Brasil: Intensificar as lutas nas ruas para derrotar o governo golpista
por PCB
A situação do país é muito grave e a
paciência da população está chegando ao limite. A
economia brasileira está em frangalhos, com a maior recessão de
sua história moderna: o desemprego já atinge 13 milhões de
trabalhadores com carteira assinada
[1]
e mais cerca de 7 milhões que já desistiram de procurar emprego,
além do arrocho salarial e a queda na renda
[2]
da população. A crise financeira dos Estados e Municípios
está levando o caos aos serviços públicos, com o
precário atendimento à saúde, atraso de salários e
demissão de funcionários públicos, processo que se agrava
com a crise nas penitenciárias brasileiras, cuja face mais
visível são os massacres ocorridos em vários Estados.
O governo Temer assumiu, por intermédio de um golpe parlamentar e
midiático, com o objetivo central de aplicar um ataque brutal aos
direitos dos trabalhadores, da juventude e da população em geral,
mediante o ajuste fiscal, a reforma trabalhista e da previdência, a
reforma do ensino médio e a entrega do pré-sal e do
Aquífero Guarani para as multinacionais, além das
privatizações do patrimônio público, tudo isso para
favorecer o capital monopolista, os banqueiros e o agronegócio. Um
governo completamente desmoralizado perante a opinião pública,
mas que ainda se sustenta porque está realizando o trabalho sujo para o
grande capital nacional e internacional.
A ofensiva contra os trabalhadores, as negociatas, os escândalos
diários e o mar de lama da corrupção são tamanhos
que a maioria da população ainda está perplexa diante da
crise. Mas é necessário acabar com o desânimo, sacudir a
poeira e dar a volta por cima, retomar as manifestações de rua e
as lutas nos locais de trabalho, moradia e estudo para derrubar o governo
usurpador. Só teremos condições de mudar a atual
correlação de forças e construir uma nova realidade, em
que as instituições estejam voltadas a atender os interesses
populares, se as massas forem à luta contra o governo. Portanto,
é hora de reunir forças para derrotar o governo e reverter as
medidas tomadas contra os trabalhadores, a juventude e a
população em geral.
Os trabalhadores da Prefeitura de Florianópolis demonstraram que o
caminho da vitória contra os pacotes neoliberais aplicados por governos
burgueses é a luta levada a cabo com muita unidade e
organização. Após 38 dias de greve, os servidores e as
servidoras municipais daquela cidade barraram o pacote de maldades do prefeito
Gean Loureiro. A greve terminou no dia 23 de fevereiro, com uma grande
vitória da classe trabalhadora em defesa do serviço
público. É urgente que ações como esta, que
estão ocorrendo de forma fragmentada em vários municípios
e estados, contribuam para a formação de um poderoso movimento
nacional unificado de lutas, organizado para barrar os ataques promovidos pelos
patrões e governos. O PCB propõe um calendário de
reuniões com organizações da esquerda socialista e dos
movimentos sociais, assim como as entidades nacionais da luta sindical e
democrática, visando à articulação de um
espaço de lutas mais amplo, para além dos blocos e frentes da
esquerda socialista, pois, em razão das ameaças às
liberdades democráticas e à soberania nacional, há um
vasto campo progressista que poderá ser atraído para engrossar e
fortalecer as lutas anticapitalistas e contra os ataques aos direitos dos
trabalhadores.
É imprescindível que, no interior do campo unitário, se
fortaleça a esquerda socialista e classista, com vistas a constituir uma
frente política permanente, um campo alternativo à
política de conciliação de classes e à direita,
capaz de garantir que os interesses dos trabalhadores não sejam
trapaceados por quem visa apenas canalizar a insatisfação popular
para as eleições em 2018. Quanto mais forte esse bloco estiver,
maiores serão as possibilidades para se avançar no rumo das
conquistas populares.
[1] Refere-se à carteira emitida pelo Ministério do Trabalho para
cada trabalhador, a qual deve ser assinada por quem o contrata.
[2] Quer dizer rendimento.
O original encontra-se no jornal
Poder Popular
, Março/2017
Este editorial encontra-se em
http://resistir.info/
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