Mobilização popular para derrotar Bolsonaro-Mourão e
reconstruir o Brasil
O Brasil vive a conjuntura mais difícil e complexa desde o final da
ditadura, num processo em que se mesclam, de um lado, uma ofensiva global do
grande capital internacional contra os direitos e garantias dos trabalhadores
e, internamente, uma crise econômica e social que ganha contornos
dramáticos, com mais de 26 milhões de trabalhadores desempregados
ou com empregos precários ou ainda desalentados. A
situação se torna mais grave em função da
emergência de um governo de extrema-direita que vem realizando uma guerra
aberta contra os trabalhadores, a juventude, os aposentados, um ataque
permanente às liberdades democráticas, à
educação pública e gratuita, ao meio ambiente, aos
indígenas e quilombolas, à cultura e ao povo pobre das favelas e
periferias.
Estamos diante de um governo representante dos bancos, das grandes empresas
industriais e de serviços, do agronegócio e do imperialismo e que
atua descaradamente para aprofundar a ferro e fogo a pauta neoliberal e a
entrega do patrimônio público ao setor privado. Um governo que
conta com o apoio desses setores e da grande burguesia em geral para promover a
retirada de direitos da classe trabalhadora sintetizada na reforma da
previdência, na flexibilização e fragilização
das relações de trabalho para facilitar o processo de
acumulação do capital.
Trata-se de um governo ilegítimo, antinacional, antipopular e
antidemocrático.
Ilegítimo porque foi eleito a partir de uma conspiração
criminosa, estruturada nas sombras pela Operação Lava a Jato,
envolvendo o atual ministro da Justiça e procuradores inescrupulosos,
cujo objetivo central era afastar Lula da disputa presidencial, quando este
liderava todas as pesquisas de opinião. A artimanha abriu espaço
para Bolsonaro ganhar vantagem na campanha eleitoral, mediante a
manipulação descarada das redes sociais, difusão em massa
e diária de fake news, boatos, mentiras e intrigas visando envenenar
politicamente a população e criar um clima de
polarização para favorecer o candidato de extrema-direita, fatos
que resultaram em sua vitória eleitoral. Não se pode esquecer que
esta operação manipulatória ocorreu sob a
orientação de agência de inteligência dos Estados
Unidos e de empresas de logística digital operadas no país e no
exterior, com financiamento clandestino de empresários de
extrema-direita. Até hoje não se abriu uma
investigação sobre essa fraude eleitoral.
Trata-se de um governo antinacional porque não só se comporta de
maneira subserviente aos interesses dos Estados Unidos (chegando ao ponto de o
próprio presidente bater continência à bandeira desse
país) e apoia o estado terrorista de Israel, como também pelo
fato de que está entregando a preço de banana as empresas
públicas, como a Embraer, Correios, Telebras, Eletrobras, Casa da Moeda,
empresas do setor de petróleo e gás, os poços de
petróleo do pré-sal descobertos pela Petrobrás, empresas
do setor mineral, além da biodiversidade brasileira. Através de
um conjunto de generais da reserva, reacionários e entreguistas que
fazem parte do governo, busca atrelar as Forças Armadas aos interesses
geopolíticos, militares e econômicos estadunidenses, praticamente
entregando a base de Alcântara e visando a adesão à OTAN.
É um governo antipopular porque realiza uma guerra aberta contra os
trabalhadores e a juventude, aprofundando as contrarreformas de Temer, mediante
a flexibilização de todos os direitos dos trabalhadores, o
relaxamento das leis contra o trabalho escravo, o incentivo ao trabalho
infantil e à carteira verde-amarela sem direitos. Também quer
permitir o trabalho aos domingos e reduzir salários dos servidores.
Além disso, promove a criminalização dos movimentos
sociais, sindicatos e do comunismo, naturaliza as mortes de negros e favelados,
incentivando na prática o genocídio da juventude negra das
periferias. Enaltece o machismo e a homofobia, corroborando com toda a
violência contra as mulheres e as LGBTs, assim como estimula o massacre
dos povos indígenas e quilombolas.
Como se não bastasse, incentiva a destruição do meio
ambiente e é diretamente responsável pelo desmatamento que
está devastando a floresta amazônica. O drama vivenciado hoje na
Amazônia não é uma crise, mas uma política do
governo. O governo Bolsonaro, atendendo aos interesses de seus apoiadores
imediatos ruralistas, latifundiários, empresas mineradoras e do
agronegócio abandona todo e qualquer procedimento em favor da
preservação do meio ambiente, promovendo o colapso total da
fiscalização sobre os crimes ambientais. Em pouco tempo de
governo, houve um crescimento vertiginoso do desmatamento, das queimadas, de
invasão de parques e terras indígenas, com o aumento da
exploração ilegal e predatória de recursos naturais e mais
assassinatos de lideranças de comunidades tradicionais, indígenas
e ambientalistas. Tais práticas, somadas ao avanço dos interesses
privados sobre a região amazônica, colocam em risco a
sobrevivência da floresta, das populações locais e dos
povos indígenas. Esta política também abre espaço
para ingerências externas aos interesses nacionais, pois não
é de hoje que o imperialismo e as empresas transnacionais agem no
sentido de obter bons negócios com a biodiversidade da Amazônia.
