Notas acerca de dois artigos sobre a crise financeira e monetária
A charada das taxas de juros reais
, de Henry C. K. Liu (24/julho/2007)
Retorno ao 'pleno emprego'
, de Ciro de Oliveira Machado (06/junho/2007)
por Ciro de Oliveira Machado
[*]
Henry C. K. Liu faz um relato bastante exato das medidas secretas e altamente
contraditórias em relação à
prime rate
norte-americana definidas pelo FED nos últimos anos. O complexo
militar, financeiro e industrial dos Estados Unidos só é
aparentemente comandado pelo FED. Quem daria as cartas de fato seria o
Federal Advisory Counsil FAC
(Conselho Federal Consultivo)
[1]
, órgão do FED que suplanta e comanda, por suas
estratégias e táticas, à qualquer
organização, em qualquer país do mundo. Melhor hoje seria
dizer que
suplantava e comandava,
porque em Economia Política todos os fatos econômicos que
aconteceram, acontecem ou acontecerão, são registrados numa exata
contabilidade internacional e estão sempre prontos para vir à
tona.
Por exemplo,
moedas fiduciárias emitidas muitíssimo além do crescimento
do produto interno de um determinado país, tendem a se inflacionar
[2]
e é isto que está acontecendo com a enxurrada dos
"fiat"
dólares espalhada pelo mundo.
A inflação de 1.100% entre 1944 e 2007, não é
correspondente à quantidade dos dólares emitidos, que atingem,
camada após camada, a estratosfera da terra. A inflação,
segundo a mais aceitável teoria monetarista, deveria ter sido neste
período 25 vezes maior, com o dólar tendo perdido (mas não
perdeu), em pouco tempo, sua condição de moeda internacional.
Os Estados Unidos foram e continuam sendo, mesmo agora sem qualquer
condição objetiva para tal, os grandes consumidores do mundo.
Casas de moradia, casas de campo, casas de praia, carros em quantidade, iates,
aviões, artigos eletrônicos, férias em todo o mundo,
importação dos melhores e mais caros itens de consumo do planeta,
compra no exterior de empresas que apresentem boas perspectivas de lucros, --
são essas as aplicações dos falsos dólares
norte-americanos. Traduzimos
O roubo do século
, de autoria de Chan Akia (25/07/2007) e não foi outro
nosso comentário: se fôssemos elencar todos os "roubos"
norte-americanos além do "roubo" cometido na atual crise das
hipotecas
subprime,
não poderíamos falar em "roubo do século", mas
sim, em "roubo cósmico". É isto que as
lideranças americanas aceitam que aconteça, porque aí esta
a fonte do lucro de suas
organizações industriais e comerciais,
mesmo com as dívidas impagáveis de todos os seus consumidores,
pois essas
organizações
recebem no ato, deixando o compromisso das dívidas para os consumidores
e para os bancos, que ficam em segundo plano, como os bois de piranha do
sistema econômico. A moeda ou é criada do nada, pela
multiplicação dos dólares sem lastro (depois do que
é canalizada para investimentos ou para o tesouro americano) ou
é a poupança de outros países do mundo, especialmente
países asiáticos, que colocam seus superávites de
exportação nos Estados Unidos em títulos também do
tesouro americano. As sobras, dezenas de trilhões de dólares de
moeda emitida e posteriormente multiplicada sem limites pelos bancos
internacionais, que não encontram lugar para serem aplicadas, se
dirigem, para lucrar ou para perder, aos mercados de opções e
futuros (derivativos) aos quais os norte-americanos deram o nome de
"finanças estruturadas".
Com a globalização, as lideranças norte-americanas querem
mais uma vez que o mundo todo entre no esquema de fazer dívidas
impagáveis (como as internas, na Grande Crise de 1929). A multiplicidade
de suas representações transnacionais espalhadas por todo o mundo
auferem desse falso lucro, lucro nas bolsas, lucros nas vendas, lucros (e
prejuízos) em mercados de derivativos etc., que falso
mostrar-se-á ao primeiro sinal de uma compensação mundial
seguida de obrigatórias aquisições, em que entrem
não apenas os fluxos de dólares, mas também os estoques
dos dólares espalhados por todo o planeta. Os lucros, em dólares,
mostrar-se-ão então em sua real dimensão, com câmbio
próximo de zero, em relação às principais moedas
de outros países. As conseqüências em termos da economia
internacional, quando os EUA não tiverem mais quaisquer
condições de compra, serão catastróficas.
