Após o previsível colapso do dólar americano
Novos rumos econômicos
por Ciro de Oliveira Machado e
Emmanuel Gama de Almeida
[*]
A Depressão Máxima
Estudo recente do IPEA, vinculado ao Ministério do Planejamento, chamado
Agenda para o crescimento econômico e a redução da pobreza,
informa que o Brasil só conseguirá crescer a taxas de 5% ao ano
em 2017. Entretanto, outro estudo do
"New Economics Foundation"
com base na Grã Bretanha, nos informa que no atual ritmo de crescimento
e distribuição de renda, o Brasil vai levar 304 anos para atingir
o mesmo nível de distribuição de renda dos países
ricos
[1]
.
Na opinião da
NEP-2000 "Nova Economia Política"
(
www.nep2000.ecn.br
), tais declarações raciocinam de modo linear: projetam o futuro
partindo do pressuposto de que o presente será sempre reproduzido sem
modificações. Entretanto, a partir deste novo conhecimento,
pressupomos que poderá haver mudanças muito significativas no
percurso entre o presente e o futuro...
Em primeiro lugar
, a análise tanto da Economia Brasileira como a de qualquer País
do mundo, não pode ser desvinculada da análise da Economia
Globalizada Dolarizada, sob o controle da liderança política e
financeira dos Estados Unidos. Enquanto tivermos o dólar como moeda
internacional (mesmo estando atualmente perdendo valor frente às
principais moedas do mundo, entre as quais o Euro e o Yen), o mundo não
se desvencilhará dos efeitos da depressão que se aproxima. Esta
Depressão, que chamamos de Máxima, irá trazer para as
economias internacionais índices de desemprego, violência,
doenças e fome, num grau hoje impensado no mundo.
Será a partir de novos paradigmas internacionais que o nosso País
e o mundo poderão se desenvolver de modo pleno.
Isto, se cada país contar com competentes governantes comprometidos em
tornar seus países em nações soberanas, prósperas e
independentes
.
Nossos estudos acabam de completar vinte e um anos. Desde a
publicação de nosso primeiro livro em 1985,
"Produção de Mercadorias por Meio de um Estoque e de um
Fluxo de Mercadorias"
[2]
, até nosso sítio, atualizado periodicamente, que falamos da
presença desequilibradora do dólar no contexto mundial.
Os norte-americanos têm o dólar como moeda nacional e
também internacional, estando aí, na análise do
dólar internacional, a chave para entendermos os motivos pelos quais a
civilização norte-americana está prestes a sofrer grandes
perturbações com sérias conseqüências
internacionais,
como previsto há mais de duas décadas pela "Nova Economia
Política".
Hoje já contamos com analistas cujas opiniões sobre a queda do
dólar são idênticas às nossas, cujos artigos
estão reunidos em grande parte no site http://www.resistir.info
, com os títulos:
"Fase de impacto da crise sistémica global: Os seis aspectos da "Muito grande depressão americana" de 2007
GEAB (19/jan/2007),
"Uma louca fuga para a frente. O declínio do dólar... e dos Estados Unidos"
Jorge Beinstein (18/jan/2007),
"Os Estados Unidos estão insolventes"
Chris Martenson (10/jan/2007),
"A construção do império económico: a centralidade da corrupção"
James Petras (04/jan/2007),
"A estratégia mediática estadunidense 1945-2005"
René Naba (14/dez/2006),
"A tentativa pífia do imperialismo americano de imitar a História de Roma"
Jorge Almeida (21/dez/2006),
"As vacas leiteiras das dívidas pessoais. A indústria do cartão de crédito e o capitalismo predatório"
Charles Sullivan (14/dez/2006),
"O sistema do dólar e a realidade económica dos EUA no pós guerra"
F. William Engdahl (set/2003),
"O banco central dos EUA: o templo e os seus segredos sujos"
Stephen Lendman (02/dez/2006),
"Será que o colapso económico dos EUA acontecerá em 2005?"
