Notas acerca de dois artigos sobre a crise financeira e monetária

  • A charada das taxas de juros reais , de Henry C. K. Liu (24/julho/2007)
  • Retorno ao 'pleno emprego' , de Ciro de Oliveira Machado (06/junho/2007)
  • por Ciro de Oliveira Machado [*]

    Henry C. K. Liu faz um relato bastante exato das medidas secretas e altamente contraditórias em relação à prime rate norte-americana definidas pelo FED nos últimos anos. O complexo militar, financeiro e industrial dos Estados Unidos só é aparentemente comandado pelo FED. Quem daria as cartas de fato seria o Federal Advisory Counsil – FAC (Conselho Federal Consultivo) [1] , órgão do FED que suplanta e comanda, por suas estratégias e táticas, à qualquer organização, em qualquer país do mundo. Melhor hoje seria dizer que suplantava e comandava, porque em Economia Política todos os fatos econômicos que aconteceram, acontecem ou acontecerão, são registrados numa exata contabilidade internacional e estão sempre prontos para vir à tona. Por exemplo, moedas fiduciárias emitidas muitíssimo além do crescimento do produto interno de um determinado país, tendem a se inflacionar [2] – e é isto que está acontecendo com a enxurrada dos "fiat" dólares espalhada pelo mundo.

    A inflação de 1.100% entre 1944 e 2007, não é correspondente à quantidade dos dólares emitidos, que atingem, camada após camada, a estratosfera da terra. A inflação, segundo a mais aceitável teoria monetarista, deveria ter sido neste período 25 vezes maior, com o dólar tendo perdido (mas não perdeu), em pouco tempo, sua condição de moeda internacional.

    Os Estados Unidos foram e continuam sendo, mesmo agora sem qualquer condição objetiva para tal, os grandes consumidores do mundo. Casas de moradia, casas de campo, casas de praia, carros em quantidade, iates, aviões, artigos eletrônicos, férias em todo o mundo, importação dos melhores e mais caros itens de consumo do planeta, compra no exterior de empresas que apresentem boas perspectivas de lucros, -- são essas as aplicações dos falsos dólares norte-americanos. Traduzimos O roubo do século , de autoria de Chan Akia (25/07/2007) e não foi outro nosso comentário: se fôssemos elencar todos os "roubos" norte-americanos além do "roubo" cometido na atual crise das hipotecas subprime, não poderíamos falar em "roubo do século", mas sim, em "roubo cósmico". É isto que as lideranças americanas aceitam que aconteça, porque aí esta a fonte do lucro de suas organizações industriais e comerciais, mesmo com as dívidas impagáveis de todos os seus consumidores, pois essas organizações recebem no ato, deixando o compromisso das dívidas para os consumidores e para os bancos, que ficam em segundo plano, como os bois de piranha do sistema econômico. A moeda ou é criada do nada, pela multiplicação dos dólares sem lastro (depois do que é canalizada para investimentos ou para o tesouro americano) ou é a poupança de outros países do mundo, especialmente países asiáticos, que colocam seus superávites de exportação nos Estados Unidos em títulos também do tesouro americano. As sobras, dezenas de trilhões de dólares de moeda emitida e posteriormente multiplicada sem limites pelos bancos internacionais, que não encontram lugar para serem aplicadas, se dirigem, para lucrar ou para perder, aos mercados de opções e futuros (derivativos) aos quais os norte-americanos deram o nome de "finanças estruturadas".

    Com a globalização, as lideranças norte-americanas querem mais uma vez que o mundo todo entre no esquema de fazer dívidas impagáveis (como as internas, na Grande Crise de 1929). A multiplicidade de suas representações transnacionais espalhadas por todo o mundo auferem desse falso lucro, lucro nas bolsas, lucros nas vendas, lucros (e prejuízos) em mercados de derivativos etc., que falso mostrar-se-á ao primeiro sinal de uma compensação mundial seguida de obrigatórias aquisições, em que entrem não apenas os fluxos de dólares, mas também os estoques dos dólares espalhados por todo o planeta. Os lucros, em dólares, mostrar-se-ão então em sua real dimensão, com câmbio próximo de zero, em relação às principais moedas de outros países. As conseqüências em termos da economia internacional, quando os EUA não tiverem mais quaisquer condições de compra, serão catastróficas.

