Haverá no mundo suficientes combustíveis fósseis para fundamentar o cenário base do IPCC? [1]

por Jean Laherrère [*]

O IPCC publicou cinco relatórios de avaliação das alterações climáticas: AR1 [2] (1990), AR2 (1995), TAR [3] (2001), AR4 (2007), AR5 (2013). Em 2021 será a vez do AR6.

Os dois primeiros basearam-se nos cenários IS92 [4] e, os relatórios TAR e AR4 fundamentaram-se em quarenta cenários de energia SRES [5] , tendo, o AR5, sido baseado em quatro cenários RCP [6] (usando principalmente o SRES).

As emissões de CO2 provenientes das utilizações energéticas dos combustíveis fósseis são estimadas com base na conversão em GtCO2 tendo em conta a equivalência: 1 GtC=3,7 GtCO2. (NT: O IPCC estimou que entre o início da revolução industrial e 2011, 1890 GtCO2 tenham sido emitidos).

A IEA / WEO [7] (Perspetiva mundial de energia) regista a produção de combustíveis fósseis em Mtep = milhão de toneladas (métricas) de óleo equivalente.

As últimas perspectivas WEO para 2018 preveem para 2040, com as Novas Políticas, uma procura de energia primária de 17,7 Gtep, das quais 74% em combustíveis fósseis.

Sobre as unidades utilizadas

O IPCC está vinculado à ONU, onde, entre 193 membros, apenas três países (EUA, Libéria e Mianmar) não são obrigados por lei a usar o SI = sistema internacional de unidades (sistema métrico).

Mas, de fato, a gasolina é vendida ao litro em Mianmar e em galões nos EUA e na Libéria. Somente EUA e Libéria (4% da população mundial em 2019) não usam SI!

Fatores de conversão para unidades de energia
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O percurso dos EUA em relação ao SI passou por várias fases de avanço e recuo ( usma.org/a-chronology-of-the-metric-system) :

  • 1866 - O uso do sistema métrico (SI) foi legalizado nos Estados Unidos pela Lei Métrica de 1866 (Lei Pública 39-183). Esta lei tornou ilegal a recusa em negociar em unidades SI.
  • 1975 - A Lei de Conversão Métrica de 1975 (Lei Pública 94-168) foi aprovada pelo Congresso. A Metric Act estabeleceu o US Metric Board para coordenar e planear o uso crescente e a conversão voluntária no sistema métrico. No entanto, o Metric Act não tinha datas previstas para a sua implentação concreta.
  • 1982 - O presidente Ronald Reagan dissolveu o US Metric Board e cancelou seu financiamento. A responsabilidade pela coordenação das unidades métricas foi transferida para o Organismo de Programas Métricos do Departamento de Comércio.
  • 1988 - A Lei Omnibus de Comércio e Competitividade de 1988 (Lei Pública 100-418) alterou e fortaleceu a Lei de Conversão Métrica de 1975, designando o sistema métrico (SI) como o sistema de medição preferido e exigindo que cada agência federal a adote até o final do ano fiscal. 1992.
  • 1991 - O presidente George H. W. Bush assinou a Ordem Executiva 12770, Uso de Métricas nos Programas do Governo Federal, dirigida a todos os departamentos executivos e agências federais para implementar o uso do SI.
  • 1999 - Perda da sonda Mars Climate Orbiter porque a Lockheed forneceu dados de propulsão em unidades inglesas enquanto a NASA usava unidades métricas.
  • 2000 (30 de setembro) - O prazo para a utilização SI na construção de rodovias, incluindo todos os acordos, contratos e planos processados por estados para a construção de rodovias, desde que financiados pelo governo federal, foi cancelado por ação do Congresso, deixando a conversão em unidades métricas voluntária, mas ainda é recomendado cumprir a Lei Omnibus de Comércio e Competitividade de 1988.
  • 2007 (08 de janeiro) - A NASA decidiu usar unidades métricas para todas as operações na superfície lunar quando retornar à Lua.

Há alguns anos, perguntando-se ao dirigente da AIA [8] quando usariam o SI, respondeu: "quando o inferno congelar". O IPCC, tal como a AIE – Agência Internacional de Energia, usam o SI (por vezes de forma errónea).

Contudo, o mundo do petróleo é dominado pelos EUA que usam como referência o dólar (USD) e o barril [9] (bbl, 159 litros) e o preço do petróleo (WTI [10] = USD/bbl). Apesar de o barril não ser uma unidade oficial.

A definição de barril de 42 galões dos EUA foi feita pelos produtores de petróleo da Pensilvânia em 1866.

