Cântico de Zacarias
por César Príncipe
Bendigamos
As bobinas de papel higiénico. Restarão para a posteridade como
metáfora do açambarcamento-confinamento no brotar da Pandemia-19.
As populações urbanas interiorizaram que o desfecho seria
dirimido entre Sanitas & ETAR`S. As populações rurais sempre
dispuseram de uma folha de couve nas hortas de subsistência.
Haverá que apurar a fonte do pânico e quais os interesses ocultos
das corporações ou se apenas emergiu no contexto de um rumor
relacionado com o
inimigo invisível
(embora o mundo esteja prenhe de agentes excre(mentais) tão ou mais
tenebrosos que ele, o mundo, o que não enxerga Trumps & Bolsonaros). Uma
interrogação decorre desta corrida consumista. Ao que parece,
perdida a Fé nos Homens, em vez de fazer cumprir o disposto no Novo
Testamento, o Criador envenenou os criados com as próprias fezes. O
Apocalipse acaba de ser reescrito em Rolos W.C. por João de Patmos. O
apóstolo catastrofista.
Bendigamos
A Clausura da Salvação Nacional. O Estado voltou a desempenhar a
função de tratador de pandemias & salvador de economias &
estabilizador de psicologias. Para tal, accionou as sinetas das comunidades
monásticas, fazendo recolher as ovelhas aos apriscos. Aplanada a curva,
estão a espaçar os toques das cercas, quarentenas, clausuras e
das campainhas dos gafados. Enaltecido seja o Estado, diabolizado pelos Donos
Disto Tudo e pela chamada classe média ou remediada, mais uma vez
abruptamente proletarizada, apostada em escapar entre as gotículas
infeciosas e insidiosas. Já se vê: o povo é quem menos
ordena.
Bendigamos
As Irmãs Descalças do Correio da Manhã & do Jornal de
Notícias. Sem elas, as eternas esquecidas, as madrinhas de guerra do
Covid-10, agravar-se-ia o DUCI/Défice de Unidades de Cuidados
Intensivos. As Irmãs da Consolação são credoras de
palmas e ramos de flores. Constituem a última reserva moral do
patronato: mantiveram os postos de trabalho no Estado de Emergência e no
Estado de Calamidade e nenhuma recorreu ao
Lay-Off.
Elas, as Irmãs, não desertaram nas horas que reclamavam
espírito de missão, entrega,
endurance,
resiliência, patriotismo. Elas são dignas de um
Ministério da Segurança Sexual.
Bendigamos
O sexo feminino em geral. Ao contrário dos holandeses que nos moveram
guerra para saquear as Terras de Santa Cruz (1595-1663) e ainda hoje se admiram
por tanto apreciarmos mulheres multicolor e copos de boa cepa enquanto eles
(frugais e repugnantes) se deleitam com tetas de vaca turina e emborcam cerveja
de
hooligans.
Bárbaros do Norte. Que mais dizer?
Bendigamos
O Novo Banco & o Pingo Doce & o Continente. Símbolos da sociedade da
abundância. No desenlace viral, prontamente acudiram às
necessidades derivadas da peste e desveladamente têm disponibilizado
máscaras, luvas e gel. E além dos equipamentos de
protecção individual, asseguram com mão firme e
pródiga o abastecimento alimentar de 10 milhões de gentios e dos
vindouros 20 milhões de forasteiros, contribuindo para a Pax da
República, que sabiamente gere as filas da fome e do desemprego e dos
recibos verdes e da mão-de-obra nepalesa. No entanto, o optimismo
(desconfiado e desconfinado) está de volta: as praias estão
animadíssimas e contam com as
selfies
do Presidente de Todos os Veraneantes e Fátima reabre a
Tenda dos Milagres
e Cascais promove missas campais para as Tias da Linha e até as Feiras
de Espinho e de Ponte de Lima recuperam o bulício e o regateio e os
ciganos do Chega e a Empresa-Bandeira Autoeuropa já pode reconvocar os
6.000 trabalhadores e os passageiros já podem viajar à pinha nos
aviões da TAP e demais companhias mais ou menos insolventes e até
já se admite a Multitudinária Noitada Sanjoanina Portuense & etc.
etc. etc.
Quase tudo no
Novo Normal.
Tudo. Tudo. Tudo. Tudo. Tudo. Tudo. Tudo.
Que pena a
Festa do Avante!
ter sido proibida pela Inquisição Multimédia.
Nem sequer tiveram pa(ciência) ou escrúpulo para esperar uns
três meses.
Fujam! Fujam! Um tsunami coronário varrerá o Planeta a partir da
Atalaia!
Fujam! Fujam do 25 de Abril & do 1º de Maio & do 4 & 5 & 6 de Setembro!
Benedictus ou Cântico de Zacarias. Prece de agradecimento do profeta pelo
nascimento de João Baptista, seu filho.
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