"As reservas brasileiras de petróleo são para resolver nossos
problemas sociais, não para enriquecer as multinacionais"
PCB propõe um amplo movimento de massas que exija a
convocação de um PLEBISCITO, para que o povo brasileiro se
pronuncie soberanamente sobre a REESTATIZAÇÃO DA PETROBRÁS.
As reservas anunciadas da camada pré-sal são de grande magnitude,
capazes de sustentar o consumo brasileiro e de possibilitar grande volume de
exportações pelos próximos 20 anos, igualando o Brasil aos
grandes produtores do Oriente Médio e possibilitando uma maior autonomia
brasileira em relação aos países capitalistas
desenvolvidos. É uma boa notícia, nestes tempos de crise
econômica internacional.
A produção do pré-sal oferece perspectivas de lucros
extremamente elevados. Se depender apenas do interesse das multinacionais e dos
acionistas privados donos de quase 70% das ações da
Petrobrás a exploração será intensa e de
curto prazo.
A proposta de marco regulatório para o setor apresentada pelo Governo
Lula - sem ouvir previamente os movimentos sociais e a população
em geral - está aquém das necessidades nacionais e populares,
mesmo apontando para o regime de partilha, no caso do pré-sal.
Ainda que este não seja o melhor sistema de contratação de
empresas privadas para compartilhamento dos investimentos e da
produção, supera o modelo hoje vigente, de controle privado sobre
as reservas (na forma de concessões). No entanto, lamentavelmente,
fazendo-se o jogo das grandes empresas petrolíferas multinacionais, este
modelo de concessão será mantido para as áreas fora do
pré-sal e até para 28% da própria região do
pré-sal, já leiloadas pela famigerada ANP, dirigida pelo Pcdob.
A criação de um Fundo Social para investimentos em áreas
sociais é um ponto positivo, desde que gerido com
participação popular. A proposta de capitalização
da Petrobrás pode vir a ser um limitado aspecto positivo, desde que
signifique maior controle das ações da empresa pelo Estado
brasileiro.
O projeto aponta também para a criação de uma nova empresa
estatal para intermediar os contratos de exploração do
óleo do pré-sal, o que, a nosso ver, é
desnecessário, uma vez que a Petrobrás dispõe de toda a
capacitação para executar estas operações. Mais
ainda, a tendência é que, ao serem discutidas no Congresso
Nacional, as propostas sofram emendas das bancadas privatistas para
torná-las ainda mais favoráveis aos interesses do grande capital.
Este é um risco para o qual devemos estar atentos, pois a prática
do governo Lula tem sido a conciliação de classes, com recurso a
"balões de ensaio" e propostas aparentemente elevadas,
apresentadas para posterior negociação. A proximidade das
eleições de 2010, em que Lula é refém do PMDB e
outros setores burgueses, agrava este risco.
Neste caso pode estar o anúncio de que a Petrobrás venha a ter
direito a, no mínimo, 30% das áreas a serem oferecidas para
exploração. Esta é uma proposta rebaixada para os que
defendemos o monopólio estatal do petróleo, mas mesmo assim o
principal alvo das críticas dos agentes do capital, que acusam de
"estatizante" o mesmo governo Lula que acaba de aumentar para 20% o
percentual de ações do Banco do Brasil negociado na Bolsa de Nova
Iorque, exatamente a mesma medida adotada por FHC, em seu governo, em
relação à Petrobrás, aliás mantida
até hoje pelo atual Presidente.
O nosso petróleo deve ser visto como uma riqueza dos trabalhadores
brasileiros, a grande maioria da população. Assim, a forma, o
controle, o ritmo e a destinação das receitas provenientes da
exploração do petróleo devem ser objeto não apenas
de amplo debate mas principalmente de ação direta dos movimentos
organizados dos trabalhadores.
Consideramos que a Petrobrás, pioneira na tecnologia de
perfuração de poços em águas profundas, não
precisa de sócios privados para explorar nosso petróleo, pois
reúne todas as condições técnicas para assumir a
totalidade dos trabalhos de exploração. Mesmo se houvesse
necessidade de complementação dos esforços da
Petrobrás para a exploração das reservas, deveria ser
adotado o modelo de prestação de serviços e não de
partilha.
O PCB defende a
reestatização da Petrobrás
para que, sob controle dos trabalhadores, todos os ganhos provenientes da
exploração do petróleo possam ser investidos nas
áreas sociais e em pesquisas para o desenvolvimento de tecnologias
alternativas e renováveis para a produção de energia.
Defendemos também o fim da entreguista ANP, a suspensão imediata
dos leilões de reservas petrolíferas e a retomada das
áreas já licitadas, com a retomada do monopólio estatal.
É preciso também ajustar o ritmo da exploração do
petróleo, para que as reservas não se esgotem em prazo curto,
apenas para satisfazer a sanha de lucro das grandes corporações
multinacionais.
A campanha "
O Petróleo tem que ser nosso"
, que une os mais diferentes segmentos que lutam por soberania e justiça
social deve ser fortalecida para que esta disputa se dê nas ruas,
pressionando o governo e o Congresso Nacional, nos quais não podemos
confiar. Esta é a única alternativa para que se avance, de fato,
para que o uso das reservas do pré-sal se volte para os interesses da
classe trabalhadora.
O PCB propõe às organizações políticas e
sociais que participam desta luta a criação de um amplo movimento
de massas que exija a convocação de um PLEBISCITO, para que o
povo brasileiro se pronuncie soberanamente sobre a REESTATIZAÇÃO
DA PETROBRÁS.
Partido Comunista Brasileiro
Comissão Política Nacional
Setembro/2009
Esta nota política encontra-se em
http://resistir.info/
.
|