Não existe uma definição oficial nos EUA para o barril de petróleo de 42 galões, mas é o que se utilizou para transportar vinho no tempo do rei Ricardo III.

Neste artigo, não se usa o barril como unidade de medida uma vez que em 96% do mundo se usa metro cúbico e a tonelada.

Análise aos cenários

No artigo sobre emissões de CO2, "Updating fossil fuels production and CO2 emissions graphs", 18 de junho 2017, AspoFrance, fez-se uma atualização das emissões de CO2 baseada nas últimas previsões de combustíveis fósseis situadas em 1500 Gtoe, resultando em emissões no montante de 5000 GtCO2 aspofrance.files.wordpress.com/2017/07/updatingffgraphs.pdf

Nesse artigo concluiu-se que "A maioria do mundo está convencida de que os cenários do IPCC são previsões a partir de dados de energia, mas, não, são apenas narrativas imaginadas por economistas antes de 2000" e que "Uma maioria de pessoas no mundo acredita que a temperatura pode ser prevista usando modelos. Contudo, parece que num anterior exercício de modelação baseado em três cenários, realizado por J. Hansen em 1988, no horizonte 2015, se mostrou que estava errado. Ninguém pode provar que a modelação do IPCC está certa porque esses modelos não podem quantificar o efeito do principal dos GEE (Gases com efeito de estufa), que é o vapor de água"

No artigo de 2015 para a COP21, apresentado na Conferência Científica Internacional, realizada entre 7 e 10 de junho, em Paris, designado "Fossils Fuels Ultimate Recovery Appraisal, Clue to Climate Change Modelling", aspofrance.viabloga.com/files/BD_Fossils_Fuels_Ultimate_2015.pdf , mostrou-se que o melhor palpite para as emissões de combustíveis fósseis de 1870 a 2100 está abaixo da previsão do RCP 4,5 para esse período e aproximadamente 300 GtC acima do limite dos 2°C. Há uma grande incerteza nesses resultados. No entanto, o RCP 8,5 parece irrelevante e o RCP 6 improvável. A mesma conclusão foi alcançada por Mohr et al. 2015, Fuel, 141, 120-135.

A incerteza vem, principalmente, da avaliação final das utilizações do carvão e, em breve, o carvão será o principal responsável pelas emissões de CO2.

Portanto, o futuro do clima, de acordo com a modelação física do IPCC, estaria, sobretudo, nas mãos dos principais países consumidores de carvão.

A nova atualização de 2019 aumenta a previsão de utilização dos combustíveis fósseis de 1500 Gtep para 1600 Gtep, o que geraria 5000 GtCO2, o que é semelhante, pois a imprecisão dessas estimativas é superior a 10%. Essa estabilidade nas emissões de CO2 devida a combustíveis fósseis nos quatro anos é um bom sinal.

Já critiquei estes cenários de energia em 2001 na conferência da IIASA [11] , instituição onde os iniciais SRES foram projetados por N. Nakicenovic com recurso a uma equipe de economistas que desejaram a construção de narrativas prospetivas plausíveis (tal como descrição feita por Nakicenovic), no trabalho publicado sob o nome "Estimativas de reservas de petróleo" IIASA Workshop Internacional de Energia 19-21 de junho de 2001 Laxenburg. Ver links:
webarchive.iiasa.ac.at/Research/ECS/IEW2001/pdffiles/Papers/Laherrere-long.pdf
www.scribd.com/doc/55367641/10/Impact-on-climate-change-IPCC-scenarios
www-personal.umich.edu/~twod/oil-ns/articles/laherrere-long_iew2001.pdf
www.oilcrisis.com/laherrere/iiasa_reserves_long.pdf

Nesses artigos compararam-se os SRES para o petróleo e gás face aos de N. Nakicenovic.

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Mas, nos cenários de emissões do IPCC 2000 ( pure.iiasa.ac.at/id/eprint/6101/ ), página 134 do meu artigo de 1994 ("Figuras publicadas e reservas políticas" World Oil ), fornecendo um consumo máximo de petróleo de 1800 Gb, foi descrito por Nakicenovic como errado, porque muito pessimista. É verdade que eu era, naquele período, muito pessimista em relação ao petróleo e gás, mas isso devia-se a que tinha já a previsão do pico do petróleo que ocorreu em 2006, conforme declarado pela IEA / WEO 2010. Não há consenso sobre esta matéria. No entanto, as estimativas deles foram muitas vezes as minhas. Porém estavam mais errados que eu!

