Na minha visita ao Complexo Químico da Juventude Namhung, em 2012,
informaram-me que se tratava de uma fábrica de fertilizantes
químicos e produtos plásticos. O número de
pessoas no complexo era então de 12 mil, mas disseram que só uma
parte deles
3000 a 4000 eram trabalhadores da fábrica e o resto fazia
"outro trabalho". Naquele momento não entendi e não
sabia o suficiente para perguntar o que significava isso. Só depois de
aprender acerca dos métodos que a Coreia do Norte estava a introduzir
para encorajar a auto-suficiência alimentar a nível local é
que entendi que as restantes 8000 pessoas não envolvidas directamente na
produção do complexo químico faziam parte do que eles
chamam "operação de retaguarda". Elas são
responsáveis pelo trabalho reprodutivo de criar porcos, galinhas e patos
bem como plantar arroz e verduras para alimentar os trabalhadores da
fábrica e suas famílias.
No sítio da construção da Central Hidroeléctrica de
vários níveis do Rio Chongchon, também, trabalhadores da
"operação na retaguarda" criavam porcos e galinha e
investigavam o melhor meio de plantar tomates e pepinos em estufas enquanto o
ruído surdo da construção podia ser ouvido do outro lado
da instalação. A equipe de "operação na
retaguarda" é responsável pelo trabalho regenerativo de
alimentar e sustentar os trabalhadores da central hidroeléctrica em
construção.
Analogamente, todas as unidades da sociedade norte-coreana cooperativas
agrícolas, fábricas, negócios, unidades militares,
universidades, sítios de grandes construções, complexos de
apartamentos, etc têm equipes de "operação na
retaguarda" que criam animais e plantam verduras para cuidar autonomamente
das suas próprias necessidades alimentares. E a maior parte adoptou um
método de agricultura orgânica chamado "sistema de
produção em circuito fechado"
("closed-loop production system"),
um meio energeticamente eficiente de produzir alimentos pela reciclagem de
resíduos a fim de minimizar inputs de recursos.
O melhor exemplo do sistema de produção em circuito fechado que
testemunhei foi o Complexo Residencial para Cientistas de Satélites em
Pyongyang um complexo de 1,3 km2 de instalações
residenciais para cientistas envolvidos no programa de lançamento dos
satélites da Coreia do Norte. Foi construído em 2014 junto
à Academia de Ciências do Estado e é dedicado aos
cientistas do país como apreciação do seu serviço e
para encorajar a investigação de alta tecnologia e a
inovação.
Um milhar de famílias de cientistas residem em 24 edifícios de
apartamentos e cada um deles tem um jardim comunal onde os residentes plantas
verduras e colhem o que precisam para suas famílias. O complexo
também tem quatro estufas onde plantam tomates, pepinos, cebolinhas e
outras verduras frescas ao longo de todo o ano.
Na minha visita ali em Maio de 2015 fiquei contente por descobrir que a pessoa
responsável pelas estufas do Complexo Residencial de Cientistas de
Satélites era Ryang Hae-ok, esposa do bisneto do eminente químico
norte-coreano Ri Sung-gi (ver a
introdução
desta série para uma breve descrição da vida e obra de Ri
Sung-gi). Quando contei a Ryang que foi o trabalho de Ri no desenvolvimento do
têxtil juche
vinalon
que inspirou minha jornada de estudo da ciência e tecnologia da Coreia
do Norte ela ficou eufórica e deu-me uma saudação calorosa
e acompanhou-me numa visita pessoal às estufas.
No interior da estufa há uma pocilga, por trás da qual
está um pequeno tanque com plantas ricas em nutrientes a que chamam
"erva proteica". Entre as raízes da erva proteica flutuante
vivem peixes de águas lamacentas. Os resíduos dos peixes
proporcionam nutrientes para as plantas, as quais por sua vez actuam como um
sistema de filtro que pode ser colhido, limpando a água de modo a que
possa ser reciclada continuamente. A erva é um sistema rico em
proteínas que é misturada com o alimento para os porcos. As
pessoas capturam e comem o peixe e alimentam o resto dos porcos. Os
resíduos dos porcos e os restos dos vegetais são fermentados para
produzir gás metano utilizado para cozinhar. O resíduo de um
torna-se alimento para o outro e, deste modo, há uma reciclagem
circular, um sistema sustentável.
O Instituto de Ciência Vegetal de Pyongyang
O Instituto de Ciência Vegetal de Pyongyang faz parte da Academia
Nacional de Ciência Agrícola. É uma estufa
hidropónica
maciça localizada nos arrabaldes de Pyongyang.
