Os que Uribe pretende libertar não são das FARC

por Presos e Presas das FARC

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Os presos integrantes das FARC alertaram a opinião pública nacional e internacional para as manobras do presidente do país, Álvaro Uribe, no sentido de evitar a desmilitarização dos municípios de Florida e Pradera e sentar à mesa a fim de negociar a troca de prisioneiros de ambas as partes. Denunciaram também que os mil "guerrilheiros" da lista do governo para desencarceramento não pertencem às FARC. Asseguraram que se trata de uma "farsa", uma vez que se trata de "pessoas que há dois anos atenderam a um apelo do governo vinculando-se ao chamado processo de justiça e paz, que foram enganados por esta política da desonra e que, além disso, hoje não são militantes das FARC". Seguem-se os seus comunicados:

Comunicado à opinião pública

1- O governo nacional equivoca-se ao pretender cinicamente que nós os prisioneiros de guerra e presos políticos das FARC-EP nos reinsiramos na segunda fase da Lei de Justiça e Paz, como tentou desesperadamente no dia 28 de Maio nas diversas prisões do país.
2- Esta manobra só pretende desviar a atenção da grave crise institucional gerada pela parapolítica, além de adubar o terreno para a impunidade dos delitos cometidos por altos funcionários do Estado.
3- Nós não estamos dispostos a negociar princípios e declaramos ao senhor presidente, à comunidade internacional e ao povo que a única forma real é a troca de prisioneiros, que além disso pode ser o ponto de partida para alcançar caminhos em direcção à paz do Justiça Social, como declarou nosso secretariado nacional a quem ratificamos nossa subordinação pois continuamos a estar à sua disposição.
4- Convidamos o povo, os países amigos, os familiares dos presos e os próprios presos a não se deixarem enganar e a exigir ao governo nacional a evacuação [dos dois municípios] e que se sente para negociar sem dilações a troca de prisioneiros que é o clamor nacional.
Presos Políticos prisioneiros de guerra do Norte Oriente – FARC-EP
Prisão de Girón
Girón (Santander), 29 de Maio de 2007


À opinião pública nacional e internacional

Os presos políticos e prisioneiros de guerra recolhidos no Estabelecimento Penitenciário de Média Segurança Doña Juana de La Dorada Caldas, antiga via El Palmar – Barrio Las Ferias, damos conhecimento aos media nacional e internacionais do seguinte:
1- A 28 de Maio de 2007, por iniciativa do governo nacional, efectuou-se no interior da instituição um inquérito relacionado com o programa que o executivo está a promover para extrair o Intercâmbio Humanitário tão ansiado pelo povo colombiano.
2- Nós os presos políticos e prisioneiros de guerra recolhidos no Establecimiento Penitenciario de Mediana Seguridad Doña Juana de La Dorada Caldas abstemo-nos rotundamente em sermos participantes do mencionado programa, pois o governo na sua programação deve ter muito claro que nosso percurso revolucionário decorre sob os parâmetros de uma directriz.
3- Fontes fidedignas puseram-nos de sobre aviso no que se refere à finalidade da concessão da nossa liberdade. Os ex-integrantes do outrora movimento M19 paulatinamente foram vítimas das balas traidoras e assassinas.
Dorada Caldas, 30 de Maio de 2007.
Presos políticos e prisioneiros de guerra recolhidos no Pavilhão Nº 3 no Estabelecimento Penitenciário de Média Segurança Doña Juana de La Dorada Caldas.


Comunicado à opinião pública

Nós as detidas e os detidos prisioneiros de guerra que pertencemos às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo, recolhidos no EPC de Picaleña de Ibagué, exprimimos o que se segue acerca da publicitada proposta de desencarceramento apresentada pelo governo do presidente Uribe, que denominou "Plano do Governo Nacional para alcançar a paz e a tranquilidade do Povo Colombiano".
Diante disto:
1- Recusamos esta proposta e entendemo-la como uma falsidade que tenta criar uma cortina de fumo sobre a situação gerada pelo processo da NARCOPOLÍTICA.
2- Os que se beneficiam com o desencareramento são aquelas pessoas que há anos atenderam ao apelo e vincularam-se ao processo de justiça e paz, que foram enganados por esta política da desonra e, além disso, hoje não são militantes das FARC.
3- Ratificamos que o nosso compromisso é com as FARC-EP e com o povo, e não com o hoje cada vez mais deslegitimado Estado oligárquico.
4- Mantemos a convicção de uma paz com justiça social, não só com o silenciamento dos fuzis como também em resultado de uma saída política para o conflito armado.
5- Defendemos a troca de prisioneiros de guerra, a partir de um acordo humanitário, como meio para alcançar a liberdade das pessoas retidas por ambas as partes.
Prisioneiros e prisioneiras de guerra retidos(as) em Picaleña


Comunicado dos presos políticos e prisioneiros de guerra das FARC-EP no Estabelecimento Penitenciário de Alta e Média Segurança de Valledupar

Nós os presos políticos e prisioneiros de guerra das FARC-EP recolhidos no estabelecimento penitenciário de alta e média segurança de Valledupar dizemos que o desencaramento maciço de guerrilheiros é outro tipo de Farsa promovido pelo governo através do programa de reinserção para promover o discurso da segurança democrática. Por isso nós os presos políticos e prisioneiros de guerra não aceitamos o que evidentemente é outra cortina de fumo para favorecer a parapolítica.
A única possibilidade real de que nós os presos políticos e prisioneiros de guerra das FARC-EP sairmos das masmorras do regime será mediante o acordo humanitário gestionado pelos nossos porta-vozes oficiais designados pelo Secretariado. Esperaremos com dignidade e decoro que isto se verifique.
É claro que os mil "guerrilheiros" anunciados hoje 30 de Maio de 2007 pelos media não correspondem às fileiras das FARC-EP, é outra farsa que sustenta outra das montagens bandeira de Álvaro Uribe Véléz.
Assina, Oswaldo Diaz Alfaro, Representante dos presos políticos das FARC-EP na penitenciária de Valledupar.
Valledupar, 30 de Maio de 2007.

O original encontra-se em http://www.resumenlatinoamericano.org

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
04/Jun/07