Na página 81, o IPCC 2000 considera as previsões da IEA inadequadas porque seriam de "muito curto prazo": ora a previsão da IEA WEO2000 para 2020 apontava para 36 GtCO2: o RCP8.5 para 2020 indica 45 GtCO2!

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O IPCC, contudo, apesar de sucessivos erros, não altera os cenários porque é necessário garantir a unanimidade quando, por exemplo, se trata de emitir os SPM (Summary for policymakers) que são os resumos com verdadeiro impacte político e social, e, portanto, mediático. Será por isso que os cenários antigos ainda são mantidos, quando deveriam ter já passado a seguir as previsões atualizadas da IEA.

Aliás, os cenários SRES foram descritos pelo seu próprio autor N. Nakicenovic como "narrativas" baseadas em "cenários lógicos". Não como verdadeiras previsões quantitativas, portanto.

Esses cenários de energia foram formulados por economistas, sem a preocupação de os verificar com especialistas em energia, já que o objetivo era alcançar a unanimidade "politicamente correta" no IPCC.

Mas, pior, é que essas narrativas (e, não, previsões) foram consideradas cenários com a mesma probabilidade na Stern Review: Economia das Mudanças Climáticas elaborada em 2006, o que significa que este relatório é completamente errado. Não se podem adicionar maçãs e laranjas para fazer uma torta de maçã! Por isso associei, em 2005, o IPCC ao conceito GIGO: Garbage In Garbage Out (ver Laherrère J.H. 2005 "As perspectivas de vida e de vida no mundo e na Europa" Club de Nice 17-19 de novembro www.hubbertpeak.com/laherrere/nice.pdf ).

Dado que o IPCC mantém os cenários errados, as recentes aproximações feitas continuam equivalentes a GIGO: no último relatório AR5, o RCP8.5 é considerado a linha de base mantendo todos os erros básicos!

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Como os cenários do IPCC não são probabilísticos, mas, sim, simples narrativas mais ou menos plausíveis, é impossível saber qual é o cenário mais provável!

Em 2006, aconselhei Jean Jouzel (membro do IPCC) na União Europeia de Geociência em Viena, que o IPCC deveria mudar os seus cenários: respondeu que é tarde demais para o AR4, mas que isso seria feito no AR5. O IPCC, de facto, mudou o nome dos cenários no AR5, mas não o conteúdo dos cenários em si! Aliás, adicionaram o RCP2.6, que é ainda mais irreal do que os outros. Somente o RCP4.5 está dentro das prováveis emissões futuras de CO2.

Os gráficos relativos ao período de 1900 a 2100 para as emissões de CO2 derivadas de combustíveis fósseis nos cenários do IPCC num máximo de 1600 Gtepdesses combustíveis mostra que a faixa do IPCC para 2100 permaneceu a mesma durante 30 anos, numa gama de 15 a 130 GtCO2 (exceto para o RCP2.6, que é negativo?).

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O objetivo da COP21, que apontou para 40 GtCO2 em 2030, é cumprido na nossa previsão, como correspondendo ao pico das emissões de CO2 derivadas da utilização energética dos combustíveis fósseis!

É óbvio que RCP8.4, o RCP6 e o RCP2.6 estão completamente fora da realidade previsível para a produção futura de combustíveis fósseis. Apenas o RCP 4.5 está alinhado com a produção mais provável no futuro. Mas, os cenários de RCP do IPCC são estendidos para o ano 2500 (Instituto M. Meinshausen Potsdam para pesquisa de impacto climático de 2011), em particular o RCP8.5. Esses RCPs são transformados em gráficos expressos em GtCO2 e GtC

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Pode constatar-se que a produção mais provável de combustíveis fósseis será um máximo de 1600 Gtep. O gráfico das emissões RCP de produção anual de GtCO2 e combustíveis fósseis em Gtepmostra que, em 2100, o RCP8.5 precisa de uma produção de combustíveis fósseis de 35 Gtepquando a produção mais provável será de 5 Gtoe: sete vezes menos! (NT: como se pode defender tal desfasamento entre a realidade plausível e a imaginação dos modeladores do IPCC?)

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O RCP8.5 não considera uma radiação solar máxima de 8,5 W/m2, mas sim a 12 W/m2, quando o RCP6 aponta para 6 W/m2 e o RCP4,5 para 4,5 W/m2. O RCP8.5 é, portanto, uma mentira (uma farsa!) E deveria ser chamado de RCP12!

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As emissões cumulativas são registadas em gráfico para o período 1850-2500, mostrando que, em 2500, segundo o RCP8.5, seria superior a 20.000 GtCO2, e no RCP6 seria 9000 GtCO2, enquanto pelo RCP4.5 se aponta para 5000 GtCO2 tal como a minha estimativa com base na produção energética expectável de combustíveis fósseis.