Em 2008-2009 a Coreia do Norte, confiante na sua capacidade de aumentar a
produção de cereais, depois de finalmente ultrapassar o
período da Marcha Árdua e normalizar a produção de
fertilizantes químicos baseados no carvão, estabeleceu um novo
objectivo nacional: aumentar os vegetais e frutos na dieta do país. Para
aumentar a produção frutícola, construiu o Pomar do Rio
Daedong com 991 hectares e o Pomar de Gosan com 2974 hectares.
Para o aumento da produção o Instituto de Ciência Vegetal
de Pyongyang foi estabelecido como modelo para investigar e desenvolver
tecnologia de vanguarda no cultivo e partilhar suas realizações
com cooperativas de todo o país.
Levou apenas um ano para as forças combinadas de instrutores e
estudantes da Universidade Kim Il-sung e a unidade de construção
do exército norte-coreano construírem o instituto como uma
instalação de investigação no estado da arte. O
instituto, que abriu as portas em Março de 2011, produz vegetais
frescos, como tomates, pepinos, pimentos, rábanos e alfaces o ano todo.
A área edificada com 600 mil metros quadrados abriga uma estufa com 300
mil metros quadrados e uma estufa hidropónica com 100 mil metros
quadrados, bem como um laboratório de biologia no estado da arte.
Inicialmente foi utilizada uma caldeira alimentada a carvão para aquecer
a estufa, mas agora o instituto utiliza geotermia, vento e energia solar a fim
de manter temperaturas óptimas em todas as estufas sem precisar de
combustível fóssil.
O instituto efectua investigação para a melhoria da quantidade e
qualidade das culturas do país. Seu objectivo declarado é
aumentar os rendimentos das plantações para 2965 toneladas por
hectare.
Algumas das investigações exemplares que o instituto faz
actualmente incluem:
Cultivo de tomates e vegetais anuais na forma de uma árvore que pode
produzir durante dez anos;
Cultivo e aclimatação de novas variedades de vegetais ricos em
nutrientes, tais como beterrabas amarelas, salsa, alho-cebola
(combinação de alho e cebola), ginseng azul e
"proteína vegetal" (vegetais folhados moldados como alface,
ricos em proteínas);
Ciência das estufas, tais como temperaturas e exposição
à luz solar óptimas, tecnologia de irrigação e
análise precoce do conteúdo de vegetais.
A estufa hidropónica do instituto utiliza cascas de cereais como meio de
crescimento para agricultura aquática de uma variedade de vegetais. Mais
de dez tipos de nutrientes de plantas são distribuídos por toda a
estufa através de um sistemas de canalizações e o
instituto investiga os nutrientes óptimos para diferentes variedades. Ao
eliminar a necessidade de lotes de terra vastos e minimizar o espaço
necessário para a agricultura, a hidropónica torna a
automação e gestão agrícola mais simples.
A tecnologia do cultivo em estufa e hidropónica estudada e desenvolvida
pelo Instituto de Ciência Vegetal de Pyongyang já está a
ser replicada em unidades agrícolas especializadas em vegetais por toda
a Pyongyang, tais como a Cooperativa Agrícola Chonnam no Distrito
Hyongjesan, a Cooperativa Agrícola Daesong no Distrito de Daesong, a
Cooperativa Agrícola Bongsu no Distrito Mangyongdae e a Cooperativa
Agrícola Jangchon no Distrito de Sadong. Ela também se propaga a
outras províncias, tais como a Unidade Agrícola Especializada em
Vegetais na Província de Hamgyong Sul, bem como às cidades de
Chungjin, Nampo, Hoeryong e aos municípios de Shinyang e Onsung.
Energia renovável
A Coreia do Norte fundou o Centro de Investigação
Energética no âmbito da Academia de Ciências com o objectivo
de reduzir a dependência do país em combustíveis
fósseis e aumentar o desenvolvimento e utilização de
energias renováveis. Como declarado em 2018 por Kim Jong-un, no Discurso
de Ano Novo, o país pretende resolver sua questão
energética principalmente através da energia
hidroeléctrica e também através da
utilização acrescida da energia eólica, geotérmica,
solar e da biomassa.
Após anos de investigação e desenvolvimento, agora o
país começou a adoptar a utilização da energia
renovável a uma escala nacional. Exemplo: está a produzir
gás metano a partir de resíduos de porcos e unidades
agrícolas para gerar energia e está a fornecer bombas de
carneiro hidráulico
a áreas agrícolas a fim de irrigarem terras sem precisar de
electricidade. Também está a investigar meios de utilizar energia
das marés e um número crescente de jovens cientistas opta pela
energia renovável como campo de estudo.
