Em que país queremos viver?
por FARC-EP
Quando escutamos palavras suaves, quase neutras, como
pessoas por localizar, homicídios colectivos, assistência militar,
gente de bem, paz com legalidade,
estamos frente aos eufemismo de uma presidência estúpida que
acredita que com artifícios verbais pode ocultar a horrível
realidade da Colômbia vitimizada pelos desaparecimentos forçados,
pelos massacres de líderes sociais, pela repressão militar a
cidadãos inermes, pelo câncer da corrupção que nos
está a matar e pelo desconhecimento e traição do governo
ao Acordo de Paz... Essas palavras de engano são só caramelos
envenenados para matar com doçura e para não chamar a
atenção dos organismos defensores de direitos humanos à
escala mundial.
Será esta uma característica da "Locombia" ou da
"Colômbia com P maiúsculo", de que fala Iván
Duque, o presidente da Ñeñe-política?
[1]
Os verdadeiros vândalos, os mais violentos, são aqueles que a
partir do governo destruíram e vandalizaram com suas políticas
injustas nosso futuro de dignidade. Não são os jovens que
protestam com escudos improvisados do ESMAD
[2]
e da gente de bem de Cali que dispara sobre eles com fuzis, metralhadoras e
pistolas.
À verdadeira gente de bem dói a perda da vida e da integridade de
qualquer pessoas, mas à indolente senadora Holguín do partido do
governo a perda de um olho de um manifestante agredido pela Força
Pública parece-lhe algo tão insignificante que repreende as
pessoas dizendo-lhes "deixem de chorar por um olho".
A senhora Azcarate também é gente de bem e por isso não
para. Não para de traficar e de fazer barulho. Num lapso da senadora
María Fernanda Cabal reconhece que os poucos impostos que pagam os
pequenos proprietários são roubados onde ela trabalha. Nada mais
certo e pela primeira e única vez, [estamos] de acordo com ela.
"A Colômbia é um país de instituições e
que o mundo o saiba", diz o ministro Palacio no Congresso. Sim, isso
é certo, mas de instituições apodrecidas e corruptas,
violadoras dos Direitos Humanos, sem decoro e ajoelhadas frente a Washington,
sempre contra o povo e ao serviço dos mais poderosos sectores
económicos e dos partidos oligárquicos.
Para completar as coisas, os meios de comunicação cumprem a
torcida missão de desinformar e de embelezar a imagem do regime. Abrem
os seus microfones a paramilitares confessos como Andrés Escobar, que em
Cali, em Ciudad Jardín, junto a polícias, com pessoas de bem, bem
confortáveis na região, dispararam contra os manifestantes. Esse
sujeito reconhece perante os media que criaram grupos armados para defender a
propriedade privada. Enquanto os media o maquilham como um paramilitar com
classe, acusam de vândalos e terroristas os jovens e indígenas que
reclamam nas ruas o que é justo.
O país da gente de bem tornou-os importadores do que antes
produzíamos e, graças aos bloqueios, o sector importadores
reconhece que em Buenaventura há mais de 500 mil toneladas de milho
retidas e outro tanto de feijão (a bandeja camponesa deixou de ser
camponesa nos seus ingredientes).
Dizem que até o momento as perdas superam os 15000 milhões de
milhões, mas um plano de choque social para sair da pobreza pode custar
menos. O país onde existem isenções fiscais para os
grandes ricos e onde a evasão pulula (50 milhões de
milhões por ano) ocupa o terceiro lugar em que as multinacionais
não são tributadas.
Devemos escolher em que país queremos viver, se na Locombia ou Polombia
do fascismo crioulo ou na Colômbia humana e digna pela qual hoje lutam os
pobres nas ruas.
Frente Acacio Medina, Columna Vladimir Estiven
FARC-EP, Segunda Marquetalia
[1] Ñeñe: traficante de drogas e assassino que foi colaborador do
ex-presidente Álvaro Uribe
[2] ESMAD: Escuadrón Móvil Antidisturbios, tropa de choque
organizada e assessorada por
peritos de Israel.
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