por Michel Chossudovsky
Numa decisão em tempo hábil, o Azerbaijão garantiu
recentemente (meados de Março) à NATO a permissão para
utilizar duas das suas bases militares e um aeroporto para "apoiar
operações de manutenção da paz no
Afeganistão" incluindo apoio ao "abastecimento da NATO com
destino ao Afeganistão". O enviado especial da NATO, Robert
Simmons, insiste em que o acordo nada tem a ver com os planos americanos para
desencadear bombardeamentos aéreos sobre o Irão.
Fontes nos media de Baku disseram que o acordo neste momento está
relacionado directamente com os planos de guerra em andamento dos
EUA-Israel-NATO. O seu calendário coincide com
deslocações navais americanas e jogos de guerra no Golfo
Pérsico.
O aeroporto e as duas bases militares deverão ser "modernizadas
para cumprirem os padrões NATO". Washington confirmou a este
respeito que "apoiará a modernização de um aeroporto
militar
no quadro do Individual Partnership Action Plan (IPAP) assinado entre o
Azerbaijão e a NATO.
Enquanto isso, o ministro da Defesa do Azerbaijão divulgou uma
declaração que afirma: "O território do
Azerbaijão não estará à disposição de
qualquer país para actos hostis contra vizinhos [Irão]"
(Ver Mardom Salari (Farsi), tradução BBC, 05/Abril/2007).
Este anúncio do ministro azeri da Defesa foi a resposta imediata a uma
declaração do sub-secretário de Estado dos EUA, Matthew
Bryza, numa conferência de imprensa na Geórgia (30/Março)
no sentido de que
"Os Estados Unidos esperam permissão para utilizar campos de
aviação no Azerbaijão para finalidades
militares"
(ênfase acrescentada).
"Muitos aviões sobrevoam a Geórgia e o Azerbaijão a
caminho do Afeganistão. Se fosse necessário,
gostaríamos de poder utilizar um campo de aviação no
Azerbaijão", disse o diplomata americano em resposta a uma pergunta
referente à modernização de um campo de pouso no
Azerbaijão com a ajuda dos americanos (
Nezavisimaya Gazeta,
02/Abril/2007)
Segundo o cientista político azerbaijanense Zardusht Alizade, o acordo
military NATO/EUA com o governo de Baku está ligado a vários
campos de aviação azeris, os quais poderiam ser utilizados para
receber e atender aviões dos EUA/NATO.
"Baku também pode ajudar os Estados Unidos com dados sobre
mísseis balísticos de defesa
Além disso, as
palavras das autoridades azerbaijanenses nem sempre correspondem às suas
acções, e a declaração do ministro da Defesa pode
ser qualquer coisa excepto a última palavra sobre o assunto. "Se a
administração americana apela a Aliyev e este reunir a coragem
para rejeitar o pedido, tanto melhor para ele", diz Alizade. "Eu
realmente não penso que ele desejará irritar Washington".
Segundo aquele cientista político, as consequências deste passo
podem ser horrendas. Teerão já proclamou sua prontidão
para atacar objectivos estratégicos próximos que sejam
importantes para os Estados Unidos.
"As capacidades iranianas não devem ser subestimadas. Uma
única divisão das suas forças armadas pode ocupar todo o
Azerbaijão sem pensar duas vezes.
Eu só espero que isto seja alguma espécie de jogo
político e que os Estados Unidos não pretendam realmente atacar o
Irão", disse Alizade (
Nezavisimaya Gazeta,
02/Abril/2007)
(ênfase acrescentada)
A estratégica fronteira marítima do Mar Cáspio com o
Irão
O Azerbaijão também é estratégico tendo em vista a
sua fronteira marítima com o Irão no Mar Cáspio. A este
respeito, a U.S. Navy está envolvida no apoio à Marinha Azeri, na
área de treino. Também há um acordo para proporcionar
apoio americano ao reequipamento de navios de guerra azeri no Mar Cáspio.
