Contributo à discussão sobre o tema "Lei de Bases do
Clima"
"Não ter Lei de Bases do Clima é muito melhor que ter
uma Lei péssima"
por Associação Água Pública
[*]
Equacionamento
O Clima
A "neutralidade carbónica"
O saque dos combustíveis fósseis objectivos ocultos do comércio de emissões
Espoliação e Pobreza energética
Escolha política e ideológica
Os Projectos de Lei
Aspectos formais
Politicas
Pontos soltos
Conclusão
A presente nota vem responder à solicitação feita pelo
Grupo de Trabalho "Lei de Bases do Clima", constituído no seio
da Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território
(11ª) à Associação Água Pública, de
contributos ou sugestões sobre os 8 projectos de Lei que estão em
discussão conjunta.
Equacionamento
O Clima
O Clima do planeta Terra resulta da interacção de uma multitude
de variáveis inter-actuantes num Universo em constante movimento e
transformação; acções e reacções num
sistema extremamente complexo, em que não há
relações lineares e onde pequenas alterações do
estado de uma variável podem induzir, por reacção e
interacções de outras variáveis do sistema, efeitos
desproporcionados e, por vezes, contraditórios.
A compreensão do clima e os modelos (representações)
têm avançado muito nas últimas décadas, conseguem
explicar relações antes incompreensíveis, mas não
são capazes de fazer previsões, muito menos prever o efeito da
alteração de estado de uma única variável.
Sabemos que já tem havido grandes alterações do clima do
planeta Terra ao longo dos milénios e dos séculos, antes e depois
da aparição da espécie humana.
Sabemos também que nos últimos 30-50 anos se têm alterado
algumas normais climáticas que estavam relativamente estáveis
durante um período anterior bastante longo; e que, entre outras
mudanças, a variabilidade e a frequência de valores extremos
(antes, de baixa probabilidade) tem estado a aumentar.
Sabemos que o clima está muito interligado aos grandes ciclos vitais da
Natureza o ciclo da água, do carbono, do oxigénio, do
azoto à insolação da superfície, ao albedo
do solo, ao calor e actividade do magma; e há muitas
variações e mudanças naturais na Terra e exteriores a ela,
no Universo, que influenciam fortemente a estabilidade do clima a
actividade solar, a erupção de vulcões e muitas outras.
Mas sabemos também que, entre as variáveis relevantes de
forçamento do clima, algumas têm sido muito significativamente
alteradas pelo actual sistema de produção, sendo muito
credível que a modificação dessas variáveis tenha
influência nas alterações observadas às normais
climáticas.
É, portanto, sensato conter e reverter quanto antes essa intrusão
desmedida nos factores de forçamento do clima.
Sublinha-se:
-
Essa reversão tem de ser holística, abrangendo toda a
relação com a Natureza;
por exemplo, o ciclo hidrológico "faz parte" do clima, ...
aquilo que afecta o ciclo da água têm influência local,
regional e global no clima, e vice-versa; assim como o albedo, o ordenamento do
território, a vegetação, o ar praticamente tudo a
que chamamos "ambiente".
-
Seja qual for a relação de causalidade com as
alterações climáticas observadas, não há
nenhuma garantia que a contenção de alguns factores
antropogénicos reverta o processo de alterações
climáticas globais;
a ameaça mantém-se e é vital tomar providências para
adaptação a essa realidade.
A "defesa" tem portanto três vertentes simultâneas:
1. a contenção de acções que
potencialmente acelerem
as mudanças climáticas qualitativas, ou aumentem a sua
intensidade.
2. o desenvolvimento de acções de impacto
climático que
contrariem ou compensem, pelo menos regionalmente, os efeitos negativos das
alterações climáticas globais.
3. o desenvolvimento de acções e
mudanças de
adaptação e protecção que promovam a
segurança e o bem-estar de todas as pessoas e um desenvolvimento social
e económico compatível com a Natureza em
transformação.
A "neutralidade carbónica"
Por razões que não têm nada a ver com as ciências da
natureza
[1]
e, pelo contrário, lhe são muito avessas, os grandes
poderes financeiros dominantes pretendem instituir o Dióxido de Carbono
como a causa principal (e quase única) das alterações e
ameaças climáticas catastróficas.
Ora, o CO2 é um gás com efeito de estufa tal qual como o vapor de
água; ambos são produzidos na combustão metabólica
e expelidos na expiração dos seres humanos e animais, ambos
são captados da atmosfera pelas plantas verdes, que transformam o
carbono na sua matéria viva e expelem o oxigénio para a
atmosfera... e esta é só uma pequena parte biológica dos
grandes ciclos da água e do carbono, essenciais a toda a vida na Terra,
ao seu clima e à sua habitabilidade, tal como a conhecemos.
Não há vida "neutra em carbono", como não
há vida "neutra em água" a vida só existe
em metabolismo com a natureza, a água e o carbono fazem permanentemente
parte desse metabolismo, e atravessam toda a actividade produtiva e de
subsistência da espécie humana.
A
"neutralidade em carbono" é um mito absurdo,
eventualmente inspirado na paródia do "monóxido de
di-hidrogénio"
[2]
que, na década de 1990, só com
argumentos verdadeiros e científicos, convenceu muitas pessoas a pedirem
o banimento do "monóxido de di-hidrogénio" (H2O, a
água).
