Gelo do Árctico aprisiona navio "ecologista"

por MPR [*]

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Um sítio web acaba de publicar um desses vídeos que mostram um urso polar, supostamente faminto, na ilha de Baffin [1] para continuar a inculcar a algaraviada pseudo-ecologista sobre o aquecimento, o degelo e consequente catástrofe do meio ambiente.

As profecias sobre o degelo do Árctico começaram em 2007. Como de costume, assumem a forma de grandes manchetes sensacionalistas. No entanto, naquele momento tinham fundamento porque desde os anos noventa havia uma intensa perda de gelo.

Como costuma acontecer com todas as doutrinas metafísicas, as tendências do passado [recente] foram projectadas no futuro. Por isso naquele ano a BBC prognosticou que, em consequência do aquecimento do planeta, o Árctico ficaria livre de gelo em 2013 [2] .

Já se passaram seis anos e as profecias da BBC não foram cumpridas.

Também em 2007 Al Gore, vice-presidente dos EUA, recebeu o Prémio Nobel da Paz juntamente com o IPCC, o organismo da ONU que vigia o aquecimento. Não era um prémio científico e sim pela contribuição de ambos à paz que, até à data de hoje, desconhecemos totalmente. O mesmo pode ser dito quanto à contribuição de Obama para o mesmo objectivo.

Se o mundo já nem sequer sabe o que é a paz, como é possível que saiba o que é ciência?

É claro que também não sabe. Em Oslo, durante o discurso que pronunciou ao receber o prémio, Gore prognosticou que o gelo do Árctico estaria "completamente" fundido em 2014.

Já se passaram cinco anos e as profecias de Gore tão pouco foram cumpridas.

Em 2012 o jornal francês Le Monde afirmou que a massa de gelo flutuante (banquisa) do Árctico poderia desaparecer completamente em quatro anos.

Em Novembro do ano assado o jornal La Vanguardia voltou à carga: "O Árctico, um paraíso que se despede do gelo".

Os anos continuam a decorrer e todas e cada uma das profecias dos media continua por cumprir.

Em 2008 o diário britânico The Independent dedicou sua primeira página ao anúncio de que todo o gelo do Árctico desapareceria no mês de Setembro daquele ano. Ocorreu exactamente o contrário: o gelo começou a recuperar a sua massa.

Um professor da Universidade de Cambridge, Peter Wadhams, é o rei das adivinhações sobre o momento exacto em que o Árctico se vai derreter por completo. Várias delas foram publicadas nos media generalistas.

Em 2012 ele assegurou que todo o gelo teria desaparecido em 2016. Voltou a surgir o mesmo erro. O gelo do Árctico aumentou em 2013 e em 2014 em 33 por cento. A Rússia ficou sepultada por grandes massas de gelo.

O ano de 2014 foi o segundo com mais extensão de neve e gelo no hemisfério norte desde 1967. Contudo, em 22 de Abril um editorial do diário basco Gara sustentava exactamente o contrário: "A imagem da praia da Concha de Donostia com o passeio submerso não é real, mas poderia sê-lo em finais deste século devido à ameaça, esta sim muito real, à qual está submetido o Árctico".

Em Junho de 2016 Wadhams estava a ponto de publicar um livro intitulado "Adeus ao gelo". As notícias diziam em manchetes como "O Árctico estará sem gelo pela primeira vez em 100 mil anos", prognosticando – mais uma vez – que em Setembro daquele ano o gelo ter-se-ia reduzido até a "uma área de menos de um milhão de quilómetros quadrados" e que em 2017 teria desaparecido totalmente [3] .

O mau das profecias é que o tempo passa e, em 10 de Setembro, a massa de gelo era quatro vezes maior do que o anunciado por Wadhams.

O que aconteceu com o gelo do Árctico, que é uma parte muito pequeno do gelo total que há no planeta, é surpreendente porque após o ano do maior degelo começou a recuperar-se. O Instituto Dinamarquês de Meteorologia, que desde 1987 mede diariamente a quantidade de gelo no Árctico, informou em 2017 que a massa de gelo aumentava a uma velocidade nunca registada [4] .

As informações deste ano do Instituto dinamarquês vão na mesma linha: a massa de gelo do Árctico continua a recuperar-se [5] .

Juntamente com os dinamarqueses, o Centro de dados sobre a neve e o gelo árctico da Universidade do Colorado abriu uma página na Internet para mostrar a evolução do gelo do Árctico (e da Antárctida) em tempo real.

O gráfico é muito interessante porque ilustra à primeira vista a natureza oscilatória que as massas de gelo compartilham com outros fenómenos meteorológicos e climáticos, seguindo ciclos de sinal contrário.

O facto de um fenómeno da natureza ser oscilante não significa que seja repetitivo. No caso do Árctico sobrepõem-se vários ciclos diferentes, tanto de perda de gelo como de aquisição.

Para que se verifique um fenómeno oscilatório, a causa deve ser igualmente oscilatória. Se a cada dia há um pouco mais de CO2 na atmosfera e a cada dia as temperaturas sobem um pouco, não tem sentido que a massa de gelo do Árctico cresça em determinados momentos e decresça em outros.

Que por volta de 2007 se travasse a tendência ao degelo dos anos noventa não significa que – na data de hoje – se tenham recuperado os níveis anteriores, nem tão pouco que não se possa verificar um novo degelo no futuro.

Tanto num caso (degelo) como no outro (congelação), os fenómenos relativos ao gelo são locais. Isso significa que numas zonas verifica-se um fenómeno (degelo) e em outras o contrário (congelação).

No Árctico há, portanto, menos massa de gelo que nos anos noventa, mas há uma maior superfície congelada que em 2012: um milhão de quilómetros quadrados a mais. As consequências disto puderam ser comprovadas neste mesmo ano por um grupo de 17 pseudo-ecologistas suecos que alugaram um navio para filmar um desses documentários sobre o fim do "santuário do planeta".

Eles viram exactamente o contrário. Ao chegar às Ilhas Svalbard, a 1400 km do Polo Norte, o navio ficou preso pelas massas de gelo, em pleno Verão, e tiveram de ser resgatados por um helicóptero [6] como mostra a foto.

Ficaram sem a sua reportagem e a sua peripécia não aparecerá em nenhum documentário da televisão. Não veremos fundirem-se os gigantescos icebergs e, naturalmente, tão pouco os veremos aprisionados pelo gelo. É uma pena.

(1) thepetition.co/defend-starving-polar-bears/
(2) news.bbc.co.uk/1/hi/sci/tech/7139797.stm
(3) www.independent.co.uk/...
(4) sciencenordic.com/how-greenland-ice-sheet-fared-2016
(5) notrickszone.com/...
(6) visserij.nl/...


[*] Movimento Político de Resistência

O original encontra-se em movimientopoliticoderesistencia.blogspot.com/...


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
04/Out/19