    Hoje, quando o dólar declina, as outras moedas declinam menos, para que seus países emissores continuem a exportar aos EUA, o único grande importador líquido da atualidade. O aumento dos preços das commodities e dos investimentos, em dólares, saudada pelas torcidas organizadas americanas como um sinal de bons resultados da economia global, nada mais é do que um reflexo da contínua desvalorização do dólar.

    OS BENEFICIÁRIOS

    Dentro da teoria neoclássica, as perspectivas normais de um sistema econômico, em que altas taxas de juros aumentam o câmbio de uma moeda, reduzem o preço das importações e reprimem, assim, uma inflação, – se são acompanhadas por uma política monetária rígida e passam a atrair a entrada de novos capitais, – não funcionam nos Estados Unidos. Nem esta e nem qualquer outra perspectiva, inexistindo hoje, qualquer resquício de Ciência dentro do contexto da economia mundial sob o seu controle. Tudo é falso, interesseiro, visando o lucro particular em detrimento da participação da grande maioria, tudo promove o desemprego, tudo é baseado na pseudo hegemonia do dólar. São beneficiários desse sistema, em primeiro lugar, as lideranças norte-americanas que promovem o baile, e em segundo lugar, os convidados VIPs, espalhados pelo mundo. Estão dentre eles, os segundos grandes beneficiados, presidentes dos bancos centrais, como o presidente do Banco Central do Brasil, José Meireles, ex-presidente do Banco de Boston. São eles os encarregados de comprar para os seus países os excessos dos inúteis dólares disponíveis no mercado, por preços tais que não permitam grandes desvalorizações, ao menos nos dias que correm.

    Assim começa Liu: "Repentinamente, neste Verão, todos os olhos do mundo estão apontados para os aumentos das taxas de juros. A expectativa dos bancos centrais fechando ainda mais o cerco para afastar os efeitos de uma inflação retardada, interrompeu abruptamente a alta especular do mercado de ações gerada por uma anormal ampla liquidez, capaz de gerar um colapso no mercado." Mas em 17 de agosto de 2007, em plena crise que ameaçava se transformar em catástrofe, o FED "aumentou a charada", diminuiu sua taxas de redesconto e abriu suas burras aos bancos das " sub primes " para que eles honrassem os saques de seus emprestadores, que, porque não dizer, surpresos e desorientados, recolocaram seus haveres nos bancos, talvez nos mais "tradicionais". Cabe-nos perguntar, que moeda é esta, cuja emissão depende de uma demanda funesta dos bancos das sub primes, com base em seus negócios mal formulados"? Mas a "charada" não para aí. Na semana passada o presidente Bush iniciou uma peregrinação em busca dos descamisados, aqueles que compraram suas casas e não pagaram. E disse para o mundo que não iria mais ajudar aos bancos e sim aos descamisados!. Em futuro bastante próximo, não serão os empréstimos de última hora aos bancos e aos descamisados ou os aumentos e as diminuições das taxas de juros que irão impedir a falência absoluta do dólar. Todos irão se perguntar: como ficamos tanto tempo a mercê dessa moeda?

    Inflações e deflações e suas ameaças, altas e baixas do dólar em relação às principais moedas do mundo, controle dos movimentos de altas e baixas das ações e das mercadorias nas bolsas internacionais, controle dos movimentos de altas e baixas nos mercados de opções e derivativos, liquidez e iliquidez do dólar em relação às principais moeda do mundo, geração de curvas de rendimento invertida em que as taxas de curto prazo são maiores do que as de longo prazo, enfim toda a descrição lúcida e fidedigna de Liu dos movimentos contraditórios da economia americana foram e são provocados pelas taxas de juros do dólar, ora altas, ora baixas, -- com as altas prime rates reunindo e predispondo os superávites do mundo à serem aplicados no tesouro americano, – com as baixas prime rates dizendo ao público que os mercados estão indo bem, obrigado, tudo isso sem qualquer compromisso com a Verdade.

    As finanças mundiais foram, até agora, comandadas pelas variações da prime rate norte-americanas. Isto sempre será assim, quaisquer que sejam as moedas envolvidas. O comando da economia será sempre alicerçado pela taxa básica de juros. Esperamos que em futuro próximo as regras econômicas aceitas por todos estabeleçam juros básicos perto da "taxa de equilíbrio", conforme recomenda desde 1985 a "Nova Economia Política".

