por Iniciativa Cidadã de Auditoria à Dívida Pública
O Governo atribuiu à consultora Ernst & Young a auditoria a 36
parcerias público-privadas (PPPs) e a 24 concessões, tal como
previsto no Memorando de Entendimento com a Troika. O valor da auditoria
é de 250 mil euros. Para a Iniciativa Cidadã de Auditoria
à Dívida Pública, esta adjudicação
não assegura critérios de independência e imparcialidade.
A Ernst & Young trabalha actualmente para os grupos José de Mello
Saúde, Somague e Águas de Portugal, ENDESA e IBERDROLA, entre
vários outros. Estes grupos são parte interessada, isoladamente
ou em consórcios, em várias das PPP e concessões sujeitas
à auditoria adjudicada à Ernst & Young. Há ainda outras
empresas para as quais a consultora trabalhou no passado recente e que
são também concessionárias de PPP.
As empresas para as quais a consultora presta serviços estão
envolvidas, entre outras, nos consórcios da Lusoponte, Auto-Estradas do
Atlântico, Auto-Estradas Túnel do Marão, Hospital de Braga
e Hospital de Vila Franca, Barragens de Gouvães, Alto Tâmega,
Daivões e Girabolhos.
Este é um caso flagrante do conflito de interesses que pode afectar os
consultores externos, tal como realça o Tribunal de Contas nas suas
directrizes para auditorias externas a PPP (2008): o consultor externo
que venha a prestar serviços ao parceiro público não
poderá prestar assessoria ao parceiro privado ou a qualquer entidade que
se apresente como concorrente no âmbito dessa parceria
(
http://www.tcontas.pt/pt/actos/manual/LinhasOrientaPPP.pdf
).
As quatro maiores empresas multinacionais de consultoria Ernst & Young,
PricewaterhouseCoopers, KPMG e Deloitte lideram, juntamente com bancos e
empresas de construção, o sector das parcerias
público-privadas em todo o mundo. Estas multinacionais prestam
serviços de revisão oficial de contas, consultoria fiscal,
assessoria das PPP, auditoria, apoio a transacções,
avaliação de mercados, entre outros.
Para a IAC, uma auditoria feita pela mesma entidade que prestou e presta
serviços aos grupos beneficiários de PPP não reúne
condições de independência. E a independência e
isenção são critérios incontornáveis neste
contexto.
A IAC exige uma auditoria urgente às parcerias público-privadas
em condições de isenção e de independência.
Ver também
Estará a Ernst & Young em condições de realizar uma auditoria independente às PPP de empresas para as quais presta serviços?
Parcerias Público-Privadas (PPP) na saúde
O estado a que Portugal chegou, porque chegou e como sair dele
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Como o Estado Gasta o Nosso Dinheiro
O original encontra-se em
auditoriacidada.info/...
Este comunicado encontra-se em
http://resistir.info/
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