F. Willian Engdahl (26/jul/2004),
"O dólar e a hegemonia dos Estados Unidos"
James Galbraith (31/jan/2005),
"Uma ameaça pior que o terrorismo"
Paul Craig Roberts (21/mar/2005),
"O imperialismo estadunidense está em crise?"
Gerard Duménil e Dominique Lévy (13/ago/2005),
"Economist: A economia do mundo inteiro está em perigo"
Eduardo Lorien (12/ago/2005),
"A crescente vulnerabilidade dos EUA"
Umberto Martins (14/jan/2004),
"O dilema do prisioneiro. A hipótese de Bretton Woods II"
Alejandro Nadal (24/fev/2005),
"Novembro/2006: princípio da fase de impacto da crise sistêmica global"
LEAP (16/out/2006),
"Ajustamento súbito desregulado", novo eufemismo para colapso. Quão próximos estaremos dele?"
Margaret Legum (20/jul/2006),
"O rei vai nu. A ascensão vertiginosa da dívida externa dos EUA e o declínio do dólar americano"
Andre Gunder Frank (17/jan/2005),
"Um império com pés de barro"
Milt Neidengerg (18/mar/2006),
"Um grande especialista revela segredos dos centros bancários offshore"
Michael Hudson (30/mai/2004),
"Os donos do Planeta: corporações 2005"
Silvia Ribeiro (02/jan/2006),
"O fim da hegemonia do dólar"
Ron Paul (15/fev/2006),
"A supremacia do capital financeiro: lucros record e ascensão do autoritarismo"
James Petras (13/dez/2006).
Em todos esses artigos vemos que a iminente queda do dólar irá
inicialmente fazer com que cessem as transações internacionais,
afetando todos os países do globo. O retorno dos dólares
espalhados pelo mundo provocará uma inflação que
abalará os Estados Unidos. Não estaremos livres do terror nuclear.
Deixarão de existir muitas instituições financeiras tais
como bancos e bolsas, pois falirão. Haverá um grande desemprego,
muitas vezes superior ao desemprego de 25% de 1929...
O Brasil, também, é evidente, sofrerá os efeitos dessa
"depressão máxima", pois, com o colapso do mercado
internacional, todo o setor exportador que hoje tem aparentemente permitido o
crescimento industrial deste país, deixará de produzir, gerando
níveis recordes de desemprego e, como conseqüência, o
inevitável e dramático aumento da violência, da pobreza, da
injustiça social e tantas outras mazelas que ainda hoje não foram
resolvidas...
Sentimos que haverá o caos, mas um caos que poderá ser em breve
neutralizado.
O Equilíbrio Econômico
Propomos para a resolução desse problema crucial da humanidade o
Equilíbrio Econômico.
Talvez as idéias do Equilíbrio Econômico hoje
pareçam uma utopia. Entretanto, é uma utopia aparente porque,
para livrar-nos da situação verdadeiramente caótica em que
nós e o mundo vivemos e vamos viver, a solução só
poderá parecer, para alguns, uma utopia....
De que outra maneira
iremos reconstruir
um mundo economicamente despedaçado (falamos em
reconstrução
, pois a situação caótica a que os homens levaram o mundo
não tem retorno, senão após a Depressão
Máxima) para que este nunca mais trilhe o caminho que o leve novamente
ao caos?
Filosoficamente são três as condições
econômicas para que o mundo viva o Equilíbrio Econômico e
obtenha crescimento máximo, ausência de desemprego, uma correta
distribuição de rendas e uma tendência à baixa do
grau de monopolização da economia provocando aumentos reais nos
salários reais e nas rendas
[3]
do sistema
Condições econômicas para atingir o equilíbrio
econômico
Atingimos o
equilíbrio econômico
através de:
-
um
equilíbrio monetário interno e externo, ou seja: internamente,
que este país tenha em circulação a quantidade de
"moeda neutra" necessária e suficiente para sua
produção até que a mesma seja efetivamente recebida, e,
mais ainda, que haja programações prévias para um aumento
automático dessa quantidade de moeda neutra, em função da
demanda do mercado, que induzirá o crescimento e desenvolvimento
apresentado por cada empresa desse país
[4]
; e,
externamente,
que este país tenha "moeda internacional neutra"
[5]
necessária para suas importações em função
de suas exportações, e, mais ainda, que haja, também em
função da demanda do mercado, programações
prévias para um aumento automático dessa quantidade de moeda
internacional neutra em função do aumento dessas
exportações
[6]
,
[7]
.