Energia solar
A Coreia do Norte utiliza a energia solar de dois modos principais: para
aquecer água através de sistemas de painéis solares
térmicos e para converter a luz solar em energia eléctrica
através de painéis solares fotovoltaicos.
Sistemas solares térmicos para aquecimento de água foram
introduzidos no país na Feira Internacional de Outono de Pyongyang, em
2012, e desde então tornaram-se muito populares por toda a parte. Eles
são instalados nos telhados para aquecer a água, a qual é
então distribuída através do edifício para
utilização familiar e para aquecimento de ambiente.
Os painéis solares têm grande procura. Eles são instalados
com rastreadores do sol o que permite aos painéis moverem-se de acordo
com a direcção do sol e aumentarem assim a sua eficiência.
As unidades de produção que costumavam confiar na rede
eléctrica estatal agora produzem a sua própria electricidade
convertendo a energia solar através dos painéis fotovoltaicos.
Eles também fazem condicionamento do ar e aquecimento ambiente
através de instalações geotérmicas e agora
estão a enviar seus excedentes de energia para a rede eléctrica
nacional. Um sistema de geração paralelo pelo qual as
fábricas geram sua própria electricidade juntamente com a rede
eléctrica nacional permite à energia fluir em ambas as
direcções.
Centro de Gestão de Comunicações Móveis de Pyongyang
No Centro de Gestão de Comunicações Móveis de
Pyongyang uma multidão de painéis solares cobre as paredes
externas dos dois edifícios. Eles geram uma média de 240
quilowatts-hora por dia, ou 84.400 kWh por ano, e alimentam todas as
operações do Centro, incluindo iluminação,
equipamento, mais de uma centena de computadores na sala do centro de
disseminação de ciência e tecnologia, bem como no
ginásio interno e na cafetaria.
Na cobertura do Centro de Gestão de Comunicações
Móveis há uma estufa que produz em abundância pepinos,
margaridas e outros vegetais. A água aquecida do sistema solar de
aquecimento é arrefecida a uma temperatura óptima e utilizada
então para abastecer de água a estufa e uma área de pesca.
Nos dias ensolarados a instalação é capaz de efectuar
todas as suas operações através da energia solar sem
depender da rede eléctrica estatal.
Centro de Gestão de Comunicações Móveis de
Pyongyang,
vídeo publicado em 04/Abril/2018,
DPRK Today.
Fábrica de tecelagem da seda Kim Jongsuk Pyongyang
A tecelagem da seda Kim Jongsuk Pyongyang está equipada com
painéis solares com rastreadores e turbinas eólicas que produzem
30 kWh de electricidade por hora ou mais de 10 mil kWh por ano. Toda a
iluminação da fábrica, bem como sua sala de
história, ciência e centro de disseminação de
tecnologia, centro de computadores, centro cultural, dormitórios e
centro de cuidados de dia são inteiramente alimentados pela energia
gerada pela própria fábrica.
Tecelagem da Seda Kim Jongsuk Pyongyang,
vídeo publicado em 13/Março/2018,
DPRK Today
Fábrica de Luminárias Samcholli
A Fábrica de Luminárias Samcholli produz lâmpadas LED para
casas de repouso e centros de cuidados infantis, bem como a Rua Cientistas
Mirae. A fábrica é alimentada com a energia gerada por
painéis fotovoltaicos rastreadores do sol. Eles produzem centenas de
quilowatts-hora por dia, isto é, dezenas de milhares por ano, e injecta
o excedente de energia na rede eléctrica nacional.
legenda vídeo
Fábrica de Luminárias Samcholli,
vídeo publicado em 02/Maio/2018,
DPRK Today.
Segundo um artigo sobre energia renovável publicado em 11 de Junho do
jornal estatal
Rodong Sinmun,
a Cooperativa Agrícola Sinhwe, no município Samsu, um vale
remoto cercado por montanhas escarpadas na Província Ryanggang, instalou
painéis solares nos tectos de todos os edifícios residenciais e
público e gera electricidade suficiente para efectuar toda a
iluminação e os aparelhos de TV, bem como uma sala multimedia na
sua escola. O exemplo estabelecido por essa cooperativa agrícola
está agora a ser replicado em todas as outras aldeias do
município.