    "Novas" redescobertas de teorias econômicas, para "construir aperfeiçoados algoritmos" que guiem suas deliberações no novo paradigma charadístico econômico, são procuradas pelo FED, que se não as encontra, as inventa.

    Tal como descrito por Liu, muitos deram seu palpites e sumiram. Outros, Wicksell por exemplo, merecem nossa atenção.

    Wicksell argumentava que a política monetária contem melhor a inflação ao determinar as taxas de juros, não no nível da oferta de dinheiro como sugerem os livros de teoria economia neoclássica, mas sim no nível na taxa R de retorno do investimento. Wicksell está absolutamente certo, se o sistema tender ao equilíbrio econômico de acordo com os princípios da "Nova Economia Política". Se o sistema insistir em plantar-se no desequilíbrio econômico como descrito no artigo O pleno emprego , nem ele, nem mesmo os maiores economistas científicos, poderão coonestar os procedimentos do FED. Neste artigo, procuraremos justificá-lo.

    Greenspan em 5 de janeiro de 1996, com uma inflação anual da ordem de 3%, com a prime rate em 5,25%, advertiu os investidores sobre uma "exuberância irracional" quando o índice Dow Jones atingiu 6442 pontos, mais de duas vezes o índice da pré-queda de 1987. Advertiu mas não convenceu, a si e aos investidores. Quanto mais alto é o índice Dow Jones, melhor se sentem os "ricos" dos EUA e mais eles compram. Advertiu, mas fez com que a prime rate atingisse em 25 de junho de 2005 a cotação de 1%, praticamente negando o que havia dito antes, e o mercado, ignorante, mas aliviado, "imaginou" que tudo estava bem, obrigado, e continuou a gastar. Isto quanto ao mercado interno. Quanto ao mercado externo, o dólar teve queda de 54,7% entre a data da "exuberância irracional" e 14 de janeiro de 2000. E o Dow Jones continuou subindo, mesmo com o retorno da prime rate à 5,25%, tendo atingido em 04 de junho de 2007, a cotação de 13.673 pontos. Aí começaram os problemas das sub primes, com o valor dos títulos das hipotecas definhando, com as moedas internacionais, até o real, se valorizando em relação ao dólar. Começaram, assim, a se fazer sentir as conseqüências do "roubo de século". Terão prosseguimento, até chegarmos às últimas conseqüências, aquelas que, todas elas, irão caracterizar o "roubo cósmico" praticado pelos EUA.

    É muito fácil ser crítico da economia norte-americana. Teremos sempre a mídia mundial contra nós, enquanto ela for comandada pelos EUA, mas é extremamente fácil. Precisamos, sim, ter uma terrível paciência. Há 22 anos previmos o colapso e só agora, senão pelo colapso, temos correligionários em nossas análises.

    Mas além de ser crítico e paciente, é fundamental sermos lançadores e propugnadores de novas idéias, não para a economia norte-americana perdida como ela está, mas para a economia do mundo, tão necessitada de paradigmas que atendam aos seus mais altos anseios.

    O PLENO EMPREGO

    Neste artigo falaremos sobre o pleno emprego e sobre a Economia de uma forma não convencional. Pela primeira vez, num artigo, fora dos nossos livros, usaremos uma linguagem matemática simples, indicando os principais resultados, sejam os dos preços, das quantidades, das taxas de resultados (R), das taxas de juros, do crescimento, – sem os cálculos matriciais necessários à obtenção destes resultados. Os cálculos estarão disponíveis mediante requisição ao e-mail ciro@nep2000.ecn.br . Mas a própria verificação da exatidão desses resultados por certo convencerá o interessado da forma científica com que foram calculados [3] [4] e que a Economia Política é uma ciência exata.

    Consideramos a Economia Política como uma ciência Matemática em sua formulação, apesar de ter atrás de todos os eventos políticos-econômicos, o Homem Político, aquele que, contra tudo e contra todos, e dependendo de sua capacidade e inteligência (?), procurará obter todas as vantagens e lucros para si, no desenvolvimento de seus negócios. Contra si, o Homem Político terá apenas seus freios morais, ou então, – as necessárias regras estabelecidas pelos Gestores da Economia , imbuídos dos princípios de uma Ciência Econômica plena. Eles terão o apoio de todos os que saírem incólumes após as terríveis catástrofes econômicas que advirão nos próximos tempos.