-
um
equilíbrio fiscal,
ou seja, as contas do Governo - incluindo aí todas as contas direta ou
indiretamente pagas pelo Governo, tais como despesas federais, estaduais,
municipais, das autarquias, de fundações, subsídios,
eventuais déficits das empresas estatais, eventuais déficits dos
bancos (governamentais ou mesmo privados) ligados ao Governo
deverão,
necessariamente,
ser iguais às receitas governamentais; e
-
um
equilíbrio externo,
ou seja, na igualdade das transações internacionais de
importação e exportação de bens e serviços
(inclusive moeda) de um determinado país.
O Equilíbrio Monetário
Analisemos em primeiro lugar o Equilíbrio Monetário, por ser ele
o menos citado na literatura atual, mas o mais importante de todos.
O que é a
moeda neutra,
do ponto de vista
substantivo
?
Moeda neutra é um direito sobre mercadorias, moeda é um capital
de giro.
Vamos dar um exemplo! Temos duas empresas com o mesmo faturamento de $1000
milhões, uma produtora de jornais (produção, venda e
recebimento diário) e outra de navios (produção, venda e
recebimento em um ano). Evidentemente a empresa produtora de navios terá
um capital de giro (ou seja, uma quantidade de
moeda neutra
para a compra de bens intermediários, pagamento de salários e
outras despesas sociais) de $1000 milhões, 365 vezes maior do que a
empresa produtora de jornais que tem um capital de giro de $1000
milhões/365 (admitindo-se a inexistência de pagamentos
antecipados). Num determinado período de tempo, normalmente um ano,
somando-se a divisão do faturamento das diversas empresas por f,
freqüência de recebimentos, chegaremos à quantidade total de
moeda neutra ou capital de giro do qual será dotado o país
[8]
. Supondo que ambas as empresas tenham um crescimento de 5% no próximo
ano, a empresa produtora de navios receberá do Banco Central um
acréscimo de $1000 milhões x 5% ($50 milhões) em seu
capital de giro, enquanto que a produtora de jornais receberá um
acréscimo de $1000 milhões / 365 x 5% ($136.986,30)
Emitida por um Banco Central, distribuída por Bancos do Sistema, esta
moeda neutra deverá chegar às empresas não como
empréstimo, mas sim como
concessão,
enquanto as empresas mantiverem o seu faturamento atual. O Banco Central
cobrará uma
''primeira taxa''
quando a quantidade de moeda neutra demandada por todas as empresas
ultrapassar a produção relativa ao pleno emprego de homens e
máquinas (também para efeito de manutenção do
equilíbrio econômico, uma vez que a emissão de moeda para
uma produção acima do pleno emprego irá apenas gerar
inflação).
Haverá
equilíbrio monetário
quando houver uma quantidade de moeda neutra
necessária e suficiente
para adquirir todas as mercadorias postas no mercado, quer sejam adquiridas
pelo possuidor original da moeda, quer sejam adquiridas por um dos tomadores
desta mesma moeda neutra,
pagando os juros de equilíbrio,
fixados pelo Banco Central.
E o que são
juros de equilíbrio
?
Juros de equilíbrio
são os juros máximos a serem cobrados, não maiores do que
a taxa de rendimento sobre o capital da empresa menos rentável do
sistema e que esteja ainda realizando seus investimentos produtivos. Isso
porque se os juros fossem maiores, haveria empresas que não tomariam
emprestado para a complementação da moeda necessária aos
seus investimentos, gerando, em princípio, estoques invendáveis
e, posteriormente, desemprego.