A mesma edição do
Rodong Sinmun
também anunciou que a Fábrica de Equipamento Automatizado de
Pyongyang, a qual produz turbinas eólicas, está agora a
desenvolver sistemas de geração de energia híbridos que
combinam a utilização do solar e do vento para gerar
electricidade. A Quinta de Cogumelo, segundo o mesmo jornal, já combinou
mais de uma centena de painéis solares com pequenas e grandes turbinas
eólicas para criar um sistema de geração de energia que
sintetiza os dois tipos de geradores.
Energia eólica
A energia eólica é uma fonte popular de energia renovável
na Coreia do Norte e amplamente utilizada para bombagem de água.
A Fábrica de Equipamento Automatizado de Pyongyang, costumava produzir
apenas pequenas turbinas com 1,5 kW de potência, mas agora produz
turbinas com 100 a 250 kW. O governo norte-coreano está a investir no
desenvolvimento do sector da energia eólica e muitas unidades de
produção também estão a construir de modo
autónomo suas turbinas eólicas.
O Estaleiro Naval Ryuongnam, em Nampo, é um pioneiro na
utilização de energia renovável e desde há mais de
uma década tem sido alimentado por energia eólica.
Segundo documentos exibidos no Centro de Investigação de Energia
Natural da Coreia do Norte, o objectivo a longo prazo do país é
gerar 15 por cento da electricidade do país através da energia
eólica e aumentar a geração de electricidade
através de energias renováveis para cinco milhões de
quilowatts-hora em 2044.
De acordo com uma brochura norte-coreana de 2015 dirigida a investidores
potenciais na Zona Turística Internacional Wonsan-Monte Kumgang, o
investimento total necessário para construir um conjunto de energia
eólica para abastecer de electricidade as áreas de Tongchon e
Monte Kumgang é de US$39 milhões. A Coreia do Norte propõe
executar o projecto em dois anos e financiá-lo através de um
plano
Build-Operate-Transfer
(BOT) pelo qual o investidor estrangeiro operaria o complexo durante dez anos a
fim de recuperar o seu investimento e então transferiria a propriedade
para a Zona Turística Especial de Wonsan.
Calor geotérmico
O sector da energia renovável em que a Coreia do Norte fez os maiores
avanços foi o do calor geotérmico.
A Fábrica de Maquinaria Geral Huichon Ryonha, na Província
Chagang, foi uma das primeiras do país a instalar um sistema de
aquecimento geotérmico. Em 2010, quando todo o país lutava para
avançar e sair do período austero da Marcha Árdua, nos
anos 1990 e 2000, a fábrica estava a desenvolver um sistema de
produção em massa de máquinas-ferramenta com controle
numérico no estado da arte para capacitar todos os sectores
económicos básicos, tais como aço, fertilizantes,
têxtil, produtos químicos e processamento alimentar, a
modernizarem a sua produção. Por instrução do
então líder norte-coreano Kim Jong-il no sentido de garantir que
não só modernizassem a maquinaria como também tornassem
seu lugar de trabalho um instalação no estado da arte, os
engenheiros da fábrica equiparam-na com um sistema de aquecimento
geotérmico. Toda a fábrica, sete vezes a dimensão de um
campo de futebol e localizada nas altas montanhas da parte norte do
país, é agora aquecida através de energia renovável
e é confortavelmente cálida mesmo no pico do Inverno.
A Coreia do Norte também avança na investigação de
meios mais eficientes e económicos de colectar água
geotérmica. No passado, a fonte de água tinha de estar a 20
metros de profundidade e 15 graus Celsius para ser acessada, mas agora, com
tecnologia melhorada, pode-se ter acesso à mesma mesmo nas
regiões mais frias como o Município Samjiyon ao pé do
Monte Baekdu, onde a fonte de água atinge apenas quatro graus Celsius,
até lugares quentes como o Palácio da Escola Infantil Samjiyon.
Todos os edifícios novos na Coreia do Norte estão equipados com
sistemas de aquecimento geotérmico e de ar condicionado. Exemplos: O
Centro de Recreação Ryugyong, um moderno megaplex
[1]
de cinco andares em Pyongyang; a estufa de 929 metros quadrados no Instituto de
Ciência Vegetal de Pyongyang; o maciço Centro de Ciência e
Tecnologia e todos os recém construídos centros de cuidados
infantis, casas de repouso e escolas são aquecidos e têm ar
condicionado através da tecnologia geotérmica. E a energia
geotérmica está agora a ser combinada com a solar e eólica
para novo aumento de eficiência e potência.