    Poderemos resolver " a priori " o sistema econômico característico de um país, ou seja seus preços (p) poderão ser calculados. Basta apenas ter a receita com que cada mercadoria é produzida (ou seja as quantidades (q) das mercadorias presentes em sua fabricação) e as taxas de excedente ou seja a relação (1+L i ) = (1+r i +y i +t i ) para cada setor produtivo, onde r i é a taxa de lucros, y i é a taxa de rendas e t i é a taxa de impostos, que, multiplicadas pelo lucro global, nos darão o fundo de lucros, o fundo de rendas [5] e o fundo de impostos.

    Cada setor de um Sistema Político-Econômico terá uma diferente capacidade de controle sobre seus preços e consequentemente sobre sua taxa , ou seja, um diferente grau de monopólio.
    Essa diferença será devida à sua particular situação em relação aos seguintes aspectos básicos:
    i. capacidade da empresa em controlar o uso de fatores naturais escassos, tais como terra fértil, minas, água etc.;
    ii. capacidade da empresa em manter um oligopólio estabelecendo acordo de preços declarado ou não declarado com as demais empresas do setor;
    iii. capacidade da empresa em manter monopólios ou oligopólios devido ao nível de investimentos iniciais necessários, economias de escala e outros fatores político-institucionais;
    iv. capacidade de manter custos mais baixos do que as demais empresas nacionais e internacionais do setor através do controle do nível salarial pago a seus empregados;
    v. capacidade de diminuir custos de produção através do desenvolvimento ou adoção de técnicas de produção de alta produtividade, quer quanto aos instrumentos de produção, quer quanto aos produtos intermediários, quer quanto à mão de obra;
    vi. capacidade de atingir altos lucros pela invenção de novas mercadorias, produção de mercadorias já presentes em outros mercados ou pelo desenvolvimento tecnológico de certas mercadorias, comercializadas a preços de monopólio até o surgimento de outras mercadorias de mesmas características no mercado; e,
    vii. capacidade de conquistar e manter compradores com base na filosofia de qualidade total em todos as suas atividades e produtos.
    Evidentemente, consideramos os item v vi e vii como os mais dignos de serem incentivados, restando aos Gestores da Economia diminuir os efeitos dos itens i a iv.

    Vamos simplificar ao máximo o "sistema econômico" a ser descrito, que, mesmo sendo simplificado, levará em seu bojo todos os principais parâmetros de um sistema real. Assim ao invés de termos milhares de equações-identidades de determinado setor, teremos apenas uma equação-identidade, com características matemáticas similares a este conjunto. O sistema simplificado contará com apenas nove equações-identidades setoriais: produção de mercadorias (1) intermediárias, (2) essenciais, (3) de investimento, (4) não essenciais, (5) de governo, (6 e 7) além duas equações-identidades de mão de obra, (8) uma equação que dará o PIB do sistema e (9) uma equação de exportação. As importações, M($), encontram-se explicitadas nas equações-identidades. A é a diferença entre exportações e importações.

    Qualquer que seja o sistema, uma mercadoria é sempre fabricada com produtos intermediários e mão-de-obra. Assim será em nosso sistema simplificado.

    Nosso sistema, além dessas características, será perfeitamente equilibrado, ou seja, (1) o valor dos produtos do Governo será igual ao valor do fundo de impostos pago pelos diversos setores e (2) o valor das exportações tenderá a igualar-se com o valor das importações. De acordo com o artigo por nós escrito, publicado em Resistir a 6 de junho de 2007, qualquer infringência às regras 1 e 2 levará o sistema ao desemprego. A observância destas regras assim como de outras regras monetárias , qual seja a emissão de moeda neutra e fixação da taxa de juros de equilíbrio, levarão o país ao Equilíbrio Econômico.

    Além das igualdades 1 e 2, fundamentais na obtenção do Equilíbrio Econômico, vamos estabelecer também a correspondência entre (3) o valor das mercadorias essenciais produzidas e as mercadorias essenciais demandadas pelos trabalhadores, (4) o valor dos produtos não essenciais e valor do fundo de rendas, (5)) o valor dos produtos de investimentos e o valor fundo de investimentos, de forma a diminuir os estoques do sistema.