Hoje, quando o dólar declina, as outras moedas declinam menos, para que
seus países emissores continuem a exportar aos EUA, o único
grande importador líquido da atualidade. O aumento dos preços
das
commodities
e dos investimentos, em dólares, saudada pelas torcidas organizadas
americanas como um sinal de bons resultados da economia global, nada mais
é do que um reflexo da contínua desvalorização do
dólar.
OS BENEFICIÁRIOS
Dentro da teoria neoclássica, as perspectivas normais de um sistema
econômico, em que altas taxas de juros aumentam o câmbio de uma
moeda, reduzem o preço das importações e reprimem, assim,
uma inflação, se são acompanhadas por uma
política monetária rígida e passam a atrair a entrada de
novos capitais, não funcionam nos Estados Unidos. Nem esta e nem
qualquer outra perspectiva, inexistindo hoje, qualquer resquício de
Ciência dentro do contexto da economia mundial sob o seu controle.
Tudo é falso, interesseiro, visando o lucro particular em detrimento da
participação da grande maioria, tudo promove o desemprego, tudo
é baseado na pseudo hegemonia do dólar.
São beneficiários desse sistema, em primeiro lugar, as
lideranças norte-americanas que promovem o baile, e em segundo lugar, os
convidados VIPs, espalhados pelo mundo. Estão dentre eles, os segundos
grandes beneficiados, presidentes dos bancos centrais, como o presidente do
Banco Central do Brasil, José Meireles, ex-presidente do Banco de
Boston. São eles os encarregados de comprar para os seus países
os excessos dos inúteis dólares disponíveis no mercado,
por preços tais que não permitam grandes
desvalorizações, ao menos nos dias que correm.
Assim começa Liu:
"Repentinamente, neste Verão, todos os olhos do mundo estão
apontados para os aumentos das taxas de juros. A expectativa dos bancos
centrais fechando ainda mais o cerco para afastar os efeitos de uma
inflação retardada, interrompeu abruptamente a alta especular do
mercado de ações gerada por uma anormal ampla liquidez, capaz de
gerar um colapso no mercado."
Mas em 17 de agosto de 2007, em plena crise que ameaçava se
transformar em catástrofe, o FED "aumentou a charada",
diminuiu sua taxas de redesconto e abriu suas burras aos bancos das "
sub primes
" para que eles honrassem os saques de seus emprestadores, que, porque
não dizer, surpresos e desorientados, recolocaram seus haveres nos
bancos, talvez nos mais "tradicionais". Cabe-nos perguntar, que moeda
é esta, cuja emissão depende de uma demanda funesta dos bancos
das sub primes,
com base em seus negócios mal formulados"? Mas a
"charada" não para aí. Na semana passada o presidente
Bush iniciou uma peregrinação em busca dos descamisados, aqueles
que compraram suas casas e não pagaram. E disse para o mundo que
não iria mais ajudar aos bancos e sim aos descamisados!. Em futuro
bastante próximo, não serão os empréstimos de
última hora aos bancos e aos descamisados ou os aumentos e as
diminuições das taxas de juros que irão impedir a
falência absoluta do dólar. Todos irão se perguntar: como
ficamos tanto tempo a mercê dessa moeda?
Inflações e deflações e suas ameaças, altas
e baixas do dólar em relação às principais moedas
do mundo, controle dos movimentos de altas e baixas das ações e
das mercadorias nas bolsas internacionais, controle dos movimentos de altas e
baixas nos mercados de opções e derivativos, liquidez e iliquidez
do dólar em relação às principais moeda do mundo,
geração de curvas de rendimento invertida em que as taxas de
curto prazo são maiores do que as de longo prazo, enfim toda a
descrição lúcida e fidedigna de Liu dos
movimentos contraditórios da economia americana
foram e são provocados pelas taxas de juros do dólar, ora altas,
ora baixas, -- com as altas
prime rates
reunindo e predispondo os superávites do mundo à serem
aplicados no tesouro americano, com as baixas
prime rates
dizendo ao público que os mercados estão indo bem, obrigado,
tudo isso sem qualquer compromisso com a Verdade.
As finanças mundiais foram, até agora, comandadas pelas
variações da
prime rate
norte-americanas. Isto sempre
será assim, quaisquer que sejam as moedas envolvidas. O comando da
economia será sempre alicerçado pela taxa básica de juros.