Segundo uma notícia de 2016 no
Meari,
sítio de notícias online norte-coreano, fábricas do
país estão agora a produzir em massa sistemas de aquecimento e de
ar condicionado geotérmicos que podem aproveitar água
subterrânea a apenas três metros de profundidade.
Um artigo de 11/Junho/2018 no
Rodong Sinmun
descreve o plano da Autoridade de Comunicação da
Província de Hwanghae Norte para a construção de um novo
edifício de escritórios e sua discussão sobre se deveria
instalar uma caldeira alimentada a carvão como fizera no passado ou
tentar algo que nunca fora feito antes com a adopção da
tecnologia geotérmica. O artigo chamou minha atenção pois
refere-se não a uma agência na capital do país e sim a uma
área remota sem peritos em energias renováveis. Depois de
investigadores na Manufactura de Produtos de Alta Tecnologia da
Província de Hwanghae Norte terem consultado centros de
investigação científica de todo o país em busca da
solução mais eficiente, dizia o artigo, o município optou
por um sistema híbrido de geotermia e biomassa.
Metano e energia hidroeléctrica
A Coreia do Norte também encoraja cooperativas agrícolas a
reciclarem resíduos para a produção de gás metano
(CH4), um gás com efeito estufa produzido pela
decomposição biológica de matéria orgânica. A
Cooperativa Agrícola de Jangchon, em Pyongyang, por exemplo, recicla
alimentos decompostos e resíduos animais a fim de produzir metano para
fins de aquecimento e cozinha. Quando visitei a estufa solar no Complexo
Residencial de Cientistas Unha também vi produção de
metano a partir de restos de alimentos e estrume de porco, utilizado na cozinha.
Segundo um artigo de 11/Junho/2018 no
Rodong Sinmun,
a Cooperativa Agrícola Unjong-ri, na Província Chagang, uma
área montanhosa onde a maior parte das suas terras agrícolas
estão em encostas, imaginou um meio de irrigar suas terras sem precisar
de electricidade. No passado, bombear água para a encosta era
difícil pois exigia muita electricidade e, portanto, o rendimento das
colheitas na região historicamente havia sido fraco. Para resolver este
problema, a cooperativa agrícola enviou seus trabalhadores ao Centro de
Investigação em Energia Natural, da Academia Estatal de
Ciências, a fim de estudar o princípio da operação e
a tecnologia das bombas de carneiro hidráulico, alimentadas pelo poder
da água sem precisar de electricidade. Através da
utilização desta tecnologia, agora a quinta é capaz de
irrigar suas encostas e viveiros unicamente através da força da
água.
Disseminação da inovação científica
Numa sociedade capitalista, a inovação científica é
uma mercadoria utilizada para maximizar o lucro e ganhar poder sobre os
competidores. Os capitalistas processam-se mutuamente para evitar que os
concorrentes copiem suas inovações e forcem os consumidores a
comprar sua tecnologia. Na Coreia do Norte, é exactamente o oposto: o
governo central encoraja activamente as pessoas a copiarem as
inovações umas das outras.
"Aprenda ao seguir, ultrapasse ao seguir" é o slogan do
chamado "movimento educativo com base experiência", amplamente
promovido como uma matéria de política nacional. Todas as
instalações de produção na Coreia do Norte e nas
3900 cooperativas agrícolas e de especialidade têm um
"departamento de disseminação de tecnologia
científica", onde trabalhadores podem estudar avanços
científicos e tecnológicos relacionados com o seu campo de
trabalho e discutir como adaptá-los às suas
condições particulares. A biblioteca central do país e a
biblioteca de Ciência e Tecnologia em Pyongyang disseminam os mais
recentes avanços junto a departamentos de disseminação em
instalações de produção por todo o país.
Através da rede de educação a distância baseada na
intranet, publicam resultados de investigações da Academia
Estatal de Ciências, da Universidade de Tecnologia Kimchaek e da
Universidade Kim Il-sung, bem como inovações e estudos de caso
exemplares colhidos junto a instalações de produção
do país.
Outro meio de o país encorajar operários e agricultores a
adoptarem inovação e tecnologia recente é através
da exibição de fábricas e quintas modelo como estudos de
caso a fim de aprenderem com os mesmos e seguirem-nos. A Universidade de
Tecnologia Kimchaek e a Academia Estatal de Ciências integra os
avanços mais recentes e os sítios com as melhores práticas
do país para construir instalações de vanguarda em
vários campos. Dentre elas estão o Instituto de
Investigação Vegetal de Pyongyang, a Fábrica de Cogumelos
de Pyongyang, a Quinta de Especialidade Vegetal de Jangchon, a Quinta de
Lampreias de Pyongyang, a Quinta de Tartarugas de Pyongyang e o Pomar do Rio
Daedong.
