Liberdade para Miguel Ángel Beltrán Villegas,
preso político na Colômbia
Miguel Ángel Beltrán Villegas, sociólogo e historiador
colombiano, foi expulso ilegalmente do México pelo Instituto Nacional
de Migração (INEM) no dia 22 de Maio de 2009 e entregue
às autoridades colombianas sob infundadas acusações de ter
vínculos com as FARC. Neste momento está detido na Prisão
Nacional Modelo de Bogotá.
Curriculum de Miguel Ángel Beltrán Villegas
Doutorado em Estudos Latino-americanos pela Universidade Nacional
Autónoma do México (UNAM). Mestrado em Ciências Sociais na
Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO) com sede no
México e Mestrado em História e sociólogo na Universidade
Nacional (Colômbia).
Licenciado em Ciências da Educação com especialidade em
Ciências Sociais na Universidade Distrital Francisco José de
Caldas. Foi coordenador da secção de teorias e professor dos
cursos de Sociologia Latino-americana I e II no Departamento de Sociologia da
Universidade Nacional.
Coordenador do grupo América Latina: transformações,
dinâmicas políticas e pensamento social da Universidade Nacional e
membro do grupo Cultura, política e desenvolvimento social da
Universidade de Antioquia.
Este ano realizava um estágio pós-doutoramento em Estudos
Latino-americanos na Universidade Nacional Autónoma do México.
Publicações científicas
MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, "Guerra y política en Colombia"
. México, Estudios Latinoamericanos ISSN: 0187-1811 ed: v.7 fasc.
p.127 - 142 ,1997
MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, "La zona de despeje: Un laboratorio para la
paz en un país de guerra". Colômbia, Revista de la Facultad
de Derecho y Ciencias Políticas y Sociales ISSN: 0122-8382 ed:
Editorial de la Universidad Del Cauca v.3 fasc. p.101 - 110 ,2000
LUIS JAVIER ROBLEDO RUIZ, MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, "La
Sociología Europea y Norteamericana de Postguerra: Autores, Enfoques y
Perspectivas" . Colômbia, Unaula. Revista de la Universidad
Autónoma Latinoamericana ISSN: 1692-830X ed: Editorial Lealon
(Medellín) v.25 fasc.NA p.112 - 130 ,2005
MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, "El agotamiento del Discurso
Postmoderno". Colômbia, Trabajo y Derecho ISSN: 0120-4718 ed:
v.41 fasc.NA p.120 - 125 ,2005
MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, "Perspectivas Contemporáneas de las
Ciencias Sociales" . Colômbia, Revista de Trabajo Social ISSN:
1794-984X ed: Universidad de Antioquia, v.2 fasc. NA p.29 - 44 ,2005
MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, "México a finales de los años
cincuenta: de la unidad Nacional a la liberación Nacional" .
Colômbia, Anuario de Historia Regional y de las Fronteras ISSN:
0122-2066 ed: Universidad Industrial de Santander, v.5 fasc. p.153 - 178 ,2000
LUIS JAVIER ROBLEDO RUIZ, MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, "Los años
dorados de la sociologia en Medellin (1967-1971)". Colômbia, Revista
Sociología Universidad Universidad Autónoma
Latinoaméricana ISSN: 0120-9264 ed: Editorial Lealon
(Medellín), v.28 fasc.NA p.31 - 45 ,2005
MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, LUIS JAVIER ROBLEDO RUIZ, "La Facultad de
sociología de UNAULA: Un capítulo de la Sociología de
Medellín (1967-2005)" . En: Colombia, Unaula. Revista de la
Universidad Autónoma Latinoamericana ISSN: 1692-830X ed: Editorial
Lealon (Medellín), v.28 fasc.N/A p.13 - 38 ,2008
MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, LUIS JAVIER ROBLEDO RUIZ, "Los Inicios de
la Sociología en el País (1880-1950)". Colômbia,
Unaula. Revista de la Universidad Autónoma Latinoamericana ISSN:
1692-830X ed: Editorial Lealon (Medellín), v.27 fasc. p.159 - 178 ,2007
MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, LILIANY PATRICIA OBANDO VILLOTA, "Colombia:
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Venezolana de Sociologia y Antropologia, ISSN: 0798-3069 ed: Universidad de
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MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, "pensar la historia en ¿tiempos
posmodernos?" . Colômbia, Memoria y Civilización ISSN:
1139-0107 ed: v.4 fasc. p.19 - 41 ,2001
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Revista Colombiana de Sociología ISSN: 0120-159X ed: Universidad
Nacional de Colombia Sede Bogota, v.24 fasc. p.251 - 271 ,2005
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Cultura ISSN: 0186-1395 ed: v.95 fasc. p.32 - 38 ,1997
MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, "Globalización y Sociología:
Algunos retos para el fin de siglo" . Colômbia, Revista de la
Facultad de Derecho y Ciencias Políticas y Sociales ISSN: 0122-8382
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México, Latino América Anuario de Estudios Latinoamericanos
ISSN: 0185-0385 ed: Universidad Nacional Autonoma de México, v.34 fasc.