Pela importância vital e interactiva de TODOS os grandes ciclos, é
fundamental conter perturbações anómalas que possam
induzir alterações qualitativas no seu funcionamento.
E produzindo-se alterações qualitativas, há riscos de
afectarem qualitativamente o clima, de formas que não sabemos prever.
Mas é
profundamente perversa e desonesta a fixação da
atenção pública num único parâmetro e a
artificiosa associação exclusiva do aumento desse único
parâmetro a catástrofes terríveis.
Manobra de prestidigitação do poder dominante, que
proporciona um foco de atenção e mobilização
pública, para continuar à socapa a destruição da
Natureza e das condições de vida humanas,
destruição que é a própria essência desse
sistema predador, de espoliação e acumulação de
riqueza.
Essa manipulação em grande escala da opinião
pública,
redirecciona a contestação incómoda para o seguidismo de
orientações estrondosamente orquestradas,
transforma em defensores do próprio sistema predador
muitos movimentos que antes faziam contestação à
destruição, mercantilização e
espoliação da Natureza.
O saque dos combustíveis fósseis objectivos ocultos do
comércio de emissões
No final do século XX e princípios do século XXI era a
extinção eminente dos combustíveis fósseis que
ocupava um lugar de primeiro plano na demonstração da
insustentabilidade do modelo de crescimento económico dos países
mais ricos. Não cabe aqui desenvolver este tema, lembrando apenas que a
hegemonia do sistema capitalista se tem baseado no saque de recursos naturais
dos países mais pobres, por muitos processos, incluindo diversas
guerras.
Os mecanismos instituídos de controlo de emissões são um
instrumento desse saque de recursos e, em simultâneo, de colectar
impostos à população em geral, canalizando-os para as
multinacionais.
Para assegurar o rigor científico da explicação,
transcrevem-se a seguir extractos de um artigo de divulgação
[3]
escrito em 2010 por Rui Namorado Rosa:
(...)
"O processo de controlo de emissões de CO2 (dióxido de
carbono) que essencialmente reflectem o
consumo de combustíveis fósseis
prossegue o seu curso sinuoso e lento mas teimoso.
Com o passar do tempo,
os países industrializados estão em vias de ver consagrado o
facto de irreversivelmente se terem antecipado no consumo dessas fontes de
energia finitas,
enquanto os países em desenvolvimento, incluindo as
"potências emergentes" (sobretudo Índia e China)
deverão progredir (ou não) no seu próprio desenvolvimento,
mas renunciando progressivamente à disponibilidade das mesmas; ou
melhor, ao que resta delas.
Por outro lado, quando
a maior parte das reservas de energia fóssil sobrantes pelo mundo fora
entretanto escaparam à esfera dos activos das grandes
corporações transnacionais
(ExxonMobil, Shell, BP, Total, etc.), para restarem como activos de
corporações estatais de alguns poucos países apenas
(Aramco, Gazprom, CNPC, NIOC, PDVSA, etc.), e quando os países
industrializados ou não dispõem dessas fontes de energia ou neles
estas já se encontram em avançada fase de esgotamento (casos dos
EUA e do Reino Unido),
então o capitalismo internacional, que anteriormente colhia as rendas a
montante, à boca da mina ou do poço, nos países produtores
e através das corporações transnacionais, procura agora
extrair as rendas a jusante do ciclo de vida dos combustíveis
fósseis, no consumo final, na forma de "taxas de carbono" ou
outras.
Para que esta estratégia passe desapercebida nos seus intentos, importa
não admitir a escassez dos recursos fósseis ao nível da
sua extracção, mas sim fazer valer o constrangimento ao
nível da sua utilização final as emissões de
CO2.
Para esse efeito, levantar as opiniões públicas contra os
impactos negativos do consumo de combustíveis fósseis,
não pelo lado factual da sua extracção desmesurada a
caminho da exaustão, mas sim pelo lado da perturbação da
atmosfera a caminho de hipotéticas alterações
climáticas.
E como táctica esquemática, dividir as pessoas que tenham
opinião entre optimistas e pessimistas (quanto aos recursos), ou entre
cépticos e crentes (quanto às emissões); tudo
matéria de opinião; sobre o que os políticos decidem a
favor dos poderes económicos.
Da mesma feita procurando penalizar a legitimidade dos países em
desenvolvimento livremente acederem ao consumo de combustíveis
fósseis para o seu progresso".
(...)
"O Painel Intergovernamental para as Alterações
Climáticas (IPCC) é uma estrutura de especialistas estabelecida
em 1988, com sede em Genebra, por iniciativa da ONU através do Programa
das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) e da
Organização Meteorológica Mundial (WMO). (...) O trabalho
técnico tem sido desenvolvido desde então pelo IPCC, apoiado em
grupos de trabalho de especialistas. Anualmente, Conferencias das Partes (COP)
têm congregado os altos responsáveis políticos dos
países signatários da UNCCC, Conferências onde as
decisões políticas vão sendo tomadas. O objectivo destas
estruturas internacionais é averiguar a influência das actividades
da sociedade humana sobre o clima, identificar eventuais impactos negativos e
formas de os evitar ou combater, e assegurar o compromisso internacional no
alcance desses objectivos. O objectivo último tornou-se assumidamente
estabilizar o teor de gases com efeito de estufa na atmosfera, a nível
que presumivelmente previna interferência antropogénica no sistema
climático que possa induzir riscos climáticos gravosos.
