Homenagem a Carlos Marighella
No próximo dia 4 de novembro, cumprem-se quarenta anos do covarde
assassinato de Carlos Marighella pelas forças da repressão da
ditadura militar. O PCB se associa a todas as iniciativas para homenagear este
herói e conclama sua militância e amigos a delas participarem.
Marighella formou-se politicamente na grande escola do PCB, onde militou a
maior parte de sua vida como revolucionário. Após o golpe
imperialista de 1964, que assumiu a forma de golpe militar, o camarada rompeu
com o PCB, liderando a criação da ALN (Ação
Libertadora Nacional), em razão de divergências com a linha
política do Partido, em que predominavam as ilusões de
aliança com setores da chamada burguesia nacional e na democracia
burguesa, equívocos que estão na raiz da derrota popular em 1964.
O PCB, que sepultou as ilusões reformistas em seu processo de
reconstrução revolucionária, respeita e compreende as
razões de Marighella para romper com o Partido, mesmo divergindo do
método e considerando que a forma de luta adotada pela ALN, apesar de
legítima, não era adequada àquela correlação
de forças e ao nível de organização e
mobilização da resistência popular à ditadura.
Entretanto, apesar de considerarmos correta, até 1979, a linha
política do PCB na questão do enfrentamento à ditadura
pela via do movimento de massas e da frente democrática, não
estamos entre aqueles que negam ou subestimam o papel da insurgência
armada adotada por algumas organizações no período que, ao
preço de muitas vidas que nos fazem falta, também
contribuíram para a derrubada da ditadura.
Também é preciso ficar claro que a ditadura não escolhia
suas vítimas apenas em função dos meios com que lutavam.
Entre 1973 e 1975, foram assassinados dezenas de camaradas do PCB, cujos corpos
jamais apareceram, dentre eles quase todos os membros do Comitê Central
que aqui atuavam na clandestinidade.
Marighella não pertence apenas ao PCB nem à ALN. Pertence a todos
os revolucionários e se inscreve na galeria de heróis que, em
todo o mundo, lutaram e lutam contra a opressão e a
exploração, por uma sociedade em que todos nos possamos chamar de
companheiros.
Camarada Marighella, presente!
PCB Partido Comunista Brasileiro
Comissão Política Nacional
Comitê Central
Rio, 25 de outubro de 2009
Esta nota política encontra-se em
http://resistir.info/
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