Mas se os juros de equilíbrio forem realmente mínimos, a ponto de
desinteressar uma eventual empresa emprestadora? Ela faria uma
retenção especulativa de moeda,
da forma descrita por Keynes, cujo efeito seria anulado por compras
governamentais, gerando débito do Governo, desfazendo desta forma o
equilíbrio fiscal e monetário
?
Não. Para manter o
equilíbrio monetário,
uma eventual empresa emprestadora
chegaria necessariamente à conclusão
de que valeria a pena aumentar sua própria produção,
mesmo com um excedente (excesso sobre o custo) médio menor, ou seja,
diminuindo o seu grau de monopólio, do que emprestar ao
juros de equilíbrio,
quando então seu rendimento total seria menor... Se houver
equilíbrio monetário,
ou seja, uma quantidade de moeda necessária e suficiente para adquirir
todas as mercadorias postas no mercado, o sistema como um todo investiria na
produção das mercadorias com os mais altos excedentes (que
são os produtos mais requisitados); baixando essas mesmas taxas, levando
pouco a pouco a economia ao equilíbrio político econômico
estável, com taxas de excedente idênticas entre as diversas
empresas do sistema. Isto seria feito
''inteligentemente'',
de forma a maximizar os resultados de todas as empresas!
Estaríamos diante de um sistema com
crescimento econômico
e com
equilíbrio monetário.
E diante também de uma moderna
moeda,
que é neutra porque não interfere com os preços das
mercadorias; é sem custo, pois pode ser emitida pelo Banco Central sem
nenhum lastro de mercadorias, mas que teria atrás de si um lastro maior,
pois representa a totalidade de mercadorias produzidas pelo sistema.
Mais produção,
significaria sempre
mais moeda.
Eis aí novamente a conclusão, um pouco mais elaborada, de toda a
Economia Clássica!
Do ponto de vista da moeda internacional, que chamamos de
bankor,
em homenagem a Keynes, o Banco Central Mundial fornecerá aos
países participantes do comércio internacional um capital de giro
proporcional às suas exportações para este país
faça suas importações.
Esta proporcionalidade será equivalente às suas
exportações anuais dividida pelas freqüências de seus
recebimentos internacionais. O esquema de câmbio das moedas neutras
nacionais e o bankor se encontram em nossos escritos
[9]
.
As moedas não neutras atuais
O imperialismo oligopolista conta com uma permissividade desequilibradora, em
que a oferta de moeda é sempre maior do que a demanda, com o
espúrio sistema bancário financiando a parte da demanda acima do
rendimento dos consumidores.
A
moeda desequilibrada atual
é criada a partir de pressupostos absolutamente divergentes daqueles
utilizados para criar a moeda neutra.
Assim, suponhamos que as empresas multinacionais oligopolistas controladoras
dos bancos tenham uma oferta original de $20 x 10
12
e os consumidores $20 x 10
12
para demandar esta oferta, deixando para as empresas um lucro normal de $1 x 10
12
.
As empresas multinacionais oligopolistas que controlam os bancos querem,
porém lucrar mais do que a lucratividade que teriam se a oferta fosse
igual à demanda e resolvem aumentar seus preços para $22 x 10
12
[10]
, com os bancos controlados, multiplicadores de moeda, financiando os $2 x 10
12
para os consumidores e entregando de mão beijada os $2 x 10
12
para estas empresas.
Assim, as empresas multinacionais oligopolistas controladoras dos bancos,
têm $3 x 10
12
de lucro: $1 x 10
12
de lucros normais e $2 x 10
12
de lucros puramente financeiros recebidos dos bancos.
O sistema tem prosseguimento com os bancos recebendo as
prestações dos consumidores, num processo sem fim, que põe
em risco a própria integridade financeira dos bancos, se forem chamados
a honrar seus compromissos junto aos seus depositantes. Evidentemente as
garantias dadas pelos tomadores desses empréstimos não são
reais, devido à irrealidade inerente à própria
operação. (Que tal perguntar para uma indústria
automobilística o que seria de suas vendas caso os bancos deixassem de
emprestar dinheiro ao prazo de 60 meses, com juros irrisórios? E
às empresas imobiliárias, se os bancos deixassem de emprestar ao
prazo de 40 anos, com juros igualmente irrisórios?).