A fronteira entre conteúdos científicos e objectivos
político-diplomáticos, e as respectivas interdependências,
tornaram-se inextrincáveis. São diplomatas que afirmam, com ar
sério, o objectivo político de limitar a elevação
da temperatura média planetária a 2ºC, como se
alguém, incluindo o IPCC, pudesse explicar plausivelmente como é
que tal poderá ser previsível e alcançável.
O Protocolo de Quioto foi negociado e aprovado na terceira Conferência
das Partes (COP 3), em Dezembro de 1997, e regulamentado pelo Acordo de
Marraquexe (COP 7), em Novembro de 2001. Entrou em vigor em Fevereiro de 2005,
e tem 192 países signatários, sendo que os EUA
excluíram-se até à data, por não terem ratificado a
sua adesão. Os países foram arrumados em três categorias:
industrializados, compreendendo os "desenvolvidos" e os "em
transição", e os "em desenvolvimento". Aos
industrializados foram fixados limites de emissão no horizonte de 2012;
aos "em desenvolvimento" não (por enquanto). A maioria dos
países industrializados aceitou a limitação de
emissões de gases de efeito de estufa (GEE) com metas
obrigatórias a serem atingidas no período 2008-2012, pelo menos
5% abaixo dos níveis verificados em 1990, ou seja, 30% abaixo das
estimativas num cenário fictício
business as usual.
A Convenção previu e o Protocolo estabeleceu "
mecanismos de flexibilização
" que teriam em vista favorecer a eficácia financeira da
implementação do Protocolo. São esses:
Mecanismos de Desenvolvimento Limpo
(CDM),
Implementações Conjuntas
(JI) e
Comércio de Certificados de Emissão
(ET). Os CDM e JI são mecanismos que creditam investimentos feitos por
países desenvolvidos em projectos executados em países "em
desenvolvimento" (CDM) ou em países de "economia em
transição" (JI). Estes ditos mecanismos de
flexibilização afirmam o ideal do paradigma económico
oficial segundo o qual o mercado conduz à optimização da
aplicação dos recursos; recursos financeiros, note-se, não
recursos económicos no sentido material.
O Protocolo estabelece então quotas de emissões permitidas a cada
país e reconhece os respectivos títulos de emissão
autorizados. Cada estado distribui internamente os respectivos títulos;
é discutível se essa atribuição é gratuita
ou onerosa, com base em critério histórico ou técnico, se
em quantidades pré-definidas ou em leilão; aí
também se jogam os interesses e as influências de grupos
económicos que procuram captar benefícios a nível de cada
país.
O comércio interno e externo desses títulos permitirá
redistribuir interna e externamente os "direitos" ou
"licenças" de emissão, conduzindo magicamente ao
mínimo de emissões (redução máxima) com o
mínimo de meios financeiros (eficiência máxima). Este
é o esquema financeiro designado Comércio de Emissões.
Agências nacionais e internacionais põem em prática e
promovem os quadros técnicos e institucionais para
atribuição de títulos de emissão às
empresas, as quais subsequentemente os podem transaccionar entre si.
O Comércio de Emissões converte a escassez - de
combustíveis fósseis ou de capacidade de recepção
do sistema climático - em uma nova oportunidade de negócio.
E
os fluxos de combustíveis fósseis e de gases de combustão
tornam-se, por esta via, em potenciais alvos de especulação
financeira.
Finalmente, é criado um quadro mental e institucional que
obstaculiza o livre progresso dos países em desenvolvimento, ao
penalizar o seu acesso aos combustíveis fósseis e ao estimular o
investimento directo estrangeiro por parte das actuais potências
industriais.
A União Europeia tem sido o promotor mais destacado das
negociações em torno das "Alterações
Climáticas" e na implementação do comércio do
carbono. O Banco Mundial e algumas "bolsas de permuta de carbono"
(Carbon Exchanges) entraram neste negócio há já
vários anos (Chicago, Londres, Ásia, etc.). Muitas outras
instituições financeiras entraram neste jogo também".
(...)
"Por outras palavras, a dívida dos países industrializados,
cujo
progresso material assentou no recurso irrestrito a combustíveis
fósseis (próprios e importados dos países em
desenvolvimento) e em tecnologias próprias, para com o resto do mundo
onde vive a maior fracção da humanidade e que consumiu uma
fracção menor desses recursos, parece querer ser saldada mediante
a oferta de tecnologias alternativas mas alheias, ao módico ritmo de uma
centena de milhões de dólares ao ano. Note-se que, actualmente,
as trocas internacionais de combustíveis fósseis se cifram na
ordem de 2000 mil milhões de dólares ao ano, predominantemente de
países em desenvolvimento para países desenvolvidos. A
disparidade é flagrante e a insatisfação moral e material
de muitos países é compreensível.
As estratégias de restrição da emissão de produtos
da combustão encontram eco junto da opinião pública. Todos
concordarão que é uma boa causa evitar resíduos ou
eliminá-los adequadamente. Mas tais estratégias de
restrição não atingem objectivos climáticos
seguros, ou se os atingirem será a longo prazo; os objectivos atingidos
de certeza e a breve prazo serão de politica económica,
nomeadamente politica energética, visando superar a
redução da disponibilidade de combustíveis fósseis
e a sua urgente substituição por fontes de energia alternativas.