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MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, "Colombia: guerra y política al
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Países Andinos ISSN: 0 ed: v.1 fasc. p.73 - 88 ,2004
MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, MARLENY CARDONA, "El Factor Trabajo: un
asunto de la economía y la Sociología" . Colômbia,
Ecos de Economía. Universidad EAFIT. ISSN: 0 ed: v.12 fasc. p.6 - 42
,2001
MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, "Una visión histórica del
mundo después del 11 de septiembre de 2001" . México,
Contrahistorias. La Otra Mirada de Clío ISSN: 1665-8965 ed: v.2 fasc.
p.83 - 104 ,2004
MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, "A propósito de los cincuenta
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universidad". Colômbia, Revista Debates ISSN: 1657-429X ed:
Universidad de Antioquia, v.38 fasc. p.33 - 39 ,2004
MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, LUISA NATALIA CARUSO, "Colombia: El mapa de
las luchas Sociales en medio del Conflicto". México,
Contrahistorias. La Otra Mirada de Clío ISSN: 1665-8965 ed: v.5 fasc.
p.75 - 98 ,2005
MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, "La Sociología Hoy: Nuevos
Horizontes y Viejos Problemas". Colômbia, Revista Sociología
Universidad Universidad Autónoma Latinoaméricana ISSN: 0120-9264
ed: Editorial Lealon (Medellín), v.27 fasc. p.26 - 44 ,2004
MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, JAIME RAFAEL NIETO, "La oposición
política y social bajo el frente nacional". En: Colombia,
Utopía Siglo XXI ISSN: 0123-1952 ed: Universidad de Antioquia, v.7
fasc. p.37 - 55 ,2001
MIGUEL ANGEL BELTRAN VILLEGAS, "Violencia y seguridad nacional en
Colombia". Colômbia, Coyuntura ISSN: 0 ed: v.69/70 fasc. p.56 -
62 ,1996
Cartas de solidariedade, com cópia para
libertadencolombia@gmail.com
, devem ser endereçadas a:
Miguel Ángel Beltrán Villegas
Cárcel Nacional Modelo
Pabellón de Alta Seguridad
CR 56 19-30
Bogotá
Cundinamarca
Colômbia
|
Carta de Miguel Ángel à Associação Sindical de
Professores Universitários (ASPU) da Colômbia
Prisão Modelo de Bogotá, 20 de Julho de 2009
Caro(a)s colegas da ASPU:
Passaram-se três meses desde a minha arbitrária
detenção neste pavilhão de "alta
segurança". Actualmente somos 73 internos (de uma
população de 6102 presos) os que estamos reclusos nesta
área da Prisão Nacional Modelo, que bem pode ser considerada uma
"prisão dentro da mesma prisão", afastados dos
restantes pátios e onde só temos direito a uma hora diária
de sol. Aqui compartilho a sorte, não só com comandantes
guerrilheiros, mas também com reconhecidos narcotraficantes e chefes
paramilitares que como "Zeus" e "Niche" estão
acusados de ser autores de numerosos massacres de homens, mulheres e
crianças indefesos. Por sorte, estes encontram-se num piso diferente.
Cada vez que passo as portas deste estabelecimento prisional para uma
audiência ou uma entrevista com os meios de comunicação, os
impressionantes dispositivos de segurança revelam que sou considerado um
réu de alta periculosidade para as autoridades prisionais. «O
terrorista mais perigoso das FARC» segundo palavras do próprio
presidente Uribe, que me condenou, sem ser ouvido em julgamento, e agradeceu ao
primeiro mandatário mexicano, Felipe Calderón, a sua
colaboração na minha captura, insistindo ainda assim os
juízes de garantias e de apelação que a minha
detenção aconteceu na Colômbia.
É um verdadeiro sarcasmo que, enquanto o ministério
público promete para mim uma pena de mais de quarenta anos pelos delitos
de rebelião e concertação para delinquência com fins
terroristas, aos verdadeiros criminosos, que semearam o terror em todo o
país, é-lhes oferecido que purguem as suas dezenas de
homicídios em 8 anos, a troco da sua confissão, amparados na
política de "justiça e paz". Noutros casos, a
justiça nem sequer tomou conta deles e continuam na total impunidade
desempenhando importantes cargos públicos ou altos postos de
direcção nas forças militares.