Tal processo vem sendo seguido desde a década de 60. Temos, por todo o
mundo, os consumidores endividados ao extremo e os bancos cada vez mais a beira
da bancarrota. Esta é a origem das invenções
monetárias surgidas nas últimas décadas: hot Money,
mercados futuros e de derivativos, controle sobre as bolsas de valores etc.,
analisadas em pormenores em nosso livro "A Nova Economia
Política".
Este esquema traz ao sistema mundial o desemprego: na ânsia pelos
lucros, os bancos controlados atendem aos interesses financeiros, de
investimento e de capital de giro das empresas controladoras oligopolistas,
deixando para segundo plano as necessidades de capital de giro e outras
demandas de moeda das demais empresas.
Desemprego causa desemprego,
pois o investimento diminui ou torna-se negativo e tal tipicidade é
sinônimo da fome, doenças, violência, enfim, de todos os
males de que sofre a nossa humanidade.
O esquema proposto pela NEP-2000 visa criar um processo de riqueza crescente,
sem causar inflação. Riqueza essa que virá do trabalho
produtivo do povo e não mais da necessidade vital de obtermos, a
qualquer custo, mais e mais dólares.
O Equilíbrio Fiscal
Analisemos agora o equilíbrio fiscal.
O Poder Executivo do Governo deve atuar (com base nas reais necessidades e no
desenvolvimento do país) nas áreas da Administração
do país (infra-estrutura dos meios de transporte, energia etc), na
Educação, na Saúde, na Previdência Social, na
Assistência Social, deixando para as empresas todas as outras atividades
que possam ser privatizadas.
Os impostos a serem cobrados serão seletivos, ou seja, levarão em
consideração quem demanda as mercadorias: porcentagens menores
para produtos básicos adquiridos pelos trabalhadores do sistema,
porcentagens maiores para produtos não básicos.
Se as despesas forem maiores do que as receitas, o Governo terá duas
alternativas: a emissão de moeda não neutra, que traz
inflação e empréstimos junto ao público, que
traz desemprego e diminuições no investimento do setor
privado. Ambas as alternativas são contrárias ao
Equilíbrio Econômico.
A NEP-2000 não é contraria a eventuais empréstimos ao
Governo saldados em curto prazo. O Equilíbrio Econômico só
é rompido se o Governo passar a fechar as suas contas pela prática
costumeira destes empréstimos, pagando um juro superior ao juro de
equilíbrio.
No caso extremo de Desequilíbrio Econômico, caso o Governo
ofereça juro bem maior do que a taxa presente nas aberturas de capitais,
abarcando toda a poupança do sistema, o investimento seria zero.
Esta situação transformaria as empresas mais rentáveis do
sistema em autênticos oligopólios, com todas as
implicações deste tipo de mercado, uma vez que não
existiriam mais investimentos novos concorrenciais.
Seria altamente provável que as empresas mais rentáveis do
sistema pudessem fazer seus investimentos oligopolizadores emprestando de um
banco governamental, como o
BNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social,
a juros bem menores do que o recebido para seus empréstimos ao
Governo...
O Governo deve fazer um orçamento factível e democrático
de suas receitas e despesas e não permitir a ocorrência de
déficits.
Equilíbrio Externo
Vamos ao terceiro ponto, o equilíbrio nas contas externas, em que as
exportações de mercadorias e valores são (ou devem ser, no
curto prazo) iguais às importações de mercadorias e
valores.
Suponhamos um país em pleno Equilíbrio Econômico, em que as
exportações de mercadorias e valores são (ou devem ser, no
curto prazo) iguais às importações de mercadorias e
valores.