Então, como o CO2 não é perceptível pelos sentidos,
nem é tóxico nem de outra forma poluente, foi preciso invocar o
papel que desempenha no balanço energético atmosférico
para pôr em evidência a sua existência e influência
potencialmente negativa sobre o clima.
Assim, políticos astuciosos, incluindo grupos económicos dos mais
poderosos, transferiram (ou mascararam) um problema de politica
energética (energia que a população tem como
serviço indispensável e dado por adquirido no imediato e
ilimitadamente) para uma questão de prevenção e
mitigação de eventuais impactes climáticos
(perceptíveis a cada dia que passa ainda que só ganhe
existência material a prazo dilatado).
As Alterações Climáticas foram levadas a preencher o
imaginário popular, mesmo que poucos entendam com razoável rigor
o que signifiquem, e muitos menos se apercebam do que realmente se encontra por
de trás dessa "mudança global" muito mais
forçada mudança de paradigma energético com impacto
civilizacional do que mudança climática antropogénica.
O tema tem sido matéria de mistificação em grande escala e
explorado pelas agendas de interesses da grande indústria transnacional
e do capital financeiro internacional, e preenchido as agendas públicas
e ocultas da diplomacia mundial, seja no sentido de assegurar o domínio
imperialista das potencias hegemónicas mas decadentes, seja pelo
contrário no sentido de afirmação da soberania nacional e
ascensão das potencias emergentes.
Subjacente está a mudança de paradigma energético,
forçada pela transferência da propriedade das reservas e pela
escassez progressiva dos combustíveis fósseis, que suportaram o
rápido crescimento económico e demográfico desde o alvor
da revolução industrial - traduzidas na contemporânea
alteração de correlação internacional de
forças e ascensão da militarização e da guerra nas
relações, de que o conflito do Médio Oriente e a guerra e
as ameaças bélicas levadas à Ásia são
trágicos testemunhos, e bem assim em cada vez mais frequentes crises
energéticas com repercussões económicas, alimentares e
financeiras".
Espoliação e Pobreza energética
O único efeito dos mecanismos de mercado e "instrumentos
financeiros", que muitos pretendem reforçar em Portugal a pretexto
de uma "Lei de Clima", é exclusivamente aumentar cada vez mais
a concentração de riqueza e de poder num pequeníssimo
grupo de imensas fortunas, à custa da privação, muitas
vezes extrema, de todas as outras pessoas; sem nenhum benefício
ambiental.
Aplicados no direito interno de português são agravantes das
iniquidades internas, tal como no âmbito internacional agravam as
iniquidades entre países e regiões.
Sublinha-se que taxas e impostos sobre o consumo são agravadoras das
desigualdades, porque colectam uma percentagem tanto maior do rendimento quanto
menor é o rendimento.
Os últimos dados da Eurostat (2019) reportam
[4]
mais de dois
milhões de portugueses (21,6%) em risco de pobreza extrema ou
exclusão social.
Vemos ainda que, segundo Eugénio Rosa
[5]
, em 2019 o salário
ilíquido
mediano
dos trabalhadores por conta de outrem (no activo) era de 987/mês
para os homens e 849/mês para as mulheres;
(num universo de 4 044 800 trabalhadores, que representam 83,2% do emprego
total); ou seja, 50% de todos estes os trabalhadores mais de 2
milhões auferem salários abaixo destes valores, aos quais
ainda
têm de ser subtraídos impostos e os descontos para a
segurança social.
Atente-se que estes dados respeitam só a 83% do emprego total e a
trabalhadores formalmente no activo, excluindo os desempregados, reformados,
pensionistas, estudantes, crianças, trabalhadores informais e outros
que englobarão maioritariamente indivíduos com rendimentos
mais baixos que a mediana dos trabalhadores e, nomeadamente, os mais de 2
milhões de portugueses em risco de pobreza extrema. Somando, obtemos
quase 5 milhões, cerca de metade da população portuguesa
com um orçamento muito apertado face ao custo de vida.
O direito a habitação que inclui, naturalmente, a casa,
água, saneamento e energia, é já incomportável
para milhões de portugueses.
Um estudo recente do jornal
Publico
[6]
mostra que em 111 dos 183
municípios portugueses analisados, considerando o custo médio de
aluguer e o rendimento médio, a taxa de esforço para pagar a
renda de habitação é superior a 35% do rendimento do
agregado familiar. Nalgumas cidades, como Lisboa e Porto, o aluguer de um T2
é superior ao rendimento médio na zona.
Há a somar as facturas de água, saneamento e resíduos
sólidos (já muito empoladas onde houve privatização
e por imposições da política central de
mercantilização da água) mais uma taxa de recursos
hídricos e IVA 6%.
A energia (electricidade e gás), já pesadas no orçamento
doméstico, são acrescidas com 23% de IVA a
"redução" para agregados extremamente pobres, rondando
um abatimento de 30%, mal ultrapassa o IVA.
Só é viável morar nas zonas metropolitanas mais populosas,
onde há mais emprego e as mais prestigiadas universidades, a quem possua
casa própria, já amortizada, ou rendimentos muito acima da
média. A alternativa corrente é morar mais longe, fazendo
quilómetros de viagem diariamente. Somando ao tempo de trabalho o tempo
da viagem. Em carro próprio ou partilhado, nos melhores casos, ou por
troços, em dois ou três transportes colectivos...