No meu processo, não sou acusado de despedaçar camponeses com
moto-serra, nem me é atribuído o assassinato de jovens
provenientes de sectores populares que depois são apresentados como
"falsos positivos"; também não me são
imputados tratamentos cruéis, desumanos e degradantes contra
ninguém; muito menos me acusam de delitos de lesa humanidade. Acusam-me
de "instigação ao terrorismo" por denunciar estes
factos e relembrar a responsabilidade do Estado Colombiano e das Forças
Militares nestes crimes: acusam-me de ser um terrorista por sustentar nos meus
escritos em fóruns públicos que as FARC são uma resposta
histórica às múltiplas violências do Estado, porque
neste país, por decreto presidencial, não existe conflito armado,
pese embora o número de deslocados por causa da violência
ultrapassar já os 4.000.000 de pessoas.
O facto de citarem as minhas actividades académicas como indícios
para me culparem, demonstra que se trata de uma clara tentativa de criminalizar
um trabalho docente e investigativo incómodo para o estabelecimento.
No passado, estes mesmos métodos foram aplicados a destacados
professores universitários como o sociólogo Alfredo Correa, a
quem acusaram de ser um "ideólogo das FARC"; nessa
ocasião, as falsas acusações vieram de
informações proporcionadas pelos mesmos organismos de
informação do Estado, concretamente do DAS,
instituição que depende directamente da Presidência da
República. Apesar de no processo jurídico se ter podido comprovar
a sua inocência, ao professor Correa o Estado não lhe garantiu o
direito à vida: poucas semanas depois da sua libertação,
caía assassinado nas ruas de Barranquilha. Infelizmente, esta
política de hostilização contra a Academia Colombiana
não é coisa do passado, pelo contrário, tem vindo a
aumentar com a chamada política de "segurança
democrática". William Javier Díaz é um exemplo
disso, integrante da Oficina de Formação Estudantil Raíces
(TJER), que durante mais de uma década organizou seminários de
pensamento social na Universidade Pedagógica e na Universidade Distrital
"Francisco José Caldas", com o apoio de reconhecidos
académicos e investigadores, hoje é vítima de uma montagem
jurídica similar, onde, com base em espúrios arquivos de um
suposto computador capturado à guerrilha, ele é apresentado como
um militante das FARC.
Desta maneira, o Estado pretende castigar os que consideram que os estudantes
devem estar em contacto permanente com os problemas sociais não
só do passado mas também do presente; que os futuros
profissionais têm de estar em contacto com as persistentes e duras
realidades de um país-continente que hoje parece despertar depois de
anos de letargia.
A universidade, centro por excelência de produção e
circulação do pensamento crítico, não pode ceder a
esta intimidação, escudando-se numa suposta neutralidade da
teoria, nem refugiando-se na torre de marfim de um conhecimento de
especialistas alheio a qualquer compromisso com a realidade social, com as
liberdades do pensamento e da expressão escrevia o professor
universitário e também activista dos direitos humanos
Héctor Abad Gómez «é um direito duramente
conquistado ao longo da história por milhares de seres humanos, direito
que devemos conservar. A história demonstra que a
conservação deste direito requer esforços constantes,
lutas ocasionais e ainda, por vezes, sacrifícios pessoais».
Na Colômbia, a Associação Sindical de Professores
Universitários foi um instrumento de defesa deste direito, preservando-o
com a sua luta a alma mater, não apenas dos bárbaros que a
pretendem fazer calar recorrendo à violência e à
ameaça, mas também fazendo frente às políticas
neoliberais que procuram asfixiá-la financeiramente.
A generosa solidariedade que vocês me brindaram nestes dois longos meses
de reclusão, corrobora este compromisso que por décadas
mantiveram em prol da defesa da educação superior e torna
presente que esta luta não é apenas pela minha liberdade, mas
também pela liberdade e pelo respeito ao trabalho científico e
intelectual.
Desde estas quatro paredes que aprisionam o meu corpo, mas não o meu
pensamento, quero fazer-lhes chegar a minha voz de sincero agradecimento pelos
vossos gestos de solidariedade e o meu convencimento de que nesta luta
chegaremos até ao fim, para que no país o pensamento possa
circular livremente e não seja ameaçado por aqueles insensatos
que aspiram reviver os tempos da inquisição, condenando à
fogueira os que expressam ideias e opiniões diferentes.
Um abraço fraternal.
Miguel Ángel Beltrán Villegas
|
Tradução de
http://infoalternativa.org/spip.php?article1073
Para manifestar solidariedade com mais esta vítima do narco-fascismo colombiano,
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