"Não cair no desespero nem no imobilismo"
Vacina já, emprego para todos, auxílio emergencial e
abaixo a carestia!
A conjuntura brasileira é muito grave. Mesmo diante do aumento da
pandemia, que já matou mais de 280 mil brasileiros, o governo Bolsonaro
e Mourão mantém sua postura de parceiro da morte, sabotando o
distanciamento social e dificultando ao máximo o processo de
negociações para a compra de vacinas e de insumos para a sua
produção no Brasil. Com sua postura criminosa e o discurso
negacionista para manter mobilizada suas bases sociais mais fanatizadas, agrava
o combate à pandemia e coloca o sistema de saúde à beira
do colapso em todo o país, o que vem se traduzindo em centenas de
milhares de brasileiros mortos.
Com esse discurso, Bolsonaro consegue desviar a atenção dos
escândalos de corrupção que envolvem sua família,
como o da recente compra, por seu filho Flávio já acusado
por promover rachadinhas
[1]
em seu gabinete e de lavar dinheiro , de uma mansão em
Brasília por seis milhões de reais [911.176], e da profunda
incompetência que caracteriza a ação do Ministério
da Saúde. Para reforçar seu governo e intimidar a
população, Bolsonaro cerca-se cada vez mais de quadros militares,
para passar a imagem de que tem poder junto às Forças Armadas, ao
mesmo tempo em que atende a exigências do Centrão
[2]
para tentar evitar o impeachment, como demonstra a recente troca de
titularidade no Ministério da Saúde.
Na verdade, o Brasil se aproxima de uma catástrofe sanitária: a
taxa de ocupação das UTIs
[3]
na maioria dos Estados se aproxima dos 100%, com centenas de pessoas morrendo
nas filas de espera dos hospitais. É muito elevado o risco de que a
tragédia de Manaus se repita nas grandes cidades e capitais e que haja
um colapso absoluto em todo o país. Segundo a Organização
Mundial da Saúde, o descontrole sanitário no Brasil já
ameaça a segurança sanitária da América do Sul e
impõe risco de expansão do vírus para outros continentes.
À crise sanitária se soma uma profunda crise social que já
soma dezenas de milhões de trabalhadores desempregados, além de
muitos milhões que se encontram nas filas da fome e morando em locais
sem acesso a luz elétrica, água encanada e serviços de
saúde. Com a inflação dos alimentos da cesta
básica, aumenta a fome em todo o país. As medidas de combate
à pandemia adotadas até agora são extremamente limitadas,
e o anúncio da oferta de um auxílio emergencial de apenas 250
reais [37,97] é claramente insuficiente e não dá
para comprar nem a metade de uma cesta básica.
Enquanto isso, a burguesia brasileira se aproveita do caos sanitário e
da crise social para avançar a agenda neoliberal, com a
redução dos investimentos públicos, a reforma
administrativa e mais retrocessos quanto aos direitos dos trabalhadores, onde o
objetivo é desmontar os serviços públicos, reduzir os
salários e levar à informalidade a maioria dos trabalhadores, com
a adoção da carteira verde e amarela.
A burguesia aprovou recentemente a autonomia do Banco Central, o que deixa toda
a política econômica nas mãos da oligarquia financeira.
Além disso, passou um contrabando através da PEC 186
[4]
, que reduz os investimentos nos serviços públicos e congela por
até 15 anos os salários de diversos servidores, em especial nas
áreas da saúde e educação. Além disso,
acelera o processo de privatização dos Correios, da Eletrobras,
da Petrobras e busca ainda a flexibilização das leis ambientais e
dos direitos indígenas e quilombolas
[5]
para favorecer a mineração e a expansão do
agronegócio.
POSSÍVEL ELEGIBILIDADE DE LULA:
VITÓRIA PARCIAL DA LUTA PELAS LIBERDADES
É nesse contexto de acirramento da crise que ocorre a decisão do
ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, anulando a sentença
do ex-juiz Sérgio Moro, resultante da Operação Lava a
Jato, e o acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª
Região, por considerar que o foro correto não é Curitiba.
Se a decisão for confirmada e transitada em julgado, toda a
instrução será enviada à primeira instância
da Justiça Federal em Brasília, podendo inclusive manter a
decisão anterior de condenação do ex-presidente
Luís Inácio Lula da Silva. De qualquer forma, o ato de Fachin e
toda a publicidade em torno dele voltaram a expor as evidências dos
vícios processuais, a parcialidade e a conspiração entre o
ex-juiz Sérgio Moro e membros do Ministério Público para
efetuarem a condenação de Lula, fato que o afastou da
condição de candidato nas eleições de 2018 quando
estava na liderança de todas as pesquisas.
Saudamos essa possibilidade como um fato relevante contra a
manipulação jurídica e a ação golpista das
autoridades judiciais, que utilizaram de meios escusos para promover
perseguições, arbitrariedades e manipulação da
opinião pública, interferindo diretamente no processo eleitoral
de 2018 e abrindo espaço para a eleição de Jair Bolsonaro.
Esse fato traz à tona a possibilidade de Luís Inácio Lula
da Silva ser candidato às eleições presidenciais de 2022.
Em seu pronunciamento público, Lula fez duras e acertadas
críticas a todo o processo fraudulento que o levou a ficar preso em
Curitiba por mais de 500 dias. Mas acenou, por sua vez, com a possibilidade de
construção de um leque de alianças visando, uma vez mais,
ensejar a retomada do pacto social liberal, em condições ainda
mais rebaixadas, devido ao contexto de avanço da crise geral em que o
Brasil está imerso.