É a estes milhões de portugueses, a larga maioria, que se
pretende extorquir as taxas de carbono. Na energia doméstica, na
gasolina do carro e no passe do transporte taxas sobre os direitos
constitucionais à habitação e ao trabalho. Até que
tenham de pagar também pelos gases com efeito de estufa libertados na
respiração ...
As adaptações energéticas e modernização das
habitações, a aquisição de automóveis novos,
mais ainda, eléctricos ou híbridos, estão fora de alcance
da enorme maioria da população portuguesa ... e induzir o recurso
a empréstimos é mais outra sangria do trabalhador para o capital
financeiro.
O observatório europeu de pobreza energética aponta para 19,4%
[7]
dos agregados familiares domésticos portugueses em
pobreza energética,
declarando não poder ter a casa adequadamente aquecida no Inverno. A
média europeia é 7,3%. (2019).
A percentagem de agregados portugueses em pobreza energética será
provavelmente bem mais alta, se considerarmos que a poupança na energia
de aquecimento é uma prática corrente e portanto a maioria das
pessoas nem sequer a declaram como tal. Note-se ainda que o relatório
refere uma percentagem relativamente baixa de alojamentos com pagamentos em
atraso (4,5%), mas não inventaria os que não são servidos
por rede pública de electricidade ou gás, seja por não
estarem ligados, seja por ter sido cortado o abastecimento.
O frio mata e essa pobreza energética é assassina.
Lê-se numa reportagem do
Jornal i
[8]
" Portugal é um dos países onde as mortes mais aumentam no
inverno e com maior variação sazonal no número de
óbitos. (...) Uma das comparações mais recentes foi
publicada em 2016 no "Journal of Public Health", com base nas
estatísticas entre 1980 e 2013. Num ranking do excesso de mortalidade no
inverno em 30 países europeus, Portugal surge em segundo lugar,
atrás de Malta, com um acréscimo médio de 28% nas mortes
ocorridas entre dezembro e março face às que têm lugar nos
meses mais quentes."
"Carlos Dias, coordenador do departamento de epidemiologia do Instituto
Ricardo Jorge, ajuda a perceber o quadro. Diariamente morrem, em média,
em Portugal 300 a 350 pessoas. No inverno, tendem a verificar-se mais 100 a 150
óbitos diários"
Milhões de portugueses vivem já com consumo energético
abaixo do mínimo saudável, provocando maior incidência e
gravidade de doenças e um risco muito acrescido de mortalidade.
É sobre os agregados habitacionais de rendimentos mais baixos que
é mais efectiva o aumento da factura de energia, porque são
aqueles com menos rendimento disponível e, portanto, aqueles a quem mais
pesa esse aumento. Esses, e não os com rendimento folgado, serão
os mais prontos a responder ao aumento de preços com
redução de consumo energético.
Aumentando o batalhão da pobreza energética, e delapidando mais
ainda as condições de vida, a saúde, e a mortalidade
sazonal.
Na água, a amplitude da exclusão está longe de ser
conhecida, mas alguns dados que vão sendo divulgados, confirmam que o
peso da factura é um obstáculo cada vez mais
intransponível para o orçamento de milhares de famílias.
Isto mostra que o direito humano à água e ao saneamento
não só está longe de ser plenamente garantido e assegurado
como é seriamente ameaçado pelas políticas em curso.
A redução de consumo é assim efectuada sobretudo às
custas daqueles que já menos consomem, reduzindo o orçamento
disponível dos que menos têm e privando-os de direitos
fundamentais à habitação, à saúde e à
vida.
E esse roubo é feito em proveito do grande capital financeiro, que
enriquece o seu "património de emissões"
negociável e simultaneamente recebe ainda boa parte das taxas cobradas
por via de "subsídios verdes" e outros incentivos
"verdes".
Concentrando toda a riqueza nas mãos de uns poucos, fortuna essa que
dá o poder, porque tudo é mercadoria, de exaurir os recursos, de
destruir as condições de vida humana e o Planeta.
O mesmo mecanismo e ideologia que, à escala internacional, espolia os
países mais pobres dos recursos essenciais à vida em favor do
capital internacional, agravando a níveis insuportáveis a
pobreza, a fome, a doença e a guerra, tem, aplicado à escala
nacional, o mesmo efeito, criando e agravando a iniquidade, a miséria, a
delapidação do ambiente e dos recursos da Natureza, as crises
sociais e ambientais.
Escolha política e ideológica
O que está em causa na estrondosa encenação da
"política de clima" e "controlo de emissões",
é o reforço ou oposição ao sistema dominante de
poder, espoliação e acumulação de riqueza hoje
dominante imperialismo, capitalismo selvagem, neoliberalismo, ou o que
lhe queiram chamar.
Admitir os mecanismos que pretende impor é reforçar esse sistema
dominante. E não há "atenuantes", porque é uma
entrega da natureza e de poder político, com todas as
consequências sociais e ambientais da subordinação à
ganância inerente.
A associação entre combate às alterações
climáticas e instituição "créditos de
emissão" é uma tremenda e perversa
mistificação.