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O RCP8.5 determinaria, em 2100, uma anomalia na temperatura de 4,7°C com emissões cumulativas de 2180 GtC.

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No SPM do AR5 (resumo para decisores políticos) diz-se que o RCP8.5 deve ser considerado como a base, com 8000 GtCO2 em 2100!

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Segundo o RCP8.5 proporcionar-se-ia um aumento de temperatura, em relação à era pré-industrial, de 9°C em 2300 (para além de 2000 ppm de CO2 na atmosfera e mais 2 m de elevação no oceano)! O RCP8.5 é considerado o resultado que se pode esperar se a gestão da economia continuar como de costume ( business as usual ), ou seja, se nada for feito para diminuir o uso dos combustíveis fósseis: mas não, o RCP8.5 é simplesmente louco!

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Não sou o único especialista que critica os cenários do IPCC e, em particular, o RCP8,5 tal como se verificará em: judithcurry.com/2018/11/24/is-rcp8-5-an-impossible-scenario/

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Produção de combustíveis fósseis

Previ a produção mundial de combustíveis fósseis por muitos anos, mas essas previsões foram mudando frequentemente devido aos novos dados. Os últimos números apontam para 650 Gtep no caso do carvão, 520 Gtep para petróleo e 420 Gtep para gás natural, fornecendo um total de 1600 Gtep.

Esses valores são os valores mais prováveis quanto aos combustíveis, mas a gama de incertezas é ainda grande. Muitos acreditam que as reservas aumentam se o preço aumentar, mas as estimativas atendem já a essa evolução e, além disso, a produção é limitada pelo EROI [12] . O carvão offshore ou aquele que é explorado a profundidades superiores a 1500 m, ou, ainda, ao que se apresenta em camadas menores que 50 cm, são considerados recursos, mas não são reservas, exatamente por causa do EROI ser baixo.

A estimativa mais difícil é a produção de carvão com o grande salto da China a partir de 2000, que vem produzindo metade das quantidades mundiais. A produção de carvão atingiu o pico em 2013, tendo depois começado a descer devido à forte poluição causada por partículas (e não por CO2).

Hoje o petróleo representa a maior produção de combustível, a do carvão foi em 1950 e, para o gás natural, será em 2050.

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Se o pico de produção de combustíveis fósseis acontecer cerca de 2030, o pico de produção de combustíveis per capita é agora de 1,5 tep per capita. Em 2050, a produção per capita será de 1,2 tep per capita, tal como era em 1970! E, em 2100, a produção per capita será de 0,4 tep, tal como em 1910!

O mundo necessita, então, para assegurar desenvolvimento sustentável, da energia nuclear e da energia proveniente de fontes renováveis.

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Produção de energia primária

A energia primária que alimenta as necessidades mundiais é proveniente, na atualidade, dos combustíveis fósseis e é difícil prever o futuro das energias renováveis sem os combustíveis fósseis. O que é durável na Terra?

A energia primária a nível mundial aponta para um máximo de 2200 Gtep (se nada de mais durável for entretanto encontrado).

Os problemas derivados da intermitência da energia eólica (23% na França) e da energia solar (11% na França) não poderiam ser resolvidos se os combustíveis fósseis e nucleares fossem proibidos! Os campos de petróleo e gás têm uma vida útil mais longa que as centrais eólicas e solares (fotovoltaicas).

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O pico de produção de energia primária aponta para 2050, com um pico da energia per capita em 2030.

Emissões de CO2 derivadas de combustíveis fósseis

As produções de combustíveis são convertidas em emissões de CO2, na proporção de tCO2 per capita:

  • 4.1 para carvão,
  • 3.1 para óleo,
  • 2.4 para gás.
O gráfico das emissões de CO2 é diferente do gráfico das produções: hoje as maiores emissões de CO2 são provenientes das utilizações do carvão, mas em 2000 eram do petróleo.

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Combustíveis

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As emissões de CO2 derivadas dos combustíveis fósseis podem ser modeladas a partir de dados passados apenas pela extrapolação de HL (linearização Hubbert) do período 2005-2018 e o máximo é de 4500 GtCO2.

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Esse valor final de 4500 GtCO2 das emissões de CO2 acumuladas ocorre cerca de 2030 e são inferiores a 40 GtCO2 em consonância com o pico estimado da produção de combustíveis fósseis por ano.

Minha previsão de CO2 para 2040 é maior do que a previsão do IEA WEO2018!

