Legalizar o consumo da droga:
única alternativa séria para eliminar o narcotráfico

por FARC-EP

A classe dirigente da Colômbia está gravemente afectada pela amnésia. Agora pretende ela ter descoberto a água morna, omitindo a autoria da proposta de legalizar o consumo da droga feita por um plenário do Estado Maior Central das FARC em Março de 2000. Esta proposta fora divulgada no mesmo ano, na Audiência Pública Internacional sobre produtos ilícitos, realizada em Los Pozos, perante a presença de numerosas personalidades das comunidades internacional e nacional — que, para não incomodar os governos dos Estados Unidos e da Colômbia, tão pouco exprimiram o seu ponto de vista quanto a este tema de transcendental importância para a saúde e o bem estar dos povos. Para contribuir com elementos de análise quanto a este fenómeno controverso, inerente ao sistema em vigor, transcreve-se o texto integral da referida proposta.

Com o desenvolvimento ao extremo do capitalismo na sua etapa imperialista, que nesta fase da globalização afunda na miséria a maioria da população mundial, muitos povos de economia agrária importante optam pelos cultivos da coca, papoula e marijuana como única alternativa de sobrevivência.

Os ganhos destes camponeses são mínimos. Aqueles que realmente se enriquecem são os intermediários que transformam estes produtos em substâncias psicotrópicas e que as levam e realizam nos mercados dos países desenvolvidos, em primeiro lugar os Estados Unidos da América do Norte. As autoridades encarregadas de combater este processo são presa fácil da corrupção, pois sua ética sucumbe perante qualquer suborno superior a 50 dólares.

Governos, empresários, desportistas, artistas, pecuaristas e latifundiários, militares, políticos de todas as peles e banqueiros concedem-se licenças morais para aceitar dinheiros deste negócio que gera grandes quantias de dólares provenientes dos drogados dos países subdsenvolvidos.

O capitalismo enfermou a moral do mundo fazendo crescer permanentemente a procura de estupefacientes, ao mesmo tempo que as potências imperiais ilegalizam esse comércio, dada a sua incapacidade para produzir a matéria-prima. O exemplo do mercado da marijuana nos Estados Unidos é evidência plena.

Por ser tão grande a procura nos seus próprios territórios, assim como volumosa a quantidade de dólares que sai por isso das suas fronteiras, erigem o degrau da produção como seu inimigo estratégico, em grave ameaça à sua segurança nacional. Esquecem os seus próprios postulados do livre comércio: a oferta em função da procura, descarregando sua soberba contra os camponeses que trabalham simplesmente para sobreviver pois estão condenados pelo neoliberalismo à miséria do subdesenvolvimento.

O narcotráfico é um fenómeno do capitalismo globalizado e em primeiro lugar dos gringos. Não é o problema das FARC. Nós recusamos o narcotráfico. Mas como o governo norte-americano usa como pretexto para a sua acção criminosa contra o povo colombiano a existência do narcotráfico, exortamo-lo a legalizar o consumo de narcóticos. Assim se suprimem pela raiz os altos rendimentos produzidos pela ilegalidade deste comércio, assim se controla o consumo, atendem-se clinicamente os fármaco-dependentes e liquidam definitivamente este câncer. Para grande enfermidades, grandes remédios.

Enquanto isso, devem contribuir com fundos suficientes para a cura dos seus doentes, para campanhas educativas que afastem a humanidade do consumo destes fármacos e para financiar nos nossos países a substituição dos cultivos por produtos alimentícios que contribuam para o crescimento são da juventude do mundo e para a melhorai das suas qualidades morais.

Mas que não continuem a financiar a guerra através de políticas como O Plano Colômbia, estratégia criminosa que despeja mais gasolina no nosso conflito interno. Que não continuem a brincar com a vida dos nossos compatriotas ao despejar vermes que matam toda a vegetação e muitas vezes as pessoas. Que não continuem a fumigar porque estão a matar a natureza. Que não continuem a alterar o nosso precário equilíbrio ecológico. Que não coloquem os camponeses colombianos como carne de canhão dos seus propósitos sujos, pois os gringos estão acostumados a fazer a guerra bem longe das suas fronteiras sob qualquer pretexto e a fazer experiências criminosas com os povoadores dos nossos subdesenvolvidos países.

Se realmente querem liquidar o fenómeno do narcotráfico, devem ser sérios. Não utilizar a desgraça do nosso atraso como elemento eleitoreiro na luta de democratas e republicanos nos EUA. E menos ainda como vergonhoso pretexto para justificar intromissões nos assuntos internos dos nossos países.

Os governantes da potência imperial do norte devem abandonar sua dupla moral, sua hipocrisia e sua ambição e dar uma contribuição real para a humanidade. Não devem esquecer que o antigo império romano pereceu pela sua arrogância e imoralidade.

FARC - Exército do Povo
Pleno do Estado Maior Central


"Com Bolívar, pela paz e a soberania nacional"
Montanhas da Colômbia, Março de 2000

Esta proposta encontra-se em http://resistir.info/ .

08/Jan/07