É necessária, sim, uma grande alteração de
padrão de vida, uma profunda alteração do sistema de
produção, distribuição da riqueza e de consumo, uma
civilização em harmonia com a natureza. Mas essa é uma
profunda mudança política é impossível com o
mesmo sistema de poder que tem sido o principal disruptor dessa harmonia.
A necessidade de alteração do sistema produtivo, a
condenação dos "créditos de emissão", da
mercantilização do ambiente e recursos naturais e, em geral, do
sistema de produção capitalista como predador da natureza e das
condições de vida humana, é política e
ideológica, mas não é exclusiva de um grupo
específico de ideologias políticas e filosóficas.
Como também acontece com a oposição à
privatização da água, atravessa ideologias diferentes,
discordantes noutros temas, mas unanimes nessa condenação.
Veja-se, por exemplo, a Carta Encíclica do Papa Francisco "Laudato
Si - Sobre o cuidado da casa comum", do Papa Francisco
[9]
, da qual se reproduzem abaixo pequenos extractos:
"A estratégia de compra-venda de "créditos de
emissão" pode levar a uma nova forma de especulação,
que não ajudaria a reduzir a emissão global de gases poluentes.
Este sistema parece ser uma solução rápida e fácil,
com a aparência dum certo compromisso com o meio ambiente, mas que
não implica de forma alguma uma mudança radical à altura
das circunstâncias. Pelo contrário, pode tornar-se um diversivo
que permite sustentar o consumo excessivo de alguns países e
sectores." (...)
"A lógica que dificulta a tomada de decisões
drásticas para inverter a tendência ao aquecimento global é
a mesma que não permite cumprir o objectivo de erradicar a pobreza.
Precisamos duma reacção global mais responsável, que
implique enfrentar, contemporaneamente, a redução da
poluição e o desenvolvimento dos países e regiões
pobres. O século XXI, mantendo um sistema de governança
próprio de épocas passadas, assiste a uma perda de poder dos
Estados nacionais, sobretudo porque a dimensão
económico-financeira, de carácter transnacional, tende a
prevalecer sobre a política."
"Gostaria de assinalar que muitas vezes falta uma consciência clara
dos problemas que afectam particularmente os excluídos. Estes são
a maioria do planeta, milhares de milhões de pessoas. Hoje são
mencionados nos debates políticos e económicos internacionais,
mas com frequência parece que os seus problemas se colocam como um
apêndice, como uma questão que se acrescenta quase por
obrigação ou perifericamente, quando não são
considerados meros danos colaterais. (...) Isto, às vezes, coexiste com
um discurso " verde ". Mas, hoje, não podemos deixar de
reconhecer que uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma
abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio
ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres".
"Entretanto, os poderes económicos continuam a justificar o sistema
mundial actual, onde predomina uma especulação e uma busca de
receitas financeiras que tendem a ignorar todo o contexto e os efeitos sobre a
dignidade humana e sobre o meio ambiente. Assim se manifesta como estão
intimamente ligadas a degradação ambiental e a
degradação humana e ética. Muitos dirão que
não têm consciência de realizar acções
imorais, porque a constante distracção nos tira a coragem de
advertir a realidade dum mundo limitado e finito. Por isso, hoje,
"qualquer realidade que seja frágil, como o meio ambiente, fica
indefesa face aos interesses do mercado divinizado, transformados em regra
absoluta"
No que diz respeito a Portugal, no compromisso que assumiu nos protocolos
climáticos foi determinada redução das emissões de
CO2, o que implica a redução na queima de combustíveis;
Compete ao Estado Português definir a forma como implementa internamente
essas medidas.
Deve cumprir, e se possível ultrapassar, as metas estabelecidas, com
políticas públicas e sobrepondo a outros interesses o bem comum e
o interesse nacional.
Tem o dever de administrar a afectação das "quotas de
carbono" nacionais no maior benefício público e ambiental,
maior necessidade e aumento de equidade, sobretudo através de
iniciativas públicas, do licenciamento e regulamentação.
Mas os Governos e maiorias parlamentares têm já conduzido
demasiadamente o País num caminho de mercantilização,
privatização, alienação dos bens públicos,
favorecimento de grandes interesses de capital privado, nomeadamente
transnacional, e instituição de taxas e impostos regressivos, ao
invés de progressivos.
A Lei 19/2014, "que define as Bases da Política de Ambiente",
actualmente em vigor, que revogou a Lei n.º 11/87, foi mais um dos passos
relevantes nesse caminho, baseia-se essencialmente na
mercantilização da natureza e não proporciona instrumentos
para uma política sã de Ambiente; ainda menos para sustentar uma
política sã de mitigação, defesa e
adaptação às alterações climáticas.
Neste contexto, e face à distribuição das forças na
Assembleia da República, parece extremamente inoportuna e perigosa a
aprovação de uma Lei de Bases do Clima.
Qualquer pequeno benefício ou recomendação que pudesse ser
introduzido seria de impacto mínimo, comparado com as abertas ao Governo
para o favorecimento dos interesses de capital e instalação de
negócios, lesivos do ambiente e dos portugueses.
Os Projectos de Lei
Aspectos formais
Os oito projectos de lei têm dimensão e conteúdos
diversificados, e não é objectivo destas notas comentá-los
um por um nem fazer a sua apreciação detalhada.
