Como a pseudo-ciência das alterações climáticas tornou-se aceite publicamente

por Nir Shaviv [*]

Um camelo puxa um carro atascado na neve em Saratov, Fevereiro/2019, Líderes políticos e corporativos reunidos na semana climática em Nova York instaram a acções significativas para combater o aquecimento global. Mas, considerando os altos custos das soluções sugeridas, será que a cura não seria pior que a doença?

Como liberal que cresceu numa casa solar, sempre fui consciente da energia e propenso a soluções activistas em questões ambientais. Fiquei portanto extremamente surpreso quando minhas investigações como astrofísico me levaram à conclusão de que a alteração climática é mais complicada do que nos levam a acreditar. A doença é muito mais benigna e uma solução paliativa simples está diante de nossos olhos.

Para começar, a história que ouvimos nos media, de que na maior parte do século XX o aquecimento é de origem antropogénica, de que o clima seria muito sensível às mudanças de CO2 e de que o aquecimento futuro será portanto grande e acontecerá muito em breve, simplesmente não é apoiada por nenhuma evidência directa, apenas por uma linha duvidosa de raciocínio circular. "Sabemos" que os seres humanos devem ter causado algum aquecimento, vemos aquecimento, não sabemos de mais nada que o pudesse ter causado, então [conclui-se] é por isso.

No entanto, não há cálculos baseados nos primeiros princípios que levam a um grande aquecimento pelo CO2 – nenhum. Recorde-se, os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) declaram que duplicar o CO2 aumentará as temperaturas em 1,5º a 4,5º C, uma enorme margem de incerteza que remonta ao comité Charney desde 1979.

De facto, não há evidências em qualquer escala de tempo a mostrar que variações do CO2 ou outras alterações no orçamento de energia causem grandes variações de temperatura. Há, no entanto, evidências em contrário. Variações de dez vezes no CO2 nos últimos 500 milhões de anos não têm correlação alguma com a temperatura; e igualmente, a resposta climática a grandes erupções vulcânicas como a do Krakatoa .

Ambos os exemplos levam ao limite superior inelutável de 1,5º C por duplicação de CO2 – muito mais modesto do que prevêem os sensíveis modelos climáticos do IPCC. No entanto, a grande sensibilidade deste último é requerida para [poder] explicar o aquecimento do século XX, ou assim se pensa erroneamente.

Em 2008, utilizando vários conjuntos de dados do período de mais de um século, mostrei que a quantidade de calor que entra nos oceanos, em sincronia com o ciclo solar de 11 anos, é de uma ordem de grandeza maior do que o efeito relativamente pequeno esperado simplesmente a partir de alterações na produção solar total. Nomeadamente, as variações da actividade solar traduzem-se em grandes mudanças no chamado forçamento radiactivo sobre o clima.

Como a actividade solar aumentou significativamente ao longo do século XX, uma fracção significativa do aquecimento deveria ser atribuída ao sol e, como a mudança geral no forçamento radiactivo devido ao CO2 e à actividade solar é muito maior, a sensibilidade climática deveria estar no lado baixo (cerca de 1º a 1,5º C por duplicação de CO2).

Na década seguinte à publicação do exposto acima, não só o artigo não foi contestado como mas mais dados, desta vez dos satélites, confirmaram as grandes variações associadas à actividade solar. À luz desses dados concretos, agora deveria ser evidente que grande parte do aquecimento não é de origem humana e que o aquecimento futuro em qualquer dado cenário de emissão será muito mais pequeno.

Infelizmente, como a comunidade climática desenvolveu um ponto cego (blind spot) a qualquer evidência que devesse levantar uma bandeira vermelha, tais como os exemplos acima mencionados ou o aquecimento troposférico nas últimas duas décadas muito menor do que os modelos previstos, o resto do público tem uma visão muito distorcida das alterações climáticas – um quadro científico duvidoso cheio de inconsistências tornou-se uma espécie de calamidade.

Com esta mentalidade pública, fenómenos como o da activista infantil Greta Thunberg não são surpresa. O mais preocupante, no entanto, é que esta mentalidade comprometeu a capacidade de transmitir a ciência ao público.

Um exemplo do mês passado é a minha entrevista à [revista] Forbes. Poucas horas depois de o artigo ser publicado on-line, ele foi removido pelos editores "por não cumprir nossos padrões editoriais". O facto de se ter tornado politicamente incorrecto ter qualquer discussão científica levou o público a aceitar a pseudo-argumentação que apoia os cenários catastróficos.

A evidência do aquecimento não nos diz o que causou o aquecimento, e sempre que alguém precisa recorrer ao chamado consenso dos 97%, ele ou ela está a fazer isso porque seus argumentos científicos não são suficientemente fortes. A ciência não é uma democracia.

Falta saber se o mundo ocidental ultrapassará esta histeria em curso no futuro próximo, pois é claro que numa escala de tempo de uma década ou duas isso será uma coisa do passado. Não apenas haverá crescentes inconsistências entre modelo e dados, como uma força muito mais forte mudará as regras do jogo.

Quando a China perceber que já não pode confiar no carvão, começará a investir fortemente na energia nuclear para atender suas necessidades de energia crescentes. Nessa altura, o Ocidente não ficará para trás. Teremos, então energia barata e limpa, que pode produzir combustíveis neutros em carbono e até fertilizantes baratos que tornarão redundante a agricultura recentemente problemática do corte e da queima.

O Ocidente perceberia então que o aquecimento global nunca foi e nunca será um problema sério. Enquanto isso, o CO2 extra na atmosfera até aumentaria a produção agrícola, como foi observado em regiões particularmente áridas em. Afinal de contas, é alimento vegetal.

25/Setembro/2019

[*] Presidente do Instituto de Física Racah da Universidade Hebraica de Jerusalém, @nshaviv

Ver também:
  • Des scientifiques de 13 pays écrivent au secrétaire général des Nations unies contre l'alarmisme climatique

    O original encontra-se em www.theepochtimes.com/...


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • 27/Set/19