, definiu orientações
fundamentais para o seu reforço.
Não subestimamos insuficiências, dificuldades e atrasos
verificados, mas eles não anulam o grande alcance dos passos dados. A
exigente tarefa de actualização dos ficheiros ainda por
completar, a orientação de valor estratégico do
reforço do Partido nas empresas e locais de trabalho, o recrutamento de
mais de 7000 membros do Partido, o maior recrutamento verificado nos
últimos 20 anos, a responsabilização de novos quadros
concretizada até 2006 que se saldou pela responsabilização
de mais de 1400 quadros, 712 dos quais com menos de 35 anos, a
realização de 630 assembleias de organização
são elementos que nos animam neste fazer e refazer permanente do
reforço da organização do Partido.
Eis camaradas, não uma prova de vida, mas um prova de força e
confiança no Partido e no seu futuro. O XVIII Congresso não
deveria descansar sobre os êxitos. Devia levar avante uma dinâmica
de reforço geral do Partido. Avante, por um PCP mais forte!
Eis camaradas o mais genuíno desmentido de todos os mostrengos que
esvoaçando e arengando sobre o XVII Congresso negavam a possibilidade de
dobrarmos o cabo da esperança e da convicção, de que era e
é possível um Partido mais forte.
Anotando apenas algumas das orientações e medidas para o
reforço do Partido expressas na proposta de Resolução
Política interessa sublinhar: o reforço do trabalho de
direcção com a superação de deficiências,
novas medidas de estruturação, melhoramento do trabalho colectivo
e estilo de trabalho, renovação da composição,
responsabilização de novos e valiosos quadros. A proposta de
Comité Central a eleger pelo XVIII Congresso mantém as
características do que agora cessa funções, nomeadamente
quanto às suas competências, com uma ligeira
redução. A sua composição, resultante dos
critérios definidos pela direcção
renovação, rejuvenescimento, composição social de
maioria operária e trabalhadores, quadros do Partido funcionários
ou não funcionários, responsáveis de grandes
organizações, vindos de empresas e locais de trabalho, quadros
que integram o movimento de massas, que tenham intervenção e
diversidade de conhecimento nas áreas social, económica,
cultural, técnica, intelectual, científica, e reforçada
pela participação de mais jovens e mulheres.
O reforço da política de quadros, formando-os, chamando-os a
novas responsabilidades, sobretudo operários, jovens e mulheres,
estimulando a reflexão individual e colectiva.
O reforço da organização mantendo uma linha de
recrutamento que o Partido se organize lá onde as massas se encontram, e
particularmente lá onde se processa o conflito de classe e a luta de
classe, se libertam energias e se formam e evoluem as consciências: a
empresa e o local de trabalho.
O reforço do trabalho ideológico, estreitando a
ligação entre a investigação, o debate, a
iniciativa e a definição de temáticas prioritárias
à actividade prática, às tarefas e à
experiência própria do Partido, abrindo espaços de
comunicação e projecção do pensamento do Partido.
O reforço da informação, propaganda e imprensa do Partido:
com rentabilização de meios e recursos materiais e humanos; com a
divulgação e distribuição do "Avante!" em
particular com a sua venda militante, visando dar mais importância e
valorização ao órgão central do Partido; com a
ligação mais estreita de "O Militante" à vida e
experiência do Partido; com mais coordenação da
informação, propaganda, imprensa, edições e
relações com a comunicação social.
O reforço da política financeira tendo como matriz a
militância, a dedicação dos membros do Partido,
reforçando as receitas, limitando despesas, aumentando a iniciativa.
Apurando o controlo financeiro, conservando e rentabilizando o
património de forma a garantir a normal actividade do Partido,
preparando o Partido para, em qualquer circunstância, manter sempre a sua
independência em relação ao capital e ao Estado.
Só sendo o Partido que é e não o que os nossos
adversários gostariam que fosse, o PCP pode defender com êxito os
trabalhadores, o povo e o país ser a força fundamental da
democracia e da independência nacional ser a força mais convicta e
coerente na luta por uma política alternativa e por uma alternativa
política.
A identidade do Partido é o chão mais sólido e seguro da
nossa força e capacidade de intervenção na vida nacional.
Identidade que na definição das características
fundamentais não parte do abstracto, numa concepção
meramente teórica, intemporal e imobilista. É apurada pela
reflexão colectiva, resulta da própria vida, do seu pulsar da
experiência própria, de mil combates e muitas lutas com todas as
lições e ensinamentos que deles tiramos, da
intervenção dedicada e corajosa dos militantes, com um
enraizamento nos problemas, aspirações e lutas dos trabalhadores
e das massas, da capacidade que o próprio Partido tem de desenvolvimento
criativo, de princípios, conceitos e práticas.
A sua natureza de classe, razão de ser da nossa luta, o seu objectivo de
construir uma sociedade nova onde sejam banidas a exploração, a
opressão, as injustiça do capitalismo, a sociedade socialista, a
sua teoria revolucionária, materialista, dialéctica criativa,
contrária tanto à dogmatização e
cristalização como à revisão de princípios
essenciais, teoria que irrompe da vida e à vida tem de dar resposta, com
princípios orgânicos de uma única orientação
geral, com uma única direcção central, e de uma profunda
democracia, a sua ligação à classe operária e aos
trabalhadores e às massas populares, o seu patriotismo e
internacionalismo.
Este é o Partido que temos e o Partido que somos. A vontade do Congresso
é soberana. Mas anima-nos a profunda convicção e
confiança de que fomos, somos e seremos um Partido Comunista digno desse
nome, que não cedemos nem a pressões nem a ameaças, que
não tememos porque não devemos à verdade, à coragem
e à honestidade.
Sairemos do XVIII Congresso com força para prosseguir a nossa luta.
Vivam os trabalhadores e o povo português!
Viva a solidariedade internacionalista!
Viva o PCP!
29/Novembro/2008
[*]
Secretário-geral do PCP. Intervenção na abertura do XVIII
Congresso.
O original encontra-se em
http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=32876&Itemid=195
Este discurso encontra-se em
http://resistir.info/
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