Apontam-se apenas alguns aspectos comuns e de diferenças que se
evidenciaram mais.
|
Propostas
|
Nº
|
Titulo
|
Pgs.
|
Palavras
|
Artigos
|
|
PAN
|
131/XIV/1.ª
|
Lei de Bases do Clima
|
12
|
5508
|
35
|
|
PCP
|
446/XIV/1.ª
|
Estabelece as bases da política de ambiente e ação
climática
|
28
|
14784
|
55
|
|
PEV
|
526/XIV/2.ª
|
Lei-Quadro da Política Climática
|
6
|
2885
|
18
|
|
PS
|
577/XIV/2.ª
|
Aprova a Lei de Bases da Política do Clima
|
29
|
13182
|
74
|
|
BE
|
578/XIV/2.ª
|
Lei de Bases do Clima
|
28
|
13965
|
80
|
|
PSD
|
598/XIV/2.ª
|
Lei de Bases do Clima
|
11
|
5126
|
36
|
|
Dni(1)
|
605/XIV/2.ª
|
Define as bases da política climática
|
7
|
3292
|
17
|
|
Dni(2)
|
609/XIV/2.ª
|
Lei de Bases da Política Climática
|
9
|
4382
|
26
|
|
Total
|
8
|
|
130
|
63124
|
341
|
(1) Deputada não inscrita Joacine Katar Moreira
(2) Deputada não inscrita Cristina Rodrigues
Dos oito projectos de lei apresentados destaca-se, completamente à
parte, o Projecto do PCP, que é uma Lei de Bases de Política de
Ambiente completa, em que insere a Política Climática.
Curiosamente, o Projecto do PS e o do BE têm muito mais artigos e quase o
mesmo número de palavras que o do PCP, que incide num campo muito mais
vasto.
Esta anomalia explica-se porque esses dois projectos "legislam" sobre
uma variedade de sectores, produtivos e não só; o PS chega mesmo
estabelecer novas atribuições às Forças Armadas...
Independentemente do conteúdo dessas incursões (que no PS nunca
são ingénuas), não parece correcto usar a "Lei de
Bases do Clima" como cavalo de Tróia para introduzir preceitos
legais desintegrados que afectam sectores importantes e que tendem a passar
despercebidos das pessoas e entidades conhecedoras dos sectores afectados; por
outro lado, podem incorrer em contradição com outra
legislação sectorial.
Sem entrar no detalhe, alerta-se só para este efeito de "cavalo de
Tróia".
O articulado dos restantes cinco projectos incide quase exclusivamente nas
emissões de CO2 e outros gases de efeito de estufa, combustíveis
e energias; Só o PSD assume a "sua" Lei de Bases do Ambiente,
em vigor, reafirmando os "princípios" do poluidor-pagador e
utilizador-pagador. Os outros quatro Projectos atribuem
obrigações ao Governo e não explicitam instrumentos de
actuação sobre terceiros;
Mencionando-a ou não, sete dos Projectos têm de funcionar em
conjugação com a Lei 19/2014, que nenhum deles revoga ou altera.
Os seus princípios e instrumentos, estritamente mercantilistas,
condicionam, naturalmente, a aplicação da Lei do Clima e bem
assim as suas imposições sobre os particulares e empresas.
Desses sete projectos, nenhum proporciona a abordagem holística ao
sistema clima, nem à protecção de muitos dos outros
factores de forçamento climático, exceptuando a floresta e o uso
de solos agrícolas. A "mitigação" dos efeitos e
a adaptação são demasiado secundarizadas em
relação à redução de emissões e ao
desenvolvimento de estudos e investigação tecnológica. A
emissão de relatórios é comum a todos os projectos.
Para além destes pontos comuns, há divergências de fundo
entre os sete projectos.
Quanto ao Projecto do PCP, tem, à partida, a enorme vantagem de inserir
a política climática na lei de Bases do Ambiente, o que
proporciona uma integração de múltiplos factores
interrelacionados com o clima, como, por exemplo, o solo, e o ciclo da
água, a que dedica um longo artigo,. A mitigação dos
efeitos das alterações climáticas, a
adaptação e segurança social e ambiental também
são tratadas, embora mais na perspectiva de variabilidade natural e
fenómenos extremos do que propriamente alterações
permanentes. Toda a lei está feita numa perspectiva de
harmonização do bem-estar social com a protecção da
natureza. Introduz e articula uma série de instrumentos, uns
pré-existentes e outros inovadores, que proporcionam a aplicabilidade da
lei, a sua transparência e justiça.
Politicas
Os Projectos de Lei apresentados pelo PS e pelo PSD são a
expressão e aplicação a Portugal da política de
saque que se delineou e condenou ao longo destas notas.
Mais declaradamente mercantilista (o deus mercado) no Projecto do PSD, mais
disfarçada mas muito mais elaborada, nomeadamente nos mecanismos
potenciadores de transferência de recursos naturais, fundos e direitos
para grandes transnacionais, no Projecto do PS.
Os Projectos do PCP, do BE, do PEV e da Deputada não inscrita Joacine
Moreira estão num campo completamente oposto, com
preocupações sociais que são inconciliáveis com
qualquer dos dois primeiros.