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O acordo em relação a um pico de CO2 em 2030 proveniente de abordagens por duas diferentes entidades é muito reconfortante!

As emissões de CO2 provenientes de combustíveis fósseis desde 1790, em escala logarítmica, mostram que, de 1770 a 1914, as emissões de CO2 aumentaram 4,5% / ano, tal como entre 1945-1975 (os Trinta Gloriosos anos), enquanto o aumento é de apenas 1,5% / ano para 1975-2018 e 1914-1945.

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O aumento da concentração de CO2 1962-2018, em ppm, é de 0,4% / ano, ou seja, é bem diferente do que vem sendo descrito nos órgãos de comunicação social e redes!

A taxa de emissão de CO2 é três vezes menor do que no passado desde 1800, exceto no período 1914-1945!

A maior emissão de CO2 derivada de combustíveis fósseis é a da China, mas, a Índia tem a maior e mais longa taxa de crescimento (tal como a do Médio Oriente).

A comparação das emissões de CO2 no período de 1965 a 2018 (de BP2019) em escala logarítmica, mostra que a China, Índia e Médio Oriente apresentam um aumento próximo a 6%/ano, salvo na China que pára de crescer em 2013 com um pico na produção de carvão.

As emissões de CO2 nos EUA e na Europa vêm diminuindo desde 2005.

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India e China

A Índia será o país mais populoso em 2025, ultrapassando a China.

A população da Índia atingirá o pico por volta de 2055. A população da China atingirá o pico por volta de 2030.

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As emissões de CO2 e o PIB da Índia são mostradas em escala logarítmica para comparar o crescimento: aponta-se para aumentos de 10% / ano e de 5% / ano. As emissões de CO2 na Índia cresceram 5% / ano desde 1990.

O PIB é referido em USD corrente, USD de 2010, e em PPP (paridade do poder de compra) USD atuais, e ainda em PPP USD 2011. É evidente que as emissões de CO2 vêm crescendo mais lentamente que o PIB.

Na COP 21, a Índia concordou (INDC) em reduzir a intensidade económica das emissões (em relação ao PIB ) em 33 a 35% até 2030, a partir de 2005.

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A maioria dos países concordou em reduzir as emissões de CO2 a partir do nível que tinham em 2005, mas, a Índia e a China concordaram em reduzir apenas as emissões de CO2 por PIB: é bem diferente! Como o PIB vem crescendo mais rapidamente que as emissões de CO2, a Índia necessita de continuar, como no passado, para alcançar em 2030 essa restrição.

O texto referia-se apenas ao PIB, mas, como o PIB atualizado e o PIB PPP cresceram a 10% / ano desde 2007, o dobro do crescimento de CO2, então o compromisso alcançado na COP21 INDC é fácil ser cumprido!

A comparação das emissões de CO2 per capita entre China e Índia mostra que eram iguais em 1950, a proporção era de 3,0 para 1970-2000, 4,5 em 2010 e, em 2018, será de 3,6.

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A Índia precisa de energia no futuro e, portanto, aumentará suas emissões de CO2

As produções passada e futura de carvão da China e da Índia são comparadas em Gtoe, tal como as produções per capita, e hoje são bem diferentes! A produção de carvão per capita foi semelhante em 1950 e será novamente em 2040 (ver gráfico abaixo).

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Índia: PIB, CO2 e combustíveis fósseis

O PIB (corrente, em USD 2010, em PPA atualizado e em USD 2011) e as emissões de CO2, são comparados em escala logarítmica. As emissões de CO2 aumentaram 5% / ano desde 1965, nenhum sinal de mudança! O PIB atual aumentou 10% / ano desde 2003.

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A curva no gráfico abaixo que expressa CO2 / USD (em vermelho = dólar atual) mostra que se atingiu o pico em 1966 com um valor de 3,7 e, em 1993, estava-se nos 2,5 prevendo-se 0,9 em 2019 quando, segundo o COP21 INDC necessitaria ser 1 em 2030, o que seria, na verdade, mais do que em 2018.

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A produção energética com base em carvão na Índia atingirá um pico de menos de 0,6 Gtep por volta de 2050, para um valor máximo estimado em 50 Gtoe, contra uma previsão superior a 0,7 Gteppara IEA / WEO2018.

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A produção de carvão da Índia é extrapolada pelos nossos cálculos no gráfico seguinte para 50 Gtep, no período 1992-2018:

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China: PIB, CO2 e combustíveis fósseis

As emissões de CO2 e o PIB da China também são evidenciados no gráfico seguinte em escala logarítmica: desde 1970 as emissões de CO2 cresceram 5% / ano, quando o PIB cresceu 10% / ano, exceto nos últimos anos.