A contabilidade externa deste país em equilíbrio no
comércio exterior compõe-se das seguintes contas:
1- Déficit ou superávit acumulado do Governo, e
2- Déficit ou superávit acumulado das empresas e pessoas
físicas;
3- Déficit ou superávit no curto prazo do Governo, e
4- Déficit ou superávit no curto prazo das empresas e pessoas
físicas
Se um país tendendo ao equilíbrio econômico em seu
comércio exterior:
-
tem déficits a curto ou longo prazo: o pagamento deve ser feito com
superávits a curto prazo das empresas e pessoas físicas, como
forma de equilibrar os preços inflacionados pelo câmbio que se
valoriza;
-
tem superávits a curto ou longo prazo: o pagamento deve ser feito com
déficits a curto prazo das empresas e pessoas físicas, como forma
de equilibrar os preços deflacionados pelo câmbio que se
desvaloriza.
Em resumo:
-
se algum país tiver internamente menos mercadorias e mais moeda
(fornecidas pelo Banco Central em câmbio por suas
exportações e maiores do que a Moeda Neutra de Desenvolvimento)
teremos a inflação no Sistema;
-
se algum país tiver internamente mais mercadorias e menos moeda
(fornecidas ao Banco Central em câmbio por suas importações
e menores do que a Moeda Neutra de Desenvolvimento) teremos a
deflação no Sistema.
E inflação e deflação são contrárias
ao Equilíbrio Econômico.
As três condições fundamentais que levam ao
Equilíbrio Econômico devem ser respeitadas e implementadas;
senão ocorrem distorções na economia, que levam ao
desemprego de homens e máquinas, à taxas de crescimento limitadas
ou negativas, distribuição não eqüitativa de
salários e rendas, à monopolização ou
oligopolização da economia com todas as decorrências
advindas, à inflação ou deflação e à
lucros proporcionais ao grau de monopólio da empresa.
29/Janeiro/2007
1- BBC Brasil, 23 de janeiro de 2006.
2- OM Editora Ltda., Volume II, São Paulo, 1995
3- Todas as rendas e fundos salariais serão apenas as
remunerações pelo trabalho desenvolvido na
fabricação dos bens e serviços úteis.
4- Evidentemente deve haver um seguro para essas emissões, o que
está esclarecido em todos os nossos textos sobre a matéria.
5- Moeda internacional neutra e não moedas nacionais com foros de moeda
internacional...
6- O próprio ato de emitir a moeda neutra nacional e internacional
será o necessário e o suficiente para o desenvolvimento do
sistema.
7- Está aí, no
desequilíbrio monetário,
a principal razão política para entendermos o terrível
panorama mundial atual...
8- Em
''A Nova Economia Política''
são considerados detalhes adicionais para o cálculo da moeda
total, aqui não considerados.
9- "A Nova Economia Política", Ciro de Oliveira Machado, OM
Editora, 2003, pg. 129, 3.2.2- O valor numérico assumido pelas taxas de
câmbio.
10- "As vacas leiteiras das dívidas pessoais. A indústria do
cartão de crédito e o capitalismo predatório"
Charles Sullivan (14/dez/2006),
http://www.resistir.info
11- Todo o câmbio deve ser efetuado pelo Banco Central, de forma que as
empresas não acumulem
bankors.
Nota: Este artigo foi escrito especialmente para
resistir.info
. Além da ortografia foi mantida também a terminologia
do original brasileiro, que por vezes não coincide com a portuguesa ("renda" no
Brasil corresponde a "rendimento" em Portugal, "capital de giro" a "fundo de
maneio", etc).
[*]
Investigadores brasileiros inspirados na obra do neo-ricardiano
Piero Sraffa
. O sítio web,
A nova economia política do III milénio
, apresenta os resultados das suas investigações.
Ciro de Oliveira Machado é engenheiro
honoris causae
pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (2005), licenciado em
Ciências Económicas
pela Universidade de S. Paulo (1977) e mestrado pelo Instituto de Pesquisas
Económicas (1980-81).
Emmanuel Gama de Almeida é oficial superior reformado da Marinha
brasileira e engenheiro hidrógrafo com especialização em
oceanografia e sensoreamento remoto.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.
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