A Caspian Guard Initiative patrocinada pelos EUA foi lançada em 2003
para "coordenar actividades no Azerbaijão e Casaquistão com
aquelas do U.S. Central Command e de outras agências governamentais
americanas para aumentar a segurança no Cáspio". A
iniciativa foi executada sob a cobertura de "impedir tráfico de
narcóticos e contra-terrorismo. Seu objectivo último,
entretanto, é proporcionar à USCENTCOM um corredor naval
estratégico na bacia do Mar Cáspio.
Os EUA também participaram em exercícios navais conjuntos com a
641ª Unidade Especial de Guerra Naval do Exército Azeri, com sede
na Estação Naval Azeri junto a Baku.
Na generalidade, tanto os EUA como a NATO estão em processo de
aprofundamento da sua cooperação militar com o Azerbaijão.
Em desenvolvimentos recentes, consultas militares-políticas entre os
EUA e o Azerbaijão estão previstas para Washington na segunda
quinzena de Abril, segundo uma fonte da Embaixada do EUA em Baku (APA News,
04/Abril/2007).
"as consultas cobrirão questões sobre
cooperação estratégica, relações
Azerbaijão-NATO, a actividade mútua de ambos os países no
Iraque e no Afeganistão e algumas outras questões.[Irão]
(ibid)
O momento destas consultas é crucial. Elas coincidem cronologicamente
com um processo de planeamento militar avançado.
O Azerbaijão poderia ser o objecto de ataques retaliatórios por
parte do Irão, se as bases militares do país forem utilizadas
pelas forças NATO-EUA como uma plataforma de lançamento
na guerra ao Irão.
Fontes dos media de Baku sugeriram que bombardeamentos retaliatórios
pelo Irão poderiam incluir campos petrolíferos azeris e pipelines
de petróleo e gás. O pipeline estratégico Baku-Ceyhan,
que liga o Mar Cáspio ao Mediterrâneo Oriental, também
poderia ser um alvo. O pipeline Baku-Ceyhan é controlado por um
consórcio anglo-americano liderado pela British Petrolem (BP).
No princípio de Abril o Irão instalou tropas e equipamento
militar ao longo da fronteira com o Azerbaijão. Segundo um relato de 4
de Abril da agência azerbaijanense de notícias Turan:
"Peritos militares pensam que a instalação de tropas e
equipamento destina-se a finalidades defensivas. Isto significa que as tropas
estão a ser avançadas para repelir ataques
O começo
de uma guerra de informação [propaganda] é óbvio.
Um perito em inteligência contou à Turan que
publicações recentes nos media a dizer que o Irão
elaborara uma lista de instalações no Azerbaijão a
serem bombardeadas no caso de um ataque americano [ao Irão]
são um exemplo flagrante disto.
Muito provavelmente, os relatos foram preparados e passados para os mass
media pelos serviços secretos iranianos a fim de exercer pressão
psicológica sobre Baku. O objectivo é impedir Baku de apoiar
Washington num conflito militar com Teerão (Turan, 04/Abril/2007)
(ênfase acrescentada).
A "Frente Norte" do teatro de guerra do Irão
A forças navais americanas e de aliados estão concentradas no
Golfo Pérsico e no Mediterrâneo Oriental. O acordo de
Março da NATO/EUA com Baku, se bem que edificado sobre acordos
anteriores de cooperação militar, reforça especificamente
o que pode ser descrito como uma "Frente Norte" através da
qual bases militares azeris, incluindo campos de aviação e
instalações navais no Mar Cáspio, seriam utilizadas pela
NATO e forças americanas no caso de ataques americanos ao Irão.
Se isto ocorresse, vários países da Ásia Central poderiam
ser arrastados para o conflito, o que conduziria a um processo de escalada
militar. Esta poderia também estender-se a uma guerra terrestre na qual
o Irão alvejaria instalações americanas, britânicas
e da NATO no Iraque e no Afeganistão.
09/Abril/2007
© Copyright Michel Chossudovsky, Global Research, 2007
O original encontra-se em
globalresearch.ca/index.php?context=viewArticle&code=CHO20070409&articleId=5322
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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