Tal acontecimento tem sido explorado por diversos setores do campo
democrático e popular no sentido de antecipar o debate eleitoral e
deixar em segundo plano a luta concreta contra esse governo e sua
política de terra arrasada, no momento em que a conjuntura exige a
intensificação da luta de classes contra as reformas neoliberais,
os ataques aos trabalhadores(as) e a promoção do genocídio
em curso.
O aumento da pandemia em uma fase de crescimento do contágio e morte
dificulta muito a mobilização das massas para o enfrentamento ao
governo. Mas há um claro e crescente descontentamento com a
situação na maior parte da população. É
importante citar a realização de panelaços, carreatas,
manifestações simbólicas, de reuniões
plenárias e manifestações públicas de muitas
organizações e movimentos sociais, da Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil, incluindo o reconhecimento pela CUT
[6]
da necessidade de uma greve geral em defesa da vida para enfrentar essa
situação.
A nossa tarefa é contribuir para transformar esse descontentamento em
luta organizada. Nós já vivemos momentos muito mais
difíceis que esse e soubemos responder à altura dos
acontecimentos. É hora de ampliar o trabalho de base e preparar as
mobilizações populares, que virão em algum momento
próximo, como já aconteceu na Bolívia, no Chile, nos
Estados Unidos e, mais recentemente, no Paraguai. Não se pode cair no
desespero, nem no imobilismo e muito menos depositar nossas energias agora nas
eleições que só irão acontecer no final de 2022. O
momento é de fortalecer a luta contra a tragédia que se abate
sobre o povo brasileiro.
ORGANIZAR A CLASSE TRABALHADORA PARA A LUTA CONTRA O GOVERNO E O CAPITAL!
Devemos continuar apostando na pressão popular pela adoção
de medidas emergenciais e na mobilização em favor do impeachment
de Bolsonaro, organizando os trabalhadores e as trabalhadoras, a juventude e o
povo pobre das periferias para a luta em defesa de um conjunto de medidas
emergenciais que respondam às necessidades mais prementes de toda a
população. Nesse sentido, propomos:
1) Vacina para todos já e lockdown já em defesa da vida em todas
as regiões.
2) Em defesa do Sistema Único de Saúde 100% estatal.
3) Auxílio emergencial de no mínimo R$ 600,00 para todos os 67
milhões que receberam no primeiro momento.
4) Política de emprego com a criação de frentes de
trabalho urbanas e rurais.
5) Transporte público gratuito para desempregados e maiores de 60 anos.
6) Revogação do teto dos gastos e das contrarreformas trabalhista
e previdenciária.
7) Defesa dos serviços públicos e gratuitos e das empresas
estatais.
Para o PCB o resgate do social liberalismo e a política de
conciliação de classes não podem ser as únicas
alternativas ao projeto ultraliberal e autoritário de Bolsonaro e
aliados. Defendemos uma alternativa popular pautada em um programa
político que contemple medidas emergenciais diante da crise e da
pandemia e resgate as demandas históricas do povo trabalhador
brasileiro. Seguimos construindo a mais ampla unidade na luta contra a
política genocida do Governo Bolsonaro e, no interior dessa
ação unitária, buscamos organizar a frente anticapitalista
e anti-imperialista, no rumo do Poder Popular e do Socialismo.
Vamos participar ativamente de atos de rua, mesmo que simbólicos em
virtude da pandemia, pregar cartazes e lambe-lambes
[7]
, incrementar as redes sociais; organizar, nas cidades ou nos bairros onde for
possível, os Comitês Populares em Defesa da Vida e do Trabalho,
nos incorporando a todo tipo de mobilização, na perspectiva de
que só a luta popular é capaz de mudar a correlação
de forças e abrir caminho para a derrota desse governo e sua
política de terra arrasada.
É preciso avançar na construção do Fórum
Sindical, Popular e da Juventude nos estados e municípios, na
perspectiva de reorganização das lutas da classe trabalhadora e
para preparar a GREVE GERAL!
FORA BOLSONARO-MOURÃO!
EM DEFESA DOS DIREITOS DA CLASSE TRABALHADORA, DOS SERVIÇOS
PÚBLICOS E DAS LIBERDADES DEMOCRÁTICAS!
ORGANIZAR A GREVE GERAL!
PELO PODER POPULAR NO RUMO DO SOCIALISMO!
Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro
16/Março/2021
[1] Rachadinhas: Prática de políticos corruptos de se apropriarem
dos salários pagos pelo Estado a assessores e colaboradores por eles
próprios escolhidos. A família Bolsonaro locupletou-se com esta
prática.
[2] Centrão: a maioria corrupta do parlamento que vende o seu voto em
troca de benesses do governo central.
[3] UTIs: Unidades de tratamento intensivo, nos hospitais.
[4] PEC 186: Medida proposta pelo governo que prevê redução
de até 25% dos salários do funcionalismo público
[5] Quilombolas: Comunidades de descendentes de escravos
[6] CUT: central sindical controlada pelo PT
[7] Lambe-lambes: cartazes artesanais afixados em espaços
públicos.
Ver também:
A repercussão do discurso de Lula
O original encontra-se em
pcb.org.br/...
Esta nota encontra-se em
https://resistir.info/
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