Museus nacionais, tais como a Sala de Exposição das Três
Revoluções e a Sala dos Cientistas Mirae, exibem modelos de
fábricas e quintas para que trabalhadores e agricultores de todo o
país vejam e estudem. Deste modo, fábricas e quintas modelo
são replicadas em todas as regiões num intervalo de tempo de
apenas um ano ou dois. Isto é um método de executar a
política nacional de "tornar toda a população perita
em ciência e tecnologia".
Exposições nacionais e locais que exibem os mais recentes
desenvolvimentos científicos são também efectuados ao
longo do ano. Um exemplo é o 33º Festival Nacional de Ciência
e Tecnologia efectuado recentemente na Sala de Exposição das
Três Revoluções em Pyongyang. O festival de duas semanas,
de 23 de Abril a 3 de Maio de 2018, reuniu 1200 pessoas de 500 fábricas,
cooperativas e escolas do país, cada uma ansiosa por exibir seus feitos
tecnológicos. Os participantes foram seleccionados através de
processo altamente competitivo a partir de um conjunto de 13.500 grupos
totalizando 107 mil cientistas, técnicos, candidatos a doutoramento,
jovens, estudantes e trabalhadores que exibiram suas inovações em
feiras de ciência locais por todo o país. Só a escala do
festival e processo de selecção dos participantes deu-nos a
sensação de quanto a ciência e tecnologia são hoje
abraçadas e celebradas na Coreia do Norte.
Ciência e tecnologia ao serviço do povo
As seguintes declarações são frequentemente
encontráveis nos media de hoje norte coreanos e são indicativas
da ênfase sobre ciência e tecnologia na era de Kim Jong Un:
A ciência e tecnologia levará ao desenvolvimento económico
da nação e o plano do cientista nos levará a um futuro
brilhante.
A ciência e a tecnologia são o motor por trás da
construção de uma forte nação socialista.
No espírito do slogan "Finque seus pés no terreno e ponha os
olhos no mundo", nosso objectivo é transformar toda a
população em cientistas e pensadores científicos.
As universidades e centros de investigação não deveriam
viver apenas com o orçamento nacional mas tornarem-se produtores que
criam produtos de vanguarda baseados nas suas inovações e
reinvestem suas receitas para novo desenvolvimento tecnológico.
A política da Coreia do Norte sobre ciência e tecnologia na era
Kim Jong Un está claramente reflectida no discurso de Kim perante
responsáveis chave do Comité Central do Partido dos Trabalhadores
em Maio de 2013: "Vamos alcançar uma mudança radical no
avanço científico e tecnológico para acelerar a
construção de uma nação forte e
próspera".
Tendo declarado o término de um dissuasor nuclear eficaz para
defender-se de ameaças militares dos EUA, a Coreia do Norte agora
mostra-se pronta para mudar o seu talento e recursos científicos para
outro aspecto chave do seu combate contra a agressão estado-unidense:
construir uma nação economicamente robusta e auto-suficiente a
fim de desafiar o labirinto das sanções promovidas pelos EUA. O
país encoraja seu povo a rejeitar a ideia de que só pessoas
altamente educadas e peritos qualificados podem ser cientistas e treina pessoas
comuns agricultores, trabalhadores e jovens na prática de
aplicar a razão e buscar inovações baseadas em
evidências a fim de melhorar as condições da sua vida
diária.
Desafiando todas as previsões ocidentais de colapso iminente, o povo
norte coreano não só sobreviveu à crise do período
da Marcha Árdua como efectuou uma espantosa recuperação
através da sua coragem e engenho científico. Quando alguém
vai à Coreia do Norte se tiver oportunidade pode sentir de
imediato que toda a sociedade zumbe com actividades destinadas a melhorar os
meios de vida do povo, tais como alimentação e
habitação. E o país está a fazer um progresso
notável no sector da energia. Através da fidelidade à sua
filosofia da auto-suficiência e dos avanços científicos ao
serviço do povo, eles estão determinados, assim parece, a mostrar
ao mundo que é possível desafiar o estrangulamento do mundo
capitalista a fim de criar uma alternativa sustentável.
10/Julho/2018
[1] Megaplex: cinema com mais de 16 salas de projecção.