Esperamos que em futuro próximo as regras econômicas aceitas por
todos estabeleçam juros básicos perto da "taxa de
equilíbrio", conforme recomenda desde 1985 a "Nova Economia
Política".
"Novas" redescobertas de teorias econômicas, para
"construir aperfeiçoados algoritmos" que guiem suas
deliberações no novo paradigma charadístico
econômico, são procuradas pelo FED, que se não as encontra,
as inventa.
Tal como descrito por Liu, muitos deram seu palpites e sumiram. Outros,
Wicksell por exemplo, merecem nossa atenção.
Wicksell argumentava que a política monetária contem melhor a
inflação ao determinar as taxas de juros, não no
nível da oferta de dinheiro como sugerem os livros de teoria economia
neoclássica, mas sim no nível na taxa R de retorno do
investimento. Wicksell está absolutamente certo, se o sistema tender ao
equilíbrio econômico
de acordo com os princípios da "Nova Economia
Política". Se o sistema insistir em plantar-se no
desequilíbrio econômico como descrito no artigo
O pleno emprego
,
nem ele, nem mesmo os maiores economistas
científicos,
poderão coonestar os procedimentos do FED. Neste artigo, procuraremos
justificá-lo.
Greenspan em 5 de janeiro de 1996, com uma inflação anual da ordem
de 3%, com a
prime rate
em 5,25%, advertiu os investidores sobre uma "exuberância
irracional" quando o índice Dow Jones atingiu 6442
pontos, mais de duas vezes o índice da pré-queda de 1987.
Advertiu mas não convenceu, a si e aos investidores. Quanto mais alto
é o índice Dow Jones, melhor se sentem os "ricos" dos
EUA e mais eles compram. Advertiu, mas fez com que a
prime rate
atingisse em 25 de junho de 2005 a cotação de 1%,
praticamente negando o que havia dito antes, e o mercado, ignorante, mas
aliviado, "imaginou" que tudo estava bem, obrigado, e continuou a
gastar. Isto quanto ao mercado interno. Quanto ao mercado externo, o
dólar teve queda de 54,7% entre a data da "exuberância
irracional" e 14 de janeiro de 2000. E o Dow Jones continuou subindo,
mesmo com o retorno da
prime rate
à 5,25%, tendo atingido em 04 de junho de 2007, a
cotação de 13.673 pontos. Aí começaram os problemas
das
sub primes,
com o valor dos títulos das hipotecas definhando, com as moedas
internacionais, até o real, se valorizando em relação ao
dólar. Começaram, assim, a se fazer sentir as
conseqüências do "roubo de século". Terão
prosseguimento, até chegarmos às últimas
conseqüências, aquelas que, todas elas, irão caracterizar o
"roubo cósmico" praticado pelos EUA.
É muito fácil ser crítico da economia norte-americana.
Teremos sempre a mídia mundial contra nós, enquanto ela for
comandada pelos EUA, mas é extremamente fácil. Precisamos, sim,
ter uma terrível paciência. Há 22 anos previmos o colapso e
só agora, senão pelo colapso, temos correligionários em
nossas análises.
Mas além de ser crítico e paciente, é fundamental sermos
lançadores e propugnadores de novas idéias, não para a
economia norte-americana perdida como ela está, mas para a economia do
mundo, tão necessitada de paradigmas que atendam aos seus mais altos
anseios.
O PLENO EMPREGO
Neste artigo falaremos sobre o
pleno emprego
e sobre a Economia de uma forma não convencional. Pela primeira
vez, num artigo, fora dos nossos livros, usaremos uma linguagem
matemática
simples,
indicando os principais resultados, sejam os dos preços, das
quantidades, das taxas de resultados (R), das taxas de juros, do crescimento,
sem os cálculos matriciais necessários à
obtenção destes resultados.
Os cálculos estarão disponíveis mediante
requisição ao e-mail
ciro@nep2000.ecn.br
. Mas a própria verificação da exatidão desses
resultados por certo convencerá o interessado da forma científica
com que foram calculados
[3] [4]
e que a Economia Política é uma ciência exata.