    Seja o sistema e sua solução (cálculos dos preços) em seu período 1 [6]:

    Tabela p6.

    Se resolvermos primeiro este sistema com taxas de excedentes iguais à 1,4732426 para todos os setores, os valores dos investimentos serão proporcionais à taxa de excedente de cada setor. Dividindo este valor pelo preço dos produtos de investimentos, obtemos a quantidades de produtos de investimentos para um crescimento de 3%:

    Tabela p71.

    Neste período 1 o sistema prepara-se para um crescimento uniforme de 3%, com investimentos parciais acima e abaixo do nível de investimentos obtido, conforme o lucro de cada setor esteja acima ou abaixo do valor investido. Para viabilizar esta operação deve ser estabelecido o juros do sistema, com base na taxa R de resultado dos setores, em que R será igual à

    Lucros de cada setor para investimentos de 3% + valor dos juros dos empréstimos concedidos a terceiros para complementação dos investimentos (para setores com altos (1+L) ou – valor dos juros dos débitos obtidos de terceiros para complementação dos investimentos (para setores com baixos (1+L)
    sobre
    Valor dos investimentos efetivamente realizados para um crescimento de 3%.

    O cálculo das taxas R 1 encontra-se abaixo:

    Tabela p72.

    É evidente que a taxa de juros de equilíbrio não pode ser superior à mais baixa Taxa de Retorno, no caso a taxa de Retorno das mercadorias intermediárias igual a 2,9873%. Se o fosse, tal investimento não se realizaria. A taxa de juros de equilíbrio será então de 2,9%.

    Sendo a taxa de juros de equilíbrio menor, e tendo os setores do sistema optado por tal investimento, o sistema tem prosseguimento, com as quantidades crescendo 3%. Mas este sistema ainda estará em desequilíbrio econômico.

    Para que ocorra esta circunstância de crescimento à 3% em todos os setores, todos os setores, aqueles que ganham acima dos valores investidos e aqueles que ganham abaixo dos valores investidos, ou seja, a ofertas e a demanda de capitais, têm que estar acordados. Basta apenas um dos agentes não concordar com os negócios propostos, para que seu prosseguimento não se realize.

    Digamos que o setor com a mais alta taxa de retorno, R, setor fabricante de mercadorias não essenciais, fosse obter um lucro de 0,6602507 de seu investimento para crescer 3% e 0,028038 pela recepção de juros de 2,9%, tudo isto dividido pelo valor de seu investimento, 22,008357, igualando R à 3,127 %, -- queira obter uma maior taxa de retorno maior ainda. Sua taxa de excedentes é de 2,72, muito acima das demais taxas, e por seus cálculos, verifica que ao investir a totalidade de seus lucros, obterá uma taxa R superior à taxa obtida, mesmo diminuindo seus preços pois a taxa de elasticidade seria, no exemplo citado, igual a 1, ou seja x% de aumento nas quantidades significará x% de diminuição nos preços (e x% de diminuição nas quantidades também significará x% de aumento dos preços, para os demais setores).

    Tal se dará no período 2, com aumentos de quantidades e diminuições de preços para o setor fabricante de mercadorias não essenciais (e conseqüente diminuição da quantidade e aumento dos preços das demais mercadorias produzidas, salvo produtos de investimentos, em equilíbrio, com produção igual à demanda).

    Tabela p8.


    Calculemos R 2 :

    Tabela p9.

    Nesta segunda alternativa, R= 0,0755%, o que demonstra o seu acerto.

    Neste exemplo consideramos um crescimento de 3% (por exemplo, por aumento da população), sem mudanças dos métodos de produção e sem invenções. Ao ocorrerem qualquer um desses fatos, o sistema entrará em novo circuito de crescimento, sem qualquer modificação no esquema proposto.

    O mais importante é a verificação dos limites para a Taxa de Rendimento, R, em todas as alternativas, qual seja, na alternativa 1, em que os setores crescerão igualmente (a 3%) e na alternativa 2 em que os setores mais lucrativos aproveitar-se-ão de suas mais altas taxas de retorno e mesmo com preços mais baixos, terão uma taxa de retorno maior.