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As emissões de CO2 por PIB em tCO2 / Milhares USD foram superiores a 14 em 1960, 2,7 em 2005 e 0,7 em 2019

Na COP21 a China aceitou as restrições do INDC para diminuir, até 2030, o CO2 / PIB em 60-65% relativamente ao nível de 2005: significa que esse objetivo (compromisso) já foi alcançado em 2018!

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A produção de carvão da China, após um forte aumento após 2000, atingiu o pico em 2013.

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Para um máximo de 75 Gtep, a produção de carvão em 2025 está prevista para 1,5 Gtep contra 1,8 Gtep para IEA / WEO2018 NP (em Gtep). A produção de carvão da China em Gtep é extrapolada para 75 Gtep segundo cálculos próprios.

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Alguns casos ilustrativos da deriva carbónica

Pós-carbono

Muitos membros de movimentos verdes estão ansiosos por substituir os combustíveis fósseis por fontes renováveis e, assim, desejam uma era "pós-carbono". Esquecem, porém, que a matéria orgânica é baseada em carbono e que corpo humano é composto por oxigênio 65%, carbono 18%, hidrogênio 10%, nitrogênio 8% e cálcio 1,5%. Portanto, parece que desejam um futuro: sem carbono, sem comida, sem vida!

Instituto Pós-Carbono

O Post Carbon Institute (PCI) foi fundado em 2003 por Julian Darley (com Celine Rich e David Room). O seu objetivo inicial era implementar programas educativos sobre questões relacionadas com o esgotamento global de combustíveis fósseis (pico de petróleo, carvão de pico, gás de pico) e com as alterações climáticas, bem como sobre possíveis respostas a esses desafios. Julian vinha participando nas reuniões da ASPO e disse-lhe que o uso do conceito pós-carbono estava errado, pois sem carbono não há vida, e no seu site, não há menção das necessidades de eliminar carbono.

Em 2009, Julian Darley e Celine Rich (sua esposa) deixaram o PCI, Asher Miller tornou-se Diretor Executivo; Richard Heinberg tornou-se membro sênior residente.

Em 2012, o PCI lançou o Resilience.org , o site sucessor do EnergyBulletin, como uma plataforma de recursos para comunidades que constroem autoconfiança local, enfatizando respostas baseadas nas comunidades e ligadas às consequências rapidamente emergentes do fim dos combustíveis fósseis baratos. David Hughes, cientista canadiano juntou-se à Resilience e publica excelentes relatórios sobre "óleo de xisto e gás". Ainda não é compreensível por que razão o título Post Carbon ainda está lá, exceto porque é politicamente correto!

Pocacito – Pós- carbono, cidades do amanhã

Na Europa, a Pocacito desenvolveu de 2014 a 2016 um roteiro para 2050 para apoiar a transição das cidades (Barcelona, Copenhague, Istambul, Lisboa, Milão, Turim, Offenburg, Zagreb) para um futuro mais sustentável ou pós-carbono. O Índice de Cidades Pós-Carbono (PCI) combina indicadores que cobrem as dimensões ambiental, social e económica.

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Principais recomendações da Pocacito para 2016:

1 - As cidades necessitam de uma abordagem integrada de planeamento e gestão da cidade, alinhada com os objetivos de longo prazo.
2- Propõem um processo de visão e seleção de elenco orientado pelos interessados em elaborar estratégias para a cidade. Isso aumentará a aceitação e o entendimento dos takeholder da cidade sobre as mudanças necessárias.
3- Deve apoiar-se a capacitação. Isso poderia ser feito através de iniciativas como o Pacto de Presidentes Municipais. Um banco de dados de melhores práticas globais deve ser estabelecido.
4- Educação e conscientização são essenciais
5- As infraestruturas e serviços da cidade precisam ser abertos, inclusivos e acessíveis aos cidadãos.
6 - As cidades necessitam ser repensadas e 'naturalizadas', com foco na 'mobilidade', que é um conceito que vai muito além do transporte.
7- Estratégias nacionais, da UE e até globais precisam ser elaboradas com representantes das cidades.
8- A UE deve apoiar o processo de realocação (descentralização) de competências em consonância com os desafios que as cidades enfrentam, ou seja, em consonância com o princípio da subsidiariedade.
9- A UE deve fornecer requisitos mais claros e mais rigorosos para a eficiência energética, promovendo a implementação da economia circular
10- São necessárias boas estatísticas no nível da cidade para poder analisar as necessidades e fazer benchmark das cidades.
11- Mais pesquisas sobre a interação entre clima, políticas energéticas e desenvolvimento local e regras mais fáceis de financiamento para projetos de pesquisa para cidades pequenas.