Consideramos a Economia Política como uma ciência
Matemática
em sua formulação, apesar de ter atrás de todos os
eventos políticos-econômicos, o
Homem Político,
aquele que, contra tudo e contra todos, e dependendo de sua capacidade e
inteligência (?), procurará obter todas as vantagens e lucros para
si, no desenvolvimento de seus negócios. Contra si, o Homem
Político terá apenas seus freios morais, ou então,
as necessárias regras estabelecidas pelos
Gestores
da Economia
, imbuídos dos princípios de uma Ciência Econômica
plena. Eles terão o apoio de todos os que saírem
incólumes após as terríveis catástrofes
econômicas que advirão nos próximos tempos.
Poderemos resolver "
a priori
" o sistema econômico característico de um país, ou
seja seus preços (p) poderão ser calculados. Basta apenas ter a
receita com que cada mercadoria é produzida (ou seja as quantidades (q)
das mercadorias presentes em sua fabricação) e as taxas de
excedente ou seja a relação (1+L
i
) = (1+r
i
+y
i
+t
i
) para cada setor produtivo, onde r
i
é a taxa de lucros, y
i
é a taxa de rendas e t
i
é a taxa de impostos, que, multiplicadas pelo lucro global, nos
darão o fundo de lucros, o fundo de rendas [5] e o fundo de impostos.
Cada setor de um Sistema Político-Econômico terá uma
diferente capacidade de controle sobre seus preços
e consequentemente sobre sua taxa , ou seja, um diferente
grau de monopólio.
Essa diferença será devida à sua particular
situação em relação aos seguintes aspectos
básicos:
i. capacidade da empresa em controlar o uso de fatores naturais escassos,
tais como terra fértil, minas, água etc.;
ii. capacidade da empresa em manter um oligopólio estabelecendo acordo
de preços declarado ou não declarado com as demais empresas do
setor;
iii. capacidade da empresa em manter monopólios ou oligopólios
devido ao nível de investimentos iniciais necessários, economias
de escala e outros fatores político-institucionais;
iv. capacidade de manter custos mais baixos do que as demais empresas nacionais
e internacionais do setor através do controle do nível salarial
pago a seus empregados;
v. capacidade de diminuir custos de produção através do
desenvolvimento ou adoção de técnicas de
produção de alta produtividade, quer quanto aos instrumentos de
produção, quer quanto aos produtos intermediários, quer
quanto à mão de obra;
vi. capacidade de atingir altos lucros pela invenção de novas
mercadorias, produção de mercadorias já presentes em
outros mercados ou pelo desenvolvimento tecnológico de certas
mercadorias, comercializadas a preços de monopólio até o
surgimento de outras mercadorias de mesmas características no mercado;
e,
vii. capacidade de conquistar e manter compradores com base na filosofia de
qualidade total em todos as suas atividades e produtos.
Evidentemente, consideramos os item v vi e vii como os mais dignos de serem
incentivados, restando aos
Gestores
da Economia diminuir os efeitos dos itens i a iv.
Vamos simplificar ao máximo o "sistema econômico" a ser
descrito, que, mesmo sendo simplificado, levará em seu bojo todos os
principais parâmetros de um sistema real. Assim ao invés de
termos milhares de equações-identidades de determinado setor,
teremos apenas uma equação-identidade, com características
matemáticas similares a este conjunto. O sistema simplificado
contará com apenas nove equações-identidades setoriais:
produção de mercadorias (1) intermediárias, (2)
essenciais, (3) de investimento,
(4) não essenciais, (5) de governo, (6 e 7) além duas
equações-identidades de mão de obra, (8) uma
equação que dará o PIB do sistema e (9) uma
equação de exportação. As
importações, M($), encontram-se explicitadas nas
equações-identidades.
A
é a diferença entre exportações e
importações.
Qualquer que seja o sistema, uma mercadoria é sempre fabricada com
produtos intermediários e mão-de-obra. Assim será em nosso
sistema simplificado.
Nosso sistema, além dessas características, será
perfeitamente equilibrado,
ou seja, (1) o valor dos produtos do Governo será igual ao valor do
fundo de impostos pago pelos diversos setores e (2) o valor das
exportações tenderá a igualar-se com o valor das
importações. De acordo com o artigo por nós escrito,
publicado em Resistir a 6 de junho de 2007, qualquer infringência
às regras 1 e 2 levará o sistema ao desemprego. A
observância destas regras assim como de outras
regras monetárias
, qual seja a emissão de moeda neutra e fixação da taxa de
juros de equilíbrio, levarão o país ao
Equilíbrio Econômico.