    Temos no caso 1, R variando de 2,9873 % a 3,127%. Com somatórias de juros nos períodos subsequentes a 2,9% para o setor com R= 3,127%, a tendência da taxa R será cair, até o limite de 3%. Da mesma forma, os setores de mais baixa taxa, R= 2,9873%, terão seus capitais próprios diminuídos nos períodos subsequentes e terão acréscimos nas receitas, com base na diferença entre sua taxa R e os juros pagos. Tenderão, assim, para uma Taxa R=0,03%.

    No caso da alternativa 2, em que os setores investem exatamente aquilo que ganharam de lucro, teremos quantidades mais altas e preços mais baixos para o setor com a mais alta taxa de excedente (e mais alto R) e menores quantidades e preços mais altos para os setores com a mais baixa taxa de excedente (mais baixo R), e esta tendência verificar-se-á em todos os períodos subsequentes, convergindo, então, todas as taxas de Retorno, ao nível de 3%.

    R=3% será portanto o limite das taxas R de resultados, o que poderá ser verificado com todos os detalhes matemáticos em nosso livro "The New Political Economy", no Livro i, capítulo III, item 2.

    E assim, justificamos Wicksell pela matemática, apesar dele não ter sequer passado perto dos modernos computadores.

    Essas são as condições políticas para a obtenção do Pleno emprego!

    No Pleno Emprego estão inclusas a liberdade para todos os empreendedores, a justiça social, o aproveitamento máximo dos Homens, das máquinas e da moeda disponível presentes no mercado, o crescimento e o desenvolvimento nacional e internacional máximo, enfim, todos os resultados do que chamamos de Equilíbrio Econômico.

    Não temos a menor dúvida de que o Pleno Emprego virá a ser proposto e defendido por todos os homens de boa vontade, que mais dia, menos dia, estarão governando o mundo.

    Setembro/2007

    Notas:
    [1] é uma instituição peculiar, porque é um gigantesco lobby bancário composto por doze representações da indústria bancária que oficialmente dá consultoria ao FED: é toda uma poderosa Instituição pública com a força da lei, mas tendo como proprietários, os bancos privados. Representa, em primeiro lugar, as grandes corporações industriais norte-americanas.
    [2] Vide o caso brasileiro, com suas diversas moeda, cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado, todas elas já extintas, dando lugar ao real.
    [3] No sítio www.nep2000.ecn.br será publicado em inglês, nosso principal livro, "The New Political Economy", onde o leitor poderá encontrar subsídios à todas as suas questões.
    [4] Com tal asserção por certo não teremos o apoio de muitos economistas que não consideram a Economia Política como uma Ciência Exata e sim como uma Ciência Humana. Mais não poderemos fazer do que convidá-los a ler este artigo e a nosso livro "A Nova Economia Política".
    [5] Neste artigo não foi analisado a tendência do fundo de rendas. A concorrência entre empresas estará sempre presente rumo ao equilíbrio econômico e as rendas , parte integrante do lucro das empresas, serão também diminuídas e absorvidas pela concorrência, ou investidas nas empresas mais rentáveis. Fora os objetivos dos trabalhadores de quererem sempre maximizar seus ganhos.
    [6] Se multiplicarmos as quantidades pelos preços respectivos, verificaremos a exatidão dessa solução!


    Nota de resistir.info: O autor deste artigo está afastado do marxismo, pois é um discípulo do neoricardiano Piero Sraffa. No entanto, resistir.info publica-o por ter bom nível e contribuir para lançar o debate acerca do que deveria ser o mundo após a ruína do actual sistema financeiro e da hegemonia do dólar. Se nada dissermos, nada defendermos, "eles" (capital financeiro) imporão sempre as "suas" soluções, as piores e mais regressivas. Os marxistas deveriam intervir neste debate necessário, até para saber o que fazer quando dispuserem de poder político. As vulgaridades neoliberais difundidas por muitos jornais e revistas de assuntos económicos empestam o ambiente e dificultam a visão clara dos problemas, assim como a determinação do que é factível e desejável. A necessidade de um debate sério torna-se urgente.

    [*] Economista, brasileiro, autor de "A nova economia política", ciro@nep2000.ecn.br .

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .