Go Back Bolsonaro
por
Peoples Democracy
Narendra Modi, lider do governo do BJP que enfrenta crescentes protestos dos
trabalhadores, camponeses, estudantes, jovens e oprimidos contra as
políticas económicas neoliberais pró-corporativas e as
medidas repressivas contra protestos democráticos, optou por convidar o
presidente brasileiro Jair Messias Bolsonaro como o hóspede principal
nas celebrações do Dia da República da Índia em 26
de Janeiro. A Federação dos Agricultores de
Cana-de-açúcar da Índia (filiada à
União de Todos os Camponeses da Índia
), num comunicado divulgado em 14 de Janeiro, condenou esta decisão e
exigiu a retirada do convite.
A Federação dos Agricultores da Cana-de-açúcar da
Índia convocou à campanha de uma semana, a partir de 18 de Janeiro
culminando com acções de protesto em 25 de Janeiro de 2020, com a
palavra de ordem
Go Back Bolsonaro.
A Federação conclamou todas as suas unidades a protestarem com
bandeiras negras e faixas
#GoBackBolsonaro
nas áreas de cultivo de cana-de-açúcar. O protesto
também será uma acção de solidariedade ao povo
brasileiro que protesta contra seu regime corrupto e repressivo.
De modo notável, Bolsonaro, que adere a uma ideologia de
extrema-direita, é assediado por protestos de trabalhadores e
camponeses, estudantes, jovens, mulheres e povos indígenas no seu
próprio país. Cada vez mais autoritário e agressivamente
pró-corporativo tal como Narendra Modi, temos testemunhado suas
políticas destrutivas e exploradoras no Brasil, incluindo a abertura de
portas para o saqueio corporativo das florestas amazônicas. Os
agricultores indianos estão a ser ameaçados directamente e,
especialmente, o sustento dos produtores de cana-de-açúcar na
Índia será afectado negativamente pelos movimentos brasileiros
contra a Índia na Organização Mundial do Comércio.
O Brasil desafiou o "apoio" que o governo indiano dá aos
nossos agricultores de cana-de-açúcar, alegando que o mesmo viola
as regras da OMC. Reclamando que o apoio interno ultrapassa o limite
permissível, o Brasil, a Austrália e a Guatemala desafiaram-na.
Actualmente, o "Preço Justo e Remunerativo" da Índia
(Fair and Remunerative Price, FRP) e o Preço Recomendado do Estado
(State Advised Price, SAP) estão a enfrentar desafios, além das
medidas de subsídio à exportação. Alega-se que o
apoio interno específico da Índia à
cana-de-açúcar excede seu direito
de minimis
de 10% do valor da produção sob as disposições da
OMC e que a Índia não possui direitos estabelecidos para conceder
subsídios à exportação. O Brasil afirmou que a
Índia aumentou o seu FRP de 1.391,20 rupias
[NR]
por tonelada em 2010-11 para
Rs 2.750 por tonelada em 2018-19 e o SAP também foi questionado.
Enquanto calcula o Suporte ao Preço de Mercado (Market Price Support,
MPS) no regime da OMC, o Preço de Referência Externo (External
Reference Price, ERP) ainda é aquele dos anos 1986-88 (preços de
exportação ou importação). Esse ERP foi fixado na
época em Rs 156,16 por tonelada e isto está a ser comparado com
os actuais FRPs (Rs 2.750 por tonelada) de cana-de-açúcar sem
levar em consideração a inflação, ao passo que o
SMP/FRP deflacionado é de apenas cerca de Rs 290,88 por tonelada. A
assistência da Índia de Rs 55 mil milhões para apoiar a
indústria açucareira em 2018-19 também foi um ponto de
discórdia.
A realidade do terreno, no entanto, contrasta esta narrativa. Os agricultores
de cana-de-açúcar na Índia não estão sequer
a obter os preços magros que ironicamente são chamados de justos
e remuneratórios. Atrasos de pagamento da cana estão a aumentar e
informa-se que são mais de 240 mil milhões de rupias. No contexto
do sofrimento agrícola predominante, os agricultores da
cana-de-açúcar enfrentam uma batalha árdua nas frentes
interna e internacional. As disposições distorcidas do Acordo
sobre Agricultura (Agreement on Agriculture, AoA) e os compromissos sob eles
aumentaram o descontentamento dos agricultores. Se a OMC decidir contra a
Índia, o governo indiano não poderá anunciar FRP ou
medidas para proteger a exploração dos agricultores pelo lobby do
açúcar. A produção local cairá e seremos
empurrados para a importação de açúcar. O Brasil
vê a Índia como um mercado atraente para a indústria
açucareira e o acesso a este mercado abriria um sector de
exportação potencialmente grande para ele. Se a Índia
perder a disputa, teria de modificar todas as medidas que fossemm consideradas
inconsistentes com o AoA. Na ausência das actuais políticas de
apoio, o sector da cana-de-açúcar, que emprega mais de 50
milhões de agricultores e mais de 500 mil trabalhadores de centrais
açucareiras (DFPD 2017a), pode enfrentar um colapso iminente. O governo
do BJP liderado por Narendra Modi ao invés de proteger os interesses dos
agricultores indianos está a desenrolar um tapete vermelho para o
presidente brasileiro, cujo governo procura destruir os meios de
subsistência dos agricultores da cana-de-açúcar.
19/Janeiro/2020
[NR]
1000 rupias = US$14
O original encontra-se em
peoplesdemocracy.in/2020/0119_pd/go-back-bolsonaro
Este artigo encontra-se em
https://resistir.info/
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