Além das igualdades 1 e 2, fundamentais na obtenção do
Equilíbrio Econômico, vamos estabelecer também a
correspondência entre (3) o valor das mercadorias essenciais produzidas e
as mercadorias essenciais demandadas pelos trabalhadores, (4) o valor dos
produtos não essenciais e valor do fundo de rendas, (5)) o valor dos
produtos de investimentos e o valor fundo de investimentos, de forma a diminuir
os estoques do sistema.
Seja o sistema e sua solução (cálculos dos preços)
em seu período 1 [6]:
Se resolvermos primeiro este sistema com taxas de excedentes iguais à
1,4732426 para todos os setores, os valores dos investimentos serão
proporcionais à taxa de excedente de cada setor. Dividindo este valor
pelo preço dos produtos de investimentos, obtemos a quantidades de
produtos de investimentos para um crescimento de 3%:
Neste período 1 o sistema prepara-se para um crescimento uniforme de
3%, com investimentos parciais acima e abaixo do nível de investimentos
obtido, conforme o lucro de cada setor esteja acima ou abaixo do valor
investido. Para viabilizar esta operação deve ser estabelecido o
juros do sistema, com base na taxa
R
de resultado dos setores, em que
R
será igual à
Lucros de cada setor para investimentos de 3% + valor dos juros dos
empréstimos concedidos a terceiros para complementação dos
investimentos (para setores com altos (1+L) ou valor dos juros dos
débitos obtidos de terceiros para complementação dos
investimentos (para setores com baixos (1+L)
sobre
Valor dos investimentos efetivamente realizados para um crescimento de 3%.
O cálculo das taxas R
1
encontra-se abaixo:
É evidente que a taxa de juros de equilíbrio não pode ser
superior à mais baixa Taxa de Retorno, no caso a taxa de Retorno das
mercadorias intermediárias igual a 2,9873%. Se o fosse, tal investimento
não se realizaria. A taxa de juros de equilíbrio será
então de 2,9%.
Sendo a taxa de juros de equilíbrio menor, e tendo os setores do sistema
optado por tal investimento, o sistema tem prosseguimento, com as quantidades
crescendo 3%.
Mas este sistema ainda estará em desequilíbrio econômico.
Para que ocorra esta circunstância de crescimento à 3% em todos os
setores, todos os setores, aqueles que ganham acima dos valores investidos e
aqueles que ganham abaixo dos valores investidos, ou seja, a ofertas e a
demanda de capitais, têm que estar acordados. Basta apenas um dos agentes
não concordar com os negócios propostos, para que seu
prosseguimento não se realize.
Digamos que o setor com a mais alta taxa de retorno,
R,
setor fabricante de mercadorias não essenciais, fosse obter um lucro
de 0,6602507 de seu investimento para crescer 3% e 0,028038 pela
recepção de juros de 2,9%, tudo isto dividido pelo valor de seu
investimento, 22,008357, igualando
R
à 3,127 %, -- queira obter uma maior taxa de retorno maior ainda. Sua
taxa de excedentes é de 2,72, muito acima das demais taxas, e por seus
cálculos, verifica que ao investir a totalidade de seus lucros,
obterá uma taxa R superior à taxa obtida, mesmo diminuindo seus
preços pois a taxa de elasticidade seria, no exemplo citado, igual a 1,
ou seja x% de aumento nas quantidades significará x% de
diminuição nos preços (e x% de diminuição
nas quantidades também significará x% de aumento dos
preços, para os demais setores).
Tal se dará no período 2, com aumentos de quantidades e
diminuições de preços para o setor fabricante de
mercadorias não essenciais (e conseqüente diminuição
da quantidade e aumento dos preços das demais mercadorias produzidas,
salvo produtos de investimentos, em equilíbrio, com
produção igual à demanda).
Calculemos R
2
:
Nesta segunda alternativa, R= 0,0755%, o que demonstra o seu acerto.
Neste exemplo consideramos um crescimento de 3% (por exemplo, por aumento da
população), sem mudanças dos métodos de
produção e sem invenções. Ao ocorrerem qualquer um
desses fatos, o sistema entrará em novo circuito de crescimento, sem
qualquer modificação no esquema proposto.
O mais importante é a verificação dos limites para a Taxa
de Rendimento, R, em todas as alternativas, qual seja, na alternativa 1, em que
os setores crescerão igualmente (a 3%) e na alternativa 2 em que os
setores mais lucrativos aproveitar-se-ão de suas mais altas taxas de
retorno e mesmo com preços mais baixos, terão uma taxa de retorno
maior.