O Governo Bolsonaro-Mourão é antidemocrático porque
conspira permanentemente contra as liberdades democráticas, procurando
restringir e reprimir os espaços de manifestação
democrática da sociedade. Realiza uma ofensiva para controlar todos os
órgãos institucionais de Estado a fim de beneficiar parentes
envolvidos com corrupção e o crime organizado, como Coaf
(Conselho de Controle de Atividades financeiras), Procuradoria Geral da
República, Polícia Federal, Receita Federal, entre outros, de
forma a implementar seu projeto autoritário e obscurantista.
Conspira também diariamente contra a educação
pública, a ciência e o conhecimento, mediante o corte de verbas,
demissão de cientistas de órgãos que não se dobram
aos seus interesses e nomeação de interventores para as reitorias
de Universidades e Institutos Federais, com o objetivo de impor sua pauta
reacionária e privatizar o ensino público e a ciência.
É um governo cujo presidente tem como herói nacional um
torturador, um monstro que, entre outras coisas, se divertia torturando
militantes oposicionistas na frente dos filhos nos porões do DOI-CODI.
Um governo que apoia as milícias e lamenta que o Brasil não tenha
tido uma cavalaria tão "competente" como a dos Estados Unidos,
que matou todos os índios.
Trata-se ainda de um governo que envergonha o Brasil no cenário
internacional, não só porque vota nas Nações Unidas
e organismos multilateriais nas propostas mais obscurantistas e
reacionárias, mas também porque diariamente faz
declarações bizarras e escatológicas que, apesar de
ridículas, cumprem papel fundamental na luta política e
ideológica em nosso país. De um lado, essas posturas servem de
cortina de fumaça, pautando os meios de comunicação
diariamente e afastando para um segundo plano a entrega das riquezas nacionais
ao capital privado nacional e internacional e o ataque aos direitos sociais e
às liberdades democráticas. Por outro, com essas bizarrices,
Bolsonaro busca desqualificar as instituições, os movimentos
sociais, as entidades de direitos humanos, as organizações dos
trabalhadores e da juventude, além de manter unidos seus apoiadores mais
radicais, uma vez que vem perdendo apoio em vastos setores da
população que acreditaram nas promessas de quem se apresentou
como um candidato antissistema, que acabaria com a corrupção e a
política do toma lá, dá cá.
Por tudo isso, Bolsonaro é hoje o inimigo número um do Brasil. E
deve ser derrotado, junto com o vice e seus aliados, a partir das grandes
mobilizações populares que certamente virão quando os
trabalhadores e a juventude compreenderem a profundidade dos ataques a seus
direitos.
É surpreendente que, nesta conjuntura, vários setores da esquerda
e centrais sindicais estão secundarizando as lutas de massas e
procurando resolver a grave crise em acordos às escondidas com o governo
ou pela via eleitoral, com a tática de acumular forças nas
eleições municipais, desgastar o governo e tentar ganhar as
eleições presidenciais em 2022. Esquecem esses setores que, se
esperarmos até 2022, avançará a política de
destruição de direitos e desmonte do Estado, da
educação pública, das empresas estatais e da
biodiversidade e a ofensiva contra os direitos e garantias dos trabalhadores, a
criminalização dos movimentos sociais e o assassinato de jovens
pretos e pobres nas favelas e periferias. O prejuízo terá sido
tão grande que levaremos décadas para reconstruir o país.
Não se trata aqui de não participar do processo eleitoral: pelo
contrário, essa é uma frente de luta muito importante e deveremos
todos disputá-la com firmeza para ampliar as
representações no parlamento. Mas não é
admissível abandonar a luta nas ruas, nos locais de trabalho e moradia e
apostar todas as fichas somente na luta institucional, que é o terreno
privilegiado do inimigo. Quanto mais forte for a luta popular, mais
condições teremos todos de obter vitórias no terreno
eleitoral e não o contrário.
O PCB e seus coletivos de luta continuarão privilegiando a luta de
massas como instrumento prioritário para reorganizar nossa classe,
derrotar esse governo e construir uma nova sociedade. A catástrofe nos
ameaça: para conjura-la é necessário que o povo
trabalhador esteja nas ruas. Nenhum minuto de trégua para esse governo!
É fundamental buscar a unidade dialética entre a luta de massas,
a luta pelas liberdades democráticas e direitos dos trabalhadores e da
juventude e a luta eleitoral. Em algum momento não muito distante da
conjuntura a classe trabalhadora deverá se dar conta da profundidade da
destruição de seus direitos e se colocará em movimento
para derrotar esse governo aventureiro e obscurantista. Temos reservas
suficientes para organizar a resistência, mudar a
correlação de forças e iniciar a contraofensiva a partir
da luta popular. Já enfrentamos no passado, como no período da
ditadura, situações muito mais difíceis do que as de hoje
e vencemos. Portanto, a hora da organização e da
mobilização é agora.
É necessário ampliar o trabalho de base nos bairros e nos locais
de trabalho e de estudo, aumentar o grau de mobilização nas ruas
e trabalhar pela unidade de ação com todos os setores
interessados na derrota desse governo e na reconstrução do
Brasil, por meio de uma plataforma de lutas anticapitalista e
anti-imperialista, que contribua para a construção do Poder
Popular, no rumo do Socialismo.
No próximo dia 07 de setembro iremos às ruas das principais
cidades do Brasil para realizar um grande protesto popular contra o Governo
Bolsonaro/Mourão e seus aliados, em defesa dos nossos direitos e das
liberdades democráticas!
Comissão Política Nacional do Partido Comunista Brasileiro.
25/Agosto/2019
Ver também:
O discurso da esquerda e seus obstáculos
O original encontra-se em
pcb.org.br/...
Esta nota política encontra-se em
http://resistir.info/
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