Conclusão: Apenas palavras e desejos gerais, nada de prático e tudo isto com um custo de 3 Milhões de €. Terminou em 2016 e não teve continuação: fim das cidades pós-carbono do amanhã!

Carbono Zero

Carbono Zero é o objetivo de pessoas que desejam 100% de energia renovável. Mas, nos últimos 50 anos, a energia renovável é apenas uma pequena percentagem do mix global de energia e levará muito tempo para se poder prescindir dos combustíveis fósseis e da energia nuclear, como mostra Euan Means (duas fontes diferentes!) no seu site.

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No relatório BP2019 o consumo mundial de energia primária é estimado em:

  • Total – 13 865 Mtep
  • Renováveis – 561 Mtep(4%)
  • Hidroeletricidade – 949 Mtep(6,8%)

Muito verdes sonham acerca do Carbono Zero tanto no consumo como na construção. Isto resulta em desejos para o longo prazo e algumas realizações confundindo zero com baixo carbono (ver World Green Building Council www.worldgbc.org/thecommitment )

Em nossa perspetiva um edifício "carbono zero" seria um edifício altamente eficiente em termos energéticos e totalmente alimentado por fontes renováveis. O WorldGBC reconhece que, na maioria das situações, edifícios com energia líquida zero (ou seja, edifícios que geram 100% de suas necessidades de energia no local) não são viáveis. (ver www.theplanner.co.uk/news/new-buildings-in-the-capital-to-be-carbon-zero-by-2030 )

Khan [13] disse: "A minha estratégia para melhorar o ambiente de Londres inclui algumas das metas mais ambiciosas do mundo para reduzir as emissões de carbono de nossas casas e locais de trabalho. Isso inclui expandir o padrão existente de novas casas com "carbono zero" para aplicar a todos os novos edifícios em 2019. Queremos tornar Londres uma cidade com carbono zero até 2050 e estamos trabalhando duro para garantir que os edifícios sejam eficientes em termos energéticos e sejam fornecidos com fontes de energia limpas. Ecolibrium, sept 2018".

O edifício carbono ou energia zero, ZEBRA2020, foi lançado no final de abril de 2014 em Viena e serviu de referência ao mercado de edifícios de baixo consumo de energia em toda a Europa, gerando dados e evidências para avaliação e otimização de políticas. No entanto, o Relatório de 2016 não está mais disponível, o que significa que existem problemas! Ver zebra2020.ecofys.com/Main_Page

Em França "Edifícios, uma energia positiva", BEPOS, substituiu o conceito expresso na anterior consigna "Edifícios com baixos consumos", mas nenhuma estatística é publicada mostrando o número histórico de BEPOS, apenas se publicam algumas fotos, em vez de dados!

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Armazenamento ou sequestro/captura de carbono (CCS)

O CCS foi realizado poucas vezes e há dúvidas de que isso pudesse ser feito pelo mundo de uma forma geral.

Além de que poucos mencionam que a energia necessária para realizar a CCS significa mais cerca de 25% (há poucos documentos sobre o assunto). Duvida-se que o mundo possa encontrar e dispor de 25% de recursos financeiros adicionais para armazenar/capturar CO2. Dado que as renováveis e hidroelétricas representam apenas 10% da produção atual de eletricidade, é difícil acreditar que o CCS global seja a solução!

Talvez a melhor solução fosse converter CO2 em hidratos (sendo mais pesado que a água para profundidades superiores a 3700 m) e depositá-los em locais remotos, profundos e sem correntes oceânicas.

Mas, isso seria contra o princípio da precaução, e, portanto, contra a formulação politicamente incorreta!

Após pico é igual a pós-crescimento

A sociedade de consumo tem sido baseada no crescimento. Mas, numa Terra finita, o crescimento às vezes termina. O crescimento diz respeito à produção, consumo, mas, também, à população.

No meu último artigo, Laherrere J.H. 2019 "previsões da população mundial da ONU 2019" julho (ver aspofrance.org/2019/07/28/un-2019-world-population-forecasts/ , mostro um gráfico onde apenas 20% da população mundial tem uma taxa de fertilidade que permite crescimento futuro, o resto está acontecendo em direção à extinção. Em 1950, nenhum país tem uma taxa de fertilidade menor que 2,1 filhos por mulher, que é a Taxa de substituição. Em 1975, 20% da população mundial tem uma taxa de fertilidade abaixo de 2,1. Em 2020, 45% da população mundial tem uma taxa de fertilidade abaixo de 2,1.