Pontos soltos
"Entidade Independente"
Vários dos Projectos de Lei instituem uma
Entidade Independente
com membros "idoneos" e responsabilidades e funções de
fiscalização ou outras relevantes para o cumprimento da lei.
Não existem "
Entidades Independentes".
Note-se que essas entidades não são empregos, os membros tem
outras dependências... São uma invenção perigosa,
para dar acesso privilegiado a determinados interesses a órgãos
de influencia e poder; é o eufemismo português para
lobby,
que não é permitido pela CRP. Também são usadas
para desresponsabilização. São uma facada na democracia.
Destacam-se a UTEC, no Projecto do PS e a "Entidade Independente" no
Projecto do PAN.
"Biocombustíveis"-
Referidos nalguns dos Projectos, omissos noutros. É muito importante
banir o cultivo, mas tem de se avaliar se é necessário um prazo
de tolerância para o que está instalado,
"Obsolescência precoce"
A substituição de tecnologias não deve provocar a
obsolescência precoce de equipamentos e instalações que
funcionam; no caso de imposições legais, devem ser calculados os
custos económicos e ambientais da substituição, incluindo
o destino final dos resíduos; caso seja avaliado que o benefício
é superior ao custo, a substituição deveria ser feita sem
custos para o afectado.
"Abordagem integrada dos impactos do sistema produtivo"
A avaliação dos impactos ambientais e energéticos de um
produto deve abranger todo o ciclo de vida útil; com muito mais
razão ainda uma tecnologia que o Estado queira promover a
adopção; (Ver o artigo 38º do Projecto do PCP)
"Educação climática"
Vários Projectos de Lei propõem que se introduza nas
escolas programas de educação climática, o que tende a ser
uma lavagem ao cérebro com propaganda catastrófica dirigida, em
vez de fomentar a compreensão e sentido crítico sobre o Universo
e como funciona.
Entende-se, sim, que devia ser dada muito mais importância à
cultura científica e ao ensino das ciências ... para perceber as
coisas, e actuar com inteligência... tomando então
posições suas nas controvérsias.
E o mesmo em relação aos adultos.
Conclusão
Nem o Projecto de Lei do PS nem o Projecto de Lei do PSD têm
correcção possível na sua natureza mais danosa.
Dada a relação de forças na Assembleia, não
há hipótese que nenhum outro Projecto seja aprovado.
Então, a conclusão deste estudo é que o melhor resultado
possível seria que nenhuma lei fosse aprovada.
Não ter Lei de Bases do Clima é muito melhor que ter uma Lei
péssima.
E, de qualquer forma, a preparação e discussão de oito
projectos de lei teve muitos aspectos positivos, entre eles, uma
reflexão e debate mais aprofundado de um tema relevante e o surgimento
de várias ideias interessantes que poderão vir a desenvolver-se.
Lisboa, Março/2021
[1] Rosa, Rui Namorado, Novembro 2019, "De como a Finança quer
governar o planeta";
omilitante.pcp.pt/...
,
www.odiario.info/...
"Um alerta indispensável perante uma insistente campanha global. Em
Setembro de 2019 é declarada em Nova Iorque "emergência
climática" universal. A opinião pública é
intimidada com uma avalanche de ameaças cada evento
meteorológico tornou-se episódio de alteração
climática e de aquecimento global e de ideias feitas a
captação de energias eólica e solar contribui para
arrefecer o planeta, os biocombustíveis e os veículos
eléctricos contribuem para descarbonizar a economia, etc. O grande
capital financeiro polariza ardilosamente a atenção social em
torno do que possa servir de distração, numa manobra de
diversão e cobertura ideológica; procurando evitar que os
problemas maiores da nossa sociedade sejam rectamente formulados e
questionados; querendo impor e perpetuar o poder político nas
mãos do capital financeiro e das potências imperialistas."
[2] Wikipedia, Dihydrogen monoxide parody
en.wikipedia.org/wiki/Dihydrogen_monoxide_parody
[3] Rosa, Rui Namorado, Dezembro 2010, " Jogos diplomáticos em
alterações climáticas"
www.odiario.info/jogos-diplomaticos-em-alteracoes-climaticas/
[4] People at risk of poverty or social exclusion
ec.europa.eu/eurostat/databrowser/view/t2020_50/default/table?lang=en
[5] Rosa, Eugénio, 28 de Março de 2021, "Desigualdade
crescente na repartição da riqueza criada anualmente no
País (PIB) entre o trabalho e os donos do capital e grandes
desigualdades salariais impostas pelas empresas que agravam a
repartição da riqueza";
www.eugeniorosa.com/
[6]
Publico,
Março de 2021, "Habitação: do Protesto
à Proposta",
www.publico.pt/...
[7] EU Energy Poverty Observatory, "Member State reports on energy poverty
(2019)",
www.energypoverty.eu/...
[8] Reis, Marta F., in
Jornal i,
12/1/2019, "Portugal é dos países onde as mortes mais
aumentam no inverno",
ionline.sapo.pt/...
[9] Papa Francisco, Maio de 2015, Carta Encíclica Laudato Si Sobre o
Cuidado da Casa Comum,
www.vatican.va/...
O texto em formato PDF desta nota encontra-se
aqui
.
[*]
Rua D. Luis I, 20 F, 1249-126 Lisboa,
aguapublica.associacao@gmail.com
Esta nota encontra-se em
https://resistir.info/
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