O estado colombiano recruta meninas e meninas para a guerra

por ELN [*]

O Estado colombiano continua submetido à Doutrina de Segurança Nacional do imperialismo, em que o ponto central é golpear a população para cortar o sustento às guerrilhas. Assim se explica a política de terra arrasada em amplas regiões do país e o extermínio dos dirigentes sociais e suas organizações, em operações combinadas de tropas regulares, agentes de inteligência e tropas irregulares do paramilitarismo.

Na nova Doutrina Damasco, que o terceiro governo de Uribe apresenta como a Política de Defesa e Segurança, sustenta-se toda a estrutura estatal anti-subversiva, levando-a ao controle micro-territorial com as Zona Estratégica de Intervenção Integral; adaptam-se as Forças Armadas para colocá-las ao serviço da NATO e potencia-se a arma da inteligência.

A política de recrutamento de menores de idade

Agora massificam-se as escolas de inteligência, para preparar os informantes das Forças Armadas e da Polícia e para infiltrar seus espiões nas fileiras das guerrilhas, assim como nas organizações sociais e políticas de oposição ao regime.

É política oficial do Estado colombiano o recrutamento de meninas e meninos, para pô-los a trabalhar como agentes de inteligências ou espiões das Forças Armadas e da Polícia.

Desde há muitos anos o Estado abriu seus Batalhões e Postos de polícia para campanhas de aproximação com a população, pondo ênfase no trabalho para ganhar o interesse dos menores de idade: oferecendo suas instalações para a realização de pinhatas , festas com palhaços e conjuntos musicais, emprestando suas piscinas, campos desportivos, carros blindados e diversão como meios para a diversão e o entretenimento de meninas e meninos.

Aos menores de idade disfarçam-nos com os uniformes militares e até os maquilham com imitações das utilizadas pelas tropas de assalto. Induzem-nos à guerra com jogos como soldadinhos, polícias ou carabineirozinhos por um dia. Levantam-se os perfis psicológicos de cada menor, seleccionando aqueles que sofrem problemas de desajustamento familiar e investigam-se suas famílias, para avançar com um plano de recrutamento, mediante escolas de inteligência com menores de idade. Assim lhes vão colocando pequenas tarefas de espionagem, que para os menores significam jogos muito divertidos e vão-nos recompensando com prémios de acordo com os seus resultados. A seguiram levam-nos a nova escolas, assinalam-lhes missões mais complexas e muitos são submetidos ao serviço sexual dos seus chefes.

Este trabalho de recrutamento dos menores de idade, para a inteligência militar e da polícia, intensifica-se nas regiões de presença guerrilheira, nos bairros populares, organizações sociais e nas escolas e colégios com trajectória de luta.

O ELN liberta meninas e meninos espiões

A Frente de Guerra Oriental (FGO), através de trabalhos de inteligência conseguiu descobrir dentro da população três menores de idade que foram treinados por militares colombianos para infiltrarem-se no ELN. Foram detidos nossas unidades guerrilheiras.

Hoje, a FGO liberta os referidos menores de idade:
–  Angélica Marina Sandoval Leal , de 14 anos de idade, natural de Aguazul, Casanare, recrutada pelo Exército desde os 10 anos.
–  Dana Yulieth Mogollón Lugo , de 15 anos de idade, de Yopal, Casanare, recrutada pela policia desde os 10 anos.
–  Luis Enrique Rincón Trujillo , de 15 anos de idade, natural de Aguazul, Casanare, recrutado pela policia desde os 10 anos.

A dupla moral do Estado colombiano e dos seus governantes

Frequentemente o aparelho judicial do Estado emite ordens de captura e condenações contra os comandantes guerrilheiros devido ao suposto recrutamento de menores, que é tipificado como um crime de guerra. Contudo, nunca foi iniciado um só procedimento judicial contra a cúpula militar e os chefes de governo, os quais, de forma encoberta e sistemática, mantêm a política do recrutamento de menores para a inteligência militar e da polícia.

Convidamos todos os organismos internacionais defensores dos Direitos Humanos e do Direito Internacional Humanitário a verificarem esta política estatal colombiana e a condenarem estes crimes de Estado, exigindo que se cancele o recrutamento de menores de idade.

Reiteramos que o ELN não realiza recrutamentos como faz o Estado e que o ingresso nas nossas fileiras é um acto voluntário e consciente, mediado por um processo de selecção.

Hoje, como um gesto humanitário, o ELN está devolvendo estes três menores de idade ao seio das suas famílias, mediante os bons ofícios da delegação humanitária.

Nem rendição nem entrega, sempre junto ao povo.

Colômbia para os trabalhadores!

Nem um passo atrás, libertação ou morte!

Comando Político Militar Estratégico,
Frente de Guerra Oriental, Comandante en Jefe Manuel Vásquez Castaño
Ejército de Liberación Nacional, Montanhas, selvas, savanas e cidades do Oriente colombiano
23 de Dezembro de 2019

O original encontra-se em eln-voces.net/el-estado-colombiano-recluta-ninas-y-ninos-para-la-guerra/

Este documento encontra-se em https://resistir.info/ .

02/Jan/20