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Muitas civilizações desapareceram no passado, e a população mundial passou por algumas cavas (na Europa com a Grande Peste em 1350 e 1650), mas o mundo tem vindo em crescendo. Mas, como será a vida quando a população mundial diminuir?

A população da Europa cairá após 2020, quando tiver 744 milhões de pessoas (UN2019) e em 2085 será superada pela Nigéria (fertilidade média). A população da Ásia atingirá o pico em 2055 em 5,3 mil milhões de habitantes.

O UN2019 prevê um pico populacional mundial em torno de 2100, mas as previsões da ONU baseiam-se em taxas utópicas de fertilidade, indo em direção à taxa de reposição e taxa de natalidade mundial correspondente à taxa de mortalidade. Essa previsão esquece que existem dois tipos de população diferentes: uma abaixo da taxa de substituição e outra acima, mas, essa taxa não é uma meta. A migração compensará por um tempo.

O nosso modo de vida (sempre mais consumo e mais crescimento) não está preparado para o pico.

Conclusões

No último relatório do IPCC (AR5), o RCP8.5 tomado como o cenário base, assume uma emissão cumulativa de CO2 de combustíveis fósseis quatro vezes o que é considerado como o mais provável e, em 2100, uma produção anual de combustíveis fósseis sete vezes maior do que a mais provável: trata-se de um cenário completamente irrealista. O RCP6 e o RCP2.6 também são não realistas.

Somente o RCP4.5 está próximo da produção mais provável de combustíveis fósseis.

Desde o choque do petróleo de 1973, a taxa de crescimento das emissões de CO2 derivada dos combustíveis fósseis é três vezes menor do que no passado desde 1800, exceto no período 1914-1945!

De duas abordagens independentes, as emissões de CO2 derivadas de combustíveis fósseis atingirão o pico em 2030 em cerca de 40 GtCO2, quando o RCP8.5 diz que se atingirá o pico em 2100 acima de 100 GtCO2.

As preocupações com as futuras emissões de CO2 de combustíveis fósseis baseiam-se principalmente em cenários falsos e em narrativas. Os media não estão fazendo seu trabalho e o "politicamente correto" governa o mundo!

30/Agosto/2019

[1] NT: A tradução realizada foi um trabalho complexo devido à densidade do assunto objeto, mas, também, como o próprio autor diz, porque o seu inglês escrito é difícil. De facto, isso perturbou o exercício de tradução. Tentou-se, porém, salvaguardar o essencial do conteúdo e ideias.
[2] First Assessment report
[3] Third Assessment Report
[4] NT: Six alternative IPCC scenarios (IS92 a to f) were published in the 1992 Supplementary Report to the IPCC Assessment. Em 1992, o IPCC criou um conjunto de cenários, denominados IPCC Scenarios, 1992 (IS92), que podem ser utilizados em modelos de circulação global, com o objetivo de prever cenários futuros de emissões de GEE. Os cenários SRES foram projetados para aperfeiçoar alguns aspetos dos cenários IS92
[5] Special Report on Emissions Scenarios
[6] Representative Concentration Pathways
[7] World Energy Outlook da IEA (Agência Internacional de Energia)
[8] American Institute of Architects
[9] NT: Barril (bbl) é uma unidade de volume usada normalmente quanto ao petróleo. Por razões históricas, a correspondência em litros varia entre cerca de 100 litros (22 galões imperiais ou 26 galões americanos) a cerca de 200 litros (44 galões imperiais ou 53 galões americanos). O bbl em certos casos pode significar 158,987 litros (bbl EUA) ou a 159,113 litros (barril imperial britânico).
[10] West Texas intermediate, preço por bbl
[11] International Institute for Applied Systems Analysis, fundado em Londres em 1972
[12] NT: Retorno sobre o investimento em energia (EROI) é a razão entre a quantidade de energia obtida de um recurso energético e a quantidade de energia gasta para produzir essa energia.
[13] NT: Mayor de Londres. Se for verificado com atenção, vários autarcas europeus e americanos, entre outros, afirmam mais ou menos o mesmo. Tornou-se uma formulação popular.


[*] Geólogo especializado em petróleo, co-fundador (junto com Collin Campbell) da Association for the Study of Peak Oil, dirigente da ASPO France.

O original encontra-se em aspofrance.org/2019/08/30/... (Haverá suficientes combustíveis fósseis para gerar o cenário base do IPCC para o CO2?). Tradução de Demétrio Alves.


Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .
26/Dez/19