Temos no caso 1, R variando de 2,9873 % a 3,127%. Com somatórias de
juros nos períodos subsequentes a 2,9% para o setor com R= 3,127%, a
tendência da taxa R será cair, até o limite de 3%. Da mesma
forma, os setores de mais baixa taxa, R= 2,9873%, terão seus capitais
próprios diminuídos nos períodos subsequentes e
terão acréscimos nas receitas, com base na diferença entre
sua taxa R e os juros pagos. Tenderão, assim, para uma Taxa R=0,03%.
No caso da alternativa 2, em que os setores investem exatamente aquilo que
ganharam de lucro, teremos quantidades mais altas e preços mais baixos
para o setor com a mais alta taxa de excedente (e mais alto R) e menores
quantidades e preços mais altos para os setores com a mais baixa taxa de
excedente (mais baixo R), e esta tendência verificar-se-á em todos
os períodos subsequentes, convergindo, então, todas as taxas de
Retorno, ao nível de 3%.
R=3% será portanto o limite das taxas R de resultados, o que
poderá ser verificado com todos os detalhes matemáticos em nosso
livro "The New Political Economy", no Livro i, capítulo III,
item 2.
E assim, justificamos Wicksell pela matemática, apesar dele não
ter sequer passado perto dos modernos computadores.
Essas são as condições
políticas
para a obtenção do Pleno emprego!
No
Pleno Emprego
estão inclusas a liberdade para todos os empreendedores, a
justiça social, o aproveitamento máximo dos Homens, das
máquinas e da moeda disponível presentes no mercado, o
crescimento e o desenvolvimento nacional e internacional máximo, enfim,
todos os resultados do que chamamos de
Equilíbrio Econômico.
Não temos a menor dúvida de que o
Pleno Emprego
virá a ser proposto e defendido por todos os homens de boa vontade, que
mais dia, menos dia, estarão governando o mundo.
Setembro/2007
Notas:
[1] é uma instituição peculiar, porque é um
gigantesco lobby bancário composto por doze representações
da indústria bancária que oficialmente dá consultoria ao
FED: é toda uma poderosa Instituição pública com a
força da lei, mas tendo como proprietários, os bancos privados.
Representa, em primeiro lugar, as grandes corporações industriais
norte-americanas.
[2] Vide o caso brasileiro, com suas diversas moeda, cruzeiro, cruzeiro novo,
cruzado, todas elas já extintas, dando lugar ao real.
[3] No sítio
www.nep2000.ecn.br
será publicado em inglês, nosso principal livro, "The New
Political Economy", onde o leitor poderá encontrar subsídios
à todas as suas questões.
[4] Com tal asserção por certo não teremos o apoio de
muitos
economistas que não consideram a Economia Política como uma
Ciência Exata e sim como uma Ciência Humana. Mais não
poderemos fazer do que convidá-los a ler este artigo e a nosso livro
"A Nova Economia Política".
[5] Neste artigo não foi analisado a tendência do fundo de rendas.
A concorrência entre empresas estará sempre presente rumo ao
equilíbrio econômico e as rendas , parte integrante do lucro das
empresas, serão também diminuídas e absorvidas pela
concorrência, ou investidas nas empresas mais rentáveis. Fora os
objetivos dos trabalhadores de quererem sempre maximizar seus ganhos.
[6] Se multiplicarmos as quantidades pelos preços respectivos,
verificaremos a exatidão dessa solução!
Nota de resistir.info:
O autor deste artigo está afastado do marxismo,
pois é um discípulo do neoricardiano Piero Sraffa. No entanto,
resistir.info publica-o por ter bom nível e contribuir para
lançar o debate acerca do que deveria ser o mundo após a
ruína do actual sistema financeiro e da hegemonia do dólar. Se
nada dissermos, nada defendermos, "eles" (capital financeiro)
imporão sempre as "suas" soluções, as piores e mais
regressivas.
Os marxistas deveriam intervir neste debate necessário, até para
saber o que fazer quando dispuserem de poder político. As vulgaridades
neoliberais difundidas por muitos jornais e revistas de assuntos
económicos empestam o ambiente e dificultam a visão clara dos
problemas, assim como a determinação do
que é factível e desejável. A necessidade de um debate
sério
torna-se urgente.
[*]
Economista, brasileiro, autor de "A nova economia política",
ciro@nep2000.ecn.br
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Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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